quarta-feira, outubro 07, 2026

Quem é que achou que isto era uma boa ideia?

Sabendo como todos sabemos do tamanho maluco do Ego de Donald Trump e da sua adoração por estátuas de si próprio;

Sabendo da enorme dependência da Europa em relação aos Estados Unidos, que graças às desastradas políticas da UE e do Reino Unido, transcenderam o âmbito da defesa e são hoje também de natureza energética;

Se calhar isto aqui não é uma boa ideia, tanto mais que se trata do Parlamento Europeu, ou seja, um espaço que para todos os efeitos oficializa a mensagem da peça.

A Europa, contra todas as probabilidades.

Galileo Galilei demonstrando sua invenção, o telescópio . Litografia de Henry-Julien Detouche . 1900
 


Um observador alienígena que analisasse a situação do Homo Sapiens no planeta Terra por volta do ano 1200 d.C., dificilmente apostaria que a rendilhada e acidentada península oriental da maior massa continental do hemisfério norte iria gerar a mais hegemónica e dominadora civilização da História. 

A Europa desse momento, material e culturalmente pobre, etnicamente fragmentada, dividida em incontáveis reinos, principados, ducados e cidades-estado, nostálgica de ancestrais legados mediterrânicos e glórias perdidas até na memória dos povos parecia mais um fim do mundo do que o princípio de um império. 

Ignorante dos apogeus vários da China, alienada das riquezas da Índia, ameaçada a leste pelo vastíssimo e militarmente aterrador império mongol e cercada a sul pela também extensa e poderosa rede de califados islâmicos, que se estendiam entre a Península Ibérica e o Mar Cáspio, o semi-continente não prometia grandes sucessos.

Mas nos seiscentos anos que se seguiram, italianos e portugueses, espanhóis e ingleses, franceses e holandeses resgataram novos mundos e conquistaram os antigos, fazendo recurso de todos os vectores de expansão civilizacional que estavam ao seu dispôr, da tecnologia à força militar, das artes às ciências, da filosofia à cartografia, da navegação à indústria, do comércio à propagação da fé. 

Como é que isto aconteceu assim, de tal forma contra-intuitiva?

Michael Button, do canal Patterns of History, dá uma resposta convincente: foram precisamente as aparentes fragilidades de que sofria a Europa entre a queda do Império Romano e a transição para a Alta Idade Média, principalmente a sua fragmentação política, que ofereceram as condições necessárias ao progresso material e cultural e à posterior hegemonia global. 

As inovações técnicas, os impulsos comerciais, o conhecimento científico e a génese de novos conceitos sobre a arte, a filosofia e a governação dos povos foram, neste território denso de rivalidades históricas e divergências culturais, sujeitos a um processo de alta competição que exponenciou o seu desenvolvimento prático. A ausência de um imperador e de uma burocracia central que exercessem a sua autoridade por todo o território, permitiu o livre curso de ideias e tecnologias, que se fossem rejeitadas aqui, por um duque, seriam valorizadas ali, por um doge, que se falhassem num reino, seriam ainda assim experimentadas num principado logo ali ao lado. 

É claro que invenções específicas e determinantes, como a imprensa ou a máquina a vapor, ou epopeias inexplicáveis, como a dos descobrimentos portugueses, contribuíram para reforçar o protagonismo das nações ocidentais, mas também essas idiossincráticas ocorrências derivam do difícil e emaranhado contexto sócio-político e histórico em que se encontravam os europeus. Afinal, ninguém se lança num madeiro sobre o abismo oceânico, à procura de um caminho para o outro lado do mundo, se estiver confortavelmente instalado no sítio em que nasceu. 

Como em tudo na vida, também na História, são as dificuldades que propiciam os triunfos.

A Arábia Saudita não é um país. É um negócio.

A guerra que agora consome o Golfo Pérsico está a testar a resiliência do reino saudita de uma forma inédita, e a estrutura que o suporta, baseada nas receitas do petróleo e no poder americano, é muito mais frágil do que sugerem as aparências. A crónica de Afonso Belisário.


 


Mesquita de Londres promove violência doméstica e arremesso de homossexuais pelas janelas de prédios altos.

Uma mesquita londrina com estatuto de instituição de caridade e, por isso, isenta de impostos, está sob investigação por publicar sermões que recomendam a violência física contra mulheres desobedientes e a execução sumária de homens gay.


 

Quem é que lhes vai dizer que clamam

pelo cadafalso?

Vi-te na televisão.

E estavas lá, sozinha, porque não tens outro sítio para onde ir.

TV Show . TV Show . Pigeon Detectives

Audições públicas: A compaixão sem evidência é apenas poder.

As audições públicas sobre a autodeterminação de género revelaram um conflito entre a autoridade da identidade (o sentimento justifica o corpo medicado) e a autoridade da biologia (o sentimento justifica uma avaliação, não um atalho). A crónica de Maria Helena Costa.


 

Zero centímetros de vergonha na cara.


Racismo assumido: MI5 interdita candidatos brancos em programa de estágios.

O Serviço de Segurança Britânico (MI5) proibiu a participação de candidatos brancos no seu programa de estágios de Verão, reforçando as suspeitas de que a máquina do Estado se comporta de forma abertamente racista em relação à população branca.


 

Migrantes: um problema humanitário ou político? Parte II

Segunda parte, centrada no prisma português, de um ensaio de João José Brandão Ferreira, que procura abordar a imigração do ponto de vista histórico e geopolítico. 


 

Percepção & realidade: o desfasamento do costume.

Fobia e nostalgia.

Prospera nos pastos do Ocidente esta classe de bovinos extremamente corajosa, que sofre porém de uma intrigante fobia de doenças respiratórias.

Não se assustam estes bravos ruminantes com banqueiros canibais, nem receiam que príncipes - ou paquistaneses - lhes violentem os filhos infantes. 

Não temem a invasão dos seus países por gentes antípodas ou a conquista do mundo por uma raça de louva-a-deus provinda do outro lado da galáxia.

O ministério das finanças não lhes tira o sono e dormem bem com o poder sobre as suas vidas que entregam a Ursula von der Leyen. 

A inteligência artificial é amiga, mesmo que lhes roube o ganha-pão; o Estado é pai, mesmo quando tirano. 

A guerra no Médio Oriente é no Médio Oriente: está longe de preocupar para além do preço do gasóleo; e a guerra na Ucrânia é para lá de Istambul, eles que se entendam (a III Guerra Mundial é uma teoria da conspiração).

Não têm medo do Apocalipse de João nem que o céu lhes caia em cima da cabeça, mas se uma rapariga morre de pneumonia na estepe siberiana, borram-se todos. 

Matam com a peste russa as saudades que têm da peste chinesa, e perguntam-se já se devem ou não sair à rua com a velha e boa máscara N25/FFP2. E anseiam, não tão secretamente como isso, por serem confinadas e vacinadas e subsidiadas e SALVAS pelo regime.

Porque na verdade, a fobia é um fetiche. 

terça-feira, outubro 06, 2026


Decadência e fealdade: Semana da Moda de Paris transformou-se num festival de horrores.

A Semana da Moda de Paris já não tem nada que ver com trajes e estilo e arte. O evento dedica-se agora à missa de finados de toda uma civilização, mas sem preocupações em honrar o cadáver.


 

Reform UK perde eleição municipal com votos populistas divididos com o Restore Britain.

O Reform UK de Nigel Farage perdeu na sexta-feira a hipótese de vencer uma eleição suplementar para o município de Claremont, no Conselho de Blackpool, após uma divisão de votos com o Restore Britain de Rupert Lowe.


 

Governo de Pedro Sánchez cai. O que é que acontece a seguir?

O governo do Partido Socialista de Espanha caiu e o primeiro-ministro Pedro Sánchez convocou eleições antecipadas. Como é que a Espanha chegou a esta situação e o que é provável que aconteça a seguir.


 


 

O novo anormal: França a ferro e fogo experimenta clima de guerra civil.

As ruas de França estão novamente em chamas, mas estes protestos parecem diferentes do costume. E a violência, que não faz qualquer sentido no contexto das exigências dos estudantes, está a mostrar um país em aberto conflito civil.


 


 

Mais sete navios e 9.000 soldados norte-americanos seguem para o Médio Oriente enquanto Trump pondera retomar ataques ao Irão.

Enquanto o presidente norte-americano Donald Trump pondera novos ataques, o Péntágono está a enviar mais sete navios de guerra para o Médio Oriente, com a frota a transportar aproximadamente 9.000 soldados adicionais, incluindo um destacamento de marines.


Migrantes: um problema humanitário ou político? Parte I

Para além do drama humano, que é real e pungente, o problema da imigração para os países ocidentais deve ser equacionado racionalmente, à luz de circunstâncias geopolíticas. Um ensaio que procede a esse exercício, de João José Brandão Ferreira.


 

O regresso dos detectives eléctricos.

Estava a editar no Contra o episódio da 'Discoteca da da Minha Vida' dedicado aos Pigeon Detectives quando descobri que eles entretanto lançaram o seu 6º disco, em 2023, que me passou ao lado, falhanço existencial que não tem desculpa possível. Quarentões, já, os rapazes nem por isso perderam a velocidade furiosa, ajuizando pelo tema de abertura de "TV Show". Vamos ouvir?

Falling to Pieces . TV Show . The Pigeon Detectives

domingo, outubro 04, 2026

Luna 2: O primeiro contacto.

Em 1959, a nave soviética tornou-se o primeiro veículo artificial a atingir a superfície da Lua, inaugurando uma era de grandes descobertas: o lançamento das primeiras sondas, o primeiro veículo espacial lunar e o primeiro homem a pisar o satélite natural da Terra.


 


Procurador-Geral da Flórida processa Netflix por rastreio e venda de dados de crianças.

O Procurador-Geral da Flórida, James Uthmeier, interpôs uma acção judicial acusando a Netflix de enganar os consumidores e de explorar dados de crianças para fins publicitários. Se for bem-sucedido, o processo poderá obrigar a Netflix a alterar o seu modelo de negócio.


 

Índice de aprovação de Macron atinge mínimo histórico com agravamento da crise dos combustíveis.

Duas sondagens recentes mostram que enquanto a aprovação de Macron desce a mínimos históricos, Marine Le Pen está provavelmente a caminho de se tornar a próxima inquilina do Palácio do Eliseu.


 

Novos tempos: Defender a vida, proteger a solidariedade.

A solidariedade precisa de recursos bem administrados e de verdade. Defender a vida exige que cada pessoa seja protegida e que ninguém transforme a vulnerabilidade alheia numa oportunidade de benefício próprio. Uma crónica de Sérgio Carvalho.


 

Quais são os animais que primeiro abandonam o barco?



Sobre a navegação existencial do cristão.


Sou cristão. Na moral e na metafísica; ou seja: o terrorista islâmico ou o Peter Thiel, por muito que me custe a consciência disso, são exactos filhos de Deus. Emmanuel Macron também. Friedrich Merz é sagrado, como produto da criação divina. Devo respeitar o milagre maluco que é existir uma senhora von der Leyen, condescendência que, convenhamos, será sempre de difícil resignação.

Não estou a ser irónico. Ser cristão é ter que sacralizar necessariamente toda a gente: amigos, inimigos, doces pessoas como os piores filhos da puta. É assim e quem não estiver psicologicamente preparado para isto deve seguir evangelhos outros, que não contem a história do Homem-Deus que se sujeitou ao pior suplício do Império Romano para redenção minha, e tua, gentil leitor, e sua, estimada leitora, e de toda a gente que carrega no coração uma alma.

Mais: não é só o ser humano que devemos consagrar. Devemos consagrar TUDO. Montanhas e bezouros. Lagos e ursos. Árvores e lesmas, não interessa a espécie e a classe e até nem interessa se é animada ou não. Se pensarmos bem, uma montanha é mais animada que todos os mamíferos da planície pelo simples facto de estar ali sujeita à entropia transformista de milhões de anos.

A formiga e o furacão.

A borboleta, como o bisonte.

O falso vácuo entre o Sol e a Terra.

O ilusório vazio entre os corpos astronómicos e as tensões electromagnéticas dos átomos.

O infinito que reside em todas as coisas que findam e o fim de tudo o que não acaba nunca.

Deus meteu o dedo nisso. Deus meteu a pila criativa nisso. Fez a sua génese. E o que Deus cria, devo respeitar, acima de qualquer outra consideração.

Devo adorar, acima de qualquer adoração.

Devo amar Deus, acima de tudo o que amo, sim.

Nem que seja porque foi Deus que me fez assim, capaz de amar.

Milagre do caraças.

 

****** 

 

Não é fácil ser cristão, agora. Escolhi até ser cristão na segunda e terceira décadas do século XXI, precisamente quando isso é mais difícil - mas não me estou a queixar: Quem acredita em Cristo, entende o universo. Sai do sistema. Escapa à corrupção da matéria. Eleva-se.

O cristão é um ser humano eminentemente livre, mas sem licença para matar (legítima defesa à parte?). 

Sem licença para odiar o outro, magoar o outro, sentir-se de algum modo superior ao outro. E a partir daqui, tudo o resto fica subitamente acessível à sensibilidade e estranhamente cognoscível ao intelecto.

Por exemplo: não será o mandato de amar o inimigo o caminho definitivo para a paz?

Outro exemplo: não viverás melhor se corrigires os teus erros, em vez de passares a vida a acusar os outros dos seus?

Mas não, não é fácil ser cristão, agora, considerando o jugo satânico e quando a vida que escolheste te arrasta pela lama do mundo e a infâmia dos homens, dia sobre dia. Porque sendo infames, são sagrados na mesma, e é isto que é ser cristão.

Porque até o pior dos assassinos tem acesso à redenção, e é isto que Cristo diz.

Porque não é a amares os teus aliados, mas a saberes perdoar os teus adversários, que te salvas.

É complicado. E consolador.

 

******  

 

Aos olhos de Deus somos todos únicos, somos todos iguais, e sem paradoxo porque somos todos iguais quando saídos do parto, em excruciante dor de mãe e filho, mas não seremos pares no fim do caminho, em função dos nossos erros.

Deus não é nenhum marxista e Cristo ia antipatizar seriamente com Trotsky (como antipatizou seriamente com os fariseus), embora dificilmente aceitasse que à mesa da última ceia se sentassem - convivenciais - miseráveis e bilionários (para jejum destes últimos).

Seja como for, pobres e ricos, virtuosos e crápulas, seremos todos sujeitos a um critério transcendente, no fim desta caminhada pela curvatura planetária.

Como há a certeza de um Deus, haverá um incontornável julgamento.

Pelos teus erros, pagarás um preço. Pelos teus acertos, serás agraciado.

Aqui na Terra, como no Céu. 

sábado, outubro 03, 2026


Nada para ver aqui: Agente israelita assumiu o controlo da plataforma de Charlie Kirk dias após o seu assassinato.

O império mediático de Charlie Kirk e a sua organização activista conservadora, Turning Point USA, passaram para o controlo das forças dirigidas por Israel, que ele antagonizou nos últimos meses da sua vida.


 

Partido Republicano enfrenta uma clara derrota eleitoral em Novembro. Mas o desastre é auto-inflingido.

A maioria dos indicadores sugere que os republicanos enfrentarão uma reacção brutal do povo norte-americano em Novembro, com a provável perda do controlo de ambas as câmaras do Congresso para os democratas. A traição ao eleitorado ainda se paga cara, nos EUA. A análise de Afonso Belisário.


 


 

Ficheiros 9/11: Óbitos por doenças relacionadas com o 11 de Setembro somam o triplo das mortes que resultaram directamente dos ataques.

Mais de 9.500 pessoas já morreram de doenças relacionadas com os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001, mais de três vezes o número de mortos no próprio dia, que foi de 2.977.


 

Regime Epstein, sempre.

Só não vê quem não quer ver.

sexta-feira, outubro 02, 2026

Mais de mil detenções e centenas de feridos em onda de protestos violentos nos liceus franceses.

Alunos do ensino secundário bloquearam centenas de liceus em toda a França durante a última semana. Os protestos, que transcenderam nos últimos dias o contexto estudantil, resultaram em incêndios, agressões a funcionários, confrontos com a polícia e disparos de projécteis.


 

A Rússia votou e Putin sai reforçado.

Num momento em que a guerra na Ucrânia continua a consumir recursos, vidas e capital político, as eleições parlamentares russas oferecem um dado político que não pode ser ignorado: Vladimir Putin e o sistema de poder que o sustenta saíram reforçados. A análise de António Justo.