quarta-feira, novembro 09, 2016

América condenada #7

A certa altura desta dura campanha, Trump, com a sua habitual prosápia de canalha, afirmou que, num certo contexto, não admitiria a derrota. Não a admitiria formalmente, quero eu dizer. Estalou um escândalo enorme. Os democratas passaram-se completamente. E isso até se percebe, A ironia é que, neste preciso, muito real e muito concreto momento, a Fox está a reportar que Hillary Clinton já foi para casa, sem admitir a derrota.
Que vergonha.

América condenada #6



Faded Paper Figures . Red State

I will be blue in a red state
all the long day with you.
I will be blue in a red state

all the long day with you.
And when iron curtains start to fall,
foreign lovers reaching through the wall.
These policies will freeze,
But hearts are warm technologies
In failed democracies.
I will be blue in a red state
all the long day with you.
I will be blue in a red state
all the long day with you.

América condenada #5

Os americanos estão prestes a eleger para supremo líder da sua desgraçada e decadente federação um tipo que acha que as mulheres, quanto mais bonitas são, mais devem ser agarradas pelas suas conas. Que disse que os pretos são os responsáveis pelos assassínios dos brancos, que disse que os mexicanos não passam de um bando de violadores. Que disse que o chefe de estado com que mais se identifica é Vladimir Putin (e vice-versa). Que disse tanto disparate, que disse tanta obscenidade, que disse tanta coisa perigosa, que só pode ser realmente o maior idiota da história universal da infâmia.

Mas como é que um gajo atrasado mental, como Donald Trump é atrasado mental, chega a líder do mundo livre? Quem é que tem culpa? É ele? Mas ele é tão estúpido que não pode ser realmente responsável. É o povo americano? Mas o povo americano, na verdade, é o mesmo povo que elegeu outras pessoas um pouco menos estúpidas. Só nesta geração, elegeu um gajo inteligentíssimo ainda agora (para a esquerda) e um outro gajo que, não sendo inteligentíssimo, foi um presidente muitíssimo competente (para a direita).

Podemos especular que os americanos escolheram o menor de dois males porque a pobre da Hillary não convence ninguém. Isto é verdade. A pobre da Hillary não conseguiu sequer parecer mais inteligente que o seu imbecil adversário. E isto não é dizer pouco. Mas ainda assim, a culpa é dela? Afinal, não era Hillary Clinton, há dois ou três anos atrás, a grande senhora da América? A grande embaixadora da América? A grande mulher-de-estado-promessa-de-todos-os-femininismos? Depois de um negro na Casa Branca, não era mesmo uma mulher que ficava bem na mesma morada? Não foi ela eleita para governadora do estado de Nova Iorque na ressaca de ser a campeã das cornudas? Não era ela amada, respeitada e querida para a última e primeira posição do poder executivo?

Bem vistas as coisas, o problema não é de Trump, que é demasiado parvo. O problema não é do eleitorado, que é demasiado diletante. O problema não é de Hillary, que é apenas vítima das suas circunstâncias. A coisa vai mais fundo. É um mal mais intestino. É uma ferida mais cancerígena.

America condenada #4

Wall Street vai abaixo com a previsível vitória de Trump. O capitalismo não acredita no capitalismo. E está tudo dito.

América condenada #3


Reparem bem neste mapa eleitoral. Foi tirado agora mesmo de uma infografia do Público. É mais que perceptível que existem duas américas. A costa nordeste e a costa oeste, densamente habitadas e ferozmente democratas. Democratas, muitos deles, que a serem portugueses votariam no Bloco de Esquerda. E quase todo o resto, ferozmente republicano. Republicano de tal forma que não votaria em coisa nenhuma em Portugal ou em qualquer país europeu, pelo singelo desprazer de na Europa não existirem partidos assim tão ferozmente libertários. Sim, libertários. Esta palavra, nos Estados Unidos, pertence à direita. Como a palavra liberal, nos Estados Unidos, pertence à esquerda.
Não me lixem: este mapa, por si só, anuncia uma segunda secessão.
No outro dia fui quase ridicularizado por um amigo, que considero intelectualmente, por ter dito que os Estados Unidos da América são uma guerra civil à espera de acontecer. É uma coisa que digo recorrentemente e que já articulei o bastante aqui no blog. É claro que posso estar a delirar. Mas pensem nisto: como é que a esquerda marxista americana, que, pela voz de Bernie Sanders, deu uma luta danada a Hillary Clinton nas primárias, vai viver com uma presidência interpretada por Donald Trump?
Vai viver mal. Mas apenas mal?

América condenada #2

Trump vai ser o próximo presidente destes Estados Unidos da América. O que ninguém está a dizer é o óbvio de cor magenta: Barak Obama tem muita responsabilidade nisto. Basta vermos os resultados decisivos de Trump em áreas eleitorais decisivas para Obama nas duas últimas eleições presidenciais. (O candidato republicano lidera, neste momento, até no estado da Pensilvânia!). É tão clara a desilusão com os 2 mandatos do muçulmano que até faz impressão.
Outra coisa que ninguém diz: o decaimento do Partido Republicano à esquerda justifica também, e muito, esta total esquizofrenia.

América condenada #1

São 4 e 47 da manhã e os rapazes na CNN estão desesperadamente a procurar votos eleitorais onde a Madame Clinton possa fazer a diferença. Não conseguem realmente esconder o desespero. E essa incapacidade é deprimente.

quinta-feira, novembro 03, 2016

Os clips continuam maus. A música continua boa.



Estes rapazes aqui não ligam grande coisa à apresentação visual dos seus temas, mas já é o segundo disco deles que oiço em 2016 e posso garantir: a música vale mesmo a pena.
Para ouvir de olhos fechados.  

Graveyard Club . Nightcrawler

terça-feira, novembro 01, 2016

Que banda maluca.



Drowners . Cruel Ways

Como já tinha dito aqui em 2014, estes rapazes têm um rock tão fundamental, de tal forma genuíno e carregado de pura energia, que me deixam completamente com vontade de pulos. On Desire é um disco poderoso. Mesmo, mesmo p-o-d-e-r-o-s-o.

Slot SCX: já bomba, na Cognac.




No matter what.

Sou eu que estou a ficar velho.


Sou eu que estou a ficar velho ou o passado
é muito mais bonito
que o futuro?

À medida que dobram as décadas, o mundo
vai ficando cada vez mais horrível
e duro.

Quando eu era criança, até o metropolitano
era bonito e limpo
e puro.

E as pessoas tinham melhor aspecto no tempo
em que eu ainda tinha medo
do escuro.

Tenho saudades dessa época feliz com inimigos
justamente colocados do outro lado
do muro.

Sou eu que estou a ficar velho ou o passado
é afinal a utopia que com sonhos
misturo?

sexta-feira, setembro 30, 2016

Unplugged giants.



Young The Giant . Something to Believe In

Alcácer: sunrise to sunset.





quinta-feira, setembro 29, 2016

quarta-feira, setembro 21, 2016

Arturo diz de sua justiça.

Arturo Perez Reverte. Um escritor que oscila frequentemente entre a obra-prima e a catástrofe literária, mas que tem sempre coisas esclarecidas e importantes para dizer.  E na recente e desassombrada entrevista dada ao Público e desastradamente conduzida por um tal de Paulo Moura (que se mostra incapaz de esconder a sua boçalidade), diz bastantes coisas dessas. Recomendo a leitura integral da entrevista (e muita paciência para a estupidez cavalar do entrevistador), mas deixo aqui um excerto que me parece mais eloquente.



PM - Os protagonistas dos seus romances são as grandes figuras históricas, ou indivíduos excepcionais, heróis. Mas a ciência histórica de hoje não dá tanta importância às figuras proeminentes como dá aos fenómenos sociais, económicos e mentais, aos povos.
APR - O povo fez a Revolução Francesa. Mas dirigido por intelectuais. O mesmo com a revolução russa. Sem personalidades brilhantes, carismáticas, não há possibilidade de que o povo faça algo de positivo. O povo, sozinho, não faz nada. Precisa de orientações e de líderes. O problema da Europa neste momento é que não tem líderes. O melhor que conseguimos é Merkel. Rajoy é um medíocre. Portugal está como está.
 
PM - Há também forças de contestação, de mudança. 
APR - O mundo não muda sozinho. Fazem falta mecanismos que impulsionem, e os mecanismos são pessoas, seres humanos inteligentes. 
PM - Não são as forças económicas, as massas… 
APR - Não, não. Pode haver forças, mas quem as orienta são os líderes, que criam os carris que devem trilhar a evolução da História. Se essa gente desaparece, e está a desaparecer na Europa, a História não encontra os carris, e dispersa-se, gasta a sua energia em nada. Fazem falta Hegel, Kant, Spengler, Aristóteles, Platão. 
PM - E fora da Europa, há esperança? As culturas asiáticas… 
APR - Eu sou ocidental. A minha cultura é esta, não me interessam as outras. De que me vale a cultura ascética, a cultura africana? Respeito-as, mas não são a minha. Não ma podem substituir. A minha cultura é esta e eu sofro com ela. 
PM - Mas falou da civilização da Bíblia, do Talmude, do Islão, de Homero. Não há portanto uma guerra de civilizações. 
APR - Há, sim. Hoje há uma guerra de civilizações, uma guerra social entre o Islão e o Ocidente. Porque o Islão é incompatível com a democracia. 
PM - O islão, ou os radicais islamistas? 
APR - O Islão. É incompatível com os nossos valores. Repare, o comunismo fracassou no Islão.
PM - Também fracassou no Ocidente. Fracassou em todo o lado. 
APR - Sim, mas sobreviveu algum tempo. O Islão é incompatível com a democracia. 
PM - A história do seu livro mostra como já no século XVIII o Catolicismo era incompatível com as Luzes e a Razão. 
APR - Sim, mas no Ocidente lutámos contra isso. Houve uma grande e sangrenta luta para nos livrarmos das grilhetas que a Igreja Católica nos impôs. No Islão não houve essa guerra. E nós não podemos agora renunciar a séculos de luta pelas liberdades e direitos. Para que a minha filha possa usar minissaia na rua, ou o teu filho possa dizer ‘Me cago em Deus’, sem que o executem como blasfemo. Custou-nos muitos séculos de sofrimento, de guerras e de mortos. Mas eles não o fizeram.  
PM - Mas a civilização europeia é constituída também por elementos da civilização islâmica. 
APR - Isso é outra coisa. Portugueses, espanhóis, italianos, franceses vimos de uma civilização que esteve em contacto com o Islão. E o Islão deixou-nos coisas, tanto no sangue como na cultura, depois de muitos séculos. Mas essa herança islâmica evoluiu connosco. Tal como a herança cristã também evoluiu. 
PM - Isso não prova que o sistema democrático poderia hoje integrar várias culturas e religiões, incluindo o Islão? 
APR - Não é possível. É compatível com a democracia que, por exemplo, uma mulher não possa ser tratada por um médico homem? Não, o Islão não vai mudar, e é incompatível com a democracia. 
PM - Vamos então ter uma guerra de civilizações, como no tempo das Cruzadas? 
APR - Já estamos a ter uma guerra de civilizações. Com uma diferença importante: é que desta vez vamos perdê-la.
PM - Porquê? 
APR - Porque o Ocidente é débil, medíocre, cobarde. Tenta ser politicamente correcto, é velho, gordo, acomodado, cheio de tecnologia. Enquanto o Islão tem fome, tem rancor, tem ódio, tem juventude, tem tomates. Não tem nada a perder, e tem muito a ganhar. Por isso vamos perder a guerra. Mas não merecemos ganhar. 
PM - A civilização ocidental, democrática, vai desaparecer? 
APR - Sim. Dentro de 20 anos, chegarão os fascismos. Haverá movimentos neo-nazis vitoriosos por toda a Europa.
PM - Chegarão ao poder por via eleitoral? 
APR - Sim. As pessoas vão escolhê-los. Mas eu já não vou cá estar, já não me importa.

quarta-feira, setembro 14, 2016

segunda-feira, setembro 12, 2016

Pop na super caverna.



James Supercave . Better Strange

domingo, setembro 11, 2016

Summer Chill.


Foto de Frederico Romero Paixão

Setembro


Quando o verão está a acabar, começa o que tem de melhor o verão.
Há calor e silêncio, há a multidão que regressa e eu que parto
para onde a multidão esteve e já não infecta
o calor e o silêncio.

Quando o verão está a acabar, o Cabo Espichel manda uma ventania
diferente. A luz é outra e um gajo pega na merda do telemóvel e tira
uns bonecos especiais.

Quando o verão está a acabar, a baía, toda vaidosa, despe-se só para mim
e faz questão de caprichar ao entardecer, talvez por causa do rosé,
talvez porque deus me está a dizer: continua.

Quando o verão está a acabar, há mais sol para amadurecer uma amizade recente;
há mais marés para mergulhar a cumplicidade de amizades antigas;
há mais praia para que o vento me escalde a pele
e para que a água me enregele os tomates e há sobretudo
tempo ainda para que consiga escrever uma porcaria
de um poema.

Quando o verão está a acabar, surge a santa oportunidade de fazer
lua de mel com a mulher com que sempre fui casado e de fazer
um irmão a partir de um sobrinho e de fazer
amor com a vida.

Quando o verão está a acabar, nasce a tranquilidade que é precisa para fumar
cachimbos da paz
e para ser o filho que devia ser
no Inverno.

Quando o verão está a acabar, fico muito mais próximo da lua e as estrelas
acarinham-me com intermitências secretas e o cosmos revela-se enfim,
liberto dos seus eternos e, às tantas, aborrecidos enigmas:

Eu estou aqui. Sou insignificante, mas sou um gajo. Chamo-me Paulo Hasse Paixão.
E por isso, sei de onde venho. Não sei para onde vou, claro, mas neste preciso momento
estou-me completamente nas tintas porque já bebi uns copos e porque o verão está a acabar
e essa é a parte que eu gosto mais do verão.
Estou bem disposto. Não quero morrer.
E é assim.

domingo, agosto 21, 2016

Olímpiadas outra vez, ou o que diz Pimenta.



Hoje, na final dos 800 metros femininos correram dois homens. Não me digam que Caster Semenya, da África do Sul e Margaret Wambui, do Quénia, são mulheres, porque não são. Como seria de esperar, os dois senhores conseguiram a medalha de ouro e a de bronze, respectivamente. Por estas e por outras, o atletismo olímpico tranformou-se numa espécie de freakshow, muito desagradável à vista e absolutamente imoral. O Comité Olímpico correu com os russos por causa do doping (como se os russos fossem os únicos a drogar-se), mas permite que homens compitam directamente com mulheres; e que canadianoss que já foram polacos corram agora pela Argélia; e que a equipa feminina americana dos 100 metros estafetas, que nas meias finais falhou a segunda passagem de testemunho, volte a correr, isolada na pista, para garantir um lugar na final; e que os aletas se apresentem nas provas carregados dos artefactos mais obscenos, dos penteados mais estrambólicos e das maquiagens mais estapafúrdias que se pode imaginar, num festival de mau gosto que só tem paralelo na presença medieval das atletas de alguns tristes países muçulmanos, que envoltas pelas suas burkas cumprem marcas que já eram ridículas quando os jogos da era moderna começaram. Por incrível que possa parecer, os mínimos olímpicos não são iguais para toda a gente, sendo que o COI reserva o direito de aplicar critérios étnicos e não desportivos nas regras de acesso aos Jogos.

Entretanto, Fernando Pimenta, o canoísta português que primou por não trazer qualquer medalha para casa, afirmou que as pessoas que criticam a prestação dos atletas nacionais não percebem nada do que é o desporto e dos sacrifícios que os atletas fazem para estar presentes nas várias modalidades em que são desgraçadamente mal sucedidos. Diz Pimenta que, enquanto as pessoas estão no sofá domingueiro, ele, coitado, está no rio a esfolar-se todo para conseguir ser medíocre.
Bom, eu não sei se alguém obrigou o Pimenta a ser canoísta ou canoeiro ou lá o que ele é e confesso que não percebo nada de canoagem ou canoada ou lá o que é. Se alguém o obrigou, tenho pena dele. Se ninguém o obrigou, o Pimenta não deve cobrar a ninguém o esforço sobre-humano que é resistir ao sofá numa manhã de domingo. Ele está lá no rio a esfolar-se todo e a  rapar o briol do inverno porque quer. Porque acha que essa estranha actividade é melhor para ele. De certeza que o Pimenta não entra na sua canoa por altruísmo e a pensar no bem social ou na glória pátria. Pelo contrário, desconfio que lhe pagam benzinho para fazer o que gosta mais (por muito estranho que seja uma pessoa gostar imenso de passar a vida dentro de uma canoa a remar como um desalmado). Nem todos têm essa sorte, bem entendido, pelo que o Pimenta não se devia queixar da sua ou usá-la como arma de arremesso contra quem pasma perante os péssimos resultados da selecção olímpica portuguesa.

A certa altura, nas suas enraivecidas declarações, Pimenta parece insinuar que, se os portugueses gostassem mais de canoagem, se entendessem melhor as complexidades e exigências dos desportos olímpicos e se fossem menos entusiastas e entendidos de futebol (Pimenta parece ignorar que o futebol também é um desporto olímpico), os atletas não sofreriam tanto com as críticas e conseguiriam por certo melhores resultados. Bom, eu confesso que não sou um perito em canoaria ou canoagem ou lá o que é. Mas não devo estar muito longe da verdade quando julgo que aos canoeiros ou canoístas ou lá o que são é solicitado que percorram, dentro de um barquito movido a remos, uma determinada distância em águas calmas. Os que remam mais rápido, chegam primeiro. E é assim. Não me parece que a modalidade seja propriamente um desporto para intelectuais. Além disso, é duvidoso que a generalidade dos alemães percebam grande coisa de ginástica desportiva, mas isso não os impediu de ganharem uma medalha de ouro e outra de bronze nesta modalidade. Desconfio até que os húngaros não devem encher estádios para ver competições de esgrima, mas, só nesta disciplina, vão levar 4 medalhas para casa. Tenho a certeza que o desporto nacional do Azerbeijão não é a luta livre. Mas a verdade é que, só nesta categoria, os seus atletas já somaram 7 títulos olímpicos. O facto dos portugueses criticarem os seus atletas olímpicos pela sua miserável performance não quer dizer que sejam ignorantes dos vários desportos em causa, ou especialmente indiferentes em relação a eles. Pelo contrário, mostra que existe interesse e até, pasme-se, algum entusiasmo. Perante rapazinhos como Pimenta, o que é surpreendente é a generosidade dos portugueses, que continuam interessados nas modalidades que os seus atletas tão desgraçadamente interpretam, que continuam entusiasmados, apesar de verem quase invariavelmente esse entusiasmo traído pela fraca prestação dos seus representantes.

A selecção olímpica nacional deixa o Rio de Janeiro com uma singular medalha de bronze (graças a deus por Telma Monteiro) e Pimenta acha isto perfeitamente normal. Acha que os portugueses é que não percebem a normalidade disto, porque são uns ignorantes que só gostam de futebol. O Pimenta, se calhar o mais ignorante dos portugueses, se calhar o mais anormal dos atletas, devia estar caladinho e, no próximo inverno, levantar-se um pouco mais cedo do que já se levanta e passar ainda mais umas horas dentro da sua canoa ou lá o que é. E remar ainda mais umas milhas do que aquilo que tem por hábito remar, porque aquilo que tem por hábito remar é manifestamente insuficiente para ser bem sucedido.

quarta-feira, agosto 17, 2016

Estou passado com estes rapazinhos.



De volta ao estado puro do rock. Depois do Barroco, não há nada mais bombástico.

Catfish And The Bottlemen . Twice

Olímpiadas.


Uma rapariga completamente coberta pela sua honorável e imensa capa negra de escrava sexual corre uma eliminatória olímpica dos 100 metros em 15 segundos e isto é normal. Os rapazes que afinal não são terroristas islâmicos (um deles até deve ser casado com a rapariga completamente coberta pela sua honorável e imensa capa negra de escrava sexual) ainda não conseguiram rebentar com nada nem com ninguém e isso, sim, é que se estranha imenso.
Contra tudo o que seria expectável e apesar de todos os legítimos pessimismos, parece que os cariocas conseguem organizar umas olimpíadas. Já nós, portugueses, temos uma enorme dificuldade em trazer medalhas olímpicas para casa. Uma dificuldade que é, num raro uníssono ontológico, cultural e genética. Não somos atletas natos, claro. Mas também não somos uns competidores loucos. Os portugueses acham que perder é natural como os senhores do Comité Olímpico acham normal que a mais lenta atleta da história universal corra de burka imensa na direcção do mais absoluto ridículo.
São coisas da vida.
Entretanto, os jornalistas pátrios, na sua também comum comicidade, elogiam os nossos atletas em qualquer situação e sob a ameaça dos mais modestos resultados: quando eles perdem pontos ou falham um passe ou saltam baixinho ou lançam mal ou erram o alvo ou nadam como pedras ou se esquecem de acordar a horas. Estão a perder, mas estão a salvo da crítica. Afinal, são tecnicamente superiores. Ainda estou para ouvir que um atleta português é uma lástima técnica. Não senhor. Somos todos virtuosos. Perdemos invariavelmente, mas somos uns predestinados do caraças.
Os atletas, embalados por este carinho da imprensa, encolhem os ombros e desculpam-se: a competição é muito forte e as algas atrapalham; a humidade asfixia e o fuso horário desorienta; surgem dores de cabeça, ansiedades, alergias, fraquezas, desmaios. Todo e qualquer atleta português é um Fernando Mamede em potência e tem sempre a desistência no horizonte onírico. Desistir é o supremo alívio, a saída airosa, o desvio épico.
E mesmo quando terminam as suas provas, com as honrosas classificações de oitavo, vigésimo quinto ou quadragésimo sétimo, não está nada mal. Foi a melhor marca individual de sempre ou o melhor resultado possível. Uma excelente prestação. O atleta deu o melhor que tinha e sabia e não se pode pedir mais. Bateu o recorde do concelho da Amadora. Ficou apenas a nove centímetros da medalha de bronze. Apenas a sete centésimos da final. Apenas a seis pontos do penúltimo. Daqui a quatro anos, há mais. E será melhor. Na verdade, toda a gente sai das olimpíadas com a consciência do dever cumprido, não há hipótese. Ninguém ganha nada, mas são todos vencedores.
Claro que a triste realidade olímpica nacional não é só responsabilidade de atletas e jornalistas. É sobretudo o resultado da mais absoluta irresponsabilidade com que os dirigentes políticos e técnicos encaram o assunto. Portugal é, no que diz respeito ao desporto, uma país de terceiro mundo. Há futebol e há o deserto.  Não conseguimos levar aos Jogos uma equipa de basket, de andebol, de vólei. Falhamos incrivelmente em modalidades que podíamos e devíamos dominar como a vela, a canoagem ou o vólei de praia.  E a desculpa não pode ser a dimensão do país ou a escala demográfica. Países de dimensões semelhantes como a Holanda, a Hungria, a Irlanda, a Lituânia ou a Eslóvenia, só para falar de alguns exemplos europeus, são, comparativamente, muito bem sucedidos. No ranking dos Jogos modernos, o nosso país está classificado no sexagésimo quinto lugar, atrás de países super desenvolvidos como a Coreia do Norte, o Irão, a Argélia e essa potência desportiva que são as Bahamas.
Os Jogos Olímpicos são, assim, invariavelmente, um evento deprimente para os portugueses que ainda conseguem ter expectativas. Para aqueles que já não as têm, como eu, são um bocadinho mais suportáveis. Mas seria sempre preferível que nem puséssemos lá os pés. Essa sim, seria a mais honrada, a mais nobre, a mais higiénica das desistências.

segunda-feira, agosto 15, 2016

Amor à banda.



Amo esta banda. Amo-a desde o ano passado, quando conheci o fabuloso "Islands". E esta música que aqui coloco não é, de todo, a melhor do último disco. Nem pouco mais ou menos. Mas era o único clip disponível e assim sendo...

Bear's Den . Auld Wives

domingo, agosto 07, 2016

O sonho de uma slot mesmo espectacular está quase a realizar-se.



Isto foi só um ensaio. O próximo vídeo que publicar aqui sobre a SCX, será, estou certo, uma quimera concretizada. A Cognac também nasceu para isto. Agosto será o mês para levantar a estrutura. A produção vídeo vai demorar para aí uns seis meses. Mas a espera vai valer a pena.

sábado, agosto 06, 2016

Zung, bung, bang: malha.



Observer Drift . The Long Run

Porque sim.

Ah, porquê lutar, lutar, lutar?
Todo o gladiador vai morrer um dia na arena
(as probabilidades são como são)
e especialmente o campeão imbatível.

O campeão imbatível tem todas as hipóteses e mais alguma
de morrer na arena, exactamente da mesma maneira que o gladiador
que nunca chegou a ganhar um combatezinho que fosse.

O sangue dos dois vai correr pela serradura com o mesmíssimo
aparato de cinemascope.

Assim sendo:
lutar, lutar, lutar para quê?

O sítio das coisas giras.



A Cognac tem roubado espaço ao Blogville. Mas, de vez em quando, retribui com conteúdos super giros. Ainda por cima, como são fruto do esforço de uma equipa e não apenas meu, nem tenho que me preocumpar com a imodéstia (que, de qualquer forma, nunca foi grande preocupação minha).
Por exemplo, este filminho, tão simples, tão meigo, tão inocente, enche-me de vaidade.