domingo, julho 31, 2016

Já não há terroristas islâmicos.

A esquerda acabou com eles todos. Agora são doentes mentais ou oprimidos do capitalismo. São cidadãos americanos que fuzilam criancinhas porque podem comprar balas nos supermercados ou são desempregados, multi-discriminados, marginalizados e coitadinhos. São refugiados desesperados, são torturados esfomeados ou são fascistas-nazis-ultra-radicais. Terroristas islâmicos é que eles não são de certeza. Nem pensar. Se alguma vez existiram foi na mente perversa dos direitistas. E mesmo estes pobres diabos que não sabem o que fazem, fazem o que fazem porque o Bush filho, um animal ganancioso, facínora e ignorante, invadiu o Iraque para satisfazer a gula apocalíptica do complexo industrial-energético americano.
Que bom. Estamos todos muito mais seguros e tranquilos, agora que já não há, agora que nunca houve, terrorismo islâmico.

segunda-feira, julho 25, 2016

O cerco.



POR MÁRCIO ALVES CANDOSO

Parte da estratégia turca de cerco à Europa, aliás bem coordenada, mais dia menos dia, com a russa, passa por estrangular o abastecimento de combustíveis. Com agendas diferentes mas em alguns pontos coincidentes, turcos e russos criaram uma teia de gasodutos que deles dependem, e a que os poderes manhosos e covardes europeus tendem a resignar-se.

Os ucranianos foram os primeiros a sofrer com este tipo de prepotência. Depois de terem visto exauridas grande parte das suas reservas de gás - as maiores da União Soviética -, durante a longa noite comunista, viram o fornecimento que lhes chega através do gasoduto tutelado pela Gazprom cancelado em 2015.

A Polónia, a Hungria, a Grécia e até a Alemanha estão entre os próximos a tremer. Mas tudo ficará 'resolvido' quando o gasoduto ucraniano for destruído - já está previsto -, e o chamado 'Corrente Turca' entrar em funcionamento.

O Corrente Turca, com uma capacidade anual de 63 mil milhõs de metros cúbicos, foi anunciado em dezembro de 2014. A via de transporte de gás está prevista para ser executada pelo fundo do Mar Negro, da Rússia para a Turquia, e continuando a partir de um centro de distribuição na fronteira turco-grega, de onde o combustível poderia ser transferido para o sul da Europa, através da Grécia.

Alguns analistas não vêem como mero acaso o início da normalização de relações russo-turcas, iniciada em Junho passado. As dissenções em torno da Síria - Putin apoia Assad, Erdogan é contra - não falam tão alto como os negócios do gás. A destruição do gasoduto ucraniano deixará na mão destes oligarcas uma parte importante do abastecimento de gás à Europa.

É claro que em Paris, Londres ou Berlim já se poderia ter avançado imenso em, pelo menos, dois aspectos. Em primeiro lugar, agilizar todas as formas de diminuir a dependência de fontes externas de energia - ninguém bate a Europa ocidental em matéria de investigação nuclear, e os apoios ás energias alternativas já tiveram melhores dias. Em segundo, reforçar as relações com a Ucrânia e fazer frente a Moscovo e Ancara.

Com uma regularidade espantosa, a nomenclatura da União Europeia tem vindo a tomar partido pelo lado errado da História e da decência. Acho que se chama diplomacia...

Poema Pokémon

Enquanto caçavas pokémons
um islamita filho da puta explodiu com 11 alemães em Ansbach,
e um ayatollah atrasado mental mandou retirar cem mil antenas parabólicas
dos telhados de Teerão,
para evitar desvios da moral.

Enquanto caçavas pokémons
o teu querido primeiro ministro arranjou maneira
de foder loucamente o teu país
e passar por quem está a salvá-lo.

Enquanto caçavas pokémons
a Venezuela deixou de ter carne disponível
para o menú da Mcdonalds
e a tua mulher enfiou-se alegremente na cama
do teu melhor amigo.

Enquanto caçavas pokémons
aconteceu um apocalipse zombie,
mas tu não deste por isso
porque a aplicação não detecta mortos.
Nem vivos.

Enquanto caçavas pokémons
a tua mãe teve uma trombose
e o preço do gasóleo subiu dois cêntimos
e Marcelo Rebelo de Sousa passou a supremo líder
e os ingleses pensaram que o referendo era
um jogo de estratégia.

Enquanto caçavas pokémons
nasceu e morreu montes de malta
e chegaram para aí mais trezentos mil sírios à Europa,
devidamente acompanhados de trinta filhos da puta
dispostos a explodir com mais uma porrada de alemães.

Enquanto caçavas pokémons
os franceses não precisaram de sírios nem de filhos da puta
vindos da Síria
para serem explodidos, porque têm imensos filhos da puta
a viverem lá.

Enquanto caçavas pokémons
o teu parlamento discutiu a necessidade de obrigar os homens
a tirar licenças de parto
ou um outro qualquer e aberrante e fascista
assunto de engenharia social.

Enquanto caçavas pokémons
devem ter chacinado para cima de uma enormidade de cristãos
no médio oriente,
sem que os jornais do teu lado do mundo cristão
tenham dado por isso porque os jornais do teu lado do mundo cristão,
estranhamente,
ficam muito mais aflitos quando morrem muçulmanos.

Enquanto caçavas pokémons
Hillay Clinton ia sendo presa
e Donald Trump ia sendo presidente
do caralho dos Estados Unidos da América.

Enquanto caçavas pokémons
perdeste o momento em que a traça se fez borboleta
para dar um beijo no Cristiano Ronaldo.

Enquanto caçavas pokémons
alguém descobriu mais um poema desconhecido
do Fernando Pessoa.

Salvo o beijo e o poema, como vês,
não perdeste lá grande coisa.

Os pretos e os copinhos de leite.

 
POR MÁRIO ALVES CANDOSO

O presidente do PNR disse que não fazia sentido a selecção portuguesa jogar a final do campeonato da Europa contra uma 'selecção africana'. José Pinto-Coelho referia-se, claro está, ao facto de a França ter muitos jogadores negros no seu plantel. E aproveita para aconselhar que comparemos esta selecção francesa com a de há trinta anos, para vermos que está em curso uma substituição populacional na Europa.

O argumento tem tantos buracos como o PNR, na sua fraquíssima e reiterada votação. Se a França tem muitos negros, o William Carvalho, o Éder e o Renato Sanchez devem ser azuis escuros, e o Nani, o Pepe e o João Mário são azuis claros. Eu é que sou daltónico...

Mas recordo-lhe que, em 1966, alguns dos melhores atletas que integravam a selecção nacional de futebol se chamavam Vicente, Hilário, Coluna e Eusébio. Só para dar um exemplo.

Esta é a diferença entre um racista - José Pinto-Coelho - e um anti-multiculturalista - eu, por exemplo. O que poderia estar mal era a substituição de pessoas com integração na nossa cultura por outras que não a sentem, não a entendem e até lutam contra ela (no caso europeu, o exemplo mais vulgar são sem dúvida os muçulmanos radicais). O que manifestamente não parece ser, nos dias de hoje, o caso dos negros que integram a selecção francesa - cantam todos o hino, já agora - nem muito menos os da portuguesa.

Que fique bem claro. Não sou favorável à imigração massiva de estrangeiros para a Europa. Não sou favorável á tomada do poder por indivíduos que não têm nada a ver com a história e as etnias dominantes dos territórios onde vivem - o exemplo de que me lembro imediatamente é o dos brancos na África do Sul, durante os tempos do apartheid.

Mas não saber identificar o problema é o maior pecado de um político. E como não tenho interesse nenhum em que o PNR cresça, aconselho José Pinto-Coelho a continuar assim como é. Ou a fazer uma aliança com o outro extremo, o daqueles que acham que todos os 'refugiados' são bem-vindos. Infelizmente, tenho de viver com os tristes defensores de ambas as teses.

quarta-feira, julho 13, 2016

Catrapum, malha.



De Rosa . Spectres

segunda-feira, julho 11, 2016

Hoje à noite, em Paris.


Hoje à noite, em Paris, o Fernando Santos fez o jogo perfeito. o Éder fez o jogo impossível. O Rui Patrício fez o jogo improvável. O Nani fez o jogo da vida dele. O Pepe é que não. O Pepe fez o jogo do costume. E foi rei. Imperou MVP.
Hoje à noite, em Paris, aconteceu um fenómeno poltergeist que vingou Eusébio, que vingou Simões, que vingou Humberto Coelho, Chalana, Futre (sim, sim), Figo, Rui Costa, João Pinto e que vingou, claro, Cristiano Ronaldo. Que deu a mais saborosa das vinganças a um povo que adora futebol. A um povo que sabe jogar à bola (não faço a distinção do seleccionador nacional).
Hoje à noite, em Paris, aconteceu transcendência, pura e dura, e o futebol é, como muito bem escreve o enorme Bruno Vieira Amaral, uma experiência religiosa.
Assim sendo, hoje à noite, em Paris, fez-se um bom bocado de história da religião. Porque digam o que disserem, o golo lindíssimo do pretinho feio é completamente epistemológico.
Esta selecção não era a melhor selecção do torneio, como é óbvio. Mas isso não quer necessariamente dizer que não ganhámos bem. Ou que não merecemos ganhar. Já merecemos ganhar vezes demais para não sermos agora merecedores da boa glória.
Hoje à noite, em Paris, a glória foi de Portugal. Viva Portugal.

sábado, julho 09, 2016

São menos parvos do que parecem.



RNDM . Ghost Riding

Estes rapazes não nasceram para isto dos clips, mas já em relação há música que fazem são muito mais espertos. Ghost Riding é um daqueles discos giros que se estranham primeiro para se entranharem depois. E uma vez entranhado, é difícil fazer pausa.

segunda-feira, julho 04, 2016

Socorro, vêm aí as obras!






























POR MÁRCIO ALVES CANDOSO

Com nenhuma pompa e demasiada incircunstância, soou hoje um alerta civil grau cinco - agora é que as obras em Lisboa vão mesmo começar! A avaliar pelo pandemónio que já por aí vai, qualquer pacato cidadão deve começar a tremer.

Não estou a falar dos buracos de Pedrouços ou de outros arruamentos a precisar de arranjo. Isso é para meninos. O que Medina, Salgado & Empreiteiros Limitados preparam é a ruína do dia-a-dia dos lisboetas e de mais um milhão de pessoas que todos os dias se desloca à capital.

Mas o que me espanta mais - ou me indigna, porque eu espantado já raramente fico - é a unanimidade autárquica sobre a 'necessidade' das obras. Ouvi, com estes dois que a terra há-de comer, PCP, CDS e PSD criticar APENAS a oportunidade das obras. Porque é em cima das eleições, e eles acham que, se o Medina fizer as obras, isso é manobra eleitoral.

É todo um manual de estupidez, ganância e impreparação política que subjaz a estas declarações. Os 'opositores' não dizem que não fariam as obras. Mas criticam que sejam feitas com a intenção de o actual Executivo camarário ganhar as eleições. O que, a ocorrer, lhes dará mais quatro anos fora do tacho.

Não ponho as mãos no fogo pelo povão lisboeta. Se calhar o 'zé pagode' até gosta de ver a cidade esburacada e do mavioso som da picareta automática. Mas se houver muitos eleitores como alguns que eu conheço, é malta para fazer um manguito ao Medina e ao Salgado e mandá-los para umas férias com bilhete só de ida.

Porque as obras são incoerentes, desnecessárias e não resolvem nenhum dos problemas de mobilidade com que os utilizadores da capital do país se confrontam diariamente. Entupir ainda mais a 2ª Circular, tornar o acesso à Baixa e na via central Campo Pequeno-Marquês de Pombal quase impossível, dificultar a circulação automóvel sem - mais uma vez - criar alternativas, não é obra - é martírio!

E lá hão-de estar os lugares - acrescidos - de estacionamento pago e bem pago. A ameaça recai sobre , por exemplo, a Av. da Igreja, Santos-o-Velho, Carnide, Mercado de Benfica e Socorro. É isso mesmo, 'socorro' é do que a gente precisa!

Mas não se ralem. Vão ser criadas mais ciclovias. Não sei se a cabeça do Medina já reparou que existem em Lisboa mais colinas que na Holanda inteira. Não há problema, deve haver um 'voucher'muncipal para ir tudo treinar para o Holmes Place ou para o Club Seven. Estacionam no parque do Ritz.

A população da capital está envelhecida? Não faz mal, o exercício faz bem á saúde. E aliás, vão ser criadas mais uns milhares de habitações para jovens, com rendas reduzidas, para povoar o centro da cidade... Não? Ah, já me esquecia, esse projecto de requalificação foi parar às calendas!

Com mais passeios, mais esplanadas, sem lugar para pôr os carros e com um Metropolitano que continua a ser uma minúscula vergonha para uma cidade capital de um País da Europa - mas que já traz as mulheres-a-dias da Reboleira, porque os escritórios têm de estar limpos às sete e meia - creio bem saber para quem são estas obras necessárias - para o bolso dos patos-bravos que financiam os partidos - hoje um, amanhã outros - e para turistas.

Lisboa não será o maior bordel da Europa. Mas vai tornar-se, seguramente no maior hostel. Entretanto, o lisboeta é uma espécie em extinção.