sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Um outro homem acidente.

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Peter Griffin, o gorduchinho e lastimável chefe de família da Fox, é o meu herói do momento. O Greg House (que na verdade só precisa de levar alguém para a cama) não tem hipótese e o Homer Simpson pode ir dar banho ao cão: Family Guy rules!

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Terreiro do Paço

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É um pouco estranho, eu sei, mas na verdade esta música deve-se a umas fotos que tirei na Praça do Comércio, em 2005, a propósito de um seminário sobre cidadania que ocorreu em Palmela e para o qual fiz o design gráfico de promoção. Como gostei das fotos, esgalhei umas rimas muito aliteradas para acompanharem a inserção de algumas das imagens no blog. Mais tarde, quando comecei a brincar com o Garage Band lembrei-me que a estrutura métrica do poema se adaptava bem a uma musiquinha pop e pronto, está a história contada.
Esta é a única música, até agora, em que tento realmente cantar. Pela falta de vergonha - e de talento - peço desde já mil desculpas à gentil audiência. É que, decididamente, não nasci para isto. E, como muito bem diz uma querida amiga minha, preciso urgentemente de um vocalista.
Uma última nota: não gosto de efemérides (nem da palavra) e deixei passar em branco a que assinalava o regicídio, um dos mais tristes, canalhas e cobardes episódios da história de Portugal. Sendo, apesar de tudo, um republicano mais ou menos convicto, fiquei com remorsos de não ter editado fosse o que fosse sobre o assunto aqui no blog. Por isso, aproveitei o tema desta canção para colocar no clip algumas gravuras do atentado terrorista que vitimou um dos mais decentes monarcas da nação (e não foram muitos) mas não me sinto lá muito redimido por isso, pelo que, um destes dias - talvez amanhã, talvez em Outubro de 2014 - voltarei à carga.

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Terreiro do Paço - One :kubrik

Levo a vida passo a passo:
gasto as solas ao compasso
da cidade que pulsa e arde.
Da cidade que pulsa e arde.
O Paço que passeio é um terraço,
o chão que piso é de ferro e aço
e vibra e brilha ao sol da tarde.
E vibra e brilha ao sol da tarde.

Terreiro do Paço. Terreiro do Paço.
Terreiro do Paço, já não sei o que faço.

Paro e tiro um cigarro do maço:
transitam transeuntes em cansaço
com a pressa que levam na boa.
Com a pressa que levam na boa.
Vão d’ombros caídos pelo Paço,
o destino é um cheirinho de bagaço
e de sonhos traídos à toa.
E de sonhos traídos à toa.

Terreiro do Paço. Terreiro do Paço.
Terreiro do Paço, já não sei o que faço.

Este é o movimento escasso,
é a praça que devagar devasso,
são as ruas do tempo que voa.
São as ruas do tempo que voa.
O futuro é um buraco no espaço,
esta é a distância que eu abraço
e roubo aos deuses de Lisboa.
E roubo aos deuses de Lisboa.

O Paço que passeio é um terraço,
o chão que piso é de ferro e aço:
Terreiro do Paço, Terreiro do Paço,
Terreiro do Paço, já não sei o que faço.

Já não sei o que faço.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

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Acabei hoje a leitura de sabor indescritível de "A Essência do Comércio e Outros Textos de Teoria Económica", um livrinho lamentavelmente pequeno da Editorial Nova Ática, que reúne alguns artigos de macro e micro economia que Fernando Pessoa escreveu para a Revista do Comércio e Contabilidade, no ano de 1926. Não preciso de estar para aqui com floreados sobre o génio monstruoso que o homem era e sobre a abrangência inacreditável da sua prosápia, mas a clarividência, a actualidade e a coragem liberal destes textos deixou-me de pantanas, como sempre me deixam de pantanas as palavras do Fernandinho. Este será o primeiro post de 4, em que vos ofereço uns pequenos excertos desta grande maravilha (desculpem lá ò rapaziada da Ática). Começo por roubar um bocadinho do primeiro texto - "A Essência do Comércio" - que deixa uma excelente lição aos marketeers e publicitários de todo o mundo: conheçam o vosso mercado.

"Um comerciante, qualquer que seja, não é mais que um servidor do público, ou de um público; e recebe uma paga, a que chama o seu “lucro”, pela prestação desse serviço. Ora toda a gente que serve deve, parece-nos, buscar agradar a quem serve. Para isso é preciso estudar a quem se serve - mas estudá-lo sem preconceitos nem antecipações; partindo, não do princípio de que os outros pensam como nós, ou devem pensar como nós - porque em geral não pensam como nós -, mas do princípio de que, se queremos servir aos outros (para lucrar com isso ou não), nós é que devemos pensar como eles: o que temos que ver é como é que eles efectivamente pensam, e não como é que nos seria agradável ou conveniente que eles pensassem.
Nada revela mais uma incapacidade fundamental para o exercício do comércio que o hábito de concluir o que os outros querem sem estudar os outros, fechando-nos no gabinete da nossa própria cabeça, e esquecendo que os olhos e os ouvidos - os sentidos, enfim - é que fornecem os elementos que o nosso cérebro há de elaborar, para com essa elaboração formar a nossa experiência.
(...)
A maneira de fabricar, de apresentar, de distribuir e de reclamar um artigo varia conforme a índole geral dos indivíduos que compõem o mercado onde se pretende vendê–lo. Num meio de gente educada as condições são diferentes, para todos estes casos que num meio de analfabetos. Um meio provinciano – educado ou não – tem uma psicologia distinta da de um meio de cidade.
(...)
O modo de encarar a vida, ou, pelo menos, certos aspectos da vida, varia de país para país, de região para região. A humanidade, sem dúvida, é a mesma em toda a parte. Sucede, porém, que em toda a parte é diferente. É a mesma nas coisas essenciais, nos sentimentos fundamentais; mas, as mais das vezes, não são as coisas realmente essenciais que a preocupam como fundamentais. Em todos os tempos, em todas as terras, é o local, o superficial, o ocasional, o que mais tem preocupado a humanidade. Ora, é ao que mais preocupa a humanidade, e constitui portanto as suas necessidades, que o comércio essencialmente se dirige. E é por isso que o comerciante, que deveras o seja, tem para consigo mesmo o dever de estudar psicologicamente, e um a um, os agrupamentos humanos a que destina os seus artigos.
(...)
Em resumo: o comerciante é um servidor público; tem que estudar esse público, e as diferenças de público para público se o artigo que vende ou explora não é limitado a um mercado só. O comerciante não pode ter opiniões como comerciante, nem deve fazer comercialmente qualquer coisa que leve a crer que as tem. Um comerciante português que faça um rótulo encarnado e verde, ou azul e branco, comete um erro comercial: quem segue a política das cores do rótulo não lhe compra o produto por isso, e quem segue a política oposta deixa muitas vezes de o comprar. Por um lado, não ganha, por outro o perde. Mais incisivamente ainda: o comerciante não tem personalidade, tem comércio; a sua personalidade deve estar subordinada como comerciante, ao seu comércio; e o seu comércio está fatalmente subordinado ao seu mercado, isto é, ao público que o fará comércio e não brincadeira de criança com escritório e escrita."

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Joana Trama ou a propriedade da culpa.

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A próxima música celebra, ao meu desajeitado jeito, o vigésimo quinto aniversário da edição do álbum mais vendido na história - Thriller, de Michael Jackson.
Aqui há uns tempos decidi-me não a uma tradução de Billie Jean (missão impossível por causa do extremo pop dos versos e da sua métrica alucinada), mas à construção de uma versão em português. Como achei alguma piada ao resultado quis encontrar um registo sonoro de balada arrastada e trágica, que acompanhasse os versos num código inverso à orgia dançante do tema original. A minha pobre vocalização prosada, o protagonismo do piano e a percussão de registo orquestral acabaram por cumprir com a antítese desejada. É que sendo o personagem Jackson da ordem dos grandes nojentos, a sua arte sempre escapa (acontece isto com vários génios) e só a linha de baixo de Billie Jean merece uma vida de vénias: era óbvio que não valeria a pena tentar fazer qualquer coisa de parecido.
Apresento-vos, portanto, Joana Trama, grande grávida do mais temido dos equívocos.

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Joana Trama - One :kubrik

Ela era do tipo miss malveira, bela fiteira
Eu disse tudo bem mas nem penses que eu sou o tal
que vai dançar e rodar pelo chão
Ela disse que eu sou o tal que vai dançar e rodar pelo chão

Disse que se chamava Joana Trama e fez um drama
p'ra todos verem que podem sonhar ser o tal
que vai dançar e rodar pelo chão

Sempre me disseram p’ra ter cuidado com o que faço
não andar por aí a destruir corações às miúdas
A minha mãe sempre me disse p’ra ter cuidado com quem amo
p’ra ter cuidado com o que faço, porque mentir é um embaraço

A joana não é minha amante
ela é que pensa que o culpado sou eu
mas o puto não é meu.
Ela diz que o pai sou eu, mas o filho não é meu

Dias e dias e a noite é bela com a lei do lado dela
Já não se atura a criatura cheia de cenas e planos
só porque dançámos e rodámos pelo chão
Por isso ouve meu irmão, pensa duas vezes nesta canção
(Pensa duas vezes)

Contou à outra que dançámos até às três, olhou de revés
e mostrou a foto: a outra passou-se porque o puto tem os meus olhos
Vais dançar e rodar pelo chão

Sempre me disseram p’ra ter cuidado com o que faço
não andar por aí a destruir corações às miúdas
Mas ela apareceu a meu lado toda doce e perfumada
isto aconteceu de madrugada e ela deu-me uma morada

A joana não é minha amante
ela é que pensa que eu sou um tal de romeu
mas o puto não é meu

A joana não é minha amante
ela é que pensa que o culpado sou eu
mas o puto não é meu

Ela diz que o pai sou eu, mas o filho não é meu

A joana não é minha amante
A joana não é minha amante
A joana não é minha amante
A joana não é minha amante

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Sobre a Entropia.

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Esta musiquinha fala de uma raça mais arrepiante que os extraterrestres da outra: os deuses da desgraça. Não sei se vos acontece, mas, às vezes, parece-me que a minha vida é por demais acidentada. E alguém deve ser responsável por isso.

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"Homem Acidente" - One :Kubrik

Só há uma árvore no caminho. Mas é sempre ali que saio da estrada.
Crash. É o desastre de repente.
Se as coisas estão a correr mal, o normal é correram pior daqui a nada.
Nem a lei de Murphy é assim contundente.
Sou o homem acidente,
sou o homem acidente.

As sete pragas do nilo cairam sobre esta minha vida desgraçada
esta minha existência decadente:
as horas que morrem seguem e correm em entropia danada,
da desordem total para a disfunção permanente.
Sou o homem acidente,
sou o homem acidente.

E sempre que a borboleta do Japão levanta a sua vaidade alada
num esvoaçar alheado e inocente,
o caos que se cria acerta em cheio no dia desta agenda azarada
Sou eu que me afogo por nadar contra a corrente.
Sou o homem acidente,
sou o homem acidente.

E sempre que lá no alto do Olimpo há um deus senhor da madrugada
que se aborrece ou cai doente,
quem sai prejudicado é este vosso criado aqui estendido na estrada;
crash, sou o homem acidente,
sou o homem acidente.

Só há uma árvore no caminho. Mas é sempre ali que saio da estrada.
Crash, sou o homem acidente,
sou o homem acidente.

As sete pragas do nilo cairam sobre esta minha vida desgraçada
esta minha existência decadente:
Sou o homem acidente,
sou o homem acidente.

Portugal urbano, segundo o Engº José Sócrates.

Em baixo seguem apenas alguns dos projectos cuja autoria envaidece o Senhor Primeiro Ministro desta República Portuguesa. Traduzem bem o ponto zero a que chegámos: triunfam na política e nos negócios, na cultura e nas universidades, estes rasquinhas rasteiros, sem inteligência e sem sensibilidade, sem coragem ou virtude; ocupam os lugares que deviam ser de gente decente com os seus gordos rabos de gente média e média baixa. É pavoroso.

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Um pedido de desculpas à República da Indonésia.

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Perante a selvajaria e a estupidez crónica dos timorenses, acho que os portugueses devem um pedido de desculpas à Indonésia. Afinal, Suharto sempre tinha razão e há povos que não se sabem comportar sem o aviso do chicote. A solução para o problema destes macaquinhos é retirar-lhes a soberania sobre o petróleo e deixá-los em paz na idade da pedra. Cada vez que esta república das bananas é notícia é pelos piores motivos e é uma vergonha enorme. Se era para isto que queriam a independência, não valia a pena o incómodo.

A propósito de desculpas e da natureza humana, o mea culpa do governo australiano pelos supostos crimes do homem branco contra os aborígenes é completamente imbecil. Estes aborígenes, que vivem hoje mais limpinhos e saudáveis e gordinhos do que alguma vez na história da sua raça, são homens e como outros quaisquer seriam capazes das maiores infâmias - se surgisse a oportunidade. O que nos ensina o passado da espécie humana (e o presente também) é que aqueles que agora são vítimas, serão depois os carrascos. Os que estão hoje inocentes, culpados serão de qualquer crime arrepiante, um dia destes. Os cordeiros passam a lobos num instante e vice versa e não vale mesmo a pena estar para aqui com cuidados humanistas. O Homem é um animal bárbaro, um produto infectado de várias raivas que não presta para nada e ponto final.

sábado, fevereiro 09, 2008

Eis, finalmente, o meu lado :K

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Depois de muitos esforços e cambalhotas lá consegui arranjar maneira tecnológica de partilhar com a ilustre e escassa audiência umas cançõezinhas de minha lavra. O projecto fanaticamente individual chama-se :Kubrik e, até indicação em contrário, os próximos posts dedicados a este assunto apresentam temas cuja letra, música, voz (falada) e video são da minha autoria (direitos de imagem à parte), com a ajuda do GarageBand e do IMovie HD. Os poemas já foram editados algures no tempo, aqui no blog, mas como sofreram alterações voltam a entrar ao barulho, literalmente.
Boa sorte, querido ouvinte.

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"Eles andam aí" - One:Kubrik

Vêm lá dos confins do espaço
em busca dos desertos americanos.
Aconchegados em discos de aço
vão chegando os marcianos.

Olhos espirais, antenas telepatas
e espertas orelhas pontiagudas:
são assim p'ró feinho os piratas
do Triângulo das Bermudas.

Uns vêm e deixam saudades,
outros por fome de carne humana.
Contra todas as probabilidades
visitam-nos uma vez por semana.

Eles andam aí.
Alienígenas indígenas
de planetários corsários,
Eles andam aí.

Não há como negar o facto:
eles andam aí e são apanhados
a construir aeroportos no mato
e a ceifar o trigo dos prados.

Arriscam-se à bestial pestilência
dos encontros de grau terceiro.
Amiúde, deixam descendência,
são fornicadores em passeio.

Habitam há que tempos a História,
deixaram-nos príncipes e faraós,
(as pirâmides são prova e memória
de que nunca estivemos sós).

Eles andam aí.
Marcianos bacanos,
Extraterráqueos batráquios,
Eles andam aí.

Escreveram tábuas e pautas
para mitos, cultos e religiões:
são os deuses astronautas
que aterram aos trambolhões.

Podem até ser sapiens em férias,
do século D.C. quarenta e tal.
Tiram fotografias, trocam pilhérias,
vêem em safari temporal.

Na verdade nem me interessa
de onde vêem e para onde vão.
Gosto é de os ver assim com pressa
em imagens de baixa resolução.

Eles andam aí.
Répteis com projecteis
Psicopatas de três patas,
Eles andam aí.

Eles andam aí.
Alienígenas indígenas
de planetários corsários,
Eles andam aí.

Eles andam aí.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Wikimedia Commons Picture of the Year 2007

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Broadway Tower in Cotswolds, England.
Taken by Wikimedian Newton2.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Objecção

Morrem cedo quem os deuses amam? Treta.
Que o diga o velho cegueta
de Buenos Aires, bibliotecário do universo:
os deuses amavam-no e vice-verso.

É até lamentável que Rimbaud só tenha bebido
uma cerveja no inferno.
Com mais tempo para ser sofrido
reinventava o poema moderno.

O paneleirão do Proust foi-se aos cinquenta
mas deve ter ido contrariado.
Para chegar à página 35.480
até a mãe tinha traficado.

Ser-se jovem não é o mesmo que ser-se capaz.
Homero nunca foi rapaz
e é por isso que a literatura é feliz.
Já Joyce, se chegou a avô, foi porque quis!

Por isso, tu desculpa, Fernando, a contradição
e Mário - descansa em paz pela eternidade,
mas não estou em crer nessa religião
dos deuses da puberdade.

O teu querido Camões não se pode queixar.
Para quem andou com putas, piratas e reis
não foi nada mau sobrar
até aos cinquenta e seis.

Nem te serve de exemplo o Almada, cujo tesão
lhe durou mais que a memória.
Viveu o suficiente para aparecer na televisão
e isso é que é ficar para a história!

Tu próprio não sobreviveste por ai além
mas isso não é argumento, pensando bem
só talvez o Ricardo Reis tenha morrido de velhice
(a rábula do Saramago é uma aldrabice).

Acaso achas que te amaram os deuses especialmente
por causa dessa cirrose terminal?
"Encara a realidade de frente":
não foi a beber que chegaste a imortal.

E que outros monstros lindos sairiam da tua penada
se fosse mais fraco o absinto da Arcada?
Não te tinham feito mal nenhum ou prejudicado
mais uns anos de devaneio pelo Chiado.

Mais a mais o que é a morte
senão um momento de sorte?
Ninguém tem mérito nisso.

E a obra adolescente é como um dente postiço.