estás fodido.
The Wombats . Lemon to a Knife Fight
terça-feira, junho 05, 2018
segunda-feira, junho 04, 2018
domingo, junho 03, 2018
Vítimas de si próprios.

Tenho a convicção, a cada dia mais convicta, de que o Sporting Clube de Portugal merece bem a sua actual desgraça. Afinal, não precisamos de recuar mais do que quatro ou cinco meses para verificar que, em torno de Bruno de Carvalho - O Tresloucado - se reunia uma unanimidade sem precedentes na história contemporânea do Clube. Eu tenho cinquenta e um anos e nunca assisti a semelhante fervor, a semelhante uníssono.
Mas há quatro ou cinco meses atrás, Bruno de carvalho era exactamente a mesma espécie de imbecil enlouquecido que é hoje. Já lá estavam os tiques de ditador e as manias de grandeza e os claros sintomas de esquizofrenia e os evidentes lapsos de lucidez e a manifesta tendência para a quezília e a lamentável, constante e grosseira insistência no discurso escatológico, e os óbvios problemas de amadorismo e a declarada cumplicidade visceral com as claques. Já lá estavam os sinais todos, mas todos, da desgraça inevitável. Bruno de Carvalho sempre foi um desastre à espera de acontecer. Os sportinguistas, que num estranho fenómeno psico-social de transferência, são hoje muito mais anti-benfiquistas do que sportinguistas e que por isso adoraram Bruno de Carvalho como um messias, não quiseram ver que o messias era tão só um elefante - verde de raiva e de vilanias - na mais periclitante loja de porcelanas do universo.
Bruno de Carvalho gosta de se fazer passar por vítima. E tem meia razão porque, não sendo uma vítima das circunstâncias, é uma vítima de si próprio. E nisso, está de facto bem acompanhado por 90% dos sportinguistas que sofrem hoje do mal que consideraram, durante tanto tempo e de forma tão cega, um bem.
Aliás, se O Tresloucado fosse apenas um bocadinho menos tresloucado, já se tinha demitido, pela simples razão de que continua a ter, neste surreal momento e por incrível que pareça, condições objectivas para voltar a ser eleito presidente do Clube que está a arruinar.
Demonstra-se assim que o Sporting Clube de Portugal, apesar de toda a sua história, apesar de toda a sua importância sociológica, apesar de ter um dia sido uma instituição com valores sólidos e recomendáveis, é hoje uma associação de lunáticos. Um grémio em autofagia.
Há música nova que chegue para toda a gente.
Estou sempre a dizer a toda a gente que não é preciso estar sempre a ouvir a mesma música para ouvir o género de música de que se gosta. Há excelentes bandas contemporâneas que produzem material de grande qualidade para quem prefere o som dos anos 60. Ou dos anos 70. Ou dos anos 80. Ou dos anos 90. Ou do princípio deste século. Os Stereophonics, por exemplo, têm um registo muito influenciado por aquilo que os Pearl Jam, os Alice In Chains ou os Bush faziam há cerca de 25 anos atrás. E com uma vantagem: não é mais do mesmo. É Grunge, sim, mas está fresquinho. E esta música aqui, deuses, é uma malha que nunca mais acaba:
Stereophonics . Caught By The Wind
Stereophonics . Caught By The Wind
Cidadão Sebastião #02
- Muito boa tarde.
- Boa tarde, cidadão.
- Pretendo enviar uma carta para Deus.
- Concerteza, cidadão. Suponho que se trata do
Deus Católico?
- Perdão?
- Pergunto-lhe cidadão, se o destinatário da
sua carta é o Deus Católico, Apostólico Romano.
- Creio num só Deus, uno e indivisível.
- A companhia envia correspondência para 36
deuses, 148 semi-deuses, 89 apóstolos, 282 santos, 1357 fúrias, 44 profetas e 3
messias. Sobre a unicidade e indivisibilidade de Deus terá que contactar o
Gabinete de Orientação Metafísica.
- O senhor está a dizer-me que existem 36
deuses?
- Não. Estou apenas a enumerar caixas postais.
Pode de facto dar-se a hipótese de existir apenas um Deus, que mantém 36 caixas
postais activas.
- Caixas postais? Quer dizer que a minha carta
não será entregue na residência de Deus?
- Infelizmente, não, caro cidadão. De acordo com o decreto
operacional 320045 Secção B200 da lei orgânica dos correios, a companhia respeita
o protocolo de protecção da privacidade e salvaguarda do sigilo domiciliário
relativamente aos serviços postais com divindades e fúrias. Este protocolo
protege todas as entidades metafísicas do incómodo dos fãs, como da ameaça dos
hereges.
- Bom, seja, quero então enviar esta carta para a caixa postal do Deus
Católico Apostólico Romano.
- Muito bem. São 420 imperadores de ouro.
- 420 imperadores para entregar uma carta numa caixa postal?
- De ouro. Aceitamos imperadores em espécie ou visados. Se quiser
pagar com cheque, haverá uma demora de 48 horas a 8 dias não úteis, para os
devidos inquéritos de provisão. Neste
caso o preçário será acrescido da taxa de inquérito no valor de 12 imperadores
de prata.
- Mas trata-se de um roubo!
- Se o cidadão suspeita que está a ser alvo de um acto ilegal, terá
que preencher o formulário 428A e entregá-lo, devidamente lacrado, no Gabinete
de Apoio à Vítima de Actos ilegais.
- Voltemos à missiva. Quanto tempo demorará a chegar?
- A correspondência com entidades divinas é entregue nas respectivas
caixas postais no espaço de 24 horas, mas isso não quer dizer que a divindade
receba a correspondência em tempo real, claro. Temos registo de missivas que
foram recolhidas pelo destinatário 25.000 anos depois de entregues na respectiva
caixa postal.
- 25.000 anos? O senhor está a brincar comigo?
- De todo. Mas também pode demorar muito menos tempo. Bem vê, depende
das rotinas de cada divindade. O cidadão compreenderá que, para os imortais,
não há pressas. Passar pela caixa postal amanhã ou daqui a 20.000 anos é a
mesmíssima coisa. Para uma mais clara determinação desta questão, aconselho o
envio com aviso de recepção. Neste caso o preço será acrescido de 55
imperadores de prata.
- Assim sendo, desisto. Passe bem.
- Vá em paz, cidadão, e se me permite, aqui ficam os votos de que o Deus
Católico Apostólico Romano o acompanhe. Em tempo real.
sábado, junho 02, 2018
É isto tudo.
"Na eutanásia, como nas legalizações do casamento homossexual, da
“interrupção voluntária da gravidez”, do consumo de drogas leves, da
prostituição e do que calha de ser considerado “fracturante”, recorre-se
ao isco da “liberdade” para consumar o que afinal é um processo de
nacionalização dos comportamentos. Na vastíssima maioria das situações,
as pessoas conseguem matar-se, dormir com pessoas do mesmo sexo,
abortar, injectar silicone, consumir haxixe ou terebentina e frequentar
casas de meninas às segundas, quartas e sextas sem obstáculos relevantes
e, sobretudo, sem necessitar que o Estado seja informado a respeito. E é
esse pormenor que apoquenta a esquerda.
A esquerda, por tradição e vício, nunca se ofendeu com o constrangimento das acções de cada cidadão: o que a ofende é que o cidadão as pratique à revelia de um poder idealmente ominipresente, para não dizer totalitário."
Alberto Gonçalves . Observador . O Direito a viver sem dignidade . 2-6-18
A esquerda, por tradição e vício, nunca se ofendeu com o constrangimento das acções de cada cidadão: o que a ofende é que o cidadão as pratique à revelia de um poder idealmente ominipresente, para não dizer totalitário."
Alberto Gonçalves . Observador . O Direito a viver sem dignidade . 2-6-18
sexta-feira, junho 01, 2018
Sexo para os ouvidos.
Chamam-se Tender. Em 2017 editaram um disquinho, Modern Addition, que é uma espécie de apogeu hedonista. Oiçam e deixem-se levar pelas ondas de puro prazer.
Tender . Nadir
Tender . Nadir
Poderoso.
O regresso da série Call of Duty à Segunda Guerra Mundial dá direito a gráficos espectaculares, bem apoiados numa edição sonoplástica brutal. Pena é que os jogos de agora sejam muito mais virados para a vertente online do que para o modo carreira, que continua algo curto. Mas dá, ainda assim, para matar nazis à fartazana. E reviver momentos históricos com assustador realismo.
Borg Vs. McEnroe
Final de Wimbledon. 1980. Bjorn Borg, o extraterrestre, procura fazer história, alcançando cinco títulos consecutivos (só Federer conseguiu tal feito e só Federer tem mais títulos: 8) e o décimo Grand Slam. Tem pela frente a sua nemesis: John McEnroe. Se o sueco é o mais elegante cavalheiro da história do ténis profissional, McEnroe não passa de um fedelho mal criado. Se Borg é frio, disciplinado e consistente; o rebelde de Queens, Nova York, é uma pilha de nervos incontrolável, que oscila loucamente entre o brilhantismo e a peixeirada. Bem-vindo, gentil leitor, ao mais famoso, ao mais belo, ao mais intenso jogo de ténis profissional do século XX.
McEnroe entra a matar no primeiro set, mas Borg, com a habitual firmeza do seu jogo de fundo de court ganha os dois sets seguintes. No quarto set, Borg lidera por dois jogos, tem a oportunidade de fechar a partida por duas vezes mas McEnroe recupera e obriga àquele que é o mais lendário tie-brake da história deste desporto. O sueco, incrivelmente, falha 5 match points e o americano acaba por vencer pelo não menos incrível resultado de 18-16.
Quando toda a gente pensa que o quinto set vai consagrar McEnroe, o Deus de Estocolmo ressuscita e ganha por 8-6, conquistando o almejado quinto título em Wimbledon. E o último, também: em 1981, numa final disputada pelos mesmos heróis, John McEnroe levará a melhor, iniciando o seu mandato como número um do mundo. No fim desse ano, com apenas 26 anos de idade, Bjorn Rune Borg anunciará a sua retirada da alta competição.
Centrado neste combate épico entre dois grandes campeões, Borg Vs McEnroe é um muito competente filme de Janus Metz Pedersen que consegue encaixar os dois relatos biográficos com sensibilidade e bom senso, e conduzir os percursos destas duas personalidades tão distintas a um clímax que retrata com rigor técnico e excelência cinematográfica o que aconteceu naquela gloriosa tarde de Julho.
Até porque esta história tem uma componente idílica. Uma moral edificante. McEnroe era, até à final de 1980, um jogador detestado pelos ingleses, que não admitiam que o temperamento do americano transformasse o court londrino num ring para rapazotes sem nível. Isso mudou porém, nesse dia. O nova iorquino mostrou-se, durante toda a partida, no seu melhor comportamento. Não discutiu com os árbitros, não praguejou, não atirou com a raquete na direcção dos apanha-bolas, não provocou o adversário. E jogou o melhor ténis que alguém podia jogar contra o rei Borg. E isto tudo, não porque quisesse agradar aos ingleses, não porque desejasse compactuar com o esquema ético do jogo, não porque estivesse arrependido de ser quem era. McEnroe foi um senhor, naquela célebre tarde, porque respeitou o seu adversário. Porque o seu adversário o respeitou a ele. Porque, na verdade, esta é a história de uma amizade improvável, que dura até aos dias de hoje. E foi essa amizade que redimiu o "Super Brat". McEnroe perdeu essa final, essa final que foi, se calhar, a mais bonita da sua carreira. Mas no fim, foi aplaudido de pé por toda a gente. E de vilão, passou a herói.
quinta-feira, maio 31, 2018
quarta-feira, maio 30, 2018
O Problema das Borboletas*
Eu sei que as borboletas têm um problema grave.
Não estão psicologicamente preparadas para a ventania
de um Agosto frio como o raio.
Tentam esvoaçar, com a elegância que a natureza lhes concedeu
e tudo o que fazem é derrapar e toda a gente sabe que,
quando não consegues ir em frente, estás a perder tempo.
quando não consegues ir em frente, estás a perder tempo.
A borboleta não sabe o que fazer com as asas nem com o verão
nem com a vida, que é de mau tamanho.
nem com a vida, que é de mau tamanho.
Eu sei que as borboletas têm um problema grave.
Não percebem que viver um dia apenas,
mesmo que um dia de agosto frio e ventoso,
mesmo que um dia de agosto frio e ventoso,
vale exactamente a mesma coisa que
120 épocas balneares escaldantes, sem sombra de ventanias.
As borboletas, pensando bem,
Não sabem a sorte que têm.
Quando os dias de tormenta as desequilibram,
no seu efémero momento da glória possível,
no seu efémero momento da glória possível,
tudo o que acontece é nada.
As borboletas são sem consequência.
E à vida sem consequência há quem chame: felicidade.*Poema inspirado numa célebre frase do Senhor Rui Canas.
Quando te apaixonas por um caso clínico
e não podes fazer nada contra isso:
Kasabian . You're In Love With a Psycho
Kasabian . You're In Love With a Psycho
Cidadão Sebastião #01
- Boa tarde.
- Boa tarde, cidadão.
- Um bilhete para Ponta Delgada, por favor.
- Desculpe cidadão, mas a companhia não oferece
transporte para Ponta Delgada.
- Não? Mas ali no monitor das partidas indicam
que sai uma composição às 10h30, para Ponta Delgada.
- Lamento, cidadão, mas permanece o facto de
que não lhe posso vender um bilhete de comboio para Ponta Delgada. Será preciso
articular sobre essa impossibilidade?
- Será. Será preciso, na medida em que a
indicação é bem clara. Composição 12-43, Com partida às 10h30 de Santa
Apolónia, e escala na Ilha do Pessegueiro. Está ali escrito, vê-se daqui.
- Cidadão, aqui no guichet vendemos bilhetes de
viagens ferroviárias supra-sónicas para todas as capitais de distrito de
Portugal continental e para a maior parte das grandes capitais europeias. Recentemente
a companhia inaugurou a linha Lisboa-Funchal, é certo. Mas não temos qualquer
ligação a Ponta Delgada, por todos os deuses da galáxia! Sobre o que mostra o
placard das partidas nada lhe posso dizer. Terá que se dirigir ao Gabinete de
informação electrónica da Companhia.
- Muito bem. Assim farei. E onde fica esse
gabinete?
- Na Gare Ferroviária de Ponta Delgada.
Slot como paixão de vida.
Esteve a bombar entre 2016 e 2018. Agora acabou-se.
Quando voltar a ter saudades invento outra maneira de ter espaço, de ter vagar, de ter prazer com a minha, muita minha pista de carrinhos ScalexTric.
Arrepiante.
Este é um dos robots da BostonDynamics. Chama-se Atlas. E o que me arrepia não é propriamente o balanço, o pulo, a cambalhota. O que me arrepia é que Atlas parece perceber que no balanço, que no pulo, que na cambalhota, há um elemento de erro, há a probabilidade da queda, há a possibilidade do ridículo. Atlas parece hesitar, parece procurar pontos de equilíbrio que não estão no programa. Parece, em certos gestos, um mau ginasta. Parece, em certos movimentos, que tem consciência do risco.
E é isso que me arrepia.
Depois do silêncio,
a primeira música tinha que ser esta.
The Wombats. I Don't Know Why I Like You But I Do.
The Wombats. I Don't Know Why I Like You But I Do.
Carta enviada ao Observador.
Viva, bom dia.
Conforme
documento em baixo, acabo de subscrever a assinatura Premium do
Observador. Faço-o por me identificar com o programa editorial da
publicação, muito mais do que pela qualidade técnica do jornalismo
propriamente dito. E estando em desacordo com a filosofia de gestão que
preside ao produto "premium", peço a vossa paciência para explicar esta
discórdia.
Os
jornais querem ganhar dinheiro, como qualquer outro negócio, e eu
respeito completamente esta premissa, que, além de tudo, é óbvia.
O
Observador ocupa um espaço único e corajoso no panorama mediático
português. Muito pela razão prosaica de que não tem concorrência. Não há
outros jornais de centro-direita, exceptuando talvez a newsletter
semanal do arquitecto (que ninguém leva a sério) e o correio tabloide
(que se devia levar mais a sério). Seja como for, em boa verdade, estas
publicações não
concorrem directamente com o vosso público alvo.
É
verdade que o corpo da redacção e consequente conteúdo das notícias do
Observador me parecem
muitas vezes pouco alinhados com a filosofia editorial, mas bem sei que é
difícil encontrar jornalistas de direita (ou de centro) que fujam ao
mainstream da
esquerda. Se isto é verdade nos Estados Unidos da América, terá que ser
científico em Portugal. As colunas de opinião, no entanto, compensam
imenso essa
(triste) deriva.
Neste
contexto, percebo que o Observador queira subir a fasquia do negócio. O
que me parece incompreensível, num jornal liberal (leia-se liberal no
sentido europeu do termo) é que pretenda facturar primeiro e justificar o
lucro depois. Quero eu dizer: os meus amigos estão a pedir dinheiro aos
leitores para que estes usufruam exactamente do mesmo produto que já tinham
de borla (a "borla" era até um orgulho editorial do Observador).
Tenho
a certeza que o Dr. António Carrapatoso, pessoa que não conheço
pessoalmente mas que muito admiro, me dará razão, quando digo que esta
não será a maneira mais adequada de capitalizar um produto com potencial. O
lucro pressupõe um investimento. É assim nos negócios, como afinal, na
vida.
Permitam-me
que vos recomende a prática inversa: subam, por favor, o nível do
jornalismo corrente, que é, todos os dias, praticado na redacção do
Observador. Partilhem essa qualidade durante dois ou três meses. E
depois, sim, peçam aos vossos leitores para pagar algo que entretanto se
percebeu como um investimento. Como uma mais valia. "Estamos a fazer
melhor jornalismo. Investimos nesse jornalismo de qualidade. Agora,
caros leitores, é altura de contribuírem para a continuidade desse
esforço."
Isto faz sentido. E é justo.
Quando assinei o The Economist, estive dois meses à experiência. Gostei da experiência. Assinei. Isto faz sentido. E é justo.
Aceitem os meus mais cordiais - e leais - cumprimentos;
Atentamente;
Sobre a Eutanásia.
Não vou discorrer sobre a ética da morte ou da vida.
Tenho no entanto que dizer, neste regresso ao blog, depois de um ano do mais infame silêncio, que não cabe aos representantes desta legislatura formarem corpo de lei sobre esta matéria. Não foi para decidirem como é que as pessoas morrem que esta tropa de imbecis foi eleita.
Aliás, pensando bem, não foi para decidirem como é que os portugueses vivem, no sentido ontológico de existência, que esta tropa de imbecis foi eleita.
Esta tropa de imbecis pode decidir sobre coisas acessórias. Esta tropa de imbecis pode exceder-se até sobre matérias como a quantidade da sal que os padeiros colocam no pão (o que já é vilania ilegítima que baste).
Esta tropa de imbecis pode roubar os contribuintes até que chegue o dia da revolução.
Pode corromper e corromper-se até ao limite do sangue.
Mas não pode, de todo, substituir-se a deus. Não pode de todo reorganizar o caos que se intromete, soberanamente, entre a felicidade e o sofrimento. Entre a morte e a vida.
Tenho no entanto que dizer, neste regresso ao blog, depois de um ano do mais infame silêncio, que não cabe aos representantes desta legislatura formarem corpo de lei sobre esta matéria. Não foi para decidirem como é que as pessoas morrem que esta tropa de imbecis foi eleita.
Aliás, pensando bem, não foi para decidirem como é que os portugueses vivem, no sentido ontológico de existência, que esta tropa de imbecis foi eleita.
Esta tropa de imbecis pode decidir sobre coisas acessórias. Esta tropa de imbecis pode exceder-se até sobre matérias como a quantidade da sal que os padeiros colocam no pão (o que já é vilania ilegítima que baste).
Esta tropa de imbecis pode roubar os contribuintes até que chegue o dia da revolução.
Pode corromper e corromper-se até ao limite do sangue.
Mas não pode, de todo, substituir-se a deus. Não pode de todo reorganizar o caos que se intromete, soberanamente, entre a felicidade e o sofrimento. Entre a morte e a vida.
quarta-feira, junho 14, 2017
terça-feira, junho 13, 2017
E também gosto destes.
O clip continua a ser manhoso, mas ao menos toca uma malha substancial.
Day Wave . On Your Side
segunda-feira, junho 12, 2017
terça-feira, maio 23, 2017
50 anos, caraças!
Por Nuno Miguel Silva
50 anos, caraças!
Entrados, entrudos,
Talvez sortudos…
100 trapaças
100 2 caras!
50, 100 máscaras
50 a fundo
Nunca 2º!
50, 1º!
100, depois
Amizade para 2
A gosto ou janeiro
50, caramba!
Carambola…
Na corda bamba,
Na nossa bola,
50, Paixão!
Sempre a pulsar
Muito a viver
50, meu irmão!
Espero por ti
Aguenta por mim
Tanto que vivi
100 ti, seria assim?
quarta-feira, maio 17, 2017
Uma pequena frase que diz quase tudo sobre os 43 anos desta república.
"No ominoso tempo do nazi-fascismo, Portugal era só o Festival da Canção, Fátima e o Benfica."
Bruno Oliveira Santos
Bruno Oliveira Santos
segunda-feira, maio 15, 2017
sábado, maio 13, 2017
O Herói do Tetra.
Vivi o tempo suficiente para estar sentado no Estádio da Luz a ver o bom do Eusébio,
que chutava à baliza como se disso dependesse a sobrevivência da humanidade.
Vivi o tempo suficiente para estar sentado no Estádio da Luz a ver
o maluco do Simões
que fazia sempre a mesma finta, e era sempre bem sucedido naquela finta
que fingia que ia à linha, mas não era isso que acontecia
(como o Robben de agora).
Vivi o tempo suficiente para que o Humberto Coelho crescesse
para além da sua altura,
para além da sua classe,
para além do seu destino.
O tempo suficiente para que o Vitor Baptista perdesse o brinco da orelha direita
e para que o Chalana fizesse circo e transformasse o futebol
no maior espectáculo do mundo.
O tempo suficiente para que o Nené conseguisse finalmente
mostrar uma nódoa de lama nos impolutos calções de goleador cruel
e diletante;
o tempo suficiente para que o Pietra mostrasse a toda a gente o que significa
ser um jogador do Benfica;
O tempo suficiente para que o Carlos Manuel explodisse com o cabedal da bola
e o Diamantino revelasse à audiência que afinal era um intelectual
e o Alves marcasse livres directos de precisa geometria elíptica, gregos de tão belos,
sem um passo de balanço que fosse e apenas com o movimento das luvas pretas,
que eram pássaros;
que eram poemas.
Vivi o tempo suficiente para perder uma Taça dos Campeões Europeus
porque alguém mandou o Veloso chutar um penalti.
E o Veloso, que falhou eese decisivo penalti, e que sempre foi
um jogador de futebol de máxima competência,
ficou com as culpas.
Adoro-o por ter ficado calado, com as culpas todas que não eram dele.
Vivi o tempo suficiente para assistir, encantado, ao talento único
do Vítor Paneira.
Vivi o tempo suficiente para ver o Álvaro Magalhães parar de comer a relva e,
por um instante divino,
marcar um dos mais belos golos da história da Taça UEFA.
O tempo suficiente para que um dinamarquês e cinco suecos invadissem o relvado
com a sua arte serena, com a sua determinação engenhosa, com o seu método pagão:
Maniche e Magnusson, Stromberg e Thern, Schwarz e Lindelof.
Filhos, todos eles, de Thor.
Filhos, todos eles, de Wagner.
Vivi o tempo suficiente para assistir ao bailado viril e eficiente e camarada,
de Mozer e Ricardo;
vivi o tempo suficiente para me apaixonar por um puto canina, meio russo,
que numa célebre tarde, em Alvalade, foi, de longe, o melhor jogador do mundo.
Vinha de um bairro pobre do Porto,
vinha com aquele jeito reguila de génio irrequieto
e jogava à bola com o diabo no corpo e o coração nos pés:
chamava-se Pinto. João Vieira Pinto.
Vivi o tempo suficiente para pasmar com o gigantismo bravo, biblíco, ensandecido
do Isaías e a tranquila lucidez de Kulkov.
O tempo suficiente para que Rui Costa passasse de delfim a príncipe;
o tempo suficiente para que as minhas redes fossem guardadas
pelo melhor dos belgas,
o mais correcto dos homens,
o mais educado dos futebolistas,
o mais esbelto dos atletas:
Michele Preud'homme.
Vivi o tempo suficiente para que Paulo Futre levantasse o Jamor
e Simão Sabrosa inventasse a ternura, na posição de extremo esquerdo.
O tempo suficiente para que Luisão garantisse o seu lugar no céu
e Nicolas Gaitán o seu canto no paraíso.
O tempo suficiente para que Fábio Coentrão percebesse
que era um grande defesa esquerdo;
O tempo suficiente para que Axel Witsel cometesse o disparate
de ir jogar para a Rússia,
O tempo suficiente para que Nemanja Matic fizesse esquecer Witsel
e que Enzo Perez pulverizasse a memória do belga e a saudade do sérvio.
O tempo suficiente para que alinhassem no onze inicial do meu querido clube
uma quantidade espantosa de monstros sagrados, a saber:
Valdo Cândido Filho,
Claudio Cannigia,
Carlos Gamarra,
Karel Poborsky,
Fabrizio Miccoli,
Pablo Aimar,
Angel Di Maria,
Xavier Saviola,
Ramires Santos.
Vivi o tempo suficiente para ter a consciência de que Jonas Gonçalves Oliveira,
nascido em 1984, na localidade de Bebedouro, Estado de S. Paulo, Brasil;
o mago acidental,
o mais improvável dos camisolas 10,
o mais equívoco dos cracks,
Jonas, ele mesmo, o alienígena sem carreira nem futuro,
é que é o herói, verdadeiro, desta tetralogia;
o astuto Ulisses desta odisseia,
o derradeiro crack, o triunfante cromo,
o valente correio da glória
que é ser benfiquista.
que chutava à baliza como se disso dependesse a sobrevivência da humanidade.
Vivi o tempo suficiente para estar sentado no Estádio da Luz a ver
o maluco do Simões
que fazia sempre a mesma finta, e era sempre bem sucedido naquela finta
que fingia que ia à linha, mas não era isso que acontecia
(como o Robben de agora).
Vivi o tempo suficiente para que o Humberto Coelho crescesse
para além da sua altura,
para além da sua classe,
para além do seu destino.
O tempo suficiente para que o Vitor Baptista perdesse o brinco da orelha direita
e para que o Chalana fizesse circo e transformasse o futebol
no maior espectáculo do mundo.
O tempo suficiente para que o Nené conseguisse finalmente
mostrar uma nódoa de lama nos impolutos calções de goleador cruel
e diletante;
o tempo suficiente para que o Pietra mostrasse a toda a gente o que significa
ser um jogador do Benfica;
O tempo suficiente para que o Carlos Manuel explodisse com o cabedal da bola
e o Diamantino revelasse à audiência que afinal era um intelectual
e o Alves marcasse livres directos de precisa geometria elíptica, gregos de tão belos,
sem um passo de balanço que fosse e apenas com o movimento das luvas pretas,
que eram pássaros;
que eram poemas.
Vivi o tempo suficiente para perder uma Taça dos Campeões Europeus
porque alguém mandou o Veloso chutar um penalti.
E o Veloso, que falhou eese decisivo penalti, e que sempre foi
um jogador de futebol de máxima competência,
ficou com as culpas.
Adoro-o por ter ficado calado, com as culpas todas que não eram dele.
Vivi o tempo suficiente para assistir, encantado, ao talento único
do Vítor Paneira.
Vivi o tempo suficiente para ver o Álvaro Magalhães parar de comer a relva e,
por um instante divino,
marcar um dos mais belos golos da história da Taça UEFA.
O tempo suficiente para que um dinamarquês e cinco suecos invadissem o relvado
com a sua arte serena, com a sua determinação engenhosa, com o seu método pagão:
Maniche e Magnusson, Stromberg e Thern, Schwarz e Lindelof.
Filhos, todos eles, de Thor.
Filhos, todos eles, de Wagner.
Vivi o tempo suficiente para assistir ao bailado viril e eficiente e camarada,
de Mozer e Ricardo;
vivi o tempo suficiente para me apaixonar por um puto canina, meio russo,
que numa célebre tarde, em Alvalade, foi, de longe, o melhor jogador do mundo.
Vinha de um bairro pobre do Porto,
vinha com aquele jeito reguila de génio irrequieto
e jogava à bola com o diabo no corpo e o coração nos pés:
chamava-se Pinto. João Vieira Pinto.
Vivi o tempo suficiente para pasmar com o gigantismo bravo, biblíco, ensandecido
do Isaías e a tranquila lucidez de Kulkov.
O tempo suficiente para que Rui Costa passasse de delfim a príncipe;
o tempo suficiente para que as minhas redes fossem guardadas
pelo melhor dos belgas,
o mais correcto dos homens,
o mais educado dos futebolistas,
o mais esbelto dos atletas:
Michele Preud'homme.
Vivi o tempo suficiente para que Paulo Futre levantasse o Jamor
e Simão Sabrosa inventasse a ternura, na posição de extremo esquerdo.
O tempo suficiente para que Luisão garantisse o seu lugar no céu
e Nicolas Gaitán o seu canto no paraíso.
O tempo suficiente para que Fábio Coentrão percebesse
que era um grande defesa esquerdo;
O tempo suficiente para que Axel Witsel cometesse o disparate
de ir jogar para a Rússia,
O tempo suficiente para que Nemanja Matic fizesse esquecer Witsel
e que Enzo Perez pulverizasse a memória do belga e a saudade do sérvio.
O tempo suficiente para que alinhassem no onze inicial do meu querido clube
uma quantidade espantosa de monstros sagrados, a saber:
Valdo Cândido Filho,
Claudio Cannigia,
Carlos Gamarra,
Karel Poborsky,
Fabrizio Miccoli,
Pablo Aimar,
Angel Di Maria,
Xavier Saviola,
Ramires Santos.
Vivi o tempo suficiente para ter a consciência de que Jonas Gonçalves Oliveira,
nascido em 1984, na localidade de Bebedouro, Estado de S. Paulo, Brasil;
o mago acidental,
o mais improvável dos camisolas 10,
o mais equívoco dos cracks,
Jonas, ele mesmo, o alienígena sem carreira nem futuro,
é que é o herói, verdadeiro, desta tetralogia;
o astuto Ulisses desta odisseia,
o derradeiro crack, o triunfante cromo,
o valente correio da glória
que é ser benfiquista.
quinta-feira, maio 11, 2017
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