quinta-feira, dezembro 31, 2020

Mensagem de Ano Novo para os académicos de todo o mundo:

Em vez de doutrinarem as criaturas em marxismo, ódio racial, ódio sexual e apocalipses climáticos, ensinem as matérias que são pagos para ensinar. Ensinem história se ensinam história. Ensinem filosofia se ensinam filosofia. Ensinem matemática se ensinam matemática. Não tentem educar as massas (a educação é tarefa dos pais e não dos professores) nem preparar os revolucionários do futuro (porque é muito provável que os revolucionários do futuro acabem por levar-vos à guilhotina que vocês ajudaram a montar). Parem já com o revisionismo histórico e a reinvenção do materialismo dialéctico e limitem-se a papaguear os ensinamentos que outros mais elevados seres humanos deixaram como legado e que vos cabe apenas repetir. De resto, refastelem-se nos vossos confortáveis e barrigudos estilos de vida e agradeçam esses privilégios aos deuses - que vos permitem a desnaturada existência, e à sociedade - que vos paga a alta burguesia.

quarta-feira, dezembro 30, 2020

Mensagem de Ano Novo para as elites de todo o mundo:

Se têm ideias para mudar a sociedade, submetam-nas ao voto. E depois logo se vê se a malta gosta das vossas ideias ou nem pouco mais ou menos. Caso contrário, Bill Gates de todo o mundo, façam o favor de ir bardamerda.

Mensagem de Ano Novo para os jornalistas de todo o mundo:

Reportem os factos e deixem as opiniões para quem tem estatuto e inteligência para ter opiniões. E aprendam código, para que o dinheiro dos meus impostos não sirva para subsidiar a vossa desgraçada condição de inaptos tecnológicos e mentirosos profissionais.

Mensagem de Ano Novo para os técnicos de saúde de todo o mundo:

Parem de se armar em vítimas, parem de exigir confinamentos, parem de ensaiar coreografias complicadíssimas para brilharem no Tik Tok e façam a merda do vosso trabalho. E façam-no o mais silenciosamente que vos for possível, ò cambada de párias.

quarta-feira, dezembro 23, 2020

Homilia de Natal #08

"Those who would give up essential liberty to purchase a little temporary safety deserve neither liberty nor safety."
Benjamin Franklin
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Nem imaginas a sorte que tens
por teres nascido quando nasceste. Foste poupado a guerras de cem anos e a fomes generalizadas, pragas épicas (daquelas a sério, que levavam 30% das almas para o inferno), e vilanias e padecimentos de toda a ordem que tornavam a vida perigosa e bastante desagradável aos azarados que nasceram um século ou dois antes de ti, se, para efeitos retóricos, for necessário recuar assim tanto no tempo.

Ainda por cima, pariram-te em Portugal, praia ocidental solarenga e pacífica, onde não se exige grande coisa de ti para além do voto no partido socialista; território condescendente perante as tuas falhas de carácter, as tuas preocupações despreocupadas, as tuas preguiças de estimação, as tuas eruditas opiniões sobre ti próprio e os teus  ignorantes conceitos sobre tudo o resto e as tuas iludidas certezas sobre o futuro e onde consegues ainda comer e beber como Pantagruel no paraíso.

E repara que basta alterar um dos factores que fazem brilhar a tua boa estrela para que as coisas se compliquem dramaticamente. Por exemplo, se tivesses nascido no mesmo dia e na mesma hora em que nasceste mas na Libéria em vez de Portugal, é garantido que os teus problemas existenciais, tanto como os teus nobres ideais humanistas, sofreriam muito provavelmente um radical desvio pragmático.

Na mesma linha de raciocínio, se tivesses persistido no luso berço, mas fosses aparecido no século XIX, o destino que te ia muito provavelmente calhar na lotaria ontológica seria o de escravo rural, analfabeto miserável e insignificante, servo da gleba pós-medievo num país muito marginal, muito pobre, muito ignorante e em constante guerra civil.

Como vês, até para ser um sapiens tão normalóide e insignificante e insubstancial como tu, é preciso ter nascido com o cu bem viradinho para a lua.

Felizmente para ti, não precisaste de morrer com as tripas de fora numa trincheira do inferno da Flandres de forma a garantir que os teus filhos e os teus netos permaneçam dentro do quadro material e cultural da civilização mais bem sucedida da história universal dos parcos e difíceis sucessos do homem.

Felizmente para ti, não foi necessário matares ninguém para te libertares dos diversos jugos, das incontáveis vilanias, das indescritíveis injustiças que preenchem a tinta vermelha a cronologia hominídea. 

Felizmente para ti, nunca serviste no Arquipélago Gulag. Nem nunca tiveste que escoltar os judeus ao duche. Não foste vítima nem carrasco, nem culpado nem inocente caíste no tenebroso palco de horrores com que os deuses se divertiram connosco, durante séculos e séculos sobre séculos. Não foste chacinado por tártaros, escravizado por cartagineses, espoliado por romanos ou pirateado por vikings. Não dependes de boas colheitas para atafulhar o frigorífico e não se crucificam pessoas no mercado do teu bairro e a tua mulher não tem que andar na rua enfiada num saco negro e o teu marido não tem que manter um impossível harém de gajas que estão ali apenas para serem fornicadas (pesadelo sensual e logístico do caraças).

Felizmente para ti, não sujaste as mãos na lama da história. Mas podias ao menos aprender com ela. Podias ao menos mostrar alguma gratidão por aqueles que te deram o direito, que te deram a liberdade e que criaram, com suor e sangue e lágrimas e sofrimentos que não sabes imaginar, as condições inauditas de prosperidade, segurança, conforto e acesso ao conhecimento que tu tens agora.

E assim, iludida criatura, sempre que fragilizares, recusares e traíres a civilização em que foste criado, assegura-te que outra existe que te dê aquilo que estás  a entregar desbaratadamente. Assegura-te que o sítio para onde te levam os teus queridos líderes, no grande salto progressista e ecológico e higienizado e equalizador e politicamente correcto que querem que tu dês, não é apenas e como quase sempre, mais um campo de concentração.


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"And if you think tough men are dangerous, wait until you see what weak men are capable of.”
Jordan B. Peterson

Xmas Sound Track #06

 

Bear's Den + Paul Frith
. Crow . Fragments

To The Lake ou a série anti-Marvel.

A melhor série televisiva deste ano epidémico tinha que ser um série apocalíptica, infelizmente. Mas felizmente, é russa. Ou seja, declina os tiques politicamente correctos e vai em frente com a vontade de contar uma história no sentido clássico do termo. Com personagens que não pertencem ao universo esquizofrénico e artificial de super-heróis ou de justiceiros sociais ou de transexuais ou de neo-marxistas com vontade de mudar o mundo para muito pior. Não. Não é disso que se trata. Trata-se de um drama com personagens com que te podes identificar. Podes gostar deles ou não, mas estão carregados de humanidade. São homens e mulheres que já encontraste na vida. Simpatizas com eles. Antipatizas com eles. Como deve ser. Recomendo estes magníficos oito episódios, vivamente, a quem gosta de bom entretenimento. Porque foi para criar bom entretenimento que foi inventada a televisão.

segunda-feira, dezembro 21, 2020

Homilia de Natal #06


A campanha mais imbecil de todos os tempos.

Está na rua uma campanha do Ministério da Saúde que bate todos os recordes de estupidez em comunicação. Não me lembro na minha vida de publicitário de nada assim tão néscio.

A mensagem que passa, carregada de um ataque de sinceridade que reflecte o mais completo desprezo pelos direitos e liberdades dos cidadãos - e pela qualidade de vida da população - é a de que os sacrifícios que estamos a fazer, as limitações abstrusas que nos estão a ser impostas, o fascismo a que estamos a ser sujeitos, tem como fundamental razão de ser... O bem estar dos técnicos do Serviço Nacional de Saúde. 

Tudo isto não tem a ver com salvar vidas. E pelos vistos, já nem tem a ver com a salvação do Serviço Nacional de Saúde. Tudo isto tem a ver com o volume de trabalho que o sindicato dos enfermeiros e a ordem dos médicos considera razoável.

Portanto, se em Portugal acontecer, por exemplo, um terramoto devastador, já sabemos que as vítimas do cataclismo têm que aparecer no hospital de forma ordeira e em pequenos grupos, para que médicos e enfermeiros não tenham perturbações no seu calmo e natural fluxo de trabalho.

Se o país se vir envolvido, num futuro mais ou menos próximo, num conflito militar cujo palco inclua o território nacional, os soldados e os civis terão primeiro que pensar em não atafulhar as urgências dos hospitais. 

Se os portugueses forem contagiados por uma doença infecciosa relevante, do género que mate de facto uma quantidade significativa da população, ficam desde já a saber os infelizes infectados que sobretudo devem morrer em casa e, preferencialmente, sem assistência médica, por forma a que a aristocracia clínica não seja sujeita à barbaridade das horas extraordinárias.

Não há nada mais importante que manter os técnicos de saúde felizes, livres de stress e com tempo para cumprirem os seus hobbys. E por isso, eles concedem um agradecimento generoso e altruísta, nesta campanha magnífica.

Sinceramente, não consigo imaginar, por muito que me esforce, que haja gente no mundo assim tão estúpida que aprove uma coisa destas. Se algum efeito vai ter, para além da constatação de que somos governados por atrasados mentais, é precisamente o oposto do que se pretende. É precisamente o efeito de ficarmos ainda um bocadinho mais desconfiados, um bocadinho mais zangados, com os profissionais do SNS.

Homilia de Natal #05

Cancelar o Natal, a liberdade, a prosperidade, o estado de direito e tudo à volta.

 Porquê?

sexta-feira, dezembro 18, 2020

Xmas sound track #03



The Elwins . 1971

Medo de tudo.



Apesar de vivermos sem dúvida na era mais pacífica da história universal do ódio, apesar de residirmos num dos países mais seguros da Europa e da Europa ser o continente mais seguro do mundo, as pessoas vivem embrulhadas em várias e profundas e complexas camadas de medo.
As pessoas têm, por exemplo, medo do sol. Quando chega o verão, escondem-se na sombra e chegam à praia às seis da tarde com largos chapéus metafóricos e abundantes pomadas psico-protectoras para evitarem o cancro da pele e doenças várias e imaginárias sem perceberem que a exposição solar é imprescindível à boa condição clínica da humanidade, que não bomba nada sem vitamina D, um nutriente fundamental para toda a vida mamífera (sim, meus queridos, o sol alimenta).
As pessoas têm, por outro exemplo, medo de morrer. Têm um completo e delirante medo de morrer, que vai aumentando concomitantemente com a idade, o que faz absolutamente sentido nenhum: se é verdade que a experiência conta - e de que maneira - essa virtude só nos ensina a certeza de que se há alguma realmente importante coisa que precisamos de fazer como seres vivos é ter filhos e saber morrer, calmamente, mais tarde ou mais cedo, depois disso.
As pessoas têm medo de ferir sensibilidades e as pessoas têm medo de palavras e as pessoas têm medo da velocidade e as pessoas têm medo de ir aqui e ali por causa disto ou por causa daquilo. As pessoas têm medo de serem ofendidas ou agredidas (para as pessoas é mais ou menos a mesma coisa) e têm medo simétrico de ofender com balas e agredir com substantivos. As pessoas têm medo de beber um copo a mais, têm medo do bife, têm medo do leite, têm medo das galinhas como das sardinhas; têm medo do boletim meteorológico e têm medo de vários apocalipses; apocalipses climáticos, patológicos, sobrenaturais com invasões de extraterrestres ou naturais com impactos meteóricos. Não interessa a fantasia, porque o medo é sempre real: localiza-se na jugular das pessoas e as pessoas não conseguem viver sem jugular e quem tem jugular tem medo. Além disso, todos sabemos ou devemos saber que o medo, em dose sensata, é um instrumento de sobrevivência e até, aqui entre nós, de civilização. Todos sabemos ou devemos saber, que é o medo que faz os heróis. E que dá corpo às grandes rábulas da história e da literatura. E que dá sentido à glória. E que é motor da paz, na maior parte dos casos.
Mais ainda assim, caramba, há um momento em que o medo já não é medo. É cobardia pura e dura.

Homilia de Natal #03


quinta-feira, dezembro 17, 2020

Duas galáxias com estrelas para a troca.

Uma das descobertas mais fascinantes da astronomia contemporânea é a de que as galáxias criam elos de transferência de matéria entre elas e que na verdade o vazio sideral não é tão vazio assim, já que, independentemente dos fluxos de matéria negra que podem ou não transitar no vácuo, o universo é uma rede interconexa de informação. E graças às imagens do Gaia Space Observatory e ao poder dos computadores da European Space Agency, conseguimos visualizar esse constante movimento de conexão intergaláctico. O que vais ver, gentil espectador, é o movimento projectado das estrelas das duas galáxias que estão mais próximas da Via Láctea - a Grande Nuvem de Magalhães e a Pequena Nuvem de Magalhães - nos próximos dez milhões de anos. Nesse movimento é completamente nítida a ponte que existe entre os aglomerados siderais e a troca de estrelas que nesse eixo se processa. São uns poucos segundos apenas, mas são segundos maravilhosos.

quarta-feira, dezembro 16, 2020

Da voz iniciática de Deus e outros comentários ao Genesis.

O Bispo Robert Barron é o meu padre favorito de todos os tempos. E nesta conversa sobre o livro do Genesis consegue até que Michael Knowles, que é um jovem cabotino de mediana esperteza, pareça um gajo um bocadinho mais inteligente. Vídeo super natalício e - dados os tempos que correm - super pertinente.

terça-feira, dezembro 15, 2020

Xmas Sound Track #02

 
Bear's Den
. Christmas, Hopefully

Catarina e a beleza de matar.

A prova provada de que vivemos num regime ideologicamente condicionado está no título desta produção do Teatro Nacional D. Maria II: Catarina ou a Beleza de Matar Fascistas. Se em vez de matar fascistas Catarina se visse obrigada pela sua família de assassinos a matar comunistas, que carmo e que trindade não cairiam nas páginas dos jornais? Sim, se o D. Maria II levasse ao palco uma peça que se chamasse Catarina e a Beleza de Matar Comunistas (que são tão fascistas ou mais fascistas que os fascistas que a Catarina tem que matar), que incomensuráveis indignações pelejariam pelas redes sociais? Que vontade censória não triunfaria imediatamente nos corredores do Ministério da Cultura? Que apoio financeiro seria consignado à produção de tal horror? Que orçamento geral do estado poderia receber a conivência do Partido Comunista Português?


 
Eu bem sei que, entre as várias e militantes ambiguidades presentes no texto de Tiago Rodrigues, a moral dramatúrgica parece incidir na condenação, mais ou menos tímida, mais ou menos dialéctica, do assassinato por motivação política. Mas isso não invalida de todo o meu argumento, porque se alguém tivesse a coragem de escrever e encenar uma Catarina e a Beleza de Matar Comunistas, toda a gente se recusaria a investigar sequer a moral da história. Toda a gente ia partir logo para o insulto e a censura e o cancelamento da liberdade de expressão. Porque a liberdade de expressão, em Portugal - e cada vez mais no todo do Ocidente - só existe para aqueles que não valorizam a liberdade de expressão. Para aqueles que a combatem em nome de um ideal essencialmente comunista: a igualdade. E como igualdade e liberdade são conceitos organicamente antagónicos, ninguém conseguiu ainda inventar um modelo social que os harmonize. Acontece apenas que a brigada igualitária está, nitidamente e apesar de todas as catastróficas evidências históricas, a ganhar o campeonato ideológico. E a ganhar sem que ninguém se levante para dar luta. Porque as direitas dos regimes ocidentais - a existirem - desistiram, há muito, de lutar.

Homilia de natal #02

domingo, dezembro 13, 2020

Warp Drive: parece que o cosmos tem uma via rápida.

A acreditar no postulado de Einstein, as leis da física impossibilitam viagens siderais a velocidades superiores à da luz. A não ser que. Há sempre um a não ser que e neste caso, a excepção é esta: se encontrares uma maneira de deformar o tecido do espaço-tempo, abres a caixa de pandora do livre trânsito intergaláctico. Fantasistas de todo o mundo têm chamado "Warp Drive" a esta possibilidade impossível. Acontece que, como muito bem explica Sabine Hossenfelder, professora de física teórica no Frankfurt Institute for Advanced Studies, o Warp Drive é, entre os sonhos mais loucos da ficção científica, o mais sensato, já que tem sustentação matemática e encaixa no modelo standard da física contemporânea. Mais a mais, um paper recente de Alexey Bobrick e Gianni Martire, do Advanced Propulsion Laboratory at Applied Physics, resolve uma boa parte dos problemas que a hipótese levantava (entre os quais as forças G a que seriam submetidos os tripulantes de uma nave que se desloque a velocidades insanas deste género), contribuindo decisivamente para levarmos a sério a possibilidade de viajar no espaço sideral como quem vai ali e já volta. Senão vejamos:

Xmas sound track #01


The Moth And The Flame
. Only Just Begun

Homilia de Natal #01


segunda-feira, dezembro 07, 2020

A discoteca da minha vida #75: "Get Ready", New Order.

Toda a gente que gosta de New Order vai ficar ofendida por eu eleger um disco deles que data de 2001. É verdade que Bernard Sumner e companhia estão metidos em gloriosas trips desde o paleolítico tempo em que Ian Curtis era funcionário público; é verdade que os Joy Division nem sequer fazem parte desta discoteca e que isso é já por si altamente ofensivo; é verdade que depois do Ian ter passado para o outro lado, os rapazes continuaram a fazer ópera electrónica da melhor que há; é verdade que o meu critério é muito duvidoso e é verdade, enfim, que as coisas são como são: o meu disco preferido dos New Order é "Get Ready", o sétimo a contar de 1981.

Retratos da escumalha que está a mudar o mundo.

Andy Ngô, o determinado e corajoso repórter de Portland que desde 2016 tem vindo a denunciar, através de poderosos documentos vídeo, a violência extrema de grupos radicais como a Antifa e o BLM (ele próprio já foi vítima, por diversas vezes, dessa violência), recolhe pacientemente, na sua conta de Twitter, as mugshots dos activistas/terroristas que vão sendo presos (para serem soltos logo a seguir). Vale a pena olhar para estes rostos, porque estes são os soldados da revolução que vai mudar o mundo. E olhando para eles, percebemos bem que não vão mudar o mundo para melhor. 








 

 

Isto sim, é uma corrida de Fórmula 1.

Ninguém pode dizer que o Grande Prémio de Sakhir tenha sido uma seca. Com Hamilton de fora por causa da gripe chinesa (os deuses do automobilismo concederam-me um pequeno e efémero desejo), e Russel catapultado de um dos carros mais lentos para o carro mais rápido da competição, tudo estava em aberto. Russel superou Bottas na partida e tudo indicava que ia conseguir a sua primeira vitória em F1, mas uma paragem cerebral dos rapazes da Mercedes que se fritaram completamente num pitstop que fica para a história da imbecilidade humana, ofereceu a vitória ao brilhante Sergio Perez, que na segunda volta se encontrava no último lugar, depois de ter sido tocado por Leclerc, e que fez uma corrida absolutamente espantosa.
Houve de tudo, neste grande prémio. Emoção a rodos, ultrapassagens à farta, incidentes e acidentes, recuperações épicas, a desilusão de Russel, a felicidade de Perez, a estupidez humana a bombar loucamente na garagem da Mercedes, enfim, os ingredientes todos misturados caoticamente para um grande prémio como deve ser.
Em 17 corridas da época de 2020, duas valeram mesmo a pena. Não se pode dizer que tenha sido uma boa média. Mas esta segunda passagem pelo circuito do Bahrain, que passou a clássica do automobilismo num instantinho, compensou qualquer coisa pelas centenas e centenas de voltas super aborrecidas desta temporada.

domingo, dezembro 06, 2020

Das duas, três:

Ou as leis da mecânica quântica não são constantes, ou há qualquer coisa de errado com a ideia que temos da realidade física. Um novo teorema

mesmo interessante, para não dizer explosivo, sobre os limites do conhecimento, na Quanta.

A stylized atom surrounded by concentric shells of increasingly complex organisms.

E é assim.

quarta-feira, dezembro 02, 2020

Um arrepiante sinal dos tempos.

Não vou abrir o vídeo aqui no blog. Não aconselho ninguém a vê-lo. Mas para não desconfiarem do que vou dizer a seguir, a coisa está aqui. E a coisa é obscena. A coisa é a história de uma rapariga cuja ambição era a de ser cega. Foi ao psicólogo e o psicólogo disse-lhe que se a ambição dela era ser cega, o remédio era cegar-se. E ela cegou-se com um produto que serve para desentupir as canalizações. E agora está toda contente e orgulhosa, porque é cega. E o psicólogo, que ajudou à cegueira, também está todo contente e orgulhoso do seu imaculado e supra-ético profissionalismo.

Puta que pariu.

terça-feira, dezembro 01, 2020

De fraude em fraude até à vitória final.

2020 tem sido o ano mais fraudulento que vivi e já vivi 53 anos. Nunca tantos contaram tantas mentiras. Nunca os políticos mentiram tanto. Nunca os jornalistas mentiram tanto (estes últimos envergonham até os mais mentirosos dos políticos). E houve fraudes de todo o género. Milhares por dia. Temos fraudes solidárias como a da Time's Up, associação de caridade fundada e financiada à boleia histérica do movimento #me too por estrelas de Hollywwod e outros bichos repelentes do género elitista, que acabou por gastar os seus chorudos fundos em hotéis de luxo e ordenados multimilionários, de tal ordem que menos de 10% do dinheiro foi dedicado a ajudar realmente as vítimas de assédio sexual. Temos falsos crimes de ódio à fartazana (como são escassos os verdadeiros, obriga a narrativa a que se inventem uns tantos), como o do tristemente célebre Jussie Smollett. Temos fraudes por desinformação, fraudes por omissão, fraudes por traição, fraudes por ignorância, fraudes tantas que destaco apenas quatro, para economia da tua paciência, gentil leitor.

Primeiro aconteceu a fraude chamada Boris Johnson, personagem teatral que conseguiu convencer o eleitorado britânico a acreditar por um momento que estava a eleger um reformador e um líder minimamente conservador, que defendesse os valores da classe média e os interesses de quem nele votou e que teria a coragem para romper com a wokeness que infesta as superestruturas da sociedade britânica. Não podiam ter sido mais enganados, os bifes. E eu também. 

Logo a seguir, rebenta a fraude Covid 19 (a maior fraude de todas), de que já escrevi e protestei o bastante aqui no blog, pelo que agora refiro apenas um último episódio que oscila entre o dramático e o caricato: o acto criminoso que as lideranças do ocidente têm cometido sobre crianças e adolescentes desde março, foi finalmente assumido pelos... criminosos. Fascistas de serviço como Faucci e Deblasio admitem agora que o Covid 19 não representa qualquer perigo para criaturas abaixo dos 19 anos. E confessam até que sempre souberam disso. Optaram por mentir. Optaram por fechar as escolas. Optaram pela infelicidade das famílias e por condenar a juventude a centenas de dias de playstation e mais nada. Em nome de quê? Da pressão dos sindicatos de professores. Da conveniência política. Da fome de poder. Tucker Carlson expõe o escândalo, a falta de vergonha e a completa cedência à tentação totalitária: 

 

Depois, a propósito da morte de Geoge Floyd, rebentou em definitivo a fraude Black Lives Matter, movimento radical que parece ter convencido meio mundo que vivemos em sociedades racistas e que as pessoas que não são brancas são desfavorecidas e perseguidas e que os polícias matam negros com especial zelo e gosto lúdico e que o passado da civilização ocidental é meramente uma longa gesta de sangue e servidão e etc. etc. Todas estas premissas são factual, académica e estatisticamente falsas. Por exemplo, os números oficiais de mortos pela polícia nos EUA e os números oficiais de mortos pela polícia no Reino Unido não indicam qualquer evidência de preconceito étnico, pelo contrário.

E para terminar o ano em beleza, os deuses acharam por bem presentear o Ocidente com a fraude das eleições presidenciais americanas. E, ao contrário do que te diz a imprensa, crédulo leitor, há provas concretas de que Joe Biden roubou a presidência. Há imensas provas materiais, claras e objectivas, até. Mais do que cabem neste breve post. Já falei noutras, mas ilustro aqui e agora apenas aquela que me parece mais material, clara e objectiva.

Neste quadro, o eixo vertical conta o número de votos contados e o eixo horizontal o continuo cronológico da noite eleitoral, no estado de Wisconsin. Às duas da manhã, há uma inexplicável interrupção da contagem, quando Trump liderava por mais cem mil votos. Quando a contagem é retomada, por volta das quatro da manhã, surge um lote de cento e cinquenta mil votos que recaem quase exclusivamente no candidato Biden. E é precisamente esse estranho lote de votos que dá a vitória ao candidato democrata. 



No gráfico seguinte, referente ao estado de Michigan, acontece exactamente o mesmo fenómeno poltergeist: por volta das seis da manhã, no momento em que Trump liderava a contagem por cerca de 200.000 votos, surge um lote de cerca de 120.00 votos exclusivamente contados a favor de Biden, que o catapultam subitamente para uma posição bem mais confortável e que acabam por garantir a sua vitória neste estado.







No terceiro quadro que ilustro alargamos o espectro geográfico e notamos que, para além do Michigan e do Winsconsin, há um padrão deveras esquizofrénico na madrugada eleitoral. No estado da Geórgia, é resgistado um esmagador número de votos em favor de Biden à uma e meia da manhã, no estado do Missouri, chegamos às quatro da manhã e a relação de votos Biden/Trump é de dez para um, entre outras anomalidades estatísticas mais ou menos gritantes.

Como o processo eleitoral nos Estados Unidos não costuma decorrer com a mesma metodologia usada na Venezuela ou na Coreia do Norte, e porque não há um histórico que abra seja que precedente for para este comportamento em uníssono do eleitorado americano, os gráficos demonstram inequivocamente que há dezenas e dezenas de mandatos do colégio eleitoral que foram completamente roubados em favor de Joe Biden. Se alguém tiver uma explicação racional e sensata e que exclua a fraude para estas anomalias gritantes, que a submeta por favor para o email que é indicado na caixa superior da coluna da direita deste blog. Gostava imenso de ser convencido de que Joe Biden será o presidente legítimo dos Estados Unidos da América. Mas à luz destes números, desconfio bem que não.

Desconfio bem que a fraude, triunfante no ano de 2020 e sinal dos tristes tempos que vivemos, é bem real. E que a democracia, no sentido ocidental da palavra, está defunta.

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Para uma análise mais profunda dos padrões anómalos aqui reportados:

Anomalies in Vote Counts and Their Effects on Election 2020 - A Quantitative Analysis of Decisive Vote Updates in Michigan, Wisconsin, and Georgia on and after Election Night

2020 Election: Could Trump’s claims have merit? An analysis of voting data from Georgia, Michigan, Pennsylvania, and Wisconsin

domingo, novembro 29, 2020

Pela Estrada Fora #23

Entre Sintra e a Ericeira, surfando o asfalto, descobri a praia de S. Julião, que é uma coisa mesmo bonita à brava. E depois, andei perdido no nevoeiro.









sábado, novembro 28, 2020

A discoteca da minha vida #74: "Riot On An Empty Street", Kings of Convenience.

Entre todos os álbuns da discoteca da minha vida, este será porventura o que mais se aproxima daquilo a que chamamos música de elevador. Não é uma obra que transporte ninguém para o céu ou para o inferno. A maior parte das pessoas ficará até indiferente aos acordes dos noruegueses Erlend Øye e Eirik Glambek Bøe. Acontece que eu não. Eu gostei e gosto muito de "Riot On An Empty Street", o terceiro disco dos Kings of Convenience. É fácil de ouvir, sim. Daí a conveniência. Mas também é encantador. E envolvente. E bem disposto. E cool à brava. Como um motim numa rua deserta.

segunda-feira, novembro 23, 2020

Exacto.

A
GIVE ME LIBERTY OR
GIVE ME DEATH!!
UNLESS THERE'S A VIRUS
WITH A 99% RECOVERY RATE
IN WHICH CASE STRIP ME OF
MY FREEDOMS, MY JOB, MY
CONSTITUTIONAL RIGHTS AND
PUT ME UNDER HOUSE
ARREST.

O "Great Reset" já está em marcha.

Tendo em conta o estudo da Brookings sobre os ganhos e as perdas da micro-economia americana em 2020, percebemos bem que, à boleia do vírus chinês, a grande e revolucionária destruição do pequeno e médio tecido sócio-económico, perpetrada pelas grandes corporações de Silicon Valley, pelos media e pelas elites tecnocratas, já está em marcha. Senão vejamos (números desde março deste ano):

Amazon: lucros subiram mais de 100%
Walmart: lucros subiram 80%
Target: lucros subiram 80%
Lowe's: lucros subiram 74%
Microsoft, Facebook, Apple, Google: acções subiram a níveis recorde.

Pequenos negócios: 21% fecharam; receitas dos restantes diminuíram 30%.

Estes arrepiantes números dissipam qualquer dúvida sobre as motivações que estão por trás da tirania dos lockdowns e, para além de comprovarem aquilo que tinha escrito sobre este assunto em Julho, ilustram categoricamente o movimento totalitário de extinção da livre iniciativa, entre outras muitas liberdades, que está em curso à escala global. E como não há, nas esferas do poder, quem queira ou possa combatê-lo, estamos bem fodidos.

Mais números assustadores e mais evidências de que estamos a ser conduzidos ao ponto zero de tudo, na episódica contestação do contestatário de serviço, o bravo e lúcido Paul Joseph Watson:

segunda-feira, novembro 16, 2020

A discoteca da minha vida #73: "No More Loud Music", dEUS

Não sou nada de achar que se faz melhor música numa época do que noutra, não sou nenhum revivalista, continuo a ouvir o que se faz agora e faz-se muito boa música agora, mas tenho que dizer isto: no momento surrealista em que uma rapariga extremamente mal criada (para não dizer nojenta) e completamente desprovida de talento chamada Cardi B lidera o top 50 global do Spotify, sabe muito bem ouvir algo de oposto: dEUS, por exemplo.
Tom Barman e Klaas Janzoons superaram a infelicidade de serem belgas através da música e os dEUS têm uma qualificada carreira de 30 anos que abrange o folk, o rock experimental e o rock progressivo, entre opções mais próximas do meu gosto pessoal, que os levaram ao indie rock e ao risco de um certo easy listening que iria marcar parte substancial da primeira década do século XXI e de que falarei mais à frente. E é precisamente por causa do seu ecletismo que selecciono uma colectânea, talvez a única colectânea na discoteca da minha vida: "No More Loud Music", editado em 2001, reúne os singles dos primeiros dez anos de existência desta banda sólida, com forte carácter e inconfundível fulgor técnico e artístico.
Cardi B: eat your heart out.

domingo, novembro 15, 2020

O que é uma partícula?

Na verdade, verdadinha, ninguém sabe. Natalie Wolchover, numa reportagem para a Quanta, faz a muito básica pergunta a vários físicos e todos respondem de forma diferente, confusa, rebuscada e bastante evasiva. Uma partícula é o colapso de uma onda. É um campo electromagnético. É um padrão matemático. É um campo quântico excitado. É a irredutível representação de um grupo (!). É uma corda vibratória. É o que medimos nos detectores de partículas (?). É o que de repente lhes vem à cabeça, porque na verdade, verdadinha, esta gente não sabe definir sequer a natureza do constituinte fundamental da matéria.
Bom deus, tanta ignorância.

sexta-feira, novembro 13, 2020

Olha, mais um spot de raro brilhantismo.

Este não vai concerteza ser o melhor Natal da história da consola da Sony. A plataforma entra no mercado com escasso software disponível e as diferenças de performance vão encurtando na inversa proporção do número serial. O salto tecnológico que foi dado entre a PS1 e a PS2 não tem comparação com o estreito potencial da cibernética contemporânea, que está a comprovar falsa a famosa e exponencial Lei de Moore, mas verdadeira a previsão do seu autor, Gordon do mesmo Nome, que avisou que o cânone não podia durar para sempre.

Ainda assim, a plataforma promete coisas giras a médio prazo, sobretudo pelo potencial dos periféricos, que têm margem para estabelecer novos padrões de realidade virtual e aprofundar significativamente o interface com a realidade física.

Seja como for, a PlayStation 5 está à venda desde ontem nos grandes mercados e nos outros, como em Portugal, a partir de 19 de Novembro. E sendo que a publicidade é a disciplina de omitir as fragilidades e propagar as virtudes de um produto, este é o comercial perfeitinho. Gráfica, cinematográfica e sonoplasticamente está tudo lá no sítio certo. E a linha de copy é um poema.

Porque é que terminei a minha conta de Facebook.

Porque sim.
Porque não tenho paciência para imbecis.
Porque estava a dar dinheiro a ganhar ao pior dos imbecis; o imbecil Zuckerberg.
Porque fui censurado, lá.
Porque fui aviltado, lá.
Porque a conta não valia a pena o investimento.
Porque as pessoas preferem, de longe, uma fotografia paisagística
ao relato do fascismo a que estão a ser sujeitas.
Porque a minha conta de Facebook não contribuía nada para a minha
qualidade de vida.
Antes pelo contrário.


quinta-feira, novembro 12, 2020

A discoteca da minha vida #72: "Is This It", The Strokes



Verão de 2001. Está a passar na Voxx algo de novo. É eléctrico. É estridente. É ácido. É puro. E duro. É como o rock deve ser. É como o rock sempre foi. Mas é novo. E parece gravado numa garagem cuja acústica foi pensada para amplificar "O Grito" de Edvard Munch. Apuro o ouvido:

"Oh, people, they don't understand
No, girlfriends, they don't understand
In spaceships, they won't understand
And me, I ain't ever gonna understand"


Penso para mim mesmo: porra, quem são este gajos, pá? Que rocalhada baril-punk-maluca é esta? Por sorte, está um gajo dentro do sintonizador (Pedro Ramos, se bem me lembro), que me informa: The Strokes, "Is This It?" Vou a correr à Fnac e compro o sacana do disco. Passo semanas mergulhado na salganhada electrizante dos seus 11 temas. Sou conquistado. Juro eterna fidelidade.
Se o rock tem um Olimpo, os Strokes são o género de banda que terá lá o seu lugar-trono reservado, embora desconfie que vão passar uns anos largos para que seja ocupado, porque ainda no outro dia falava aqui da obra prima que é o último álbum desta super banda de Manhattan, "The New Abnormal". Julian Casablancas e companhia continuam a fazer música como os monstros que são, mas tenho de qualquer forma que eleger o primeiro disco. Porque é um marco, um triunfo, um pontapé no rabo do mundo, um raro momento de génio.
God Save The Strokes.

Num raro momento de lucidez, o candidato confessou.

 

"We have put together the most extensive and inclusive voter fraud organization in the history of American politics."

Joe Biden . Outubro 2020

quarta-feira, novembro 11, 2020

Senhoras e senhores, o genial Buster Keaton.

Aviso aos ingénuos.

Gentil leitor: podes pensar que é natural que Joe Biden, que passou uma campanha inteira enfiado na cave, tenha sido mais votado do que Barak Obama por 5 milhões de votos. Podes achar que é normal que sejam as cadeias de televisão a anunciar o vencedor das eleições, com centenas de milhões de votos por contar. Podes considerar comum que se vote por correio e que os mortos votem às centenas de milhar e que pessoas vestidas com merchandising eleitoral de um candidato contem os votos às escondidas de qualquer validação independente. Podes até admitir que milhares de lotes de votos em Joe Biden, e apenas em Joe Biden, tenham chegado às salas de escrutínio durante a madrugada da eleição. Podes viver bem com o facto das big tech, em conluio com noventa e nove por cento dos media, tenham escondido de toda a gente, com zelo acrescido pela importância do momento, o escândalo monumental de negociatas com ucranianos e chineses e toda a gente manhosa a este dos Urais que tivesse um lugar no conselho de administração para oferecer ao filho de um dos candidatos. Podes até aceitar que a censura faça parte dos instrumentos de moderação das redes sociais. E podes enfim conviver com as mentiras gritantes que te atiram para cima do jantar, durante o telejornal, sem grandes dramas.

O que não podes, porque isso seria já não revelador da tua complacência, mas sobretudo testemunho da tua ingenuidade, é pensar que a eleição de Joe Biden para presidente dos Estados Unidos da América é algo de positivo para o seu país em particular e para o mundo em geral.

As forças que propelam este movimento de captação de poder defendem a abolição da polícia, os confinamentos mais draconianos, a equalização social, a sobre-tributação, a normalização da opinião pública e respectiva instrumentalização da imprensa que seja instrumentável (e extinção daquela que recusa o condicionamento).

As forças que propelam este movimento de captação de poder não estão interessadas na classe média. Na verdade, detestam-na. Não estão interessadas na prosperidade do todo social, na felicidade individual ou no progresso da civilização ocidental, porque a desprezam.

As forças que propelam este movimento de captação de poder estão interessadas na implementação draconiana de um revisionismo histórico e antropológico profundamente fraudulento, que  armadilha os conceitos de género, raça e cultura, de forma a aniquilar os valores e a identidade dos indivíduos e dos povos.

As forças que propelam este movimento de captação de poder investem as suas mais agressivas metodologias no cancelamento das dissidências, denegrindo reputações, extinguindo rendimentos económicos e vexando publicamente aqueles que ousam dissidir.

As forças que propelam este movimento de captação de poder estão interessadas em fortalecer laços comerciais e filosóficos com as ditaduras marxistas que ainda prosperam no mapa político, e subservem com especial fervor o imperialismo chinês.

As forças que propelam este movimento de captação de poder são belicosas e coniventes com o aparelho militar-industrial americano, que nos últimos 50 anos foi responsável por um conjunto alargado de conflitos espúrios, sem qualquer resultado efectivo para além do lucro inumerável, das incontáveis vidas perdidas, do caos social e económico e da disseminação do ódio e do ressentimento em regiões do globo já por si altamente voláteis.

As forças que propelam este movimento de captação de poder privilegiam a globalização e a mão de obra barata em desfavor do bom senso e da valorização profissional, o que é homogéneo sobre o que é humano, o que é uniforme acima do que é diverso, o que é correcto e não o que é verdadeiro, a corrupção sobre a integridade, o ócio em prejuízo do trabalho, a subsidiação do indivíduo mais que a afirmação do seu potencial. A dependência e o condicionamento em vez do livre arbítrio.

As forças que propelam este movimento de captação de poder trabalham pela instalação à escala planetária de um regime revolucionário, oligárquico, totalitário, em que as elites tecnocráticas serão finalmente libertas dos condicionalismos resultantes da vontade popular e do espírito constitucional das democracias ocidentais do século XX.

E acredita, gentil leitor, não é a vontade dessa gente que tu queres ver exercida sobre o futuro dos teus filhos.

terça-feira, novembro 10, 2020

A verdadeira tragédia.

Na carta  aberta dos bastonários do sector da saúde à triste ministra, ficamos a saber que, por causa do Covid-19, o SNS abdicou de fazer:

. 5 milhões de consultas nos Centros de Saúde;
. 1 milhão de consultas hospitalares;
. 17 milhões de exames de diagnóstico e terapêutica;
. 100 mil cirurgias.

Como resultado, a verdadeira tragédia: Mais 7144 mortos não Covid, entre março e setembro, do que a média dos mesmos meses dos últimos cinco anos.

E mais quantos milhares nos próximos meses?

domingo, novembro 08, 2020

 "Não são as pessoas que votam que contam. São as pessoas que contam os votos.

José Estaline

segunda-feira, outubro 26, 2020

Violência solar.

Os Everything Everything já andam por aí a bombar loucamente há dez anos, mas este é o primeiro disco que oiço deles. Em boa hora, seja como for, porque os rapazes têm a intensidade de uma supernova com um ataque de nervos e veia criativa para dar, trocar, comprar e vender. Impressionante. 

Everything Everything . Violent Sun

Um Giro português e espectacular.

Acabou o Giro: João Almeida alcança melhor lugar de sempre para Portugal

Ontem, numa das etapas mais espectaculares do Giro e de toda a época ciclista, que acabou com os líderes Jai Hindley e Tao Geoghengan a terminarem com o mesmo tempo na classificação geral, a um dia do fim da prova (!), João Almeida mostrou quem é, atacou e terminou em quarto, ganhando 34 segundos aos seus directos concorrentes para o pódio, Kelderman e Bilbao.
Hoje, no contra-relógio que concluiu este alucinante Giro d'Itália, e onde Geoghengan fez a Sun Web pagar caro o erro de não ter obrigado Hindley a apoiar Kelderman - o líder da equipa e natural favorito à vitória - o João fez quarto na etapa e terminoui quarto na geral, ganhando os segundos necessários para ultrapassar Bilbao, o que é um feito extraordinário para o jovem ciclista português.
Este foi um Giro de sonho para as cores pátrias, já que o enorme Ruben Guerreiro, um atleta que faz completa justiça ao seu nome, garantiu a vitória na montanha, sendo o primeiro português na história a ganhar esta categoria em qualquer uma das três grandes voltas.
Mas independentemente do comportamento brilhante dos nossos valentes compatriotas, recomendo a toda a gente e principalmente àqueles que partilham comigo a paixão pela modalidade, que vejam a penúltima etapa desta edição do Giro d'Italia . É que foi uma espécie de verso homérico, poça.

terça-feira, outubro 20, 2020

A discoteca da minha vida #71: "Black Market Music", Placebo

 

"It's your fault that God's in crisis"

Se a minha lista de discos fabulosos fosse minimamente justa, os Placebo já tinham subido ao palco no século XX, só que o objectivo desta humilde iniciativa não é a justiça, mas o egocentrismo, e o disco fundamental desta banda, no contexto da minha vidinha, é o terceiro: "Black Market Music", lançado no redondo ano de 2000.
Os Placebo configuram um género de fenómeno poltergeist, mas ao contrário: sendo que a intenção de Brian Molko é inevitavelmente a de assustar a audiência com uma visão do mundo e da existência humana que deixaria Jean Paul Sartre meio envergonhado, a verdade é que o resultado final, muito por culpa dos acordes de Stefan Olsdal, é contraditoriamente elevado e inspirador. Da cave berço de todos os pesadelos, somos rápida e energicamente transportados pelo elevador da glória ao terraço de todas as possibilidades. A música desta malta é só aparentemente um elogio da eutanásia. Quando os ouvimos melhor, quando entramos neste universo denso e difícil e picaresco, percebemos que afinal se trata de um processo de redenção. "Black Market Music" não foi feito para incentivar o suicida, foi feito para o convencer a permanecer vivo. Sim, a vida é fodida. Sim, vais ter que aprender a lidar com o sofrimento. Sim, vais aparecer com um olho negro na entrevista para o emprego mais importante da tua vida. Sim, vais levar com um valente par de cornos, ou dois. Sim, os teus pais isto e aquilo. Sim, às vezes dá a sensação que há qualquer coisa de profundamente errado contigo. Sim e ainda assim: continua. Passivo-agressivo, deprimido-coitado, desperdício ontológico na sarjeta do inferno. Continua. Até que os deuses te obriguem a devolver os átomos que pediste emprestado ao universo, pega numa guitarra e continua.
Placebo. Estes rapazes não são bem uma banda. São o diabo de um monumento ao rock.

segunda-feira, outubro 19, 2020

O herói improvável.

Na etapa de ontem, a mais difícil do Giro até ao momento, João Almeida perdeu tempo para o seu mais directo adversário, Wilco Kelderman, mas, ao conservar a liderança da prova num esforço solitário e hercúleo pela cruel subida de Piancavallo acima, deixando gente consagrada como Nibali e Majka e Bilbau para trás, provou em definitivo que é um voltista e que, nos próximos anos, vamos ter um português a bater-se com os melhores profissionais do circuito internacional de ciclismo. Se o João tivesse nem que fosse um só companheiro de equipa com ele nesta derradeira subida, as coisas teriam sido muito diferentes e eu estaria aqui a prever uma vitória portuguesa no Giro. Mas a Quick Step, sendo a equipa mais vitoriosa da primeira divisão do ciclismo mundial, não está programada para ganhar competições de 3 semanas e não trouxe escaladores que acompanhem a pedalada necessária, até porque ninguém esperava que o puto de 22 anos das Caldas da Rainha tivesse pernas e condição anímica para liderar a prova, à entrada para o seu último terço.

Seja como for, temos herói. Isso é garantido.
 

domingo, outubro 18, 2020

On Planet Dune #03


 

A discoteca da minha vida #70: "The Hour Of Bewilderbeast", Badly Drawn Boy

Setenta discos depois de ter aceite o convite do meu amigo Carlos Rafael, que apenas solicitava a eleição de dez, lá consegui chegar ao século XXI, nada mau.
E o primeiro longa duração deste século por acaso até é um daqueles que amo muito, muito especialmente: "The Hour Of Bewilderbeast", da inspirada autoria do Rapaz Mal Desenhado.
Há tanta coisa, há tantas músicas que adoro neste disco que nem sei como começar. Damon Michael Gough, aka Badly Drawn Boy, é o género de músico e compositor que nasceu para fornecer generosas doses de contentamento e consolação àqueles como eu, que gostam de canções bem dispostas, bem ritmadas, criadas para fazer as pazes com a vida enquanto testamos a agilidade das articulações, porque ninguém consegue ficar mal disposto, ou estático, enquanto ouve "Once Aroud The Block", por exemplo.
O disco, que por acaso até é o primeiro deste simpatiquíssimo autor, vale por uma embalagem extra-grande de Prozac. Vale por não sei quantas curas para a ressaca. E o bom do Damon há-de ter um lugar já reservado no paraíso, por ter feito, com a sua jovial veia, tanta gente feliz.

A discoteca da minha vida #69: "Jesus Life for Children Under 12 Inches", Kid Loco

Para acabar o século XX com um desabafo minimal e repetitivo: Kid Loco e o seu terceiro longa duração, "Jesus Life for Children Under 12 Inches". Porque sim. 

quarta-feira, outubro 14, 2020

Bach. Como deve ser tocado.

 
Xaver Varnus plays Toccata and Fugue in D minor on the great Sauer Organ of the Berliner Dom. Recorded live on the Opening Night of the "Berliner Internationaler Orgelsommer 2013".

terça-feira, outubro 13, 2020

Epitáfio

A minha vida são dois dias:
fui parido a tantos do tal,
serei enterrado no prazo normal.
Vivi a mais sinóptica das biografias,
história sem memória e voz sem audiência.
Nunca exerci poder ou trafiquei influência
e já dentro da idade foi a mediocridade
que me conservou a inocência.

Não fiz filhos por cautela
e evitei sarilhos como a febre amarela;
não sofri torturas nem conjurei vilanias.
A minha vida são dois dias
mas com uma noite apenas:
aquela em que cai cansado, enrolado enfim
no colchão das penas
que tenho de mim.

A minha vida são dois dias:
aquele em que fui nado,
aquele em que serei terminado.
Não provei doce glória ou exagerei alegrias
e às tragédias fui poupado.
Amei esporadicamente e esporadicamente fui amado;
dança de um só passo que no silêncio deste espaço
não há tango nem fado.

Deixo a mais sintética das biografias:
não fui senhor, não fui criado,
nasci em Portugal e em Portugal serei sepultado.
A minha vida são dois dias
de horas céleres e vazias;
nunca me aconteceu nada de especial,
foi discreto o meu astral
e morrerei de um qualquer mal.

A minha vida são dois dias
mas com uma noite apenas:
aquela em que adormeci ferido
na mais doce das arenas
e sonhei romano com o ser humano
que podia ter sido.

Que raça de coisa gira é esta?

O último disco dos Neighbourhood é de difícil entendimento para a inteligência dos ouvidos. Ainda não percebi bem se é um fracasso ou um triunfo. Tenho que ouvir mais vezes. Mas esta música aqui, que explica bem o carácter híbrido de "Chip Chrome And The Mono-Tones", mata-me completamente.



The Neighbourhood . Lost In Translation

A Scotland Yard como polícia política.

Numa entrevista à BBC, o youtuber Darren Grimes disse que  escravatura não é o mesmo que genocídio. Vai daí, a Scotland Yard abriu uma investigação sobre o rapaz, por alegada intenção de fomentar o ódio racial.

Podemos concordar com Grimes ou não. Eu por acaso não concordo. Concordo porém com o direito que ele tem de pensar assim ou assado e de dizer o que lhe apetecer. Ao direito que temos de pensar assim ou assado e de dizer o que nos apetecer chamamos livre arbítrio (ou liberdade de expressão, se quiserem). E o livre arbítrio é, em muitos casos, protegido constitucionalmente pela nações ocidentais.

O problema é que a constituição inglesa é consuetudinária (fundamenta-se no costume e não no formalismo de um documento escrito), o que sempre foi um ponto de honra para os bifes, enquanto o mundo vivia tempos normais. Como vivemos na mais absurda anormalidade, faz agora falta aos bifes um documento constitucional que proteja malucos como Darren Grimes. Porque chegarmos ao ponto em que a polícia abre investigações sobre cidadãos por causa da opinião que têm sobre isto ou aquilo parece-me, no mínimo e para não estar para aqui a irritar-me com as minha próprias palavras, preocupante.

Uma polícia que fiscaliza aquilo que as pessoas pensam e dizem é, necessariamente, uma polícia política. E só existem polícias políticas em estados totalitários. Logo, esta inacreditável decisão da Scotland Yard, que vem no seguimento de outras do género, coloca em questão a natureza do estado e do regime britânico.

Isto vai de mal a pior.

On Planet Dune #2











segunda-feira, outubro 12, 2020

A discoteca da minha vida #68: "Californication", Red Hot Chili Peppers

As vermelhas e quentes cabeças de piri-piri podiam ter constado desta lista há que tempos, claro. Acontece que o melhor disco desta épica e gigantesca banda, na minha opinião muito discutível, só acontece no último ano do século XX e depois de duas décadas de boas tentativas. "Californication" é o apogeu da discografia imensa dos Red Hot. Ponto final, parágrafo.

Da glória dos atletas à infâmia dos jornalistas.

João Almeida e Ruben Guerreiro lado a lado numa foto que fica para a  história - Fotogalerias - Jornal Record

Ontem aconteceu um fenómeno poltergeist, no Giro d'Italia. No cimo do Roccaraso, Ruben Guerreiro ultrapassou Castroviejo para ser o segundo português de sempre a ganhar uma etapa no Giro, somando à vitória os pontos que são suficientes para passar a ser o novo proprietário da camisola Azzurri (líder da montanha). Para ajudar à festa, o espectacular João Almeida, que como já tinha avisado aqui, é um ciclista com grande futuro e que está a fazer um Giro absolutamente fenomenal (já lidera a prova desde a terceira etapa) resistiu a mais um jornada de alto nível de dificuldade, perdendo uns poucos segundos para alguns dos favoritos, mas garantindo a camisola Rosa (e a Bianca também, porque é o melhor classificado entre os sub 23) por mais uns dias, e ainda com uma vantagem mais ou menos confortável, de 30 segundos, sobre o segundo classificado, Wilco Kelderman, e de 1 minuto sobre Vincenzo Nibali, o favorito entre os favoritos. E se considerarmos que a etapa mais decisiva da próxima semana será provavelmente o contrarrelógio, que pode favorecer o ciclista português, é bem possível que João Almeida chegue às altitudes alpinas da terceira semana do Giro com uma vantagem um pouquinho mais expressiva. A ver vamos. 

Seja como for, para quem gosta de ciclismo, o dia 11 de Outubro de 2020 vai ficar bem na gravado na memória como um dos episódios mais importantes da história do desporto nacional. E devo confessar que vivi momentos de intensa emoção e pura alegria. Primeiro com o Ruben, depois com o João. Numa etapa só. Que pinta.

Resta uma nota sobre a merda de jornalismo que temos: no site da Bola, não há um destaque para o que aconteceu ontem. No site do Record é para aí a sétima notícia. No Público, é a nona notícia na página de desporto, porque na homepage, nada. No Observador, a homepage destaca este dia inesquecível depois de cinco notícias sobre o miserável jogo de futebol entre Portugal e a França, que eu não vi mas tenho a certeza que foi miserável como são todos os jogos de futebol da selecção nacional desde que é comandada pelo homem-depressão, rei do empata, grão duque da mediocridade, carrasco de qualquer hipótese de espectáculo, mais conhecido por Fernando Santos.

No caso do Observador, sempre recordista da imbecilidade e da infâmia, o triunfo de Nadal no Roland Garros tem mais destaque do que aquele timidamente oferecido aos feitos dos dois portugueses.
Entre um mau jogo de futebol, que termina num empate sem golos, o rotineiro triunfo de um tenista espanhol (deve ser para aí a décima terceira vez que Nadal ganha este torneio) e a glória dos dois ciclistas portugueses, os jornais optam pelo absurdo.  

Mas seria de esperar outra coisa?

quarta-feira, outubro 07, 2020

A discoteca da minha vida #67: "Gran Turismo", The Cardigans

Ainda na senda do fabuloso ano de 1998, chamo ao palco uma das minhas bandas pop favoritas de sempre e para sempre: The Cardigans. Se a Suécia foi capaz de parir qualquer coisa de decente depois dos Abba, foram estes cinco magníficos. Nina Persson, a vocalista fatalista, nasceu com o rabiosque virado para a lua, nitidamente, porque, para além de ser um borracho de cair para o lado, e de se apresentar como competente escrevinhadora de rimas, é senhora de uma voz cujo poder imenso está entre o erotismo e o pudor, entre o desespero e o apogeu romântico, num festival lírico capaz de arrepiar os pelos da nuca a qualquer eunuco. Mais a mais, podia contar com uma orquestra de bolso à altura, liderada por Peter Svensson, músico completo, produtor, compositor e géniozinho discreto que se entretém hoje em dia a escrever canções para que certos artistas mainstream, que nem nomeio porque são meio obscenos, ganhem grammys com fartura. Os próprios The Cardigans ganharam 4 destes infames prémios, entre muitos outros infames prémios, o que constitui talvez o seu único defeito.
"Gran Turismo", o quarto dos 6 trabalhos de estúdio, é um daqueles discos encantados, abençoados por deus e lindíssimos por natureza, concebidos num máximo momento de inspiração e que vivem, por isso, para sempre. O que não é fácil, considerando que se trata de um trabalho de grande simplicidade, sem pretensões nenhumas nem gorduras de ambição desmedida. "Gran Turismo" é exactamente e apenas aquilo que quer ser: um descomprometido - mas eloquente - exercício de música popular.
E a prova da abismal competência dos The Cardigans é que podemos ouvi-los 22 anos depois sem correr o risco da decepção: continuam tão contemporâneos como eram. E elegantes como sempre foram.

On Planet Dune #1