terça-feira, maio 23, 2017

50 anos, caraças!

Por Nuno Miguel Silva



50 anos, caraças!
Entrados, entrudos,
Talvez sortudos…
100 trapaças
100 2 caras!
50, 100 máscaras
50 a fundo
Nunca 2º!
50, 1º!
100, depois
Amizade para 2
A gosto ou janeiro
50, caramba!
Carambola…
Na corda bamba,
Na nossa bola,
50, Paixão!
Sempre a pulsar
Muito a viver
50, meu irmão!
Espero por ti
Aguenta por mim
Tanto que vivi
100 ti, seria assim?

quarta-feira, maio 17, 2017

Uma pequena frase que diz quase tudo sobre os 43 anos desta república.

"No ominoso tempo do nazi-fascismo, Portugal era só o Festival da Canção, Fátima e o Benfica."
Bruno Oliveira Santos

segunda-feira, maio 15, 2017

sábado, maio 13, 2017

O Herói do Tetra.

Vivi o tempo suficiente para estar sentado no Estádio da Luz a ver o bom do Eusébio,
que chutava à baliza como se disso dependesse a sobrevivência da humanidade.
Vivi o tempo suficiente para estar sentado no Estádio da Luz a ver
o maluco do Simões
que fazia sempre a mesma finta, e era sempre bem sucedido naquela finta
que fingia que ia à linha, mas não era isso que acontecia
(como o Robben de agora).

Vivi o tempo suficiente para que o Humberto Coelho crescesse
para além da sua altura,
para além da sua classe,
para além do seu destino.
O tempo suficiente para que o Vitor Baptista perdesse o brinco da orelha direita
e para que o Chalana fizesse circo e transformasse o futebol
no maior espectáculo do mundo.
O tempo suficiente para que o Nené conseguisse finalmente
mostrar uma nódoa de lama nos impolutos calções de goleador cruel
e diletante;
o tempo suficiente para que o Pietra mostrasse a toda a gente o que significa
ser um jogador do Benfica;
O tempo suficiente para que o Carlos Manuel explodisse com o cabedal da bola
e o Diamantino revelasse à audiência que afinal era um intelectual
e o Alves marcasse livres directos de precisa geometria elíptica, gregos de tão belos,
sem um passo de balanço que fosse e apenas com o movimento das luvas pretas,
que eram pássaros;
que eram poemas.

Vivi o tempo suficiente para perder uma Taça dos Campeões Europeus
porque alguém mandou o Veloso chutar um penalti.
E o Veloso, que falhou eese decisivo penalti, e que sempre foi
um jogador de futebol de máxima competência,
ficou com as culpas.
Adoro-o por ter ficado calado, com as culpas todas que não eram dele.

Vivi o tempo suficiente para assistir, encantado, ao talento único
do Vítor Paneira.

Vivi o tempo suficiente para ver o Álvaro Magalhães parar de comer a relva e,
por um instante divino,
marcar um dos mais belos golos da história da Taça UEFA.
O tempo suficiente para que um dinamarquês e cinco suecos invadissem o relvado
com a sua arte serena, com a sua determinação engenhosa, com o seu método pagão:
Maniche e Magnusson, Stromberg e Thern, Schwarz e Lindelof.
Filhos, todos eles, de Thor.
Filhos, todos eles, de Wagner.

Vivi o tempo suficiente para assistir ao bailado viril e eficiente e camarada,
de Mozer e Ricardo;
vivi o tempo suficiente para me apaixonar por um puto canina, meio russo,
que numa célebre tarde, em Alvalade, foi, de longe, o melhor jogador do mundo.
Vinha de um bairro pobre do Porto,
vinha com aquele jeito reguila de génio irrequieto
e jogava à bola com o diabo no corpo e o coração nos pés:
chamava-se Pinto. João Vieira Pinto.

Vivi o tempo suficiente para pasmar com o gigantismo bravo, biblíco, ensandecido
do Isaías e a tranquila lucidez de Kulkov.
O tempo suficiente para que Rui Costa passasse de delfim a príncipe;
o tempo suficiente para que as minhas redes fossem guardadas
pelo melhor dos belgas,
o mais correcto dos homens,
o mais educado dos futebolistas,
o mais esbelto dos atletas:
Michele Preud'homme.

Vivi o tempo suficiente para que Paulo Futre  levantasse o Jamor
e Simão Sabrosa inventasse a ternura, na posição de extremo esquerdo.
O tempo suficiente para que Luisão garantisse o seu lugar no céu
e Nicolas Gaitán o seu canto no paraíso.
O tempo suficiente para que Fábio Coentrão percebesse
que era um grande defesa esquerdo;
O tempo suficiente para que Axel Witsel cometesse o disparate
de ir jogar para a Rússia,
O tempo suficiente para que Nemanja Matic fizesse esquecer Witsel
e que Enzo Perez pulverizasse a memória do belga e a saudade do sérvio.
O tempo suficiente para que alinhassem no onze inicial do meu querido clube
uma quantidade espantosa de monstros sagrados, a saber:
Valdo Cândido Filho,
Claudio Cannigia,
Carlos Gamarra
Karel Poborsky,  
Fabrizio Miccoli, 
Pablo Aimar, 
Angel Di Maria, 
Xavier Saviola, 
Ramires Santos.

Vivi o tempo suficiente para ter a consciência de que Jonas Gonçalves Oliveira,
nascido em 1984, na localidade de Bebedouro, Estado de S. Paulo, Brasil;
o mago acidental,
o mais improvável dos camisolas 10,
o mais equívoco dos cracks,
Jonas, ele mesmo, o alienígena sem carreira nem futuro,
é que é o herói, verdadeiro, desta tetralogia;
o  astuto Ulisses desta odisseia,
o derradeiro crack, o triunfante cromo,
o valente correio da glória 
que é ser benfiquista.

quinta-feira, maio 11, 2017

terça-feira, abril 18, 2017

Só sabem fazer bem feito.



Velhos amigos deste blog, os Said The Whale não sabem fazer nada que não seja pop de primeira linha. E este último álbum sobe por essa corda melódica até lá acima. Ao céu dos tímpanos.

Said The Whale . Confidence

sábado, abril 15, 2017

Loneliness is next to godliness.


Outro elogio da incompetência.

"Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo."


Álvaro de Campos


Todos os meus amigos que escrevem poemas
(tenho bastantes amigos que escrevem poemas, por graça de Cristo)
gostam imenso que eu leia os poemas que eles escrevem.

O facto traduz, na verdade, uma lisonja parva porque
eu não sou propriamente o Luís Borges e porque
eu não sou sequer um legítimo crítico literário até pelo simples facto
de escrever também poemas.

Por muito má que seja a minha poesia
(tão má que serve a boa poesia dos outros, pelo contraste)
não deixa de ser poesia e um poeta que também serve
para crítico literário, é uma besta.

Eu próprio, fenómeno espantoso,
gosto imenso de ler os poemas que os meus amigos escrevem,
mesmo quando são de caras melhores que os meus
ou piores do que eu consigo imaginar.

Tudo isto não interessa realmente à poesia.
As pessoas gostarem ou não gostarem da poesia que se escreve é
completamente irrelevante.

Tudo isto não serve realmente à amizade.
Não é por ser amigo de poetas que sou amigo deles,
independentemente de eles serem bons ou maus poetas ou mais ou menos.

Digamos que me sinto um felizardo por ser amigo destes notáveis trovadores,
embora a qualidade da sua trova seja substancialmente indiferente
tanto para a história universal da literatura como
para mim.

A qualidade da minha própria poesia
é a coisa mais indiferente para mim que tu possas imaginar,
gentil e tolerante leitor.

Talvez por isso, ou por legítimo nojo estético, ou por justificada
inoportunidade ontológica, os meus amigos poetas evitam
o convívio dos meus versos, embora,
estranhamente,
procurem a benção da minha crítica.

Sendo um péssimo poeta serei ainda um pior crítico e é assim
que tantas vezes sinto aquilo que o engenheiro naval sentia:
a improvável singularidade de ser o único gajo que escreve
má poesia.

sexta-feira, abril 14, 2017

A corporação dos bandidos ainda bomba que se farta.



Já me tinha esquecido destes bons ladrões, que tanto beneficiaram os meus ouvidos quando estávamos a mudar de milénio. Mas eis que estão de volta; e de que maneira. Disquinho bombástico que só comprova a seguinte evidência: na música pop, o crime compensa.

Thievery Corporation . Letter to the Editor (feat. Racquel Jones)

Pé na Tábua.


Os senhores da Poliphony convidaram-me para os testes beta do Gran Turismo Sport. Estou com uma pica doida. Começa amanhã. Vroom.

quinta-feira, abril 13, 2017

domingo, abril 09, 2017

Um Lehane lunar.

Por Nuno Miguel Silva
Texto publicado a 24/02/17 no Jornal Económico

O último livro do escritor norte-americano Dennis Lehane publicado em Portugal surgiu nas livrarias nacionais no verão do ano passado, com o título ‘Moonlight Mile – A Última Causa’, mas data de 2010. O escritor que traçou inesquecíveis retratos da sua cidade-fétiche, e de centenas de personagens com que a povoou nas diversas obras, regressa ao thriller psicológico, terreno em que é um dos melhores escribas da atualidade. E retorna ao par de detetives que criou ao longo da sua profícua carreira literária: Patrick Kenzie e Angie Gennaro.
Boston volta a ser protagonista num tortuoso regresso ao passado, outra imagem de marca do autor. Uma mulher pediu para lhe encontrarem a sobrinha de quatro anos, que havia desaparecido. Os detetives conseguiram esse intento. A menina foi devolvida, mas a uma mãe negligente e alcoólica. Agora, 12 anos depois, Amanda volta a sair do radar e os detetives de Lehane voltam a entrar em cena.
Há um minucioso destrinçar dos laços familiares e sociais enquanto a cidade de Boston fervilha em pano de fundo. Lehane tem estilo, muito e bom; tem ritmo. É preciso, conciso, destila poesia, enaltece a amizade e o amor, desmascara a violência e alguns bastidores de poder. Há uma queda pelo gótico, pela ficção ‘pulp’, pelos filmes de série B, pelas noites negras. Há tensão e vingança, um bisturi manobrado com precisão.Tudo isso é verdade, certamente bem acolhida para quem com este livro se estreou na obra de Dennis Lehane. Mas para quem já leu grandes livros deste escritor – também autor do guião da série televisiva ‘Boardwalk Empire’ – como ‘Um Copo Antes da Batalha’, ‘Mystic River’ ou ‘Shutter Island’, ou mesmo a monumental ‘biografia’ de Boston, traduzida para português como ‘Terra de Sonhos (’A Given Day’ no original norte-americano), fica a desilusão de perceber que há pouco de novo na estrutura ficional em relação a essas obras incontornáveis. Há mais Lua e menos Sol. Mas vale sempre a pena lê-lo porque é um autor brilhante. E pelos diálogos deliciosos.

Ao ritmo dos glaciares.



Pace of Glaciers . 1905

Ode a Allen Ginsberg.

Allen Ginsberg, estás sentado ao balcão de um bar em New Jersey e eu estou a beber um dirty martini contigo e a falar-te do destino perdido dos escritores da América e tu bocejas de um sono antigo, onde pastam búfalos e washingtons de toda a espécie que fumam as mais estranhas marcas de tabaco azul. A barba chega-te aos pés e a poesia dá-te pela cintura e o teu barbeiro tem saudades tuas e tu tens saudades do after shave das sarjetas de Manhatan e do haxixe de algas de Atlantic City e do ácido estradista do Kerouak e da porrada dos polícias do Midwest e do Jazz ciclónico, carnavalesco, psicadélico-parvo de New Orleans. Como se New Orleans fosse alguma coisa de jeito. Não é.
Allen Ginsberg, estás a apanhar sol nas docas de Boston, que horror - Boston, e a alucinar como um cavalo no opiário. Montas esse cavalo loucamente, e estás a cavalgar a rua cor de rosa aqui no Cais do Sodré que dantes era das putas e que agora é da tua poesia e que devia ter continuado como rua das putas. As putas funcionam como rimas, pá, e tu que sempre recusaste as rimas, mas não tanto as putas; devias saber isso melhor que ninguém e não devias estar aqui comigo, sentado ao balcão de um bar onde o Cardoso Pires também já bebeu o seu copo a mais e o relógio conta o tempo ao contrário como se houvesse uma maneira de contar o tempo ao contrário. Não há.
Allen Ginsberg, fazes-me lembrar o meu amigo Márcio Candoso, embora na verdade o meu amigo Márcio Candoso seja muito melhor poeta do que tu, mas tem o problema de não se chamar Allen Ginsberg e de viver em Algés, que não é um sítio onde vivem poetas decentes. O problema imobiliário, o problema geográfico, o problema demográfico dos poetas é que são poucos e esparsos e não têm morada certa e nunca por nunca seriam capazes da enorme corrupção de comprar um apartamento em Algés. Os grandes poetas sofrem, regra geral, de insuficiência postal e tu, por exemplo, serias um gajo difícil de localizar até pelo Ministério das Finanças, que é uma polícia política que encontra toda a gente.
Allen Ginsberg, impenitente paneleiro, és potente como a pila de um gajo com dezoito anos, tu és erecto-veloz como uma bicicleta a descer pela Rua Poço dos Mouros em São Francisco, tu debitas prosápia como um amplificador Marshall debita as notas graves e a verdade é que escreveste uma quantidade enorme de poemas enormes que ninguém de facto consegue compreender, porque tu nunca escreveste para seres compreendido porque te disseram, talvez a tua mãe, talvez um teu obscuro professor de liceu, talvez o teu incauto mestre do curso superior que fingiste que tiraste ou que não tiraste de todo, não interessa; talvez o teu controlador do partido comunista americano de que nunca fizeste parte, talvez algum ignorante sem nome, génio sem sombra, te tenha dito um dia que tinhas alguma, se bem que remota, hipótese de escreveres num dia, se bem que remoto, um verso decente e tu acreditaste e deste na fúria de escrever versos remotos para entendimento de ninguém. A ver se saía alguma coisa que fizesse de ti um imortal. Nunca saiu.
Allen Ginsberg, mais valia ficares aqui comigo sentado neste bar de Odeceixe, para sempre, a ver as garças fazerem filhos; mais valia fazeres tu próprio alguns filhos, mais valia fazer eu três ou quatro ou setenta filhos. No meio do ruído todo dos teus poemas que ninguém realmente entende, camarada, o que se aproveita é aquilo que não conseguimos e o que não conseguimos foi: continuidade.
Allen Ginsberg, a vida só tem uma ambição: continuar a ser vida. E tu, estúpido, nem isso percebeste. E se nem inteligência tens para perceber isso, desgraçado, como é que esperas que todos os outros, que tiveram a inteligência para ter filhos, percebam a merda intrincada dos teus versos?
Allen Ginsberg, estás aqui sentado comigo, no bar absurdo de Telheiras, que até tem duas mesas de snooker e tudo e não consegues mais que umas estrofes ainda mais absurdas do que é costume, mas estás contente com elas porque a tua Beat Generation acha que és deus e mesmo que as estrofes sejam absurdas, fazem parte de um novo-antigo testamento e são sagradas porque sim. Estás aqui sentado comigo no improvável bar suburbano que não tem jukebox porque a MTV é à borla e entristeces porque o Kansas fica do outro lado do oceano e a estrada sessenta e seis ou sessenta e oito ou lá o que é não te leva para além da Amadora. Sem o faróeste não tens veia para os teus indecifráveis poemas de drogadinho. Sem a tua América de boleias e charros, sem os teus horizontes hollywodescos de estradas poeirentas e mezcal estragado, não encontras inspiração para mais do que teres sono - esse sono antigo onde pastam os fantasmas de uma civilização que já foi civilização e que os teus versos ajudaram a trair.
Allen Ginsberg, a verdade é que nem para companhia de bebedeira tu serves, ò fraude, nem para crepúsculo de Walt Whitman tu tens queda, ò mito! Tudo o que posso dizer de ti é que és fisionomicamente parecido com o Francis Ford Capolla e que o teu apocalipse de agora nunca chegou a acontecer: és um falso profeta e estás a ressonar.

quinta-feira, abril 06, 2017

Um bocadinho de bom senso.



It Would Not Be Cool If AI Were Conscious — It Would Be Dumb | Daniel Dennett

segunda-feira, abril 03, 2017

Optimista é um tipo que pensa que é Deus.


We are the Gods Now - Jason Silva at Sydney Opera House

sábado, abril 01, 2017

quinta-feira, março 30, 2017

Queridos convidados eléctricos.



Gosto muito desta banda, e não é de agora. Mas, estranhamente, é a primeira vez que aparecem no blog. Sejam, pois, muito bem vindos, meus queridos electricistas.

Electric Guest . Dear to me

Desenho da vida no lago

Por Nuno Miguel Silva
Texto publicado a 10/02/17 no Jornal Económico

Em boa hora decidiu a Quetzal, insígnia da Bertrand, reeditar em Portugal, no final de 2016, o belíssimo ‘Seda’, de Alessandro Baricco, estreado 20 anos antes e editado pela primeira em Portugal pela extinta Difel. Mario Vargas Llosa, prémio Nobel da Literatura em 2010, sintetiza este best seller assim: “É uma história misteriosa, lacónica, perfeita”. Em mais um exemplo do fascínio do Ocidente pelo Oriente, o autor de Turim traça-nos aqui a intrigante vida de Hervé Joncour, cujo pai lhe idealizava “um brilhante futuro no Exército”, mas que acabaria por ganhar a vida com um ofício insólito.

“Hervé viveu numa determinada região do sul de França, numa vila de nome Lavilledieu. Hélène era o nome da sua mulher”. Com as epidemias a grassar, viu-se obrigado a procurar os ovos dos bichos-da-seda, na Síria ou no Egito. Numa noite “sincopada por periódicos tragos de Pernod”, Balbadiou, seu amigo de idade incerta, amante de golfinhos, convence-o que, para sobreviver, “temos de conseguir chegar lá acima”. Ao Japão, “ao fim do mundo”.

A obra de Baricco retrata o fascínio pela viagem – na prática, quatro viagens ao longo da vidade Hervé Joncour entre o Sul de França e o Japão – do fascínio pelo outro, pelo contraste de culturas. E, por isso, se torna amigo do “mais inalcançável homem do Japão”, Hara Kei, “dono e senhor de tudo aquilo que o mundo conseguia levar para fora daquela ilha”. Hervé conta a sua vida a Hara Kei. O comércio dos bichos-da-seda entre os dois continentes está garantido. Mas não a paz de espírito do personagem principal deste livro porque se intromete na vida de Hervé uma jovem rapariga. Real, diáfana, mudou tudo. E Hervé volta cada vez mais depressa ao Japão, consumido pelo amor e pela paixão, mas regressa sempre a França e a Helène, senhora de pacientes esperas.

“Em Takaoka, Hervé Joncour embarcou num navio de contrabandistas holandeses que o levavam até Sabirk. Dali, percorreu a fronteira até ao lago Baical, atravessou quatro mil quilómetros de terra siberiana, transpôs os Urales, alcançou Kiev e percorreu de comboio toda a Europa de leste a oeste, até chegar, após três meses de viagem, a França. No primeiro domingo de abril - a tempo da grande missa - chegou às portas de Lavilledieu”. Foi sempre assim, menos na última viagem. Os bichos apodrecem no caminho e Hervé, vindo da guerra e da desilusão, perde a grande missa na terra-natal. O princípio do fim, enquanto o mundo acelera.

Um sobrescrito que Hervé recebe com carimbo da Flandres vai surpreender, mas, no final, ficam as imagens de uma luva e de um vestido laranja, e o afogar da solidão junto à campa de Hèléne, entretanto falecida. Ver a vida desenhada no lago e “morrer de saudade de uma coisa que nunca se irá viver”.

quarta-feira, março 29, 2017

segunda-feira, março 27, 2017

Os australianos é que sabem.



V8 Supercars. Uma das mais competitivas e espectaculares competições de turismos do mundo.

quinta-feira, março 23, 2017

O que diz a besta.


A propósito da barbaridade que sucedeu ontem, o senhor Sadiq Khan, infeliz e criminoso Mayor de Londres, afirmou que o terror islâmico, de que ele é com certeza primeiro apologista, faz parte da vida nas grandes cidades. As declarações desta verdadeira besta negra, e outras do género proferidas por personagens do género, pretendem convencer-nos que o quotidiano marcado pelo horror é normal. E, por ser normal, será justificado e, na verdade, merecido. Sadiq Khan (e a sua incrível pesporrência de islamita impenitente) é a arrepiante demonstração de que a Europa já não é dos europeus. É do inimigo.

quinta-feira, março 16, 2017

Fácil, fácil.



Ou parece fácil.

Sinkane . Telephone