domingo, outubro 21, 2018

Esta banda não erra.

Os Birdpen estão de volta com "There's Something Wrong With Everything". Mas se a suspeita de que há algo de errado com tudo se confirma a cada dia que passa, a culpa não é deles, de certeza. A música de Dave Pen e Mike Bird é assertiva quanto baste para dar muita luta aos erros do mundo.



Birdpen .  Eyes in the Sky

Um discurso para Setúbal - Merchandising






sexta-feira, outubro 19, 2018

O princípio da imersão.

Este bichinho aqui, o VR da PS4, dá início industrial à conquista de um universo alternativo. O processo tecnológico que promete imersão absoluta numa realidade virtual à escolha de cada um está mesmo no princípio e a maquineta tem ainda sérios problemas de juventude, principalmente no que diz respeito à liberdade de movimentos e à resolução da imagem. Mas já é qualquer coisa de estonteante, garanto-vos.





quinta-feira, outubro 18, 2018

Nações Unidas pela falta de vergonha.

Angola, Somália, Ruanda, Senegal, Congo, Eritreia, Egipto, Iraque, Arábia Saudita, Bahrain, Afeganistão, Paquistão e Cuba. Verdadeiros campeões da liberdade, da dignidade e da cidadania, estes são alguns dos países que fazem parte, neste momento, da Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Mas 80% dos 47 assentos desta comissão são usurpados por regimes que são totalitários ou niilistas ou draconianos ou caóticos ou simplesmente criminosos. A lista completa está aqui.

Assim sendo, gentil leitor, sempre que vires um relatório desta Comissão a ser propagado pela imprensa como um manifesto moral em favor da humanidade, lembra-te de quem o redigiu.

As Nações Unidas são na verdade um logro. São na verdade uma organização que devia envergonhar o Ocidente. O problema é que o Ocidente já perdeu a vergonha há muito tempo.

quarta-feira, outubro 17, 2018

Frase do mês.

“A situação é muito difícil e a frase 'Reconquistar a República' é apropriada porque em distritos como Paris, Marselha ou Toulouse é a lei do mais forte que reina, a dos narcotraficantes e dos radicais islâmicos. E essa lei suplantou a República.”

Gérard Collomb, ministro francês do interior, demissionário.

terça-feira, outubro 16, 2018

Steve Pinker e as virtudes do progresso.



"I have found that intellectuals hate progress. And intellectuals who call themselves progressive really hate progress."

Steve Pinker


Nesta breve mas brilhantíssima dissertação, o bom professor de Harvard traz ao Blogville o que o Blogville desesperadamente precisa: algum optimismo. Porque a condição humana é progressista (no sentido ontológico e apolítico da palavra), a humanidade tem progredido, historicamente. Progride nos dias de hoje. E progredirá no futuro. Vivemos agora muito melhor do que há 30 anos atrás, por estranho que pareça. E incomensuravelmente melhor do que há um século. E assim sucessivamente. Steve Pinker mostra os números, que são eloquentes. Mas não tão eloquentes como as suas sábias palavras. Um Ted Talk como deve ser.

segunda-feira, outubro 15, 2018

Nas trincheiras da batalha pela Civilização Ocidental.



"Western Civilization is in a massive crises and the reason is the left and if one does not understand that is the left versus the west, one understands nothing about the modern world."

"God means and has meant limited government in America. Big God, little government; little God, big government. "

Dennis Prager


Gentil leitor: se prezas civilização de que és produto consumado, deves ouvir as sábias palavras de Dennis Prager. A capacidade oratória do fundador da PragerU e eloquente radialista, assente numa plataforma explosiva de humor e dramatismo, vale por si só. Mas é o que ele tem para dizer que é realmente importante.
Neste breve discurso proferido no David Horowitz Freedom Center, em Agosto do ano passado, Prager explica muito bem explicada a tragédia da Civilização Ocidental. Abdicando dos valores judaico-cristãos que estão nos seus fundamentos morais, filosóficos e políticos, abjurando a sua história e a sua cultura, ressuscitando a importância da raça e fomentando a guerra do género, assassinando instituições fundacionais como a religião, o casamento, a liberdade de expressão, a livre iniciativa e a responsabilidade individual e substituindo esses valores sagrados por um dessacralizante nada, o Ocidente permitiu à esquerda socialista e pós-modernista accionar o motor de queda de um modelo ontológico que é, de longe, o mais bem sucedido da história da humanidade.
A certa altura, Dennis Prager conta a história de um colunista do Nem York Times que teve a ousadia - ou a idiotia - de equiparar a tradição sinfónica barroca ao folclore Indonésio. Como brilhantemente afirma o orador, só os indonésios (e os colunistas do New York Times) ouvem folclore indonésio. Mas toda a gente no mundo, em contrapartida, partilha dos benefícios da imortal e monumental e geneticamente universalista obra de Bach. As coisas são como são. E é por causa das coisas serem teimosamente como são que a esquerda desistiu da realidade. Vive num estado onírico de destruição e caos. O sonho derradeiro de quem não tem nada a perder.

domingo, outubro 14, 2018

Uma máquina de fazer rock #02

Nothing But Thieves, outra vez. Grande banda, grande canção.



Nothing But Thieves . Sorry

sábado, outubro 13, 2018

Hã?

Leio uma manchete no sempre medíocre jornal Público, que diz assim: "Em Itália, das borras do café nascem cogumelos. E isso é bom para o planeta."
Só uma pessoazinha completamente ignorante de tudo e - substancialmente - do que é bom ou mau para o planeta é que é capaz de escrever esta parangona. Mas alguém precisa de dizer a Liliana Borges que uns poucos de fungos que um italiano qualquer faz crescer no que sobra de uma infusão de cafeína são completamente irrelevantes para um corpo celeste com 4,5 biliões de anos.

Entretanto, no sempre superficial Observador, leio, numa notícia sobre o furacão Leslie que é um exercício delirante de alarmismo, esta frase ridícula: "É a terceira vez que um furacão tão poderoso atinge Portugal."
Mas é a terceira vez desde quando? Sabe a jornalista Carolina Branco, que escreveu esta afirmação imbecil, quantos furacões atingiram o território nacional desde 1143? É claro que não faz a mais pequena ideia. Nem ela nem ninguém. O jornalismo contemporâneo é uma estética sem ética: a frase soa bem, assusta bastante, logo, toca a publicar. Não interessa se é um facto inventado sem ponta por onde se lhe pegue. Não interessa a idiotia e a falácia. Interessa criar o medo e prosseguir com o alarmismo ambientalista mais primário que se pode imaginar. Isso é que interessa.

sexta-feira, outubro 12, 2018

Nas trincheiras da Segunda Guerra Civil Americana.


"The answer to Donald Trump, you may say, is to do just the opposite of Donald Trump. Being noble, being kind, being classy. But I believe that we must honestly ask ourselves as a party whether those we fight for can afford our gentleness."

Michael Avenatti (D)


 “You cannot be civil with a political party that wants to destroy what you stand for, what you care about. That’s why I believe, if we are fortunate enough to win back the House and/or the Senate, that’s when civility can start again.”

Hillary Clinton  (D)


"It is time for our society to acknowledge a sad truth: America is currently fighting its second Civil War."

Dennis Prager (R)


A 14 de junho de 2017, em Alexandria, Virgínia, um destacado congressista republicano, Steve Scalise, foi baleado enquanto treinava para o Jogo Anual de Baseball do Congresso, um evento de filantropia republicano, programado para o dia seguinte. Crystal Griner, um oficial da Polícia do Capitólio dos EUA designado para proteger Scalise; Zack Barth, assessor do Congresso; e Matt Mika, um lobista da Tyson Foods foram também baleados. O tiroteio entre o atirador - James Hodgkinson, um ativista de esquerda - e agentes da Polícia do Capitólio e de Alexandria durou dez minutos. Hodgkinson acabou por ser atingido e morreu desses ferimentos no mesmo dia, no Hospital da Universidade George Washington. O Procurador Geral da Virgínia concluiu que Hodgkinson planeava o assassinato em massa de todos os republicanos que lhe surgissem pela frente. (1)

Este episódio de terrorismo puro e duro foi, tipicamente, muito pouco noticiado, até nos Estados Unidos. Mas é talvez o mais eloquente sobre o barril de pólvora em que assenta, periclitante, a república americana dos dias perigosos que correm.

Mas há mais. Há muito mais fogo cerrado nas trincheiras do combate político contemporâneo, nos Estados Unidos. E a verdade é que a polarização ideológica e cultural a que assistimos hoje na sociedade americana só tem precedentes históricos no período preliminar à guerra da Secessão. Mesmo comparada com a crise de identidade que a nação viveu entre 1965 e o inícios dos anos 70, com a guerra do Vietname a ser travada substancialmente na frente doméstica, a actual radicalização de conteúdos e retóricas partidárias (que tem origem no ataque às Torres Gémeas de 2001, nos decorrentes conflitos bélicos espoletados pela Administração Bush e pela consequente eleição de um marxista para a presidência) só tem paralelo na belicosa divergência entre os estados confederados e o governo central da primeira metade do século XIX.

Nos últimos 15 anos, a esquerda americana perdeu a sua tradição liberal e o Partido Democrata europeizou-se, no pior sentido do termo, sendo hoje, em termos ideológicos e culturais, um grande e heterogéneo Bloco de Esquerda. Esse shift dos democratas para a esquerda, deixou um espaço eleitoral livre e acessível ao centro, que o Partido Republicano prontamente - e precipitadamente - ocupou. Tornando o seu discurso mais secular, aceitando em boa parte o colete de forças do politicamente correcto e permitindo a ratificação sucessiva de legislação que colide contra os valores do conservadorismo cristão do núcleo duro - e crítico - do seu eleitorado natural, os republicanos não ganharam ao centro o que perderam à direita. O primeiro sinal deste desacerto estratégico surgiu com o Tea Party. A confirmação da catástrofe aconteceu com a eleição de Donald Trump.

O resultado de tudo isto é uma espécie de tempestade perfeita.

Considera, gentil leitor, a atual liderança do Partido Democrata. O presidente Tom Perez é um radical que encorajou abertamente a recente vaga de protestos violentos, interpretada por turbas que envergonham os mais niilistas dos activistas europeus. O vice-presidente é um declarado e notório anti-semita, Keith Ellison, conhecido pela tristemente célebre afirmação de que a Constituição dos EUA é a “melhor evidência de uma conspiração racista branca para subjugar outros povos”. (2)

Um e outro foram grandes apoiantes de Barak Obama, que, em 2008, disse num comício, a propósito dos seus adversários políticos à direita: If they bring a knife to the fight, we bring a gun." (3)

Encorajados pela cúpulas do partido, os apparatchiks têm vindo, progressivamente e de forma assustadora, a subir a parada da hostilidade semântica e a intensificar os apelos à violência física. Dou apenas alguns exemplos, porque existem na verdade centenas deles.


- Em novembro de 2016, a actriz Lea Delaria não conseguia esconder o seu desejo quizilento (é dizer pouco) quando tweetou, sugerindo uma alternativa à violência da palavra escrita: "or pick up a baseball bat and take out every fucking republican and independent I see". (4)

- Em setembro de 2017, a comediante Kathy Griffin posou para o fotógrafo Tyler Shields segurando uma maquete da cabeça decepada de Trump. O fotógrafo vendeu a foto por 150 mil dólares. (5)


- Em declarações à CNN, no início de maio deste ano, Laurence Tribe, professor de Direito de Harvard, disse sobre o possível impeachment de Trump: "If you’re going to shoot him, you have to shoot to kill.

    
- Em junho, a senadora Maxine Waters, da Califórnia, incentivou os seus partidários a assediar funcionários do governo Trump, sempre que os encontrassem em espaço público, informando esses funcionários da seguinte forma: "you're no longer welcome, anywhere". (6) 
Da teoria à prática não passou muito tempo. Sarah Sanders (secretária de imprensa da Casa Branca), Kirstjen Nielsen (secretária do Departamento de Segurança Interna) e Ted Cruz (senador republicano) foram expulsos de restaurantes, a propósito das suas convicções políticas e dos cargos que ocupam. (7)

- Em julho, o senador Cory Booker, presumivelmente um futuro candidato à presidência - encorajou activistas a seguirem um comportamento que é, no mímino, discutível em democracia: "Get up in the face of congresspeople."(8)

- Em Setembro, Farzad Fazeli foi preso depois de tentar esfaquear um candidato republicano ao Congresso, num festival de outono em Castro Valley, Califórnia. Antes da tentativa de agressão, Fazeli gritou obscenidades sobre o presidente Trump, o Partido Republicano e as autoridades eleitas. (9) 

- No domingo passado, na ressaca da tomada de posse do Juíz Kavanaugh, o procurador-geral da era Obama, Eric Holder, reforçou o tom agressivo e irresponsável que se está a tornar o novo normal da esquerda. Falando num evento de campanha na Geórgia, disse isto sobre os republicanos: “When They Go Low, We Kick Them". Confere esobre o estadte momento no vídeo em baixo, paciente leitor, e repara na reacção da audiência a esta inflamatória afirmação, que diz muito so de espírito instalado nas hostes democratas.



- Na segunda-feira, Hillary falou na impossbilidade de tratar o Partido Republicano de forma civilizada (post sobre o assunto aqui).

- Esta semana, o líder estudantil republicano John David Rice-Cameron foi agredido por activistas de esquerda quando tentava proferir um discurso em favor de Kavanaugh, na universidade de Standford. Ironicamente Rice-Cameron é filho da Conselheira de Segurança de Obama - Susan Rice. (10)


O tom belicista é hoje um componente formal do discurso democrata. Bre Payton, repórter do The Federalist, captou imagens de activistas à porta do Supremo Tribunal americano que gritavam “I’d shoot that motherfucker Kavanaugh in the face. Trump too” (11). A violência verbal tem gerado o caos e um sentimento de insegurança que não pode ser mais perigoso do que já é. Kelley Paul, a mulher do senador republicano Rand Paul, afirmou recentemente que dorme com uma arma carregada debaixo da almofada, como precaução contra "pessoas desiquilibradas" que são incitadas pelos democratas a assediar os legisladores republicanos (12) E Susan Collins, a corajosa senadora republicana do Maine, cujo voto permitiu a Kavanaugh a confirmação como juiz do Supremo, tem neste momento uma escolta de segurança que a acompanha nas suas actividades profissionais e pessoais, tanto em Washington como no estado que representa (13).

Um relatório completo e em constante actualização dos actos de violência e intimidação perpetrados contra republicanos e apoiantes de Trump - e sancionados pela imprensa - pode ser encontrado aqui.
A soma vai em 594 registos. Este relatório inclui 101 incidentes violentos contra seres humanos (incluindo crianças) e 43 episódios de vandalismo, destruição de propriedade e incêndios criminosos.
Se seguirmos o princípio normativo de Murphy, o mais provável é que um evento deste tipo, num futuro mais próximo do que julgas, pacífico leitor, desencadeie um conflito armado de largas proporções. Lembro que a guerra da independência americana começou oficialmente com um tiro apenas, disparado acidentalmente por um artilheiro do exército inglês. (14)


Enquanto isto, a Google entretém-se com briefings internos que evangelizam a "boa censura", explicando aos seus quadros que, devido a uma variedade de fatores, incluindo a eleição do presidente Trump, a tradição americana de liberdade de expressão na internet é inviável (15). A não ser, claro, que essa liberdade de expressão seja interpretada pelas turbas radicais de esquerda cujas acções de vandalismo e intimidação apenas cumprem um "direito constitucional", de acordo com a CNN. Num recente painel desta estação de propaganda da nova esquerda americana, alguém manifestou esta simpática opinião sobre Kanye West, um rapper que apoia publicamente Trump: "He is what happens to negroes when they don't read." (16)

Nem sei se vale a pena fazer notar que esta é, na forma e na substância, uma das acusações mais profundamente racistas que podem ser feitas a alguém, na medida em que implica, por exemplo, que um negro que não lê tem que ser um imbecil - por oposição a um outro ser humano de outra raça qualquer, que apesar de não ler, não será tão imbecil assim.

É, porém, bastante óbvio que o insano clima de confronto que se vive do outro lado do Atlântico não é da exclusiva responsabilidade da esquerda. Trump, com as suas declarações boçais e os seus tweets tão virulentos como desnecessários, não ajuda nada. E os micro-organismos de atavismo racista e de extrema direita, sem bem que esporádicos, não deixam de se manifestar, apesar de serem tratados com um nojo pela imprensa mainstream que é completamente diferente da usual legitimação que é proporcionada a movimentos radicais de sentido ideológico oposto, como a Antifa, por exemplo. 

De qualquer forma, a direita americana não parece, de uma maneira geral, tão virulenta como a esquerda. Muito por uma razão óbvia: a população civil de direita está armada. Principalmente no interior e no sul do continente, onde a posse de armas faz parte integrante da cultura e do costume da república. E a eloquência das armas não precisa de slogans, nem de comícios, nem de conferências de imprensa, nem de loops noticiosos, nem de redes sociais.

Dennis Prager, o eminente fundador da PragerU, afirma, numa das citações com que iniciei este texto, que a segunda guerra civil americana já começou (17). Mas argumenta também que se trata de uma guerra cultural e não bélica. Vamos esperar que assim se mantenha. Por muito feia que seja, é preferível à outra. Com milhões de mortos nas trincheiras das ideologias radicais.

 
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(1) - The Terrifying Story of the Congressional Baseball Shooting - The Washingtonian
(2) - Beyond the rudeness of current political discourse - The Washington Times
(3) - Bringing a gun to a knife fight - Snopes fact Checker
(4) - Actress Lea DeLaria says she wants to 'take out' Trump supporters with baseball bat - Fox News
(5) - Controversial photo of Kathy Griffin holding a fake severed head of Donald Trump - The Mail Online
(6) - Maxine Waters Tells Supporters to Confront Trump Officials - Time Magazine
(7) - The list of Trump White House officials who have been hassled over administration policy  - USA Today
(8) - Sen. Cory Booker Pleads for Supporters to 'Get Up in the Face of Congresspeople - Fox News
(9) - Castro Valley man allegedly cursed Trump, tried to stab GOP congressional candidate - San Francisco Chronicle
(10) - Susan Rice's Republican son assaulted at Kavanaugh rally - The Washington Times
(11) - Kavanaugh protestor: “I’d shoot that motherfucker in the face. Trump too" - Bre Payton Twitter page
(12) - 'I sleep with a loaded gun': Rand Paul's wife afraid of 'unhinged' people goaded by Democrats - RT
(13) - Police boost security, escort Sen. Collins at Capitol - Portland Press Herald
(14) - The American Revolution begins - The History Channel
(15) - Leaked Google research shows company grappling with censorship and free speech - The Verge 
(16) - CNN Panel: ‘Kanye West Is What Happens When Negroes Don’t Read,’ -Accuracy in Media
(17) - America’s Second Civil War . The Dennis Prager Show

quarta-feira, outubro 10, 2018

Hillary Clinton mostra quem é.

Neste excerto de uma entrevista concedida depois da vergonhosa derrota dos democratas no vergonhoso processo que procurou, sem sucesso, impedir o juíz Kavanaugh de ascender ao Supremo Tribunal americano, Hillary mostra bem quem é e a que ponto chegou a polarização e a violência verbal (e não só verbal) da vida política americana. Não conseguindo disfarçar o rancor e o ressentimento de sucessivos e gigantescos fracassos, esta triste e amarga e irresponsável criatura afirma, com a maior cara de pau deste mundo, que os republicanos não podem nem devem ser tratados com civilidade. Que a civilidade só será possível quando os democratas tiverem maioria numa das câmaras.
Incrível. E triste como o diabo.

Uma máquina de fazer rock.

Os Nothing But Thieves estão de regresso com Broken Machine. Apesar do nome do disco (e do tema de que faço post), esta espectacular máquina de fazer boa música não está avariada. Nem pouco mais ou menos.



Nothing But Thieves . Broken Machine (Stripped Version)

Um discurso para Setúbal - Stand



Concept: partícula . átomo criador
3D Rendering: David Cardoso

quinta-feira, outubro 04, 2018

Tender, antes de toda a ternura.

A minha declaração de amor a esta banda extraterrestre está aqui escrita, na presunção da sua permanência.
Não costumo dedicar os meus ocupados ouvidos com EP's porque as músicas que são libertadas antes de perfazerem um disco inteiro, para mim, são uma espécie de spoiler da coisa grande que será parida a seguir.
Ainda assim, e porque fui emocionalmente alertado para o facto dos Tender terem uma música nova a bombar por aí, aqui fica ela. Porque é bela. E porque a minha atenção foi bem acordada.



Tender . Handmade Ego

terça-feira, outubro 02, 2018

Haikus da Baía #04



Não há borbulha que sobreviva
a um mês de sol.


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Mesmo quando a guerra não estala,
a paz é efémera.


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Um dia mais fresco.
É o verão que se despede
ou Deus que ligou
o ar condicionado?


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A minha cabeça não para.
Principalmente quando decido
tirar férias dela.


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Preciso de ser racional.
Mas prefiro a emoção
deste fim de tarde.


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O que distingue o Sapiens
dos outros bichos:
percebemos que há música
entre o ruído do mundo.


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Um haiku por dia
explica a gramática da Baía.


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A cólera transforma o homem
como o sol poente incendeia a paisagem.


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Uma garrafa de scotch meio vazia
tem esta virtude:
o bom senso do sono.


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Regresso à cidade.
Depois do sossego da baía,
as avenidas aos gritos.


Alexandro, o Grande.

Alexandro Valverde sagrou-se ontem, com 38 anos, campeão do mundo de ciclismo de estrada. Aqueles que gostam e seguem a modalidade sabem bem que este não é um atleta qualquer. Nobre e incansável lutador, trepador explosivo e leal líder da Movistar, Alexandro é aquele tipo de herói desportivo que, mesmo nos piores momentos, nunca perde a face.
Apesar de ter ganho apenas uma das 3 grandes voltas do circuito internacional, a Vuelta de 2012, terminou no pódio destas competições por 8 vezes e tem um palmarés que fala por si próprio: com 16 anos de carreira profissional, somou 122 vitórias, conquistando títulos sucessivos em grandes provas do calendário da UCI, como o Critério Dauphiné (2 vitórias), a Fléche Valogne (5), a Liège–Bastogne–Liège (4) ou a Volta à Catalunha (3), tendo sido campeão espanhol de estrada por duas vezes e de contra-relógio por uma vez, entre muitos outros êxitos. Entre muitas outras épicas corridas.
Com esta vitória monumental, Alexandro poderá decidir terminar a sua carreira em beleza. O que é uma pena. As estradas nunca mais serão as mesmas sem ele.

Sobre estes campeonatos do mundo, tenho ainda que destacar aquele que considero ser, actualmente, o ciclista mais completo e espectacular do pelotão internacional: Tom Dumoulin. Depois de ser segundo no Giro e segundo no Tour, o holandês veio aos campeonatos do mundo disputar as provas de contra-relógio por equipas, contra-relógio individual (provas que tinha vencido em 2017) e de fundo. Com a determinação que se lhe reconhece, lutou até ao fim pelos três títulos. Nos contra-relógios ficou em segundo e na prova de fundo em quarto (com o mesmo tempo dos ciclistas que compuseram o pódio). Há quem diga que Dumoulin acabou por falhar todos os objectivos da época. Eu, que adoro ciclismo, acho que Tom Dumoulin fez uma época absolutamente brilhante.

Quanto aos portugueses, os resultados não foram maus de todo: Nelson Oliveira fez quinto no contra-relógio e Rui Costa foi décimo na prova de fundo, tendo feito uma excelente prova, sempre posicionado entre os candidatos à vitória até à última subida, demasiado íngreme para favorecer as suas características naturais.

Os campeonatos do mundo fecharam mais uma época vibrante. Para o ano há mais.

segunda-feira, outubro 01, 2018

Who Needs Feminism?



There’s no easier way for a public figure to evoke the media’s fury than to announce he’s not a feminist. But in this video Andrew Klavan, best-selling author and host of The Andrew Klavan Show announces he’s proudly anti-feminist. No, Klavan doesn’t “hate women,” he just hates that modern feminism has bullied us all into accepting the obvious and harmful lie that men and women are more or less the same.

Scriptorium #03





Janice Fiamengo on the Mob Justice of #MeToo

Prof. Dr. Janice Fiamengo is a professor in english studies at the University of Ottawa. In this talk from Dec, 2017 at the Canadian Association for Equality, she talks about the problems of the #MeToo movement and feminism.


Dia ou noite?

Dependendo caprichosamente das terráquas
elipses,
o sol e a lua podem sofrer dos mesmos e exactos
apocalipes.

Não é a União Europeia que sobre a luz
decide:
É dia ou noite sempre que um astro com o horizonte
colide.



domingo, setembro 30, 2018

sexta-feira, setembro 28, 2018

Que grande som, bom deus.

Estou a ficar completamente apanhado por estes rapazinhos do tufão. Essa é que é essa. Reparem bem no que acontece ao segundo 47 desta música. Algo de explosivo. E sublime.



Typhoon . Remember

quinta-feira, setembro 27, 2018

Haikus da Baía #03


Quando o sol da tarde
atormenta a falésia
até as moscas fazem a sesta.


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O sol esconde-se por trás do promontório
e a tarde pacifica-se.
Aprecio a primeira brisa fresca do dia e,
por um momento,
acredito em deus.


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Iates elegantes traçam de espuma
o indolente oceano.
A natureza gosta de máquinas.


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O homem existe para que a natureza
tenha espectadores.


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A minha caligrafia é tão pobre
que até à tinta deve dinheiro.


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Todos os castelos são altivos.
Até a corveta
fica em sentido.


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O sossego da baía é mais perturbado pelos aviões
que pelas traineiras.


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A minha cadela adora a falésia.
Os cães - como as pessoas - gostam de liberdade.
E de jardins.


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O jacto da Força Aérea desenha traços sobre o infinito.
São efémeros como os reactores.


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Uma doca é um parque de estacionamento
com paisagem.


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Comprei uma Bic no supermercado
a pensar que o supermercado vendia
as mesmas bics da minha infância.
A ingenuidade fica rapidamente
sem tinta.


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Os insectos são atraídos pela luz
como os homens são atraídos pelo mistério.


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Uma qualidade que o dinheiro tem:
nunca prolonga a sua visita.


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Lua cheia.
Há dias com menos luz.

segunda-feira, setembro 24, 2018

O Ataque dos Caranguejos Mutantes


Aparentemente, uns caranguejos agressivos à brava estão a invadir a costa nordeste dos Estados Unidos. São muitos, são verdes, são antipáticos e trazem bastante apetite.

Não sei porque razão é que isto é algo de estranho ou sensacional. As espécies animais (e muitas das vegetais também) migram e mutam em função das circunstâncias. São endémicas. São predadoras. São agressivas, quando a agressividade é necessária à sobrevivência. São especialmente agressivas quando colonizam novos habitats, precisamente por terem que conquistar territórios e alimento a outras espécies já confortavelmente instaladas. Têm ciclos de explosão demográfica e outros de depressão demográfica que são correlativos a variações nos seus ecossistemas, que podem ter a ver, por exemplo, com a quantidade disponível daqueles sobre os quais exercem caça ou com a quantidade ameaçadora daqueles que os caçam.

Os caranguejos mutantes e mal criados e esverdeados de mau feitio foram parar às burguesas praias do Maine com a naturalidade de quem faz as malas à procura de melhor vida. Todos os animais fazem isto. Os animais portugueses, por exemplo, fizeram isso em larga escala, há uns séculos atrás e também houve agressividade (não tanta como se enche para aí a boca), mutação genética (os portugueses misturaram-se basicamente com toda a gente que encontraram) e alteração no tom de pele (com direito a insolações de vária ordem). O balanço desta migração foi bastante positivo e acabou com os japoneses a aprenderem a mais elementar norma da boa vida em sociedade: saber dizer obrigado.

Os caranguejos feios e esfomeados e mal dispostos, que estão a retirar à upper class de Nova Iorque os prazeres do fim do verão, podiam, tanto quanto se sabe, ter invadido as praias de Massasuchetts ou de Dellaware ou da Virgínia do Sul. Nada na verdade se conhece sobre os seus últimos motivos. Se calhar até desceram ao Maine na perspectiva de deglutirem saborosos dedos de crianças humanas, o que é um projecto gastronómico tão apelativo - e substantivo - como qualquer outro, principalmente quando és um caranguejo da Nova Escócia com o estômago a dar horas.

Isto está tudo muito bem e é da natureza das coisas. O que não é da natureza das coisas é o tratamento noticioso que se dá a esta não notícia (que interessa ao leitor português saber que o veraneante do Maine está às voltas com uma praga de caranguejos?): é claro que se os caranguejos mutantes estão a infestar as praias do Maine a culpa tem que ser das alterações climáticas (agora já não se diz aquecimento global). E do respectivo aumento da temperatura das águas do Atlântico norte. É claro. Nem interessa de facto se as águas estão factualmente a ficar mais quentes ou se os caranguejos migrariam na mesma com águas mais frias. As alterações climáticas são responsáveis pelo apocalipse zombie e pela incompetência da Protecção Civil. São responsáveis pela corrupção em Wallstreet e pelo actual encarceramento de Lula e pelo futuro encarceramento de José Sócrates. São responsáveis por todas as injustiças, fomes, guerras, apogeus e quedas, martírios e genocídos da vil história da humanidade. Se o vinho não presta a culpa é das alterações climáticas. Se a alface tem lesma, se a fruta tem bicho, se a batata não tem sabor e a carne do lombo é difícil de mastigar, a culpa é das alterações climáticas. Se o teu telemóvel avaria, se o carro fica sem bateria, se Trump foi eleito, se o Brexit corre sem acordo, já se sabe: são os efeitos nefastos das alterações climáticas (aquelas alegadamente produzidas pela actividade humana, porque as outras não existem).

E se assim é, que raio, as alterações climáticas têm que ser obrigatoriamente a razão maior da migração do infame crustáceo.

É de facto e até provável que os monstruosos caranguejos tenham viajado até ao Maine porque o clima lhes agrada mais aqui do que mais a norte. Mas isso é completamente normal. E a migração é tão recente que não há estudos, não há prova, não há argumento científico que possa justificar a afirmação.

Mas sem essa afirmação, a não notícia não seria noticiada. E é assim que funciona o jornalismo.
O pior é que, pelos vistos, é também assim que está a funcionar a ciência.

Genius alert: Typhoon.

O meu amigo Carlos Rafael já me tinha alertado para estes senhores, aqui há uns dois ou três meses atrás, mas eu sou um cabeça de vento (é dizer pouco) e demorei a chegar aqui. Typhoon. Ainda só ouvi duas músicas do álbum "Offerings", mas atenção, muita atenção: está aqui uma grandessíssima banda.



Typhoon . Rorschach

domingo, setembro 23, 2018

Frase do mês.

"The reason you have memory isn't to remember the past. The reason you have memory is to not do the same stupid things again in the future."

Jordan B. Peterson

Não dá para ignorar Jordan Peterson.

Por causa do lançamento em português das 12 Rules For life, o Observador descobriu ontem o Jordan Peterson. Eu, que já ando para aqui às voltas com ele há que tempos e que li o livro em inglês, fiquei feliz por saber que em Portugal já se percebe a importância decisiva da palavra deste homem, um gigante na defesa dos valores ocidentais e judaico-cristãos.

Só em Portugal é que Peterson é um personagem mais ou menos obscuro. O homem é hoje, na América do norte e por quase toda a Europa ocidental, uma espécie de estrela rock da filosofia: o livro que o Observador destaca é, neste momento, o título mais vendido no mundo, o autor enche arenas que são conhecidas por se destinarem a concertos, é constantemente citado e analisado e aplaudido e aviltado na imprensa, o seu canal no Youtube tem milhões de seguidores, as suas palestras, longas e densas e extremamente populares (principalmente junto dos jovens), estão a mudar o que pensávamos sobre a lógica das audiências e o seu papel como líder da Intellectual Dark Web e de um movimento não orquestrado de protesto contra (e refutação das) políticas de identidade é reconhecido até pelo intratável e execrável New York Times.

Jordan B. Peterson é actualmente o intelectual mais influente no mundo civilizado. Ponto.

A propósito desta descoberta do Observador, deixo aqui um excerto da entrevista que o Professor de Toronto concedeu muito recentemente ao londrino Brian Rose. A entrevista é, tipicamente, poderosa e o vídeo tem uma introdução muito rápida que descreve o trajecto deste incrível, genial e corajoso psicólogo-filósofo.


sábado, setembro 22, 2018

Agora ou nunca ou as duas coisas ao mesmo tempo.

Now or Never. Com um tema apenas, os We Are Scientists criam uma espécie de superposição quântica, que resulta em duas canções fabulosas.

Primeiro, a posição acústica:



Depois, a posição eléctrica:



São duas coisas tão diferentes e tão iguais e tão poderosas que até arrepia.