No mesmo momento em que Elon Musk montou o circo para mostrar um Tesla que faz espalhafatosas piruetas aéreas, na Europa a Citroen decidiu revelar o seu 2CV eléctrico, que é a coisa mais gay e disparatada alguma vez vista.
Acto contínuo, as contas de rede social de uma certa direita norte-americana - e não só - que funcionam intencional ou inadvertidamente como canais de propaganda do Regime Epstein, começaram a colocar memes comparando a glória do Tesla voador com a miséria franciscana do 2CV maricas.
É claro que o eléctrico francês é, para além de miserabilista, ridículo, e nem é preciso dizer mais nada sobre esta coisa, que não chega sequer a ser um automóvel. Mas o eléctrico norte-americano é, simétrica e completamente uma idiotia. Um carro eléctrico com foguetes? Um automóvel que dá pinotes e cambalhotas acrobáticas? Para além de alguns bilionários que não tenham mais que fazer ao dinheiro, para que é que serve esta merda? Vais saltar por cima do trânsito? Boa sorte na aterragem. Vais voar para o emprego? Nenhum país civilizado vai autorizar isso. Vais fazer exactamente o quê, com esta aberração?
Deslocar umas clavículas ou partir o pescoço.
Para além do mais, como muitos dos projectos sonhadores de Musk, a manobra publicitária não passou disso mesmo. Um espectáculo para os accionistas. Ninguém sabe quando é que esta geringonça maluca vai ser colocada no mercado e com certeza não será armadilhada com os propulsores a gás frio da Space X.
Ou seja: Tanto o Tesla Roadster como o Citroen 2 CV são na verdade subprodutos da mesma civilização declinada e falaciosa, tecnologicamente deficitária, mas orientada para o espectáculo alucinatório com que hipnotiza as massas. Porque a caixa de sabão sobre rodas dos franceses também é uma psyop, se quiserem: uma forma de obliterar o passado em nome de valores liberais de inspiração transformista.
A verdade é esta: estes subprodutos dos dois lados do Atlântico têm muito mais em comum do que aparentam à percepção vesga da tribo MAGA e da manada WEF. São duas faces da mesma desvalorizada moeda.
Segundo os números da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis, a Jaguar vendeu apenas dois veículos no período entre Janeiro e Agosto deste ano. A filosofia woke levou à ruína uma das mais prestigiadas marcas da indústria automóvel europeia.
Depois de uns bons seis meses sem publicar um piu que fosse, o mais popular comentador de F1 de todos os tempos regressou. Para aniquilar Charles Leclerc.
E reparem bem neste detalhe delicioso, incluso no clip.
Anos 80. Stephan Rozer pega num Porsche 911 CTR Yellow Bird preparado pela lendária RUF e decide-se a duas consecutivas tentativas de suicídio no Inferno Verde.
São 469 cavalos para 1200 quilos, sem electrónica e com um twinturbo que demora uma eternidade a disparar mas quando dispara é para ficares com as costas no banco de trás.
Sem capacete, sem luvas e nem sei se o homem tinha o cinto de segurança apertado. É só mãozinhas e tomates.
Nas curvas para a direita, Rozer vira mais para a esquerda, e vice-versa, num incrível trabalho de contrabrecagem e domínio absoluto da besta, mesmo quando a besta passa metade do tempo inclinada para o lado errado da estrada.
Verdadeiramente impressionante, esta merda, poça...
ContraCorridas: No rali da Polónia tens que aprender a carregar no
acelerador mesmo quando todos os teus instintos te dizem que o melhor é
teres juízo. Diversão à parte, o resultado, porém, nem sempre é
gratificante.
Quem segue, mesmo que distraída e casualmente, a primeira competição automóvel da FIA já percebeu a controvérsia, mais que justificada, sobre as regras, a tecnologia e a lógica de corrida da época de 2026.
O primeiro facto que tem causado alguma perturbação nos fãs é que os carros mal precisam de ser conduzidos e ultrapassam-se loucamente em função do carregamento das baterias, mais do que como resultado de qualquer outra variável.
Para se ter uma ideia de como os pilotos são desvalorizados na F1 actual, este gráfico é precioso: Lewis Hamilton não trava uma vez durante todo o segmento mais rápido de Silverstone, que ainda assim tem 9 curvas e constitui 55% da extensão do circuito: são 3,2 quilómetros sem tocar no travão, num circuito com 5,9 quilómetros.
Actualmente, de cada vez que um F1 ultrapassa outro F1, várias coisas disparatadas podem acontecer. O ultrapassado volta a ultrapassar quem o ultrapassou, imediatamente, como se nada fosse; ou fica dramaticamente para trás como um carro de outra classe, numa corrida de resistência. O ultrapassante que agora vai rápido, será lento depois, quando a carga eléctrica acusar a ousadia do piloto, isto se entretanto a sua própria box não lhe destruir a corrida com uma decisão de categoria subsapiens (a Ferrari tem um manual sobre essa arte).
No meio desta conspiração de estúpidos, o espectador fica sempre sem saber se Leclerc ultrapassou Russel porque o piloto 'tem mais braço' (ou mais coração), porque tinha melhores pneus, um motor superior, melhor aerodinâmica, mais eficientes travões ou muito simplesmente porque o francês conduzia uma bateria feliz. Que daqui a nada será triste, quando o britânico que andou a poupar energia tiver electricidade para gastar à farta.
Como resultado, os carros são bem mais lentos, a orquestra sinfónica que traziam nos cilindros passou a quarteto de cordas e as corridas, um estranho caos de histerismo constante e aborrecimento terminal com 5 ultrapassagens por minuto, que são tudo menos orgânicas, num teatralizado jogo de faz de conta. Dá a sensação que até mesmo os pilotos que estão a ganhar grandes prémios convivem mal com o facto de saberem que é a gestão do artefacto híbrido, mais do que qualquer outra variável, que lhes garante os triunfos.
A diferença contemporânea entre a Fórmula 1 e a Fórmula E é que a fórmula 100% eléctrica sempre faz algum sentido.
Aquela que devia ser a modalidade mais emocionante e competitiva e espectacular da FIA transformou-se num exercício de poupança de energia, como um jogo didático para crianças, produto típico da propaganda regimental.
E sem necessidade nenhuma, porque as tecnologias de motorização híbrida funcionam lindamente e há muito tempo no WEC (mundial de resistência), por exemplo, e nem são novas na F1. O problema, claro, está nos regulamentos.
Mas para além das normas e da forma como condicionam a tecnologia e manipulam parvamente o espectáculo automobilístico, há algo insidioso e talvez até mais perturbador que está a acontecer com a modalidade, como muito bem nota o simracere também piloto profissional Jimmy Broadbent, no sensato e pertinente clip que deixo em baixo: Com a entrada da Netflix e a concomitante intrusão da cultura das celebridades no circo da F1, de que deriva também a obsessão pela criação de conteúdos, mediaticamente plastificados ao gosto de Hollywood e Silicon Valley, perdemos muito mais do que ganhamos.
Porque se é verdade, indiscutível, que a F1 ganhou audiências nos últimos dez anos, a qualidade do espectáculo desportivo tem regredido no quadrado desse expoente. E o ganho de audiências não significa necessariamente um ganho de fãs.
Como hoje acontece com o Futebol, boa parte do público que agora adere à F1 nem tem grande conhecimento do legado histórico e técnico da modalidade, ou paixão pelo automobilismo. Os media disseram-lhes para consumir o produto e as massas consomem-no, porque sim, porque é o que fazem para entreter o vazio de significado. E por causa do Brad Pitt.
Se acrescentarmos ao quadro as máscaras e os protocolos Covid e os joelhos no chão e o triunfo woke de 2020/2021, a crescente obsessão com a segurança (ignorando que a redução do risco implica simetricamente um deficit na recompensa) e a total ausência de carisma dos pilotos (com excepções, ainda que raras, como Fernando Alonso, Kimi Räikkönen ou Max Verstappen), percebemos que algo está putrefacto no reino da Liberty Media, a empresa norte-americana que para todos os efeitos é dona da F1 desde 2017, ou seja, precisamente a época de declínio de que estamos a falar.
À gauche : James Hunt, pilote de Formule 1 en 1976.
À droite : Lewis Hamilton, pilote de Formule 1 en 2026.
— Le Contemplateur (@LeContempIateur) June 8, 2026
Na verdade, e concluindo, aconteceu e está a acontecer com a F1 o que na verdade aconteceu e está a acontecer com tudo aquilo que já foi glorioso no Ocidente, no largo espectro que vai de Homero a Enzo Ferrari: as elites da classe Davos e as elites da classe Epstein tomaram conta e estragaram tudo.
Esta entrevista de longo formato a Nico Rosberg é, para quem é fã do grande circo da Fórmula 1, deveras elucidativa. Nico é um millenial típico, carregadinho de fragilidades, e entrou para a panela de pressão da primeira categoria do automobilismo muito novinho. Foi um pesadelo do princípio ao fim. E as histórias que conta, que não são comuns de ouvir, falam gritantemente sobre o ambiente feroz e a obsessão competitiva, de ordem claramente patológica, que se vive nos bastidores e nas boxes, entre pilotos, engenheiros e patrões, e que transforma a modalidade automóvel num inferninho sem nome.
A Ferrari decidiu seguir o exemplo suicida da Jaguar, e construiu um
eléctrico gay, desenhado por um odiado designer da Apple, que é tudo
menos um Ferrari. O modelo foi recebido com uma onda de críticas ferozes
por parte de fãs, investidores e figuras públicas.
O automóvel, que já foi um símbolo da liberdade e independência, está a
transformar-se rapidamente numa jaula de alta tecnologia que observa
todos os movimentos do condutor e pode anular as suas decisões arbitrariamente.
O seu carro vai deixar de ser seu.
A Ferrari decidiu seguir o exemplo suicida da Jaguar, e construiu um eléctrico gay, desenhado por uns rapazinhos da Apple, que é tudo menos um Ferrari. Não mostro o resultado, que é obsceno. Mostro um dos muitos memes, que é delicioso (principalmente para a malta como eu que trabalha com um rato Apple wireless que foi tão bem pensado e desenhado que tem que ficar inactivo, de pernas para o ar, enquanto é carregado).
O assunto merecerá um texto mais substantivo, a curto prazo. Por enquanto, e para se aperceberem da reacção da malta a esta abominação, aconselho-vos a visitarem os comentários ao post de lançamento do modelo, aqui. Não vão dar o tempo por perdido.
O post em causa tem, no momento em que escrevo estas linhas, 575 gostos (!) e milhares de memes.
ContraCorridas: Três corridas giras com finais felizes, em Nurburgring
(à chuva e sob pressão) e em Tóquio (onde deves mostrar o samurai que há
em ti); e um contra-relógio menos mau em La Sarthe (às escuras).
O Rocket Powered Mohawk é absolutamente brilhante, como podcaster, comediante, comentador, crítico - chamem-lhe o que quiserem -, mas acima de tudo é uma faca muito bem afiada que rasga os intestinos dos poderes instituídos com invulgar eficácia. Reparem na forma como que sugere, assertivamente, que a FIA está neste momento a operar com uma sucursal das elites globalistas, tentando enganar os fãs da F1 com um modelo falsificado de competição e censurando-os quando se apercebe que ninguém está a cair no logro. O modus operandi é completamente decalcado do Regime Epstein que impera por todo o Ocidente: destruir, mentir, reprimir. Repetir.
ContraCorridas: Se é verdade que enquanto estás a andar de lado não
andas para a frente, a gravilha do rali da Austrália aconselha a que se
dê alguma liberdade à inércia. Mas nesta virtual dança do pó, é bom que
saibas identificar os teus próprios limites.
Esta é a história, trágica e rocambolesca, que se fosse contada seria
desacreditada, da amizade entre um mestre das corridas, Dale Earnhardt
Sr., e o seu discípulo, Michael Walltrip, e do preço fatal que o
primeiro pagou, pela glória do último.
ContraCorridas: Celebrando a primeira corrida da vida real do célebre e
simpático sim racer Jimmy BroadBent, mimetiza-se virtualmente esse
iniciático momento, recorrendo ao Assetto Corsa.
ContraCorridas: Quatro episódios em que um anónimo e modesto Sim Racer
faz da tripas coração para sobreviver aos desafios da competição
virtual. Não é fácil. Mas é deveras divertido.
ContraCorridas: o Grupo B constituiu o apogeu, se bem que trágico, do
Mundial de Ralis. Uma revisitação dessa era, ao volante virtual do
icónico Audi Quattro S1, pela serpentina de Fafe, o mais célebre troço
do Rali de Portugal.
O blog está parado desde domingo porque tive que ir cumprir certos compromissos a Lisboa e aproveitei, agora que tenho divisões no apartamento que não são utilizadas porque já não vivemos lá, para montar a slot. Como é bom de ver, a coisa está longe de ser definitiva (já montei pistas bem mais bonitas, na verdade) e precisa ainda de muito trabalho não só no lay-out do circuito como na cosmética cenográfica, mas é giro mesmo assim...
Quero dizer, é giro para a criança que ainda vive em mim.