quarta-feira, novembro 30, 2011

Anti-Facebook: a justa destruição.

"A geração dos seres existentes tem lugar a partir daquilo a que conduz a sua destruição, como é justo e necessário. E indemnizam-se e pagam o seu castigo uns aos outros por sua ofensa, segundo a ordem do tempo."
Anaximandro - Sec. VII a.C.

Moleskine Power | Heróis do Nosso Tempo

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The :Kubrik Experience


Esta música inicia a apresentação do albúm "Dance Poetry". Este trabalho tem por base o registo de voz do PodCast "A Poem a Day", apenas com duas exepções, que publicarei mais tarde.
O conceito passa por criar música para alguns dos poemas e dos autores que me perseguem a existência. E assim sendo, tinha mesmo que começar com uma pequenina pérola do James Joyce:

Alone (feat. James Joyce) de :kubrik Alone, de James Joyce :kubrik

The noon's greygolden meshes make
All night a veil,
The shorelamps in the sleeping lake
Laburnum tendrils trail.

The sly reeds whisper to the night
A name-- her name-
And all my soul is a delight,
A swoon of shame. 

Tão bonito que até dói (à brava).

Esta versão de Hurt, um original dos Nine Inch Nails aqui levado à perfeição estética e ao clímax dramático por Johnny Cash, pouco antes de morrer, é de uma beleza transcendental. Sempre que vejo este clip sou esmagado por uma onda de emoção, uma espécie de contentamento infeliz que me invade o corpo todo. Trata-se, muito simplesmente, de um momento de eternidade. Comparado com isto, até o My Way, do Sinatra, parece uma musiquinha para adormecer bebés.


Johnny Cash | Hurt

I hurt myself today  
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
The needle tears a hole
The old familiar sting
Try to kill it all away
But I remember, everything

What have I become
My sweetest friend
Everyone I know,
goes away
In the end
And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

I wear this crown of thorns
Upon my liar's chair 

Full of broken thoughts
I cannot repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here

What have I become
My sweetest friend
Everyone I know
goes away
In the end
And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way

Moleskine Power | O Platão não tem razão.

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The :Kubrik Experience


Este é o primeiro tema retirado do álbum "The Soul Soundtrack" que reúne composições orquestrais e bandas sonoras de sites. Para ouvir ao fim da tarde.

Soul Search de :kubrik Soul Search :Kubrik

terça-feira, novembro 29, 2011

O (glorioso) regresso das Teclas Pretas.



Black Keys. A banda do momento, que sinto como a banda de sempre, está de volta. E em grande forma. Começo a ouvir estes dois e fico logo super bem disposto. E a culpa disto tudo é deste meu amigo aqui.

Fado de Santo Anselmo

É claro: já não há paciência para o Bono Vox
Nem para a sua música de supermercado,
Mas o rapaz estava certo, quando escreveu
Que tudo o que sabemos está errado.

Eu por exemplo, um caso ao acaso,
Pensava saber umas verdades, entre as pielas,
Eram minhas e eram-me queridas
E agora custa-me andar pela vida sem elas.

Uma dessas verdades que amava convicto
E de que sinto agora falta, foi um achado
Do Nietszche, que inventou a morte de Deus
Antes de se passar para o outro lado.

Mas depois de ler que o bom do Godel
Provou a errática dos sistemas aritméticos
E que o Heisenberg descobriu a incerteza,
Acho todos os cientistas patéticos

E comecei a pensar para comigo
Que o Demócrito é que tinha razão:
O cosmos mais não é que o produto caótico
De átomos tontos em rota de colisão

E comecei a pensar para comigo
Que Santo Anselmo, nos tempos saudosos
Em que a Terra era ainda plana,
Bem advertia os hereges teimosos:

Olhem que há qualquer coisa mais
No universo, amigos e amigas,
Do que pode em boa verdade admitir
O vosso entendimento de formigas.

Aliás, até Hamlet, que não era nenhum
Génio, sabia o que dizia:
Há fenómenos no céu e na terra, Hórácio,
Que não cabem na tua filosofia.

E mesmo Platão, que era tão assertivo,
Nunca conseguiu explicar com mestria
Porque raio é que até um carrasco
Pode ser fã da Nona Sinfonia.

E mesmo Stirner, que era tão esperto,
Ignorou a evidência dos factos por uma vez:
Ser dono de mim apenas não chega
Para pagar as contas ao fim do mês.

Por estas e outras é que me consola agora
Um certo agnosticismo religioso e desordenado.
Já ateu não sou e confesso que acredito
na imponderabilidade do fado.

Mais a mais, a cada dia que passa,
Fico com esta sensação triste e má
Que é um brincalhão que está sentado
Na cadeira olímpica de Jeová.

segunda-feira, novembro 28, 2011

The :Kubrik Experience


Depois de anos a tentar fazer qualquer coisa que se aproxime daquilo a que convencionalmente chamamos música, abri uma página aqui, com alguns dos temas que acho menos indecentes.

É claro que se trata de um registo amador, tanto no que respeita à produção como à prestação artística, mas estão todos convidados a ir lá vaiar ou patear, ou seja lá o que for que se faz hoje em dia, quando o ouvido protesta. No entretanto, fica já aqui uma amostra ruidosa:

Canção do Vento de :kubrikCanção do Vento :Kubrik

O meu verso é fechado,
não tem rima, não tem fado.
Eu sou quem não se encontrou,
tu vais onde eu nunca vou.

Não sei o que te diga, se te cante esta cantiga:
tu és a estrela e eu o cometa, planeta desfeito.
Tu vens de berço eleito, eu careta, provenho da proveta
e prisioneiro no nevoeiro, não sei se chego inteiro ao fim da cançoneta.
Tu és demais, voas p'las cartas astrais, sabes p'ra onde vais.
Eu sou de menos, reduzido a átomos pequenos, serenos locais.
É do inferno que eu sou. Tu chegas ao céu e ao cais.
Tu vais onde eu nunca vou.

O meu mundo é quadrado,
é um prisma só de um lado.
Eu sou quem não se encontrou,
tu vais onde eu nunca vou.

Para dizer a verdade, majestade, sou mais baixo de que a idade
e mais velho do que a medida. Tu és a minha vida e eu sou só metade
do que prometo, cometo o pecado de não ser suficiente e de repente,
tu deixas-me cair lento, com o vento.
Vou afogar a solidão nos copos da taberna,
caverna da servidão moderna, aberta para nunca mais.
É do inferno que eu sou. Tu chegas ao céu, chegas ao cais,
tu vais onde eu nunca vou.

O meu sonho sabe a pouco,
o destino não dá troco.
Eu sou quem não se encontrou,
Sou quem o vento levou.
Tu vais onde eu nunca vou.

Não chego para ti, já vi, fico curto aquém do bem e é melhor assim,
sem a erva ruim que envenena o teu jardim,
sem o mal que te faço, sem o ferro e sem o aço.
É melhor para o teu percurso, longo curso, linha aérea sobre o espaço.
Deixa-me por aqui de repente, monge doente no labirinto.
Vou afogar a solidão com uns copos de absinto,
no bar aberto para nunca mais. É do inferno que eu sou.
Tu chegas ao céu, chegas ao cais, tu vais onde eu nunca vou.

O meu verso é fechado,
não tem rima, não tem fado.
Eu sou quem não se encontrou
tu vais onde eu nunca vou.

O meu mundo é quadrado,
é um prisma só de um lado.
Eu sou quem não se encontrou,
sou quem o vento levou.

O meu sonho sabe a pouco,
o destino não dá troco.
Tu vais onde eu nunca vou
e tudo o vento levou.
 

quarta-feira, novembro 23, 2011

domingo, novembro 13, 2011

Geocashing

Dizem-me que eu não viajo e perguntam-me porque é que não viajo.
Afinal, não sou um ignorante:
Devo concerteza perceber as vantagens e as glórias do turismo.
Querem que eu vá andar de bicicleta com eles
Ou que, pelo menos, vá ao ginásio suar com as multidões.
Dizem-me que é o preço a pagar pelo que fumo, pelo que como, pelo que bebo.
Sugerem o prazer de apanhar caixinhas
Que foram cuidadosamente escondidas
Algures nos interstícios do mundo.
Mandam-me para o médico com a mesma leveza insustentável
Com que me convidam para passear quilómetros sobre caminhos de ferro.
Fazem-me propostas irrecusáveis, tentadoras, fascinantes, exóticas, saudáveis!
Mostram-me clubes de desconto e restaurantes vegetarianos,
Roteiros e spas, resorts e pousadas e bares gay
E estrelas da mtv e youtubers e vídeos engraçados e fotografias pornográficas
E smart-phones e ipads e aplicações para processar os terabites disto tudo.
Recomendam-me vivamente, de olhos brilhantes, a dieta, a natação e o Nespresso,
Fazem planos para mim e por mim, sonham alto com a minha vida.
Parecem sinceramente preocupados comigo,
Como se me faltasse algo de fundamental,
Como se tivesse sido expulso de um qualquer e suspeito paraíso
E ainda nem tivesse dado por ela.

Ora, eu que acho simplesmente que tenho aquilo que mereço;
Eu que habito paraísos perdidos e não sei trabalhar com gps
E que por isso mesmo não podia nunca ser aceite no tal clube
Das pessoas que procuram caixinhas;
Eu que já faço desporto bastante, considerando o que me cansa;
Eu que acho, como o outro, que a Austrália é um país lindíssimo,
Desde que não me arrastem para lá;
Eu que não quero saber onde é que podia estar neste fim de semana
Porque na verdade só queria estar aqui, no carinho do meu escritório
A escrever precisamente estas palavras;
Eu que não tenho paciência nenhuma para o que a maior parte das pessoas
Acha que é engraçado ou divertido ou interessante ou saudável;
Eu, logo eu, que fico super constrangido com os gostos dos outros;
Eu que quero apenas ficar aqui quieto, no embalo do Steve Reich
E da trovoada que anuncia o Inverno;
Eu quero lá saber.
Todos vamos morrer e vocês também.
Vocês que andam pela vida de bicicleta e que fazem caminhadas,
Vocês que já encontraram cinquenta caixinhas no labirinto do inferno,
Vocês que têm assinatura no Holmes Place e que fazem a dieta da Primavera,
Sim, sim, sim,
Vocês vão morrer na mesma e - calhando - alguns até vão morrer primeiro que eu,
Porque a ciência é uma fraude,
O corpo humano é um mistério
E Deus não é um estilo de vida.

sexta-feira, novembro 04, 2011

Obra prima do momento x2

Depois de uma noite com o meu amigo Zé Aguiar, fiquei a ganhar dois momentos-obras-primas que desconhecia por completo (o abismo da minha ignorância é aterrador).


Music for 18 Musicians (Primeira Secção) - Steve Reich


Jesus' Blood Never Failed Me Yet - Gavin Bryars, Tramp & Tom Waits

Por estas e por outras é que ter amigos compensa.