quinta-feira, janeiro 31, 2008

"If man is five...



...Then the Devil is six
And if the Devil is six
Then God is seven
This monkey's gone to heaven"

Pixies, ao vivo, no David Lettermann Late Show da CBS. 2007 d.C.
Muita lindo.

Darwin segundo Dilbert.

"Primeiro, existiam algumas amibas. As amibas mutantes adaptaram-se melhor ao ambiente, pelo que se transformaram em macacos. Depois, surgiu a gestão da qualidade total."
Scott Adams - O Princípio de Dilbert

terça-feira, janeiro 15, 2008

Sobre a lei do tabaco.

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Nunca, depois de 33 anos de terceira república e 40 de existência, uma lei fodeu assim a minha maneira de estar vivo. Nunca. Incluo aqui toda a legislação que sustenta o fascismo tributário a que sou sujeito e a escumalha demente que tem, durante a duração deste durar, governado o meu país. Nunca, como agora, me senti assim desprezado, vilipendiado, posto à parte, submetido, amordaçado, combatido, marginalizado, compelido e traído.
Para além de todo o ridículo de uma lei mal nascida, mal pensada, mal escrita e mal feita, está o seu espírito: humilhar, isolar, submeter o cidadão fumador a um jugo infame que, em última análise, o obrigue a deixar de fumar.
E toda esta política de Francis Dracon, e toda esta ciência de Nicolau Maquiavel apenas para diminuir as despesas do serviço público de saúde em pobres e curtos pontos percentuais, dois ou três se quisermos sonhar quimeras. Ah, desgraçado serviço público de saúde cujo orçamento, em grandessíssima parte, serve para pagar às pessoas que lá trabalham. Cujo orçamento, em significativa fatia, já deve ser pago pelos impostos que os fumadores pagam para fumarem! Ah, infeliz a condição do contribuinte castrado!

Onde é que eu vou poder estar a jantar com os meus amigos? Ou perguntado de outra maneira: vivo em democracia quando sou impedido da sociabilidade, sou um homem livre quando me impõem a chantagem do chicote?

Estou finalmente a pensar em abrir um clube de combate. Por enquanto, fica só o hino pró-tabagista do momento, com o poema mais certo de todos os assertivos poemas que foram, ou virão a ser escritos sobre este assunto (é garantido).



Smokers Outside The Hospital Doors - Editors

"Say goodbye to everyone
You have ever known
You are not gonna see them ever again

I can't shake this feeling I've got
My dirty hands, have I been in the wars?
The saddest thing that I'd ever seen
Were smokers outside the hospital doors"

domingo, janeiro 13, 2008

Turismo Infinito

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"Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir."
"É-se feliz na Austrália, desde que lá se não vá."
Álvaro de Campos

De certa forma, podemos dizer que a obra de Fernando Pessoa é uma viagem. Uma viagem por dentro dele e para fora do mundo concreto. Uma viagem multi-dimensional e para-geográfica sem serviço de fronteiras nem medos de jet lag. Uma viagem que não tem partida, nem regresso, nem destino, nem roteiro, porque a poesia não precisa de acumular milhas. Uma viagem ao derradeiro abismo que é o do mistério da existência.
Até 26 de Janeiro, a Sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II encerra e sintetiza o safari metafísico de Álvaro de Campos, Bernardo Soares, Fernando Pessoa - o ortónimo - e Alberto Caeiro numa encenação eficaz de Ricardo Pais, sobre o excelente dispositivo cénico de Manuel Aires Mateus. Podemos discutir a selecção dos textos, podemos objectar isto e aquilo sobre o Álvaro de Campos de João Reis, mas quando as palavras de Pessoa começam a ecoar no palco, quando as magníficas, grandiloquentes, alquímicas, penta-essenciais palavras do mais genial poeta do século XX (é dizer pouco) começam a tomar conta da sala, tudo se resume a um máximo denominador comum: a infinita odisseia da literatura.
Façam o favor de ir, portanto, ao teatro.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Isto é que é levantar o Bach da campa.


Jacques Loussier: Bach fugue No. 5 D major WTC

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Ciência económica de ginásio.

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José Sócrates, provavelmente na companhia do seu mais querido ministro - a besta das finanças - esteve a pensar, a pensar e a pensar e decidiu que, de todos os sectores da economia nacional, o que deve ser aliviado do jugo tributário é o sector dos ginásios, baixando significativamente o IVA a que estavam até agora sujeitos. Com esta genial iniciativa, que acresce harmoniosamente aos recentes fascismos decorrentes da sua visão asséptica da vida, pretende o Primeiro Ministro que os portugueses façam mais desporto, deixem de fumar, comam cozido à portuguesa devidamente plastificado e bebam não mais que um copo de vinho à refeição (condescendendo aqui um pouco com os portugueses que não conduzem, sendo que estes poderão beber, talvez, dois copos).
Qualquer dia, José Sócrates vai legislar sobre quantas vezes por mês é que os portugueses devem foder, quantas gargalhadas lhes serão permitidas por dia, qual a melhor estratégia que devem seguir para, quando limpam o rabo, não gastarem muito papel, que livros é que devem ler, que discos é que devem ouvir, qual a quantidade mínima de haxixe por ano que podem fumar, em que banco é que devem colocar o seu dinheiro (no BCP, obviamente, agora que foi nacionalizado), quantos quilómetros é que podem fazer com os automóveis que compraram a preços exorbitantes para pagar a disfunção do Estado, a que horas é que podem ligar o aquecimento, em que bolso do casaco é que devem guardar a carteira, como é que devem andar vestidos, com que mão é que podem masturbar-se, etc., etc., etc.
Ora, parece-me a mim, não querendo de forma alguma fazer a apologia de Salazar, personagem que me é absolutamente antipático, que nem este tiranete se atreveria a tanto. E comparativamente, no que concerne à política financeira (sacar cada vez mais, dar cada vez menos), o velho de Santa Comba Dão, convenhamos, era um aprendiz de feiticeiro.

Uma última nota sobre o post anterior, respeitante ao infeliz discurso de ano novo de Cavaco Silva: a Brisa, empresa de capitais públicos que custa milhões de euros por ano em indemnizações e subvenções pagas pelo estado, tem, para 1800 empregados, uma frota de 800 automóveis. E uma média de custos com combustível de 10.000 euros por ano, por funcionário. Mas é com os ordenados das empresas privadas que o PR se preocupa. Ora, com o devido respeito, vá V. Exa. bardamerda.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Maravilhoso desenterro, maravilhoso.


The Ramones - Sheena Is a Punk Rocker

Ciência económica de sacristia.

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"Devo à providência a graça de ser pobre."
António de Oliveira Salazar

Por curiosidade mórbida - ou falta de inspiração - fui à procura do que tinha escrito aqui nos anteriores janeiros. Acontece que, no de 2005, tive o desplante de prosar umas opiniões muito simpáticas sobre o Dr. Aníbal Cavaco Silva, por ocasião da oposição divertida que fazia a certas pretensões inconscientes do Dr. Santana Lopes, na circunstância e desgraçadamente primeiro ministro da minha pátria. Agora que temos um outro desgraçado primeiro ministro e o Dr. Aníbal como Chefe de Estado, estou deveras envergonhado do que escrevi. Em Portugal, estamos sempre pior a cada dia que passa. É mais ou menos como o S. L. e Benfica: nunca mais conseguimos chegar ao ponto zero.
Vem esta conversa sobretudo a propósito do discurso de ano novo com que o Sr. Presidente da República decidiu presentear a infeliz plateia. Tive o privilégio de não assistir à missa, mas já percebi que algures por entre a liturgia sugeriu o Dr. Cavaco Silva que os ordenados dos administradores e altos executivos das grandes empresas privadas lhe incomodam o débil sistema moral. Se calhar, o Dr. Cavaco Silva estava a falar na qualidade de accionista destas empresas, mas se foi esse o caso não creio que a utilização do seu outro emprego para canalizar estas preocupações de algibeira seja correcta. Quando muito, que mandasse como agente plenipotenciário o chefe de gabinete da Presidência da República às assembleias gerais do psi 20. Já não dava tanto nas vistas. O problema é que o dr. Aníbal não falou como accionista, mas como Presidente da República e, assim, o dislate é realmente grave. O Chefe de Estado de um dos estados mais imorais do mundo civilizado não tem legitimidade absolutamente nenhuma para comentar o que se ganha ou deixa de ganhar nas empresas privadas, grandes ou pequenas, generosas ou avaras. O Chefe de Estado deve antes estar grato pela missão patriótica que é administrar uma empresa em Portugal e reconhecido pela contribuição draconiana a que são sujeitas estas empresas que lhe pagam a luxúria do cargo e a babilónia toda de que é máximo representante. O Dr. Aníbal Cavaco Silva devia ter vergonha na cara e protestar ao invés com os ordenados astronómicos do infeliz governador do Banco de Portugal, dos administradores da Caixa Geral de Depósitos e restantes máfias de outras empresas públicas que vivem à custa de roubar os portugueses que trabalham... em empresas privadas. O Dr. Aníbal Cavaco Silva deveria fazer o favor de se meter na sua vidinha anódina de enfatuadinho de Boliqueime e ficar calado que é assim que serve os interesses da nação e da decência.
Eu, que não sou patrão nem accionista nem administrador de coisa alguma, para além da minha alegre barriguinha, eu, que não ganho ordenado nem terei algum dia direito a subsídios, eu que não custo nada a ninguém e que hei-de morrer falido mas nem por isso vergado à indigência, estou muito à vontade para dizer isto: o meu país não gosta de ricos. Não gosta de empresários bem sucedidos e desconfia dos investidores. O meu país roi-se de inveja quando vê dinheiro em alguém, ignorando ou escondendo a verdade que é só uma: são os detentores do capital aqueles que mais capacidade têm para gerar riqueza e prosperidade para todos.
Portugal é uma nação de invejosos, e mesmo os que chegam a ricos da pior maneira possível (através do tributo medieval sobre um povo de tesos), continuam a invejar os ricos, inclusivamente aqueles que enriqueceram de formas muito mais civilizadas, como por exemplo, investindo os seus ganhos e trabalhando a sério e criando riqueza e originando empregos. Cavaco Silva, como a maior parte dos seus súbditos, acredita que é mais fácil a um elefante passar por entre o buraco da agulha que a um rico aceder ao reino dos céus. Assim, há-de esta eminência contribuir, mesmo que ao seu pequeno jeito, para um país cadáver. E eu desejo-lhe, para 2008, que caia do banco a baixo, como o outro conhecido sacristão que, ao contrário do que muitos teimam em pensar, também não gostava nada que se ganhasse muito dinheiro em Portugal.