segunda-feira, julho 15, 2019

A guitarra como tempestade eléctrica.



não é a primeira vez que os Catfish And The Bottlemen mantêm relações sexuais com os meus tímpanos (salvo seja!). Mas o disco deste ano, The Balance, é uma coisa tão poderosa que até assusta. Interpretando uma espécie vitaminada de rock tempestuoso e electrizante, estes rapazes, que deveras me fazem lembrar os já paleolíticos e para sempre magníficos Strokes,  conseguem transportar para o amplificador astronómicas e intensas quantidades de energia.
Vinte estrelas em cinco possíveis.

sexta-feira, julho 12, 2019

Flightville #03 . Miami perfect

Estou completamente viciado nestes vídeos da PilotsEye.


quinta-feira, julho 11, 2019

Boa sorte com esta ópera rock.

São doze minutos sagrados, para quem, alguma vez na vida, gostou de rock sinfónico.
Este Seteven Wilson mata-me completamente porque eu, que na excepção de Rush e de Marillion nunca gostei de rock sinfónico, acho isto pura e simplesmente sublime.
Devo informar os dois ou três malucos que vão mesmo ouvir a música até ao fim que vai valer a pena ser maluco, por uma vez.



Steven Wilson . Three Years Old . Wiltern Theater, Los Angeles

quarta-feira, julho 10, 2019

Da poesia enquanto escrita com os pés.




A maior parte dos benfiquistas teima em considerar que a profissão de Jonas Gonçalves Oliveira tem sido a de jogador de futebol, mas eu, por acaso, sempre achei que o homem ganhou a vida como poeta.

Enquanto teve a gentileza de ser o vate do meu clube, assinou 137 versos imortais, concluiu com sucesso 4 epopeias e deixou incontáveis estrofes de génio, no seu mítico caderno de 4 linhas.

Dos alexandrinos pés deste escrivão-mor saíram, com regularidade clássica e em quantidade vanguardista, apoteóticos manifestos líricos, conquistas de Troia, regressos a Ítaca, géneses de Roma, viagens marítimas a Calcutá, descidas ao inferno, visitas ao purgatório e elogios do paraíso. 

Ora, um poeta assim, capaz de produzir sonetos com os tornozelos, cantigas de amigo com os joelhos e elegias ao pontapé, nunca arruma as botas. Na verdade, as botas de Jonas vão ficar para sempre entretidas com os belos e intrincados tercetos do poema infinito a que costumamos chamar eternidade.

sábado, julho 06, 2019

Flightville #02 . Maldivas in the clear

Que o planeta Terra é lindo de morrer, parece que estamos todos de acordo. O que às vezes nos divide é a questão de ser mais ou menos lindo por causa da relação íntima que mantém com o Homo Sapiens. Pois eu acho que se não fosse essa relação cúmplice, não havia maneira - tecnológica ou sensível - de perceber o lindo que é este planeta.
As pessoas sortudas que conduzem aviões de 300 toneladas, com duzentas toneladas de carga lá dentro, para cá e para lá como se nada fosse e que comunicam loucamente através de uma linguagem fundada no Inglês mas codificada num alfanumérico indecifrável e belo como o Grego Clássico; estas pessoas fardadas e ligeiramente empertigadas e extremamente funcionais que convivem por profissão com as panorâmicas a que apenas os deuses deviam ter acesso, sabem bem do que estou a falar. Senão vejamos esta aproximação às Maldivas:

Anti-Telejornal: candidados democratas fazem campanha no México.

Primeiro os links porque sem os links ninguém vai acreditar no que vou escrever a seguir:

Booker on the Border: Cory Takes Campaign to Mexico, Assists Asylum Seekers

Beto’ O’Rourke Campaigns in Mexico

Sim, o ridículo Beto O'Rourke e o insuportável Cory Booker estão a a fazer campanha, na condição de candidatos à nomeação pelo partido Democrata americano para as eleições presidenciais de 2020, no México. Sim, no México. E porquê no México? Porque o Partido Democrata defende hoje em dia a abolição de fronteiras, na expectativa - justificada mas completamente manhosa - de que a imigração sem regras vai contribuir substancialmente para uma alteração definitiva no domínio demográfico e logo, eleitoral, da Federação, principalmente em estados de fronteira que são, não por acaso, historicamente conservadores, como o Texas, a Flórida, o Arizona, a Georgia e Alabama.
E assim se prova que a lógica dos democratas não é de raiz humanista. Trata-se ao invés e apenasmente da manifestação de uma vontade de poder. Uma totalitária vontade de poder.

sexta-feira, julho 05, 2019

Hand. Cannot. Erase.



Um hino.

Steven Wilson . Hand Cannot Erase.

Deus do Silêncio.

Cá em cima, na falésia falaz, consigo usar de alguma paz,
enquanto pescadores amadores, turistas banhistas e gaivotas,
que fazem barulho como motas
a voar,
gritam em uníssono alvoroço,
lá em baixo, no poço
da praia-mar.

Comandantes e capitães, veraneantes são mais que as mães;
toda a gente por atacado no quente e suado embrulho
que é o congestionado mês de julho;
ciclo do cio das gaivotas
que como motas
fazem barulho.

Cá em cima, fica mais corajoso o discreto deus silencioso,
que arma emboscadas sobre o ruído
como a mulher sobre o marido.
Mas lá em baixo no fosso,
crianças-gaivotas aceleram as motas
em uníssono alvoroço.







Flightville #01 . Leipzig in the dark

O voo BOX519 é um Boieng 777F que vem de Xangai e vai aterrar em Leipzig numa noite chuvosa, com condições de visibilidade um bocadinho assustadoras, de tal forma que o auto-piloto é desligado apenas uns poucos segundos antes da aterragem, quando a aeronave já se encontra a cerca de 90 metros do solo e as luzes da pista brilham finalmente sobre a escuridão e o vendaval alucinantes.

Há aqui uma cinematografia, entre a ficção científica e o horror, que me espanta os sentidos. Magnífica sequência, muito bem captada e editada pelos senhores da PilotsEye.tv.


quarta-feira, julho 03, 2019

Mais uma corrida alucinante.

WTCR em Nurburgring, no passado 21 de junho. Quem gosta de corridas de automóveis deve prestar atenção a estes três operáticos minutos:



Para fazer estas coisas, a esta velocidade, é preciso mais que técnica. É preciso ter as esferas no sítio certo. Para ser o último a tirar o pé é preciso aceitar o risco, e é nessa aceitação que reside toda a glória do automobilismo.

terça-feira, julho 02, 2019

Estou-me a passar com este fulano.

Steven Wilson, num disco de 2015 que é levado da breca: Hand. Cannot. Erase.
Às vezes parece Rush. Outras vezes parece Pink Floyd (!). E há momentos que me lembram Pearl Jam ou Alice in Chains ou assim qualquer coisa do género. Em cima disto, uma componente sinfónica que podia ter saído de um estúdio com os Marillion lá dentro. E as referências doidas nunca mais vão acabar de se cruzar, por isso o melhor é estar caladinho e deixar tocar o homem:


Assim é que devia ser sempre.

Verstappen parte muito mal e passa de segundo para sétimo em duas curvas. Ainda assim, ganha a corrida. Eis um Grande Prémio de Fórmula Um como deve ser:

domingo, junho 30, 2019

20 perguntas sem resposta.

Para acabar de vez com o mito da compatibilidade entre a civilização islâmica e a civilização ocidental, Paul Joseph Watson faz uma quantidade de perguntas de tal forma assertivas que ficam, inevitavelmente, sem resposta capaz, porque na verdade entre as duas civilizações há alguns séculos de diferença e contra essa distância não há correcções políticas e revisionismos históricos que sobrevivam.


sexta-feira, junho 28, 2019

Vídeo-Prozac.



Aparentemente, um homem transexual também pode engravidar, agora.

Ontem, no primeiro debate das primárias do Partido Democrata, o candidato Julián Castro, que, não por acaso, até foi secretário da administração Obama, afirmou que o Estado deve pagar abortos a  transexuais sem sistema reprodutivo. Caso engravidem, os homens que mudam de sexo devem poder aceder ao serviço público do aborto. A isto chama Castro, pomposamente, "justiça reprodutiva".
Não acreditam em mim, pois não? Então vejam aqui:



Vale a pena dizer a este imbecil que os homens não podem objectivamente ter filhos, por muito maricas que sejam? É claro que não. Ele vai apenas ignorar o facto e argumentar assim: as pessoas que não acreditam que os homens podem ter filhos são homofóbicas. São machistas. Racistas. Nazis.

Bom deus.

quinta-feira, junho 27, 2019

Um radar para a imortalidade.

Com 41 anos, Tom Brady, o melhor jogador de sempre da modalidade de combate a que os americanos chamam Futebol e por seis vezes vencedor do Superbowl, está a iniciar a preparação da vigésima época com lançamentos estratosféricos. No outro dia, a bola saiu-lhe das mãos a 61 milhas por hora (cerca de 100 kms/h). Para se ter uma ideia do teimoso poder deste braço, o único jogador da semana de recrutamento da NFL - o Combine - que lançou mais rápido que isto foi Josh Allen, mas com o radar a somar mais uma milha apenas. Ou seja, o veterano quarter back dos Patriots lança com mais vigor que a esmagadora maioria dos rookies da próxima época.

Tom Brady é um imortal. Essa é que é essa.

segunda-feira, junho 24, 2019

MicroFiar

O meu cliente mais antigo (FIAR) é o que me deixa fazer as campanhas mais giras. Não deve ser por acaso.
MicroFiar, no último fim de semana de Julho, em Palmela. Toda a gente sai à rua.



quinta-feira, junho 20, 2019

Pela Estrada Fora #21


Não sou propriamente um tipo viajado, pelo contrário, mas tenho a certeza religiosa que não há no planeta um lugar mais poético que Guerreiros do Rio. A aldeia propriamente dita tanto como os arredores ribeirinhos rebentam de versos imortais. Nem consigo explicar o que acontece comigo quando chego a este sítio. O Guadiana entra-me na corrente sanguínea como um opiáceo e fico completamente drogado, a olhar para a majestade lírica daquilo. Felicidade é parar cinco minutos neste apoteótico miradouro e ficar simplesmente a olhar para a majestade lírica daquilo.


E é pela EM 507, que liga a Foz de Odeleite a Alcoutim, que lá se chega. Uma estrada sinuosa e tecnicamente exigente, que se esforça sem total sucesso por perseguir o fluído curso navegável do Guadiana. Acelero um bocadinho, claro, mas aqui e ali há um ou outro buraco partidor de jantes e estou demasiado extasiado para me concentrar completamente na condução.

Não se houve mais que a carícia da água nos canaviais e o GTI a rosnar. Ninguém habita este bocadinho de paraíso. Não há turistas e os escassos nativos não se aborrecem pelas curvas que conhecem de cor. Estou sozinho no sonho, sozinho no mundo. No lugar mais poético da galáxia.


Portugal ainda tem muita estrada sem semáforos. Muitos quilómetros sem trânsito. Muito espaço para estacionar. Muitos caminhos para testar o modo Sport. Muito silêncio para rasgar com o barulho da combustão interna. Muita liberdade para tirar prazer da condução, da paisagem, da vida.

quarta-feira, junho 19, 2019

É mesmo caso para dizer: brutal.

Brutalism. É assim que se chama o último disco dos The Drums que, não sendo propriamente uns brutos, pelo contrário, têm por hábito feliz a criação de malhas que dão pancada a sério no frágil e incipiente mainstream contemporâneo. Conforme figura em anexo.



The Drums . Body Chemistry

quinta-feira, junho 06, 2019

Chernobil ou a natureza apocalíptica dos regimes totalitários.


Crise dos Mísseis de Cuba à parte, o momento em que a espécie humana esteve mais perto do apocalipse foi a 26 de Abril de 1986, quando os procedimentos relativos a um teste de segurança que simulava um corte na fonte eléctrica levou à explosão do reactor nº 4 da Central Nuclear de Chernobil, na República Soviética da Ucrânia.

A mini-série de cinco episódios que a HBO produziu recentemente sobre este acidente catastrófico - e cuja emissão foi concluída na segunda-feira passada - é uma obra-prima do produto televisivo.
Criada, redigida e produzida pelo surpreendende Craig Mazin (que até aqui era conhecido por "A Ressaca", "Os Anjos de Charlie" e outros lamentáveis subprodutos do género), e magnificamente interpretada por Jared Harris (o contabilista suicida de Mad Man), Stellan Skarsgård e Emily Watson, a série expõe, com admirável sobriedade narrativa e superior mestria cinemática, a cadeia de erros humanos e técnicos que levaram à explosão do reactor, bem como as mentiras e incompetências do estado soviético que provocaram directa e indirectamente a morte de mais de 90.000 pessoas.

Apesar de não se tratar de todo de um objecto propagandístico, a reconstituição histórica dos ambientes materiais e imateriais da era dos sovietes e dos seus autismos vários e das suas tirânicas volições e dos seus tiques atávicos e da tendência invariável para a supressão da verdade factual, fazem de Chernobyl um documento que levanta o véu sobre as fragilidades dos regimes totalitários e que demonstra com eloquência como a realidade supera largamente as ambições da ficção.

A suprema ironia desta história é que foi precisamente o poder esmagador dos burocratas do Politburo, aquela espécie de poder niilista que envia homens para a morte certa sem a sujeição a um qualquer e humanista argumento contraditório, que permitiu levar a cabo as tardias operações de evacuação da área urbana de Pripyat e de contenção do acidente. Voluntários ou conscritos, centenas de homens, entre técnicos da central nuclear, bombeiros, mineiros e soldados sacrificaram as suas vidas para evitar que Chernobil se transformasse numa catástrofe global. A mini-série da HBO honra-os. E funciona como uma espécie de aviso para futuras aventuras de inspiração fascista: um aparelho regimental fundado na mentira pode resultar a curto prazo. Mas acabará sempre em desastre.

Mikhail Gorbatchev afirmou um dia que Chernobil foi o primeiro motor da queda do império soviético. Considerando a dimensão do desastre e a exposição internacional das misérias tecnológicas, operacionais e filosóficas do aparelho comunista, o último secretário geral do Politburo é capaz de ter alguma razão.

Melhor série de 2019. De longe.


segunda-feira, junho 03, 2019

Malha anti-psicótica do dia.

Não há patologia mental que resista à boa disposição e à energia dos Telekinesis, uma banda que é de companhia deste blog já há uns anos valentes. Do último disco, Effluxion, saem dois minutos e quarenta segundos de prozac em acordes. Dá vontade de pular.



Telekinesis . A Place In The Sun

quarta-feira, maio 29, 2019

Auto-stops ao contrário.

Se o fisco pode recrutar a GNR para fazer auto-stops de cobrança coerciva das dívidas ao Estado, os cidadãos também deviam poder, por maioria de razão e na justa medida, recrutar a mesmíssima força militar para cobrar coercivamente as dívidas do Estado.

Sim, a GNR também devia montar estaminés nas auto-estradas deste país, de radar alerta para a passagem dos topo de gama em que se deslocam veloz e confortavelmente os altos quadros das entidades públicas desta República, de forma a que:

a) Recebam imediatamente o produto das suas facturas as empresas e os empresários em nome individual que costumam receber do Estado dentro de prazos que desobedecem flagrantemente ao que é estipulado pela lei;

b) Sejam prontamente ressarcidos os contribuintes que andam há anos e anos a pagar a corrupção, a incompetência, a incontinência ética e a desonestidade escandalosa do sector bancário (público e privado); que andam há anos e anos a pagar a torpe avidez de ministros, consultores, advogados e outros muitos abutres do Estado; que andam há anos e anos a pagar as comissões nacionais para isto e para aquilo e que só servem para empregar militantes dos partidos do arco do regime; que andam há anos e anos a serem triturados pela burocracia dos serviços públicos, mal tratados pelo serviço nacional de saúde, injustiçados pelo aparelho judicial e espoliados pela máquina fiscal, a única inventada em toda a história de Portugal que de facto funciona tão bem ou melhor que um motor Mercedes.

c) Aufiram em tempo real de compensações fiduciárias os eleitores que, nas últimas 4 décadas, foram aliciados com vãs promessas de prosperidade e de competência e de responsabilidade e de sentido de estado e de amor à pátria e que, ao invés, foram apenas sujeitos à falácia, ao engano, à aldrabice, à ganância, à traição e à conjura da oligarquia que de facto reina sobre este miserável, lamentável, inexplicável país;

d) Encaixem já verbas indemnizatórias aqueles que foram penhorados sem apelo; aqueles que foram paralisados na possibilidade da iniciativa económica; aqueles que foram e são insanamente taxados, multados, controlados, manipulados; aqueles a quem o Estado português, essa grande e disfuncional indústria do clientelismo mais grosseiro, esse monstro retrógado e simplex de complicações, prejudicou em absoluto, material ou imaterialmente.

No dia em que o Estado for uma pessoa moral, pode fazer os auto-stops que quiser. Até lá, quem deve fazer parar esta merda toda somos nós, os portugueses que tentam viver com decência e com um mínimo de sentido ético, apesar da constante, intrusiva, cigana e maquiavélica presença do Estado em cada mínimo detalhe das nossas vidas.

terça-feira, maio 28, 2019

A ilha do dia da minha morte.

Há qualquer coisa de terminal no rock dos Island, que me arrepia um bocadinho. Estou nas primeiras audições destes jovens rapazes e ainda não tenho uma opinião completamente formada. Mas já sei o suficiente para dizer que bombam um rock clandestino, mas tradicionalista, que é sofrido e é histriónico, que é puro. Como uma ilha num mar defunto.



Island . The Day I Die

Much ado about nothing.

Políticos e jornalistas e comentadores de toda a selvagem espécie fizeram uma festa de arromba, a propósito das eleições para o Parlamento Europeu. Que esta inútil e impotente assembleia constitua apenas a prova provada que a União Europeia não é uma democracia, não lhes reduziu o ânimo lúdico. Que na verdade ninguém os estivesse a ouvir, também não lhes pareceu uma variável pertinente. São turbas festivaleiras, em negação. E fizeram o festival na mesma, como se nada fosse. Na altura de disparar o fogo de artifício, não pesou o pesado facto de que apenas 31,3% dos eleitores registados terem perdido um tempinho para ir votar no mais inútil dos organismos eleitos desde que Cícero entregou o Senado a Júlio César.

Uma república que vive com este nível de abstencionismo, é uma anedota, claro; uma trágica comédia de enganos. Se retirarmos os militantes dos partidos que foram a votos (só o PS registava até há bem pouco tempo 120.000), bem como os civis que vivem à conta dos partidos ou do regime, o que é a mesma coisa, chegamos rapidamente à conclusão que muito poucos cidadãos nacionais estavam interessados nesta eleição. E se subtrairmos ainda os que votaram em partidos anti-europeístas, concluímos com algum acerto matemático que os portugueses que acreditam seriamente na União Europeia, tão seriamente que perderam 15 minutos para ir votar, devem ser não mais que um milhão, num universo de 8,5 milhões de eleitores.

A ausência de uma ideia original que fosse também deve ter contribuído para desertificar as assembleias de voto. Dou um exemplo: o bom do Nuno Melo achou que o melhor slogan que podia colocar, para sublinhar a sua carinha laroca nos outdoors 8x3 que poluem loucamente o horizonte urbano nestas épocas eleitorais, foi "A Europa é Aqui". A sério? É mesmo aqui? Uau, é espectacular essa localização da Europa. E então? E não há um jornalista que pergunte ao bom do Nuno: ok, ok, a Europa é aqui, sim senhor. Mas de que Europa é que estás a falar? Da Europa de Angela Merkel ou da Europa de Helmut Kohl? Da Europa de fronteiras abertas ou fechadas ou mais ou menos? Da Europa fascista, censora, alienada, dividida? Da Europa das elites burocráticas que normalizam comportamentos, policiam o pensamento, alteram e adulteram as culturas nacionais? Da Europa que traz desenvolvimento infra-estrutural ou da Europa que legisla sem mandato? Da Europa que tem impedido a guerra ou da Europa que transformou Paris numa barricada?

O problema é que estas não são matérias apelativas para as luminárias do circo mediático e as oligarquias estadistas. O que pretendem descaradamente é despir tudo de significado e ficarmos só com a farra pela farra. O que interessa é fazer render a feira, manter o rei nú, mesmo que toda a gente já tenha percebido há muito tempo que sua majestade traz as partes à mostra. The show must go on.

O que não faria Shakespeare com este espectáculo decadente.

sexta-feira, maio 24, 2019

É por estas e por outras que a guitarra eléctrica

é uma das mais geniais invenções da história da humanidade.

Watch as Game Of Thrones creator Dan Weiss, Tom Morello of Audioslave/Rage Against The Machine, Scott Ian of Anthrax, Nuno Bettencourt of Extreme, Brad Paisley, and Game Of Thrones composer Ramin Djawadi shred on the all-new Sigil Collection Guitars from The Fender Custom Shop. 



The Game Of Thrones Theme Song | Custom Shop | Fender

quinta-feira, maio 23, 2019

Só para que fique claro:

Qualquer presidente de qualquer República deve estar preparado para fazer públicas as suas contribuições tributárias: Trump como Obama. Obama como Merkel. Merkel como Macron. Macron como Maduro e Maduro como Lula e Lula como Miguel Díaz-Canel e Miguel Díaz-Canel como Putin e Putin como Xi Jinping e Xi Jinping como Kim Jong-un e assim sucessivamente. Todos eles não podem nem devem ter grande coisa a esconder. E se têm algo a esconder, a opção pela política foi um erro técnico - que o tempo real não perdoa; e moral - que a história vai condenar. Desde a remota e gloriosa época de Sólon que a integridade contributiva é objectivamente essencial para um condutor de causas públicas. Se não tens essa virtude, não te é dado esse poder.
Faz sentido. Mas só se o bom princípio for aplicado, de igual forma, a toda a gente. Caso contrário, é o desastre. O decaimento para um novo fascismo.

quarta-feira, maio 22, 2019

Sobre a responsabilidade da síntese.

A canção é curta, mas é santa.
E a culpa é da Samantha:



James Veitch . I'll text you

Morreu um vencedor.

Niki Lauda morreu ontem. Perdemos o homem, o cavalheiro, o competidor, o perfeccionista intransigente, um dos melhores pilotos de corrida já inventados por deus e seguramente o mais corajoso de todos. Ficamos agora na posse do seu legado. É isso que ganhamos. É isso que devemos honrar.



Aufwiedersehen, Niki. Vielen dank.

Elogio da bateria.

Não sou um fã de automóveis eléctricos, nem pouco mais ou menos, mas este comercial da Audi consegue ser poderoso, mesmo para a minha sensibilidade de petrolhead.

À atenção do Sr. Papa.


Caro Senhor Papa Francisco: acredito completamente que sua sumidade não tenha sobre este secundário assunto a necessária informação, mas acontece neste preciso e contemporâneo momento que centenas de milhar de cristãos estão a ser afincadamente perseguidos, estão a ser injustamente aprisionados e estão a ser miseravelmente chacinados, por todo o lado do mundo. O meu caro senhor vive preocupado com outras serenas preocupações, como todo o penitente com uma conta de facebook sabe muito bem. Mas será talvez uma boa ideia, no sentido da sustentabilidade do pontífice disfarce, fingir que a perseguição e o aprisionamento e a chacina de cristãos, pelo simples facto de serem cristãos, constitui uma, mesmo que marginal, arrelia do Sr. Papa. E desejar fervorosamente que o Sr. Papa, em franciscana medida, diga publicamente duas ou três misericordiosas palavras em favor destes povos molestados, que são do seu rebanho e de sua última responsabilidade, não é pedir muito.

Pois não?