terça-feira, maio 07, 2013

Filhos da puta da pior espécie.

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É verdade: alimento uma especial antipatia por jornais e jornalistas. É verdade que acho a maior parte dos jornais - senão todos - uma vergonha. E a maior parte dos jornalistas - senão todos - uns filhos da puta da pior espécie. A profissão obriga, não há nada a fazer. Durante muitos e muitos anos - é verdade - pensei que os filhos da puta da pior espécie eram os publicitários, porque tenho a tendência de pensar sobre mim o pior possível, e sobre a minha profissão o pior possível. Mas esses dias acabaram. Já não acho que faça parte da pior espécie de filhos da puta. É verdade.

A imagem que ilustra este post mostra a edição online do Público desta noite. Garanto-vos: nunca, durante esta época, um resultado do Benfica foi noticiado com este destaque. Na quinta feira passada, o clube chegou a uma final europeia, pela primeira vez em mais de duas décadas e conquistando a presença de duas equipas portuguesas no top dez dos clubes europeus. Essa notícia foi colocada, convenientemente, na coluna da direita da grelha editorial, lugar subsidiário, porque existiam na altura assuntos mais importantes que o futebol. Eu também acho que existem assuntos mais importantes que o futebol. Isto embora não partilhe filosoficamente das prioridades editoriais do Público, que se parecem limitar à descarada amplificação da campanha socialista. Hoje porém, parece que o Público resolveu sacrificar a campanha socialista para dar descarado destaque ao empate do Benfica. Ora, o tipo de política editorial que vive dos fracassos dos outros, que vive de derrotas e de humilhações, que vive de desgraças e de maus números, que vive das altas taxas de desemprego e do testemunho dos coitadinhos, que vive num e de um Portugal deficitário e que elogia o Portugal deficitário e que combate militantemente pelo Portugal deficitário (até porque o jornalismo "sério", "contemporâneo" e "responsável" não pode nem deve ser patriótico); o tipo de política editorial Robim dos Bosques que é serva do xerife de Nottingham, que é valente pelos desempregados enquanto despede o seu quinhão, que é hipócrita até cair para o lado e socialista quanto baste para que os assalariados de miséria da Sonae continuem a virar a sua raiva para os políticos (únicos incompetentes em Portugal); o tipo de política editorial que promove e eleva homens baixos e vis como Vítor Pereira e José Sócrates, este tipo de política editorial é que está a matar os jornais.

Os jornalistas "sérios" (leia-se neo-socialistas), faustosamente assalariados por grupos empresariais de comportamento neo-liberal, gritam batota por causa dos jornalistas cidadãos independentes da rede global e os accionistas de referência desses grupos empresariais gritam falência por causa da electrónica e da concorrência honesta, enquanto tentam aterrorizar as pessoas com a ameaça de um vácuo informacional que, infelizmente para eles, não existe de todo. Mas convenhamos, não é a internet que está a matar os jornais. É o que os jornalistas fazem com os jornais que está a matar os jornais. Até porque estes filhos da puta da pior espécie realizam online exactamente o mesmo argumento que escrevem no papel. Aviltam, com a sua cobardia, com a sua manha, com o seu oportunismo, com a sua esperteza saloia, com a sua falta de educação, um veículo mediático da mesma forma que aviltam o outro. O problema não está no meio, está na mensagem. Até porque, entretanto, as pessoas na Europa toda, para não falar de outros lugares selvagens e igualmente infestados de jornalistas, já perceberam que a verdade não tem nada a ver com o jornalismo. E que o jornalismo não tem nada a ver com a decência.

O jornalismo evoca no jornalista, como no consumidor de jornalismo, as piores características humanas.

Jacques Séguéla, o famoso publicitário francês que em má hora elegeu Miterrand para o seu derradeiro mandato, dizia: "não digam à minha mãe que sou publicitário. Ela pensa que eu toco piano num bordel." Mas que podem dizer hoje os jornalistas às suas tristes mães? Filhos da puta da pior espécie, são comerciais como o mais vendido dos apóstolos. Filhos da puta da pior espécie, são tendenciosos como o mais imparcial dos fanáticos. Filhos da puta da pior espécie, são aldrabões como o mais desonesto cidadão da república.

Afinal, quem joga sujinho, sujinho, sujinho é o jornal Público. E muitos outros jornais como o jornal Público. Porque a infâmia humana é uma pandemia.