quarta-feira, setembro 28, 2005

Um imbecil chamado Ronald Koeman.

O Benfica perdeu ontem uma rara oportunidade de ganhar em Old Traford e a responsabilidade é inteirinha do débil mental que o Sr. Veiga (outro atrasado) achou por bem contratar para treinar os campeões nacionais. Ronald Koeman é, de longe, o pior treinador da história do clube, revelando uma estupidez absolutamente devastadora e um total desconhecimento da profissão que exerce. Vou ver se me lembro de não lhe perdoar a noite de 27 de Setembro de 2005 até ao fim dos meus dias.

terça-feira, setembro 27, 2005

quinta-feira, setembro 22, 2005

segunda-feira, setembro 19, 2005

Max Stirner, o anti-cristo super-homem - I

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Quando Max Stirner publica, em 1844, "O Único e a Sua Propriedade", a sociedade bem pensante da Europa deixa cair o queixo, num primeiro momento de espanto, para logo mostrar os dentes da censura, quando percebe que está em causa tudo o que de sagrado tinham escrito e dito até ali as mais brilhantes mentes liberais e socialistas, humanitaristas e revolucionárias, idealistas e conservadoras. Se Marx colocou Hegel de cabeça para baixo, Stirner dá-lhe, 20 anos antes, um pontapé no traseiro. Encostando os liberais triunfadores e vanguardistas às cordas da reacção, também desqualifica Proudhon, que chamava roubo ao exercício da propriedade, expropriando-o de qualquer tipo de pertinácia filosófica. Na altura em que o Estado de Direito dá os seus primeiros passos, o bravo Bávaro devolve-o ao útero da inutilidade ou à campa da imoralidade, o leitor decide. Com a morte de Deus ainda fresca, acabada de enunciar por Feuerbach, Stirner acusa os iluministas de devoção mística. Quando o niilismo era coisa de romancistas russos, já este valente da grande filosofia desacreditava valores morais, sociais e políticos a torto e a direito.
"O Único e a Sua Propriedade" é um dos grandes manuais de filosofia do século XIX, porque, fazendo tábua rasa do património intelectual, sensorial e empírico da Europa, num tom sardónico, rude e verdadeiramente inspirado, recentra a questão ontológica neste ponto: em última análise só poderei ser realmente proprietário do meu corpo, derradeira tangibilidade psicosomática e único valor a proteger. Assim, faz todo o sentido respeitar as prioridades que são as do meu sistema físico-químico e as da minha unicidade: rotinar o egotismo é viver com sensatez. Não reconhecer causas que transcendam a inevitabilidade de quem eu sou, é pois, uma obrigação moral, no sentido em que a moral é um instrumento de sobrevivência. Conceitos como a Religião, o Estado e a Nação são fraudes fiscais, no tribunal de contas da mãe natureza. Eu só posso ser soberano sobre mim e só de mim sou súbdito. E o único imperativo categórico digno de ser respeitado é o que decorre das necessidades da minha fisiologia. A individualidade, a singularidade, a consciência identitária de que só estou ao serviço de mim, esse sim, é o caminho para a redenção.
O livro foi, obviamente, proíbido e escondido e esquecido e amaldiçoado e ridicularizado e queimado nas fogueiras dos salões onde se reunia a gorda elite intelectual do velho continente. Gente ilustre que o leu, como Joyce, Pound Ou Miller, não falam dele nunca. Freud - que muito lhe deve - renega-o. Nietzsche que lhe deve quase tudo - esquece-se dele. Marx e Engels precisaram de 300 páginas de intenso fluxo invectivo para combater o pequeno rebelde. Darwinistas sociais e deterministas de toda a espécie fingiram que não sabiam da sua existência. Todos enfim se esforçaram por aniquilar a obra, e com tanto afinco o fizeram, que acabaram por imortalizá-la.
"O Único e a Sua Propriedade" é um tratado escrito e pensado em nome da liberdade do indivíduo. E foi por isso que incomodou tanto.
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Voando Sobre um Ninho de Corvos


(Original de 1993 em cinco posts)
POST QUARTO

Faço tudo o que é humanamente possível para que não me mandem embora. Seria absolutamente degradante falhar como doente mental e uma asneira das grandes voltar para o mundo lá fora. Aqui dentro, as regras são mais simples. Não é tão difícil viver. Não há grandes preocupações filosóficas nem dilemas existenciais. Digam-me, para que precisa um louco de Schopenhauer? Aqui, uma pessoa é alimentada, é drogada e deixa-se dormir. Tudo o resto é fazer por não perceber as palestras dos estagiários e os mandamentos dos consagrados.
Se o Fragoso andasse para aí a masturbar-se pela via pública era preso. Fechavam-no numa espelunca qualquer onde, com toda a certeza, não haveria televisão, nem pássaros, nem enfermeiras. Não está certo. Eu e o Fragoso não arredamos pé; aqui é que é bom. Temos gralhas na TV e já nos prometeram um rádio cheio de cucos. As corujas habitam o frigorífico de Verão e a lavandaria no Inverno. Tudo está no seu devido lugar.
Quando a milícia psiquiátrica desconfia que eu estou a recuperar (e eu apercebo-me da tolice sempre que olham para mim com o ar expectante do vendedor de gelados em Outubro), desato imediatamente num chinfrim acrobático de dislates de primeira categoria, babo-me, cago-me, parto a loiça, uivo bastante, esbracejo como um aflito, esperneio como um dançarino russo, coço as orelhas com os pés, canto a Internacional, exorciso os arcanjos todos que há no Inferno e dou dentadas que me farto. Depois disto, os doutores, desapontados com a terapia, envergonhados da incompetência, fecham-me a sete chaves e alimentam-me regularmente. Só de pensar que anda por aí tanta gente à procura de uns minutos de felicidade durante a vida inteira e só conseguem filhos, empregos de merda, cansaços muitos e uma morte estúpida, suja e desejada, vêem-me corvos aos olhos e acabo por adormecer na paz do nosso senhor Jesus Cristo, junkie de todas as ordens, dealer de todos os créditos, padroeiro de todos os loucos.
Sou um corvo fechado num celeiro. Enquanto houver milho para encher a barriga, não vale a pena sair.

sábado, setembro 17, 2005

quinta-feira, setembro 15, 2005

Versões Katrina

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O furacão Katrina foi recebido globalmente como um cavaleiro do apocalipse, um evento paralógico cuja missão divina transcende as razões da física e da metereologia. E, assim sendo, a tragédia prestou-se ao dislate recordista.
Para os ambientalistas da ONU, se aconteceu o que aconteceu foi porque os americanos não quiseram assinar o protocolo de Quioto. Mais: é pelo mesmo motivo que os furacões hoje em dia são mais severos (facto desenterrado da enciclopédia do empirismo delirante, anedotário zero).
Para os génios da Internacional Socialista, a catástrofe em New Orleans deveu-se essencialmente ao facto dos americanos não terem um estado social, não se percebendo bem o que é que o cú do socialismo tem a ver com as calças de uma tempestade devastadora.
Para as mentes brilhantes do Bloco de Esquerda, a destruição deve-se antes que tudo ao racismo e à pobreza que grassa nos Estados Unidos. Não me parece que a ordem de evacuar o delta do Mississipi fosse dada apenas aos brancos, nem que as equipas de salvamento andassem a recolher aflitos por categorias de tom de pele. E quanto à pobreza dos americanos, que efeito teria este fenómeno climático se tivesse acontecido em Cuba?
Para o inteligente Rebelo de Sousa (mas ninguém cala este homem?) o terrível evento é prova rigorosa de que os americanos estão de tal forma preocupados com a segurança que já não ligam nenhuma aos furacões. A simplicidade mental desta iluminária não lhe permite entender que os mecanismos de emergência médica e protecção civil cumprem exactamente a mesma função e têm precisamente a mesma importância operacional caso as pessoas estejam a morrer afogadas por uma cheia ou queimadas por uma bomba. O argumento é arrepiantemente idiota.
Para os parasitocratas da União Europeia, o furacão serviu bem para demonstrar que os Estados Unidos têm insuficiências organizacionais, facto que com muito agrado registam, enquanto chafurdam no esterco da sua inoperância crónica e da mais exemplar disfunção orgânica da história das organizações europeias.
Para os anti-americanos primários, o estrago é, claro está, devido à presença dos Estados Unidos no Iraque.
Para os anti-americanos intelectuais, a tragédia deve-se ao facto de Bush, certa vez, ter passado férias em New Orleans.
Para os colunistas é um banquete.
Para os jornalistas, é uma orgia.
Para os cínicos, é bem feito.
Para os fanáticos, é a vingança de Alá.
Para os terroristas, é instrutivo.
E eu, que vivo num país realmente miserável; eu que vivo numa nação em que há pontes a cair com as primeiras chuvadas de Outono; eu que tenho uma pátria que arde descontroladamente, ritualmente, todos os verões desde que me lembro de existirem verões; eu que sou natural da terra onde se inventou a disfunção organizacional; eu cá gosto cada vez mais de americanos, cada vez menos de europeus e quanto aos portugueses, que se calem rapidamente, antes que chegue o Inverno e Portugal fique submerso porque alguém se esqueceu de limpar a sarjeta para onde corre a merda destas opiniões todas.

Nota de rodapé - A propósito de argumentos imbecis: Mário Soares justificou em França a anormalidade da sua candidatura às presidenciais porque Cavaco Silva não tem o perfil humanista necessário para ser Presidente da nossa pequenina República. Quer isto dizer objectivamente o quê? Nadinha, acho eu.

segunda-feira, setembro 12, 2005

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Uma das grandes fragilidades das democracias ocidentais é o carácter não evolutivo e dogmático da sua filosofia política. Muito particularmente na Europa, os regimes não se questionam: colocar a democracia socialista em causa é a heresia suprema do Século XXI. Na medida que o dogma se vai perpetuando, os cidadãos, entretidos com a tecnologia e alimentados pela indústria, mal criados, mal educados e mal habituados, vão adormecendo sobre a noite decadente e abre-se na Europa um vazio de poder: o poder das ideias. E enquanto o crescimento cancerígeno de uma comunicação social completamente livre e integralmente irresponsável vai aniquilando as lideranças políticas - normalizando comportamentos até á morte da individualidade - instala-se na administração pública um buraco negro: a ausência de homens de génio.
Em Portugal, a Terceira República esgotou o seu modelo e isso é tão evidente que dá raiva ver esta gente toda a assobiar para o lado. A candidatura de Soares resume bem toda a decadência das instituições políticas: um homem antigo (nem importa realmente que idade tem) e que é o símbolo de um regime velho, justifica a sua candidatura com a resignada apreciação de que esse regime geronte que fundou é incapaz de produzir candidaturas contemporâneas com um mínimo de credibilidade (Manuel Alegre era outro homem antigo, e sem credibilidade nenhuma). Caso vença, Soares levará para Belém o mais arcaico modelo ideológico dos modelos ideológicos actualmente residentes nos palácios presidenciais de toda a Europa.
É por isto, e por tudo o resto, que é preciso ter consciência da inadequação dos paradigmas filosóficos, políticos e económicos que nos governam a vida social, antes que isso implique a falência técnica e moral da nação. É preciso perceber porque é que ficámos entregues a uma classe de dirigentes sem espírito, sem dignidade e sem ideias para além das que lhes ensinaram na quarta-classe de Salazar e nos cafés de Paris; bonecos de anedotário, obcecados por um assento confortável na Presidência da Vaidade, no Ministério da Inveja ou na Caixa Geral das Ganâncias. E é preciso agir. É preciso, por exemplo, usar as armas destes senhores e destas senhoras contra eles próprios. É preciso ignorá-los na televisão, é preciso ignorá-los nas eleições. É preciso fundar modelos teóricos e experimentá-los em células sociais. É preciso procurar soluções de gestão pública que devolvam as responsabilidades cívicas às pessoas. É preciso retirar ao estado a sua opulência disfuncional e acabar com a terrível mentalidade paternalista sobre os povos. É preciso deixar de submeter os intérpretes da vida política, e os desígnios autênticos do país, ao inquérito de pasquim e à lógica de tablóide. É preciso saber que podemos e devemos reinventar a democracia. Ou inventar uma outra utopia qualquer.
É preciso saber edificar a Quarta República.

segunda-feira, setembro 05, 2005

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Voando Sobre um Ninho de Corvos


(Original de 1993 em cinco posts)
POST TERCEIRO

O caso não é para menos, diz-me a enfermeira Saudade, gaguejando um pouco nos últimos pedaços gordurosos da sanduíche verde fungo. Eu entretenho-me a discordar. A opinião do louco Marques sobre a higiene íntima da enfermeira Saudade não tem qualquer significado pela razão simplória de que os loucos não têm opiniões; são opiniões. Péssimas opiniões, fedorentas e equívocas opiniões. Miseráveis, andrajosas, infames e dolorosas opiniões. Os loucos são essas opiniões envergonhadas dos doutores e dos sábios, dos ministros e dos profetas, dos construtores de civilização, dos professores, dos bastonários, dos juízes, dos serviços de emergência médica e dos génios da psicologia e da psiquiatria e do diabo que os carregue. Disfarçando o arroto carbónico da laranjada, a enfermeira Saudade perde-se no abismo e objecta com despeito: mas se o menino é louco, a sua opinião também não tem significado. Sim, sim, o caso não é para menos. Vou apresentar queixa do Marques. Isto não pode continuar. É uma indignidade. Saudade, que me trata por menino com a condescendência de um inquisidor espanhol, não percebe que me calou com Euclíades, o cretense mentiroso que dizia a verdade. Todos os loucos são mentirosos. Eu que o digo, sou Louco. E porque sou louco, sou mentiroso. Logo, nenhum louco é mentiroso. Se fosse um corvo, voava para Creta.

sexta-feira, setembro 02, 2005

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Os estudos laboratoriais que levaram à descoberta e industrialização da vacina contra a Poliomielite implicaram a morte de 3,6 milhões de chimpanzés.

Todos os anos milhões de animais são mortos, envenenados, torturados, queimados e gaseados em laboratórios de produtos cosméticos.
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Trova do Narciso Triste

Era uma vez um gajo que estava sózinho num quadrado e em guerra com toda a gente porque o mundo não lhe fazia a vontade e ele achava simplesmente irritante que ninguém percebesse do seu génio político até porque não há génio político que se lhe compare ou poeta que lhe transtorne os imaculados calcanhares.
Era uma vez Narciso Triste, candidato imbatível às presidenciais da inconsciência, distraído de espelhos como despido de humildade, velha glória da terceira república que agora morre e mesmo assim o senhor da nova política e da alternativa credível. Antifascista de suspensórios, senador na assembleia de si mesmo e todo ufano e todo ofendido, eis que discursa com pose de estadista encornado para a audiência de tasca que o aplaude, circunspecta.
Era uma vez a paciência.