Ao correr das lembranças
Lembrança minha do jardim de casa:
vida benigna das plantas,
vida cortês e misteriosa
e lisonjeada pelos homens.
A mais alta palmeira daquele céu
e estância de pardais;
videira firmamental de uva negra,
dias do verão dormiam à tua sombra.
Moinho colorido:
remota roda a laborar no vento,
honra de nossa casa, porque nas outras
corria rio abaixo o sino do aguadeiro.
Cave circular da base,
tornava vertiginoso o jardim,
fazia medo ver por uma frincha
o teu cárcere de água subtil.
Jardim, frente à cancela se cumpriram
os agrestes carreiros
e aturdiu-nos o carnaval berrante
de insolentes fanfarras.
O armazém, padrinho do malévolo,
dominava a esquina;
mas tinhas canaviais p'ra fazer lanças
e pardais para a oração.
O sonho de tuas árvores e o meu
ainda se confundem na noite
e a extinção das gralhas
deixou um medo antigo no meu sangue.
As tuas poucas varas de profundidade
tornaram-se a nossa geografia;
um alto seria "a montanha de terra"
e uma temeridade o seu declive.
Jardim, encurtarei a oração
para continuar sempre a lembrar-me:
a vontade ou o acaso de dar sombra
foram as tuas árvores.
Jorge Luís Borges . Caderno de San Martín . 1929
segunda-feira, março 28, 2016
Música remédio.
Gang of Youths . Benevolence Riots.
Estes cinco minutos são mais bonitos que um dia de verão. Ou assim parecem, num frio dia de Março.
domingo, março 27, 2016
Obama, o grande crítico da democracia.
A visita de Barak Obama a Cuba foi, no seu todo simbólico e institucional, o apogeu da mais vergonhosa presidência da história dos Estados Unidos da América.
A iniciativa legitimou um regime totalitário, anacrónico e cruel, que controla não só as ideias, as palavras e os actos dos seus cidadãos, mas a própria comida que ingerem (as rações do governo castrista oferecem apenas um terço das calorias que um ser humano deve consumir diariamente). Mas, mais escandaloso do que isto, foi o conteúdo discursivo de Obama: o presidente dos Estados Unidos foi a Cuba falar dos problemas da sua república. É verdade. Sobre os presos políticos (o governo de Havana encarcerou centenas de pessoas apenas horas antes da chegada da comitiva americana), a violação constante dos mais básicos direitos humanos e a miséria que grassa nesta infeliz ilha do caribe, o homenzinho não se pronunciou. Mas sobre os falhanços da mais bem sucedida e mais próspera e mais livre democracia da história da humanidade, teve imensas coisas para dizer.
Todos sabemos que Barak Obama não é exactamente um fã do modelo das democracias ocidentais. Todos sabemos que é o presidente de uma federação que despreza. Mas, caramba, não haverá limites para esse desdém?
Às vezes, o mundo parece-me uma projecção holográfica, desenhada só para me irritar a sensibilidade.
A iniciativa legitimou um regime totalitário, anacrónico e cruel, que controla não só as ideias, as palavras e os actos dos seus cidadãos, mas a própria comida que ingerem (as rações do governo castrista oferecem apenas um terço das calorias que um ser humano deve consumir diariamente). Mas, mais escandaloso do que isto, foi o conteúdo discursivo de Obama: o presidente dos Estados Unidos foi a Cuba falar dos problemas da sua república. É verdade. Sobre os presos políticos (o governo de Havana encarcerou centenas de pessoas apenas horas antes da chegada da comitiva americana), a violação constante dos mais básicos direitos humanos e a miséria que grassa nesta infeliz ilha do caribe, o homenzinho não se pronunciou. Mas sobre os falhanços da mais bem sucedida e mais próspera e mais livre democracia da história da humanidade, teve imensas coisas para dizer.
Todos sabemos que Barak Obama não é exactamente um fã do modelo das democracias ocidentais. Todos sabemos que é o presidente de uma federação que despreza. Mas, caramba, não haverá limites para esse desdém?
Às vezes, o mundo parece-me uma projecção holográfica, desenhada só para me irritar a sensibilidade.
quinta-feira, março 24, 2016
quarta-feira, março 23, 2016
Duas ou três coisas que é preciso dizer e que os jornais calam.
A Bélgica não é, nunca foi e nunca será uma nação. É um país artificial, cortado por duas etnias e duas línguas e criado por franceses, ingleses e alemães para funcionar como tampax entre eles. É produto de conversas de corredor e compromissos protocolares da paz de Vestefália, da Conferência de Berlim e da desgraçada, ineficiente e breve Sociedade das Nações, na conclusão da Primeira Grande Guerra.
Qualquer pessoa que se considere belga, sofrerá, assim, de graves problemas de identidade. Será flamenga, será francesa, será o diabo que a carregue, mas no seu direito juízo não pode ser filha de uma terra de ninguém.
Para terminar este argumento: a Bélgica é uma monarquia cujo rei ícone (uma espécie de Luis XIV da belle époque) é Leopoldo II. Trata-se de um Saxe-Coburgo-Gota (para todos os efeitos: alemão; para todos os efeitos: Habsburgo; para todos os efeitos: primo direito da Rainha Vitória) que cometeu no Congo, em apenas 30 anos, o mais horroroso genocídio da história do colonialismo ocidental (que é, apesar de Leopoldo, muito mais humanista do que pensam os humanistas).
A Bélgica é uma invenção geo-estratégica cujos direitos de autor não são os belgas e que nunca deu realmente uma resultado decente. Não é, aliás, por acaso que o país com menor intensidade nacionalista de todo o continente tenha sido escolhido para a sede por excelência da organização apátrida a que damos o nome de União Europeia.
Ora, na óptica dos filhos da puta do ISIS, não há na Europa um sitiozinho mais simpático que a Bélgica para montar o posto avançado. Um país pacifista por natureza porque tem origem e fortificação em históricos acordos de paz, um território apátrida e radicalmente tolerante, uma condição psico-social suicidária e a circunstância nada despiciente de Bruxelas ser a sede simbólica e administrativa do ocidente europeu. Convenhamos: não há melhor alvo.
O que aconteceu hoje não surpreende ninguém e é verdade que este é o novo normal. O que não é nada normal é o facto deprimente de ninguém na Europa (já para não falar dos tristes que ocupam o território a ocidente do Atlântico) enfim decidir-se a fazer qualquer coisa que nos defenda desta irreal, humilhante e dramática realidade.
É que para viver os prazeres da paz, meus amigos, é preciso saber cumprir os horrores da guerra.
Qualquer pessoa que se considere belga, sofrerá, assim, de graves problemas de identidade. Será flamenga, será francesa, será o diabo que a carregue, mas no seu direito juízo não pode ser filha de uma terra de ninguém.
Para terminar este argumento: a Bélgica é uma monarquia cujo rei ícone (uma espécie de Luis XIV da belle époque) é Leopoldo II. Trata-se de um Saxe-Coburgo-Gota (para todos os efeitos: alemão; para todos os efeitos: Habsburgo; para todos os efeitos: primo direito da Rainha Vitória) que cometeu no Congo, em apenas 30 anos, o mais horroroso genocídio da história do colonialismo ocidental (que é, apesar de Leopoldo, muito mais humanista do que pensam os humanistas).
A Bélgica é uma invenção geo-estratégica cujos direitos de autor não são os belgas e que nunca deu realmente uma resultado decente. Não é, aliás, por acaso que o país com menor intensidade nacionalista de todo o continente tenha sido escolhido para a sede por excelência da organização apátrida a que damos o nome de União Europeia.
Ora, na óptica dos filhos da puta do ISIS, não há na Europa um sitiozinho mais simpático que a Bélgica para montar o posto avançado. Um país pacifista por natureza porque tem origem e fortificação em históricos acordos de paz, um território apátrida e radicalmente tolerante, uma condição psico-social suicidária e a circunstância nada despiciente de Bruxelas ser a sede simbólica e administrativa do ocidente europeu. Convenhamos: não há melhor alvo.
O que aconteceu hoje não surpreende ninguém e é verdade que este é o novo normal. O que não é nada normal é o facto deprimente de ninguém na Europa (já para não falar dos tristes que ocupam o território a ocidente do Atlântico) enfim decidir-se a fazer qualquer coisa que nos defenda desta irreal, humilhante e dramática realidade.
É que para viver os prazeres da paz, meus amigos, é preciso saber cumprir os horrores da guerra.
domingo, março 20, 2016
Onde é que eu já ouvi isto?
Não é Nada Meu
Música: Boca Nervosa
Coreografia: Dancing Lula - Mederijhon Corumbá
Montagem: News Gerais
quinta-feira, março 17, 2016
É capaz de ser um bocado tarde para os cristãos que já foram chacinados.
Barak Obama descobriu hoje que o ISIS comete genocídio. Até aqui, a Casa Branca, sempre muito cuidadosa com a nomenclatura no que se refere ao terror islâmico, tinha recusado aos genocidas o seu justo estatuto legal. Mas hoje Obama deve ter acordado com um raro ataque de lucidez e, através do seu vice-presidente John Kerry (a tarefa é demasiado embaraçosa para ser desempenhada por um muçulmano), reconheceu final e tardiamente o óbvio.
Entretanto, o ISIS já matou centenas de milhares de cristãos das maneiras mais bárbaras que podemos imaginar. Mas, para o infeliz hóspede da Casa Branca, só hoje, a 17 de Março de 2016, é que a intenção dos facínoras passou a ser genocida. Até aqui, eram uns tipos que matavam por matar, sem qualquer vontade de extermínio.
E é assim.
Entretanto, o ISIS já matou centenas de milhares de cristãos das maneiras mais bárbaras que podemos imaginar. Mas, para o infeliz hóspede da Casa Branca, só hoje, a 17 de Março de 2016, é que a intenção dos facínoras passou a ser genocida. Até aqui, eram uns tipos que matavam por matar, sem qualquer vontade de extermínio.
E é assim.
terça-feira, março 15, 2016
A Oeste, tudo ao contrário.
Enquanto Lula da Silva, esse grande herói moral da esquerda, tenta ser ministro para fugir à justiça (sem que isso pareça, nos jornais, o escândalo apocalíptico que realmente é), os belgas esforçam-se imenso para parecerem policias competentes, mas não conseguem. Para matarem um terrorista amador - e deixarem escapar mais dois ou três - são precisos não sei quantas centenas de efectivos armados até aos dentes e protegidos por toda a espécie de camadas de kevlar com que é possível revestir um ser humano. Ainda assim, não conseguem esconder que estão mais borrados de medo que um adolescente no pátio de um presídio. E, claro, quatro caem feridos. Se pensarmos bem neste ratio de baixas, não há forças de segurança na Europa que possam dar luta ao terrorismo islâmico.
No entretanto, o CDS, inspirado agora pelo notável instinto da Dra. Cristas, vira à esquerda e elege como inimigo prioritário o PSD. Volto a repetir. O CDS acha que, perante o aterrador panorama político actual, o seu grande alvo a abater é o PSD.
No entretanto, César das Neves entretém-se a tentar explicar ao povo que o Papa Francisco não é marxista. São precisas imensas subtilezas para explicar isso e - mesmo assim - não consegue convencer ninguém.
No entretanto, o infame Trump está prestes a selar a nomeação do Partido Republicano para as eleições presidenciais deste ano e o socialista Bernie Sanders continua a dar uma luta desgraçada a Hillary Clinton.
No entretanto, morreu Nicolau Breyner. Um homem dos antigos. Quase fico contente por ele, que já não está aqui para suportar a irritação, a insanidade, a imoralidade deste mundo ao contrário.
No entretanto, o CDS, inspirado agora pelo notável instinto da Dra. Cristas, vira à esquerda e elege como inimigo prioritário o PSD. Volto a repetir. O CDS acha que, perante o aterrador panorama político actual, o seu grande alvo a abater é o PSD.
No entretanto, César das Neves entretém-se a tentar explicar ao povo que o Papa Francisco não é marxista. São precisas imensas subtilezas para explicar isso e - mesmo assim - não consegue convencer ninguém.
No entretanto, o infame Trump está prestes a selar a nomeação do Partido Republicano para as eleições presidenciais deste ano e o socialista Bernie Sanders continua a dar uma luta desgraçada a Hillary Clinton.
No entretanto, morreu Nicolau Breyner. Um homem dos antigos. Quase fico contente por ele, que já não está aqui para suportar a irritação, a insanidade, a imoralidade deste mundo ao contrário.
sexta-feira, março 11, 2016
O presidente de todos os portugueses menos eu.
O presidente de todos os portugueses gosta de ouvir cantar um tipo chamado Anselmo Ralph. Eu acho que o Anselmo Ralph é um poluidor de tímpanos.
O presidente de todos os portugueses gosta de andar a pé. Eu gosto de andar de automóvel.
O presidente de todos os portugueses é um artista da televisão. Eu não vejo televisão.
O presidente de todos os portugueses acha que a melhor maneira de ser presidente da república é abster-se de princípios ideológicos. Eu acho que os princípios ideológicos são fundamentais para o exercício honesto e fiável de qualquer presidência da república. Na verdade, o partido do presidente de todos os portugueses é o Partido d'Ele e mais ninguém cabo no espaço ocupado por Ele.
O presidente de todos os portugueses decidiu iniciar o seu mandato numa mesquita. Eu acho essa iniciativa nojenta. Ou, pensando bem, acho que é abaixo de nojenta. É traidora do meu país.
O presidente de todos os portugueses é um tipo que tem a comunicação social sempre pronta a fazer-lhe uma versão qualquer de sexo oral. Eu ficaria sem pila, perante semelhante broche.
O presidente de todos os portugueses é um gajo simpático. Eu, que sou um gajo super antipático, acho que o presidente da república não deve primar por ser uma coisa ou outra.
O presidente de todos os portugueses está a fingir que a gerinçonça não vai levar os portugueses todos à ruína. Quando é completamente óbvio que a geringonça, com o inestimável préstimo do presidente de todos os portugueses, vai levar todos os portugueses à ruína.
Até eu, que sou o único gajo de quem o presidente de todos os portugueses não é presidente, hei-de enfrentar a ruína por causa dele e por causa da geringonça.
Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente de todos os portugueses menos eu, será afinal o primeiro e último responsável pelo próximo resgate. E pelo preço que todos os portugueses vão pagar pela infelicidade de o ter como presidente de todos os portugueses.
O presidente de todos os portugueses gosta de andar a pé. Eu gosto de andar de automóvel.
O presidente de todos os portugueses é um artista da televisão. Eu não vejo televisão.
O presidente de todos os portugueses acha que a melhor maneira de ser presidente da república é abster-se de princípios ideológicos. Eu acho que os princípios ideológicos são fundamentais para o exercício honesto e fiável de qualquer presidência da república. Na verdade, o partido do presidente de todos os portugueses é o Partido d'Ele e mais ninguém cabo no espaço ocupado por Ele.
O presidente de todos os portugueses decidiu iniciar o seu mandato numa mesquita. Eu acho essa iniciativa nojenta. Ou, pensando bem, acho que é abaixo de nojenta. É traidora do meu país.
O presidente de todos os portugueses é um tipo que tem a comunicação social sempre pronta a fazer-lhe uma versão qualquer de sexo oral. Eu ficaria sem pila, perante semelhante broche.
O presidente de todos os portugueses é um gajo simpático. Eu, que sou um gajo super antipático, acho que o presidente da república não deve primar por ser uma coisa ou outra.
O presidente de todos os portugueses está a fingir que a gerinçonça não vai levar os portugueses todos à ruína. Quando é completamente óbvio que a geringonça, com o inestimável préstimo do presidente de todos os portugueses, vai levar todos os portugueses à ruína.
Até eu, que sou o único gajo de quem o presidente de todos os portugueses não é presidente, hei-de enfrentar a ruína por causa dele e por causa da geringonça.
Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente de todos os portugueses menos eu, será afinal o primeiro e último responsável pelo próximo resgate. E pelo preço que todos os portugueses vão pagar pela infelicidade de o ter como presidente de todos os portugueses.
quarta-feira, março 09, 2016
Room. Ou uma aventura no coração das trevas.
Quantos mais filmes vejo, mais tenho dificuldade em gostar dos filmes que vejo. De vez em quando, porém, ainda encontro consolação. Room, de Lenny Abrahamson, é um desses de vez em quandos.
Há um momento no filme em que nos perguntamos se a liberdade vale a pena. É excruciante. E tremendamente revelador da merda de mundo em que vivemos.
Grandessíssimo bocado de cinema.
Excepção à regra.
Não é costume falar de trabalho aqui no blog (que nem tinha tag para o
tema), mas, sinceramente, este projecto merece um postezinho. E
tudo o que custou foi um dia muito bem passado. Quer dizer, ao Lagido
custou mais um bocadinho do que isto, mas seja como for, o resultado é
feliz. E a ideia é fazer mais destes. Se o cliente deixar...
Direcção e edição: João Lagido - Sponge
Assistência técnica: Rui Canas - Sponge
Conceito e storyboard - Paulo Hasse Paixão - Partícula
Direcção e edição: João Lagido - Sponge
Assistência técnica: Rui Canas - Sponge
Conceito e storyboard - Paulo Hasse Paixão - Partícula
segunda-feira, março 07, 2016
Zaman, Turquia e cenas (porque nunca se deve tomar os outros por nós próprios).
POR MÁRCIO ALVES CANDOSO
Não
sei se por preguiça, simplismo ou até arrogância, muitos ocidentais,
hoje em dia, gostam de analisar a realidade dos países muçulmanos
segundo os seus pontos de vista ou à luz da sua própria hierarquia de
valores.
Se, no que diz respeito a direitos humanos considerados fundamentais, devemos fugir o mais possível do relativismo - não há que ter medo em declarar a superioridade das democracias ocidentais neste aspecto, com todos os defeitos inerentes -, em matéria de análise política local a coisa muda de figura.
Como tantas vezes tem acontecido, foi - e é - por uma errada análise de contexto que os poderes ocidentais, ao meterem o nariz na Síria, em vez de melhorarem o estado das coisas só contribuíram para uma ainda maior confusão, estando longe de terem evitado o desastre. Basta ver a posição dos EUA e de alguns países europeus nas alegadas 'Primaveras Árabes' para aquilatar da qualidade dos pézudos políticos que nos têm calhado em sorte.
A falta de jeito com que se olha a Turquia, ou o problema dos imigrantes/refugiados, é, neste momento, outra das mais gritantes irresponsabilidades do Ocidente. Isso e a pressa com que se rotula de 'bom' ou 'mau' todo e qualquer movimento real ou aparente que emerja nesses países.
A Turquia de Gamal Ataturk ainda resiste; mas já não é maioritária. Por entre as brumas da má memória, os diversos islamismos mais ou menos disfarçados tomaram conta de um país que, no seu tempo revolucionário, aspirou a ser laico e europeu. Talvez contra a sua própria natureza orientalista, o pai da República Turca quis dar um banho de civilização no País, adoptando até aquela que era, na época, a florescente ideologia do progresso - a social-democracia.
O tempo de Erdogan - o tempo presente - é outro. Disparando em diversos sentidos, o semi-ditador turco que em tempos fez a sua formação política aderir ao Partido Popular Europeu - mas que entretanto resolveu sair, antes que levasse com a porta na cara - está em guerra com tudo e com todos.
Os curdos continuam a ser o elo mais fraco nas chancelarias ocidentais - mas não no terreno, onde a bravura e o nível estratégico dos seus militares são uma lição para o mundo. Erdogan ataca a Síria de Assad, dá-se mal com Putin, tenta reprimir os islâmicos radicais no seu país, esmaga a oposição democrática. Tudo com um supremo fim - manter o poder a todo o custo.
Mas é com este fulano que Merkel gosta de se reunir e dar alvíssaras. É este regime que, mais uma vez, dá um nó nas boas almas ocidentais, ao atacar e censurar o maior jornal da Turquia - o Zaman. O que é o Zaman? É um jornal (ou mais do que isso, um grupo de comunicação social) financiado pelo movimento Gülen, ligado ao clérigo islâmico no exílio com o mesmo nome.
É difícil dizer que movimento é esse. Aparentemente, trata-se de uma seita elitista e moderada (pelos cânones do Corão), que aposta numa teia mundial ligada à educação e aos OCS para tomar conta do poder nos países de maioria muçulmana. É impossível não vir à ideia a comparação com uma Opus Dei, talvez mais 'centrista'.
Obviamente que já foi apanhada em teias de corrupção. Não é fácil andar numa semi-clandestinidade e ter, para isso, de angariar fortunas, se é que se quer continuar a ter alguma influência. Erdogan, na lógica de atirar sobre tudo o que mexe, não gosta deles.
Fechar ou censurar um jornal é... fechar ou censurar um jornal. Ponto. Nas imagens televisivas que dão conta das manifestações de apoio ao Zaman, não vi as mulheres de Istambul a atravessar a Ponte do Bósforo de cabelos ao vento e blusas de botões abertos - como noutras ocasiões tinha sido uma realidade. Vi, sim, jovens de varinos compridos, com a cabeça devidamente tapada.
O simplismo e as primeiras impressões nunca foram boas ferramentas de análise. Não na Turquia.
Se, no que diz respeito a direitos humanos considerados fundamentais, devemos fugir o mais possível do relativismo - não há que ter medo em declarar a superioridade das democracias ocidentais neste aspecto, com todos os defeitos inerentes -, em matéria de análise política local a coisa muda de figura.
Como tantas vezes tem acontecido, foi - e é - por uma errada análise de contexto que os poderes ocidentais, ao meterem o nariz na Síria, em vez de melhorarem o estado das coisas só contribuíram para uma ainda maior confusão, estando longe de terem evitado o desastre. Basta ver a posição dos EUA e de alguns países europeus nas alegadas 'Primaveras Árabes' para aquilatar da qualidade dos pézudos políticos que nos têm calhado em sorte.
A falta de jeito com que se olha a Turquia, ou o problema dos imigrantes/refugiados, é, neste momento, outra das mais gritantes irresponsabilidades do Ocidente. Isso e a pressa com que se rotula de 'bom' ou 'mau' todo e qualquer movimento real ou aparente que emerja nesses países.
A Turquia de Gamal Ataturk ainda resiste; mas já não é maioritária. Por entre as brumas da má memória, os diversos islamismos mais ou menos disfarçados tomaram conta de um país que, no seu tempo revolucionário, aspirou a ser laico e europeu. Talvez contra a sua própria natureza orientalista, o pai da República Turca quis dar um banho de civilização no País, adoptando até aquela que era, na época, a florescente ideologia do progresso - a social-democracia.
O tempo de Erdogan - o tempo presente - é outro. Disparando em diversos sentidos, o semi-ditador turco que em tempos fez a sua formação política aderir ao Partido Popular Europeu - mas que entretanto resolveu sair, antes que levasse com a porta na cara - está em guerra com tudo e com todos.
Os curdos continuam a ser o elo mais fraco nas chancelarias ocidentais - mas não no terreno, onde a bravura e o nível estratégico dos seus militares são uma lição para o mundo. Erdogan ataca a Síria de Assad, dá-se mal com Putin, tenta reprimir os islâmicos radicais no seu país, esmaga a oposição democrática. Tudo com um supremo fim - manter o poder a todo o custo.
Mas é com este fulano que Merkel gosta de se reunir e dar alvíssaras. É este regime que, mais uma vez, dá um nó nas boas almas ocidentais, ao atacar e censurar o maior jornal da Turquia - o Zaman. O que é o Zaman? É um jornal (ou mais do que isso, um grupo de comunicação social) financiado pelo movimento Gülen, ligado ao clérigo islâmico no exílio com o mesmo nome.
É difícil dizer que movimento é esse. Aparentemente, trata-se de uma seita elitista e moderada (pelos cânones do Corão), que aposta numa teia mundial ligada à educação e aos OCS para tomar conta do poder nos países de maioria muçulmana. É impossível não vir à ideia a comparação com uma Opus Dei, talvez mais 'centrista'.
Obviamente que já foi apanhada em teias de corrupção. Não é fácil andar numa semi-clandestinidade e ter, para isso, de angariar fortunas, se é que se quer continuar a ter alguma influência. Erdogan, na lógica de atirar sobre tudo o que mexe, não gosta deles.
Fechar ou censurar um jornal é... fechar ou censurar um jornal. Ponto. Nas imagens televisivas que dão conta das manifestações de apoio ao Zaman, não vi as mulheres de Istambul a atravessar a Ponte do Bósforo de cabelos ao vento e blusas de botões abertos - como noutras ocasiões tinha sido uma realidade. Vi, sim, jovens de varinos compridos, com a cabeça devidamente tapada.
O simplismo e as primeiras impressões nunca foram boas ferramentas de análise. Não na Turquia.
Dan Auerbach contra-ataca.
The Arcs . Put a Flower in Your Pocket
O regresso glorioso do rock de garagem na pessoa genial de Dan Auerbach, uma das caras metade dos inigualáveis Black Keys. Um shot de felicidade em notas musicais.
quarta-feira, março 02, 2016
Constatação de facto.
Depois dos tristes resultados da Super Tuesday, meus amigos, tenho que embater violentamente contra a parede da realidade: só um milagre eleitoral ou um fenómeno poltergeist na convenção republicana é que impedirão Donald Trump de conseguir a nomeação. E assim sendo, se fosse eleitor destes desgraçados Estados Unidos, votaria em Hillary para presidente, no dia 8 de Novembro deste ano. Entre a rã Clinton e o sapo Trump, a rã parece-me muito menos indigesta.
sexta-feira, fevereiro 26, 2016
Bum, bum, bum. Malha.
Mystery Jets . Bubblegum . Live at BT Sport
A versão em estúdio está melhorzinha e é pena que nesta interpretação ninguém esteja a tocar o riff de sintetizador, que é o bocadinho que realmente faz a malha. Mas é o que há e já não é nada mau.
Jesus Cristo não é chamado para a conversa.
A instituição radical de imbecis a que deram o nome de Bloco de Esquerda decidiu lançar uma campanha a favor da adopção gay com este repugnante slogan: Jesus Cristo também tinha dois pais.
Nem vale a pena falar da infantilidade do argumento nem na falência da imaginação que é transparente na baratíssima justaposição semântica. Mas será talvez necessário ponderar sobre a tolerância (e a cumplicidade) que tem merecido até aqui esta organização de arruaceiros chegavaristas. E se este tipo de alarvidade radical deve ser permitida a um partido político com assento na Assembleia da República. É que Portugal é um país cristão. É cristão na sua origem e na sua identidade. Na sua história e na sua alma. É cristão de literatura e de revoluções. É cristão por causa da sua geografia e da sua meta-geografia. É cristão e não poderia alguma vez ser outra coisa. Se Portugal deixar de ser cristão, deixa de ser Portugal. Neste país, até os ateus, como eu, são cristãos. Os infelizes do Bloco também o são, mas não têm a inteligência, a cultura e a sensibilidade para darem por isso. Não percebem que Platão era tão cristão como Cristo, que Cristo era tão marxista como Marx e que sem eles, Proudhon e Bertrand Russel não tinham escrito uma página que fosse das cartilhas que os bloquistas conservam cabalistacamente na miséria das suas bibliotecas privadas.
O que é realmente grave no Bloco de Esquerda, é que o ódio intenso que manifesta pelos valores da civilização ocidental resulta apenas da ignorância de tudo e de um niilismo básico, intelectualmente plastificado, pueril, populista, que triunfa sempre pela negativa.
E, já agora, quantos pais tinha Maomé, Catarina Martins?
Nem vale a pena falar da infantilidade do argumento nem na falência da imaginação que é transparente na baratíssima justaposição semântica. Mas será talvez necessário ponderar sobre a tolerância (e a cumplicidade) que tem merecido até aqui esta organização de arruaceiros chegavaristas. E se este tipo de alarvidade radical deve ser permitida a um partido político com assento na Assembleia da República. É que Portugal é um país cristão. É cristão na sua origem e na sua identidade. Na sua história e na sua alma. É cristão de literatura e de revoluções. É cristão por causa da sua geografia e da sua meta-geografia. É cristão e não poderia alguma vez ser outra coisa. Se Portugal deixar de ser cristão, deixa de ser Portugal. Neste país, até os ateus, como eu, são cristãos. Os infelizes do Bloco também o são, mas não têm a inteligência, a cultura e a sensibilidade para darem por isso. Não percebem que Platão era tão cristão como Cristo, que Cristo era tão marxista como Marx e que sem eles, Proudhon e Bertrand Russel não tinham escrito uma página que fosse das cartilhas que os bloquistas conservam cabalistacamente na miséria das suas bibliotecas privadas.
O que é realmente grave no Bloco de Esquerda, é que o ódio intenso que manifesta pelos valores da civilização ocidental resulta apenas da ignorância de tudo e de um niilismo básico, intelectualmente plastificado, pueril, populista, que triunfa sempre pela negativa.
E, já agora, quantos pais tinha Maomé, Catarina Martins?
quinta-feira, fevereiro 25, 2016
Para a semana, a capa do Economist deveria ser esta.
Não é que não concorde com a opinião do Economist sobre Donald Trump. Porém, seria aconselhável que eles pensassem também em esgalhar uma capa deste género. É que, apesar de tudo, a ideia de um socialista na Casa Branca consegue fazer ainda menos sentido do que a de um dono de casinos no mesmo palacete. Batam no Trump à vontade. Mas não poupem o Bernie, por favor.
O irreal acontece.
Enquanto o Partido Republicano oscila entre o choque e a impotência, Trump vai somando delegados nas primárias e é agora, inacreditavelmente, o candidato favorito à nomeação.
Na edição de hoje, o Economist encosta os republicanos à parede: algo tem que ser feito para evitar a catástrofe surrealista.
Isto embora eu ache que o Economist também devia mostrar preocupação e espanto com o que está a acontecer nas primárias dos democratas. Pior que um Trump à direita, só mesmo um Sanders à esquerda.
É que neste mundo ao contrário, tudo pode realmente acontecer.
quarta-feira, fevereiro 24, 2016
Cento e cinquenta e dois mil, trezentos e setenta e quatro atrasados mentais.
Apurados enfim (não sei quantas semanas depois do acto eleitoral) os votos definitivos das presidenciais, chegamos à deprimente conclusão que 152.374 portugueses deram-se ao trabalho de ir deitar na urna uma cruz pelo senhor Vitorino Silva, que gosta de ser chamado Tino de Rans.
Há quem diga que este voto é um manifesto satírico. Que é uma expressão crítica. Que é o equivalente ao voto em branco ou ao voto nulo. Eu não acho. Eu acho que é atraso mental puro e simples. E que fique bem explícito: o atraso mental não pode ser lido, neste contexto, como um fenómeno resultante de qualquer factor clínico ou patológico. A expressão aqui refere-se à estupidez que transcende a normal capacidade do ser humano para ser estúpido.
Há quem diga que este voto é um manifesto satírico. Que é uma expressão crítica. Que é o equivalente ao voto em branco ou ao voto nulo. Eu não acho. Eu acho que é atraso mental puro e simples. E que fique bem explícito: o atraso mental não pode ser lido, neste contexto, como um fenómeno resultante de qualquer factor clínico ou patológico. A expressão aqui refere-se à estupidez que transcende a normal capacidade do ser humano para ser estúpido.
terça-feira, fevereiro 23, 2016
Tudo é possível.
Podes ser marxista, podes ser contra o império, podes desacreditar todos os valores que projectaram a América para a sua posição de primeira potência mundial, podes querer fechar Wall Street, podes até defender a extinção da CIA. Ainda assim, concorrerás, com assinalável sucesso, às primárias do Partido Democrático. Isto é possível. Isto está a acontecer.
Vivo ou não vivo num mundo ao contrário?
Vivo ou não vivo num mundo ao contrário?
sábado, fevereiro 20, 2016
quinta-feira, fevereiro 18, 2016
O Erro de Einstein (Capítulo 154)
A propósito da péssima cobertura mediática das recentes descobertas relacionadas com as ondas gravitacionais, deixo aqui um resumo de 40 argumentos científicos, devidamente anotados, que demonstram o carácter inconclusivo e até errático da Teoria da Relatividade (Restrita e Geral).
Ao contrário, gentil leitor, do que leste nas manchetes da semana passada, Einstein está muito longe do absoluto.
Ao contrário, gentil leitor, do que leste nas manchetes da semana passada, Einstein está muito longe do absoluto.
- Computer simulations based on the theory of relativity predict far more black holes than are observed.[1] Indeed, it is doubtful whether black holes even exist, and the latest observation disproved the prediction.[2]
- "Quasars are disappearing" contrary to the theory of relativity, and astronomers simply "stopped looking" after finding more than ten examples of rapidly changing quasars that confound the theory with respect to black holes.[3]
- The orbital eccentricity of the Moon's orbit is increasing, contrary to what Relativity predicts.[4]
- The Pioneer anomaly.
- The Sun is a perfect sphere - "the solar flattening is ... too small to agree with that predicted from its surface rotation."[5]
- Quantum entanglement near the event horizon of a black hole - with one particle of the pair on one side, and other particle of the pair on the other side -- defies the Theory of Relativity.[6] Relativity is a mathematical theory that cannot permit any exceptions, just as arithmetic falls part if 2 times 2 is ever not equal to 4.
- The speed of light in a vacuum is slower than expected -- less than c -- based on new data from a 25-year-old supernova.[7]
- "Celestial signals defy Einstein. Strange signals picked up from black holes and distant supernovae suggest there's more to space-time than Einstein believed."[8]
- A physics article published in 2014 states that "general relativity, which describes gravity at low energies precisely, break[s] down at high energies."[9]
- Subatomic particles with mass have a speed observed to be as fast as the speed of light ("we are 100% sure that the speed of light is the speed of neutrinos"[10]), which contradicts Relativity because the Lorentz factor is then infinite.[11][12] Neutrinos were observed to travel at the speed of light by an independent experiment also: "Their neutrinos traveled at precisely the speed of light, not faster or slower."[13]
- Anomalies in the locations of spacecraft that have flown by Earth ("flybys"). During the gravity assists from Earth, both the Galileo spacecraft and the Near Earth Asteroid Rendezvous (NEAR) spacecraft experienced a change in velocity different than that predicted by General Relativity.[14][15]
- Spiral galaxies confound Relativity, and unseen, nonexistent "dark matter" has been invented to try to retrofit observations to the theory.[16] "Dark matter mysteriously missing around sun. Theories say neighborhood should be filled with it, but new study shows otherwise."[17]
- The acceleration in the expansion of the universe confounds Relativity, and unseen "dark energy" has been invented to try to retrofit observations to the theory.
- Increasingly precise measurements of the advance of the perihelion of Mercury show a shift greater than predicted by Relativity, well beyond the margin of error.[note 2]
- The discontinuity in momentum as velocity approaches "c" for infinitesimal mass, compared to the momentum of light.
- The observed lack of curvature in overall space.[note 3]
- The universe shortly after its creation, when quantum effects dominated and contradicted Relativity.
- The action-at-a-distance of quantum entanglement.[note 4]
- The failure to discover gravitons, despite spending hundreds of millions in taxpayer money in searching. While these tax dollars were not necessarily "wasted", the lack of results indicate that scientists need to revisit their hypothesis.
- Newly observed data reveal that the fine-structure constant, α (alpha), actually varies throughout the universe, demonstrating that all inertial frames of reference do not experience identical laws of physics as claimed by Relativity.[note 5]
- The double star "W13" weighs "40 times as much as the sun—more than enough to form a black hole. So why is it not a black hole? The only explanation [a leading scientist] can think of ... does not make astrophysical sense."[20]
- The inability of the theory to lead to other insights, contrary to every verified theory of physics.
- The change in mass over time of standard kilograms preserved under ideal conditions.[21]
- The uniformity in temperature throughout the universe.[22]
- "According to Einstein’s view on the universe, space-time should be smooth and continuous" but observations instead show "inexplicable static" greater than "all artificial sources of" possible background noise.[23]
- "The snag is that in quantum mechanics, time retains its Newtonian aloofness, providing the stage against which matter dances but never being affected by its presence. These two [QM and Relativity] conceptions of time don’t gel."[24]
- The theory predicts wormholes just as it predicts black holes, but wormholes violate causality and permit absurd time travel.[25]
- The theory predicts natural formation of highly ordered (and thus low entropy) black holes despite the increase in entropy required by the Second Law of Thermodynamics.[note 6]
- Data from the PSR B1913+16 increasingly diverge from predictions of the General Theory of Relativity such that, despite a Nobel Prize in Physics being awarded for early work on this pulsar, no data at all have been released about it for over five years.
- The lack of useful devices developed based on any insights provided by the theory; no lives have been saved or helped, and the theory has not led to other useful theories and may have interfered with scientific progress.[note 7] This stands in stark contrast with every verified theory of science.
- Relativity requires different values for the inertial mass of a moving object: in its direction of motion, and perpendicular to that direction. This contradicts the logical principle that the laws of physics are the same in all directions.
- Relativity requires that anything traveling at the speed of light must have mass zero, so it must have momentum zero. But the laws of electrodynamics require that light have nonzero momentum.
- Unlike most well-tested fundamental physical theories, the theory of relativity violates conditions of a conservative field. Path independence, for example, is lacking under the theory of relativity, as in the "twin paradox" whereby the age of each twin under the theory is dependent on the path he traveled.[note 8]
- Based on Relativity, Einstein predicted in 1905 that clocks at the Earth's equator would be slower than clocks at the North Pole, due to different velocities; in fact, all clocks at sea level measure time at the same rate, and Relativists made new assumptions about the Earth's shape to justify this contradiction of the theory; they also make the implausible claim that relativistic effects from gravitation precisely offset the effects from differences in velocity.[26]
- The Twin Paradox: Consider twins who are separated with one traveling at a very high speed such that his "clock" (age) slows down, so that when he returns he has a younger age than the twin; this violates Relativity because both twins should expect the other to be younger, if motion is relative. Einstein himself admitted that this contradicts Relativity.[note 9]
- Despite a century of wasting billions of dollars in work on the theory, "No one knows how to solve completely the equations of general relativity that describe gravity; they are simply beyond current understanding."[27]
- Experiments in electromagnetic induction contradict Relativity: "Einstein’s Relativity ... can not explain the experiment in graph 2, in which moving magnetic field has not produced electric field."[28][29]
- Relativity breaks down if a solenoid is traveling at or near the speed of light.[30]
- The Pauli Exclusion Principle states that no two electrons in a closed system can exist in the same quantum state and if one electron changes all others must compensate. As the universe is a closed system when one electron changes state so must all others, even if they are thousands of light years apart.[31]
- The recent findings of gravitational waves are actually just dust.[32]
Virar à esquerda.
Vivo num mundo ao contrário. Durante décadas, fui aliviando esta contrariedade cósmica com vários estratagemas, um entre os quais, o de fazer amigos que atenuassem a assimetria entre a minha identidade e a sociedade em que vivo. Constato agora a falência dessa estratégia. Os amigos que tenho hoje só contribuem para este isolacionismo antípoda em que vivo.
Os amigos que tenho nesta precisa etapa da existência, telefonam-me entusiasmados porque leram um livro que acusa o Álvaro de Campos de erros gramaticais enquanto consideram que o Lobo Antunes é um génio. Os amigos que tenho hoje, mesmo os católicos, tecem elogios inauditos a este papa, o único no meu tempo de vida que realmente pretendeu dessacralizar a Igreja. Os amigos que tenho hoje, mesmo os ateus, tecem elogios inauditos a este papa, o único no meu tempo de vida que realmente teve a ambição de os evangelizar a todos. Os amigos que tenho hoje, mesmo os de direita, acham que o PSD deve virar à esquerda. Como se este não fosse já um país excessivamente virado para esse lado. Como se o PSD alguma vez na sua triste história tivesse sido um partido de direita.
Os amigos que tenho agora são amigos da geringonça e acham que o Obama é o máximo e que o Reagan era o diabo em pessoa e que é boa ideia namorar com aiatolas e caudilhos socialistas.
Os amigos que tenho agora acham que Israel devia ser uma província da Palestina. Os amigos que tenho agora acham que a maior aventura possível é a de ir de férias para o Cambodja. E elegem Slavoj Zizek como um ensaísta de referência e conseguem apreciar a Lady Gaga e ainda não perceberam que a civilização que lhes alimenta luxuosamente a barriga de opiniões igualitárias e refeições lautas e automóveis com duzentos cavalos e telemóveis de mil euros e apartamentos de classe média-alta e empregos simpáticos e filhos mal criados e cães mimados e hobbys e ginásios e manias e psicanalistas; essa civilização que lhes permite os valores profundamente anti-civilizacionais com que manifestam o seu tédio de gordos arrependidos, está no fim.
Os amigos que tenho agora estão tão longe de mim como qualquer estranho que tenha votado na Marisa para as presidenciais. Já não servem à minha desesperada tentativa de fingir que o mundo gira na sua órbita correcta.
Os amigos que tenho nesta precisa etapa da existência, telefonam-me entusiasmados porque leram um livro que acusa o Álvaro de Campos de erros gramaticais enquanto consideram que o Lobo Antunes é um génio. Os amigos que tenho hoje, mesmo os católicos, tecem elogios inauditos a este papa, o único no meu tempo de vida que realmente pretendeu dessacralizar a Igreja. Os amigos que tenho hoje, mesmo os ateus, tecem elogios inauditos a este papa, o único no meu tempo de vida que realmente teve a ambição de os evangelizar a todos. Os amigos que tenho hoje, mesmo os de direita, acham que o PSD deve virar à esquerda. Como se este não fosse já um país excessivamente virado para esse lado. Como se o PSD alguma vez na sua triste história tivesse sido um partido de direita.
Os amigos que tenho agora são amigos da geringonça e acham que o Obama é o máximo e que o Reagan era o diabo em pessoa e que é boa ideia namorar com aiatolas e caudilhos socialistas.
Os amigos que tenho agora acham que Israel devia ser uma província da Palestina. Os amigos que tenho agora acham que a maior aventura possível é a de ir de férias para o Cambodja. E elegem Slavoj Zizek como um ensaísta de referência e conseguem apreciar a Lady Gaga e ainda não perceberam que a civilização que lhes alimenta luxuosamente a barriga de opiniões igualitárias e refeições lautas e automóveis com duzentos cavalos e telemóveis de mil euros e apartamentos de classe média-alta e empregos simpáticos e filhos mal criados e cães mimados e hobbys e ginásios e manias e psicanalistas; essa civilização que lhes permite os valores profundamente anti-civilizacionais com que manifestam o seu tédio de gordos arrependidos, está no fim.
Os amigos que tenho agora estão tão longe de mim como qualquer estranho que tenha votado na Marisa para as presidenciais. Já não servem à minha desesperada tentativa de fingir que o mundo gira na sua órbita correcta.
sábado, fevereiro 13, 2016
Cemitério da Ajuda
Aprender hei-de jamais
como sobreviver aos funerais.
O que é que se diz,
o que é que se faz.
Que me diga um infeliz
que roupa é que se traz!
Que flores é que se usam,
que condolências, abecedários;
de que elegias abusam
os agentes funerários?
São especialmente dolorosos
os funerais chuvosos.
Os coveiros lançam a enxada
com ritmo escravo e precisão.
A lama acerta em cada pazada
no charco do caixão.
A chuva vence a gabardine
como a vida faz magistério:
é preciso que tudo termine
na geologia do cemitério.
Aprender hei-de jamais
como sobreviver aos funerais.
Como é que se beija
a mãe do falecido?
E a dor, será que se aleija
nesse beijo estarrecido?
Quando é que é proibido
o meio sorriso muscular
e quando é que é permitido,
enfim, chorar?
Ensinem-me as regras e as leis
que eu vou ao enterro do Ricardo Reis.
como sobreviver aos funerais.
O que é que se diz,
o que é que se faz.
Que me diga um infeliz
que roupa é que se traz!
Que flores é que se usam,
que condolências, abecedários;
de que elegias abusam
os agentes funerários?
São especialmente dolorosos
os funerais chuvosos.
Os coveiros lançam a enxada
com ritmo escravo e precisão.
A lama acerta em cada pazada
no charco do caixão.
A chuva vence a gabardine
como a vida faz magistério:
é preciso que tudo termine
na geologia do cemitério.
Aprender hei-de jamais
como sobreviver aos funerais.
Como é que se beija
a mãe do falecido?
E a dor, será que se aleija
nesse beijo estarrecido?
Quando é que é proibido
o meio sorriso muscular
e quando é que é permitido,
enfim, chorar?
Ensinem-me as regras e as leis
que eu vou ao enterro do Ricardo Reis.
sexta-feira, fevereiro 12, 2016
O espaço, o tempo e o barulho que fazem quando são perturbados.
No espaço sideral não há som. Mais ou menos. Porque o Observatório de Interferometria Laser de Ondas Gravitacionais dos Estados Unidos da América (LIGO) conseguiu ouvir qualquer coisinha. Nada mais nada menos do que a prova de que Einstein estava certo quando calculou, na Teoria da Relatividade Geral, que tinham que existir ondas gravitacionais a fluir no universo, carregando quantidades brutais de energia, e que estas forças seriam de tal magnitude que poderiam provocar perturbações no tecido do espaço-tempo.
O barulho que fazem as ondas gravitacionais resultantes de uma colisão entre dois buracos negros é este aqui:
Creepy, não? Pensa só, gentil leitor, que este barulhinho sinistro significa que, algures no universo, o tempo andou de repente para trás, ou de repente para a frente, e que o espaço decidiu encolher-se ou esticar-se muito para além daquilo que é plausível.
Agora a sério: esta descoberta, assinada por mais de mil cientistas, é importante porque irá permitir aos físicos a perseguição das ondas gravitacionais até aos seus pontos de origem, de forma a aprofundar os nossos conhecimentos sobre a arquitectura do cosmos. Mas é, sobretudo, um argumento forte a favor da existência de buracos negros convencionais (ou seja: einsteinianos). É que, ao contrário do que muito boa gente pensa, nem toda a comunidade científica está de acordo sobre o assunto.
O problema dos buracos negros é que são geralmente utilizados para justificar a maior parte das singularidades (excepções às leis da física) observadas no universo. E este tipo de taxonomia que reduz tudo o que se desconhece à mesma categoria fenomenológica é muitíssimo discutível.
Seja como for, as descobertas que foram apresentadas hoje são um avanço científico de significado. E é bom saber que continuamos à escuta. Mesmo quando o que ouvimos é apenas o ruído que faz o mistério.
O barulho que fazem as ondas gravitacionais resultantes de uma colisão entre dois buracos negros é este aqui:
Creepy, não? Pensa só, gentil leitor, que este barulhinho sinistro significa que, algures no universo, o tempo andou de repente para trás, ou de repente para a frente, e que o espaço decidiu encolher-se ou esticar-se muito para além daquilo que é plausível.
Agora a sério: esta descoberta, assinada por mais de mil cientistas, é importante porque irá permitir aos físicos a perseguição das ondas gravitacionais até aos seus pontos de origem, de forma a aprofundar os nossos conhecimentos sobre a arquitectura do cosmos. Mas é, sobretudo, um argumento forte a favor da existência de buracos negros convencionais (ou seja: einsteinianos). É que, ao contrário do que muito boa gente pensa, nem toda a comunidade científica está de acordo sobre o assunto.
O problema dos buracos negros é que são geralmente utilizados para justificar a maior parte das singularidades (excepções às leis da física) observadas no universo. E este tipo de taxonomia que reduz tudo o que se desconhece à mesma categoria fenomenológica é muitíssimo discutível.
Seja como for, as descobertas que foram apresentadas hoje são um avanço científico de significado. E é bom saber que continuamos à escuta. Mesmo quando o que ouvimos é apenas o ruído que faz o mistério.
O Louçã, às vezes...
POR MÁRCIO ALVES CANDOSO
Eu leio e ouço Francisco Louçã. Por várias razões, a mais importante das quais é que se trata de um tipo culto e inteligente.
Mas é também um grande malandreco, com um jeitaço do caraças para a política de 'bricolage', daquela que consiste em de um cano e uma esteira fazer um carrinho de rodas.
Diz o Francisco, num texto publicado no blogue que mantém a meias com Bagão Félix, que Passos Coelho, a propósito de se ter armado recentemente em social-democrata, 'tal-e-qual-e-não-sei-que-mais'. Porreiro, é lá com eles.
Mas diz mais. Que a social-democracia em Portugal não existe, sendo quando muito representada por um 'partido meritório' (sic) que vale 0,7% dos votos. E parece contente com a descoberta.
Vamos lá ver qual é o partido que representa 0,7% do eleitorado. Ora bem, é o L/TDA, sigla palerma e de chumbo em qualquer curso de 'marketing', que escondeu no boletim de voto o 'Livre', um partido a que a maioria dos comentadeiros dava para aí dois deputados ou mesmo três e um quarto - por aí...
Como se recordam, não teve nenhum, porque nem o mais informado dos 'tugas' deve ter percebido o que era aquilo do L/TDA, que tão mal dizia com a 'engraçadinha' da Drago, com a barba semi-careca do Daniel e com os óculos académicos do Tavares. Adiante.
Ora então a social-democracia não existe. E isso é bom? Louçã parece achar que sim, como qualquer trotskista letrado, que ainda se lembra da porrada eleitoral e democrática que foi apanhando, por esse mundo fora, ao longo da História, por parte da social-democracia, mas que se esquece da defesa que a mesma fez do seu patrono, quando os seus arqui-inimigos stalinistas - muito presentes no Bloco de Esquerda - o mandaram picar gelo para a vida eterna.
Tem razão Francisco Louçã quando fala da falta de visibilidade eleitoral da social-democracia em Portugal. E tem razão duas vezes quando se ri de Passos Coelho, armado em dia de festa como paladino da ideologia que esqueceu todo o tempo de vida que lhe permeia desde a 'jota' a primeiro-ministro.
Mas não faça batota. O L/TDA dos seus dissidentes amigos não representa a social-democracia. Se em algum lado ninguém tem vergonha dela é, neste momento, no 'Nós,Cidadãos'. Que - veja lá - nem sequer vale mais do que 0,4% dos votos.
Mas dava-lhe mais jeito falar 'mal' dos amiguitos, não era? Era, era...
Eu leio e ouço Francisco Louçã. Por várias razões, a mais importante das quais é que se trata de um tipo culto e inteligente.
Mas é também um grande malandreco, com um jeitaço do caraças para a política de 'bricolage', daquela que consiste em de um cano e uma esteira fazer um carrinho de rodas.
Diz o Francisco, num texto publicado no blogue que mantém a meias com Bagão Félix, que Passos Coelho, a propósito de se ter armado recentemente em social-democrata, 'tal-e-qual-e-não-sei-que-mais'. Porreiro, é lá com eles.
Mas diz mais. Que a social-democracia em Portugal não existe, sendo quando muito representada por um 'partido meritório' (sic) que vale 0,7% dos votos. E parece contente com a descoberta.
Vamos lá ver qual é o partido que representa 0,7% do eleitorado. Ora bem, é o L/TDA, sigla palerma e de chumbo em qualquer curso de 'marketing', que escondeu no boletim de voto o 'Livre', um partido a que a maioria dos comentadeiros dava para aí dois deputados ou mesmo três e um quarto - por aí...
Como se recordam, não teve nenhum, porque nem o mais informado dos 'tugas' deve ter percebido o que era aquilo do L/TDA, que tão mal dizia com a 'engraçadinha' da Drago, com a barba semi-careca do Daniel e com os óculos académicos do Tavares. Adiante.
Ora então a social-democracia não existe. E isso é bom? Louçã parece achar que sim, como qualquer trotskista letrado, que ainda se lembra da porrada eleitoral e democrática que foi apanhando, por esse mundo fora, ao longo da História, por parte da social-democracia, mas que se esquece da defesa que a mesma fez do seu patrono, quando os seus arqui-inimigos stalinistas - muito presentes no Bloco de Esquerda - o mandaram picar gelo para a vida eterna.
Tem razão Francisco Louçã quando fala da falta de visibilidade eleitoral da social-democracia em Portugal. E tem razão duas vezes quando se ri de Passos Coelho, armado em dia de festa como paladino da ideologia que esqueceu todo o tempo de vida que lhe permeia desde a 'jota' a primeiro-ministro.
Mas não faça batota. O L/TDA dos seus dissidentes amigos não representa a social-democracia. Se em algum lado ninguém tem vergonha dela é, neste momento, no 'Nós,Cidadãos'. Que - veja lá - nem sequer vale mais do que 0,4% dos votos.
Mas dava-lhe mais jeito falar 'mal' dos amiguitos, não era? Era, era...
terça-feira, fevereiro 09, 2016
Spin sem pressão.

Dizia-me ontem um estimado amigo e ilustre jornalista, que tinha mixed feelings sobre o orçamento da geringonça. Não percebi porque é que os sentimentos eram contraditórios, na exacta medida em que fui informado apenas pela positiva: trata-se, segundo este meu querido amigo, de um orçamento respeitável pelo seu virtuosismo malabarista e o mais sério dos últimos 7 ou 8 anos.
Ao contrário do que geralmente faço quando sou confrontado com opiniões tão radicalmente antípodas das minhas, calei-me. Calei-me muito bem caladinho. Acho sinceramente que entrei, naquele momento e oficialmente, em estado de choque.
Um jornalista de economia com uma carreira de décadas, inteligente, culto, educado, ideologicamente desalinhado; estava ali, à minha frente, a louvar a deus pelo orçamento da geringonça. Isto é possível. Isto aconteceu-me.
Escapa talvez ao meu querido amigo que a seriedade deste orçamento, bem como a sua virtude circense, se existem, é porque foram obrigadas. Não fora a força negocial dos credores internacionais e este seria um orçamento de bandidos, como muito bem demonstra o episódio das medidas estruturais que iam passar rapidamente a medidas temporárias, para não se somarem à tendência deficitária. Não fora a força malvada de Bruxelas e a necessidade contorcionista diminuiria substancialmente. Isto é tão óbvio que me espanta ter que escrever isto.
Aliás, mais que malabarista, este orçamento sempre foi e continua a ser - porque até as forças do mal foram bem enganadas - um orçamento ilusionista. Depois do magistral acto de magia negra que constituiu a sua subida ao poder, Costa tornou-se o rei da ilusão. Faz de conta que vai cumprir as suas obrigações de devedor para poder continuar a comprar o dinheiro barato, enquanto finge que vai satisfazer as exigências mais tresloucadas da esquerda radical que o colocou no poder. Vende com sucesso chorudo (e desfaçatez recordista) a ideia de que está a acabar com a austeridade, apresentando um orçamento que de facto aumenta a percentagem da carga fiscal sobre o PIB. Esconde com artes de feiticeiro as verdadeiras razões pelas quais fez da redução da sobretaxa um cavalo de batalha (aprende-se muito com o mestre Chavez) e mascara-se de inocente para anunciar a redução (esta sim colossal) do número de funcionários públicos. Num momento de raro espectáculo, é apoteoticamente aplaudido quando sugere que a ausência no orçamento das ideias do célebre grupo dos 12 é devida apenas a uma estratégia de gestão dos 4 anos de mandato. No fim do número, o coelho que tira da cartola é o truque socialista de sempre: o controlo absoluto sobre a comunicação social.
Um controlo que é, afinal, muito fácil de conseguir. Ninguém pressionou ou ameaçou ou incomodou, mesmo que ligeiramente, o meu querido amigo para que a sua opinião fosse formatada ao devido spin de S. Bento. Ele chegou lá por volição própria. Uma coisa que Sócrates nunca percebeu, é que em Portugal um primeiro ministro socialista não precisa de recorrer a impropérios e ameaças para fazer valer o seu esquema dogmático. Os jornalistas fazem esse trabalho lindamente, por auto-recriação.
segunda-feira, fevereiro 08, 2016
Os cinco minutos que valeram a pena.
Lamentavelmente, os melhores momentos da quinquagésima edição do Super Bowl não tiveram nada a ver com a vertente desportiva. Naquele que foi o pior jogo de futebol americano que alguma vez vi na vida, a defesa dos Denver Broncos neutralizou completamente o talento brutal de Cam Newton e transformou esta final num insuportável sorporífero.
Para os fans dos Coldplay, a coisa também não correu muito melhor. Desconfiada da capacidade da banda britânica para performar ao nível do directo televisivo mais visto no mundo, a organização decidiu - e bem - compor o cartaz com Bruno Mars e Beyonce. E eu, que não sou ouvinte nem de um nem da outra, tenho no entanto que reconhecer o que é evidente: os melhores minutos do Super Bowl deste ano foram deles.
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