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Extensão livre do ContraCultura
domingo, julho 19, 2026
“Três Oito e Setenta e Cinco”: José Ricardo Nunes e a poesia de bolso.
Guerra intestina em Silicon Valley: Apple processa OpenAI por alegado roubo de segredos comerciais.
Espanha descobre que 70% dos imigrantes que se declaram menores não acompanhados são, na verdade, adultos.
Próximo Primeiro-ministro do Reino Unido, que ninguém elegeu, planeia roubar os contribuintes com um aumento de impostos de 50 mil milhões de euros.
Disparu dispara (na direcção certa).
Outra vez o Disparu. Porque este rapaz impressiona. A forma como desmonta neste clip a obra ao negro de Christopher Nolan é absolutamente i-m-p-e-c-á-v-e-l.
Descartando o facto de ser um excelente crítico de cinema, Disparu é uma espécie de bardo, incómodo e certeiro, que escarafuncha profundamente nas feridas culturais do Ocidente. E nada como a subversiva e falsificada ópera de Nolan para meter o dedo, meio genial, na chaga, completamente putrefacta.
O poder já não pede permissão.
Sonhávamos que a tirania viria com botas e bandeiras, precedida por tambores, para que pudéssemos pelo menos reconhecê-la e resistir. Ela chega, pelo contrário, sem rosto e sem som, pedindo apenas que aceitemos os termos de uso. A crónica de Marcos Paulo Candeloro.
Uma dívida saldada (mais ou menos).
Sempre que aqui no blog ou ali no ContraCultura vem a propósito o que dizem os dois alexandres do "The Duran", que são uma referência editorial importante para este vosso escriba, fico com esta sensação que não estou a ser justo com o cipriota Alex Christoforou, porque, no canal em que conversa com o greco-britânico Alexandre Mercouris, opta por lhe dar estatuto de mestre e mostra apenas uma parte (quando se enerva com a paciência que Mercouris) do seu excelente temperamento e instinto.
Christoforou tem um canal próprio, muito popular entre a dissidência ocidental (que na verdade até inspirou o meu muitíssimo mal comparado "Nocturnos"), em que caminha pelo Chipre e pelo mundo enquanto submete as elites ocidentais ao devido ridículo. E tem um talento espectacular para fazer isto, porque é um cristão ortodoxo com muita pinta, porque é bem disposto sem deixar nunca de ser corrosivo p'ra caraças, porque está sempre (ou quase sempre, como vou explicar a seguir) do lado certo, se não da História (até porque o "lado certo da história" também soma horrores excessivamente), seguramente do lado certo da Razão e da Moral.
Alex Christoforou é uma espécie de amplificador daquilo a que os seus ancestrais chamavam logos. A Razão e a capacidade de a articular através da palavra. E faz isto para as massas, muito bem feito.
Neste episódio, que é em tudo exemplo gráfico e semântico das suas virtudes como homem e como comunicador, Christoforou comete ainda assim um erro, ao desacreditar qualquer hipótese de que Donald Trump retifique a Graham Bill, o niilista pacote de sanções contra a Rússia baseado numa iniciativa legislativa que o defunto Lindsey Graham foi anunciar à Ucrânia imediatamente antes de morrer.
É verdade que a proposta é niilista e altamente provocadora (até Vladimir Putin é sancionado e a economia e a indústria americanas vão sofrer efeitos secundários significativos). Mas a probabilidade de que Trump retifique o diploma do Congresso, por muito ensandecido que seja o documento, é bem alta, analisando a conjuntura. E é até um bocadinho estranho que o lúcido cipriota não perceba isso.
Salvo esse erro de cálculo, deixo-vos com este impecável exercício editorial, e com mil desculpas ao Alex, que já mais que merecia o tributo, por modesto que seja.
Esta, sim, é a imprensa "moderna".
O director da CIA acaba de confessar que os EUA estão em guerra aberta com a Rússia.
Não, não estou a exagerar. Eis o que ele disse:
"Neste momento, a Rússia ocupa 20% da Ucrânia. Quando assumi a direcção da CIA, há 18 meses, a Rússia ocupava 19% da Ucrânia. O ritmo do seu avanço abrandou porque o domínio da Ucrânia na guerra com drones e na guerra assimétrica representa um grande factor de equilíbrio."
CIA Director John Ratcliffe:
— Clash Report (@clashreport) July 18, 2026
Right now, Russia occupies 20% of Ukraine. When I came in as CIA Director 18 months ago, Russia occupied 19% of Ukraine.
The pace of their advance has stopped because Ukraine's mastery of drone warfare and asymmetric warfare is such a great… pic.twitter.com/RuIHQSm39j
"Os soldados russos sobrevivem em média apenas 20 a 30 minutos no campo de batalha por causa dos drones com inteligência artificial da Ucrânia. A nossa inteligência está de acordo com alguns relatórios de fontes abertas que poderão ter visto: a esperança média de vida de um recruta russo, ao chegar ao campo de batalha na Ucrânia, está estimada entre 20 e 30 minutos. Isto porque os drones com inteligência artificial se tornaram máquinas de matar especializadas e de baixo custo. É por isso que uma força inferior, quatro anos e meio depois, conseguiu conter a força superior da Rússia contra a Ucrânia. O ritmo do avanço ucraniano abrandou, uma vez que o domínio das tecnologias emergentes por parte da Ucrânia, e neste caso, a guerra com drones, a guerra assimétrica, representa um grande factor de equilíbrio."
"Russian soldiers only live an average of 20 to 30 minutes on the battlefield because of Ukraine’s AI drones." - CIA Director John Ratcliffe
— Anton Gerashchenko (@Gerashchenko_en) July 17, 2026
"Our intelligence is consistent with some of the open-source reporting you may have seen in Ukraine: the average life expectancy of a… pic.twitter.com/jkMSprl1Hi
Não é subreptício: John Ratcliffe associa abertamente um alegado sucesso da guerra assimétrica ucraniana ao seu mandato como director da CIA. E gaba-se de tantos russos que está a matar, e de como morrem rapidamente no teatro das operações, graças à tecnologia americana. Porque toda a gente sabe que os "drones com inteligência artificial "e "o domínio das tecnologias emergentes" não seriam acessíveis às luminárias de Kiev sem as palantires de Silicon Valley.
Sou só eu que acho isto espantoso?
Partindo do princípio que concordam comigo e que Ratcliffe declarou, oficiosamente, guerra à Rússia, na minha talvez maluca ideia aquele que primeiro o devia fazer, oficialmente, seria o Presidente dos Estados Unidos da América, depois de devidamente autorizado pelo Congresso.
Não é?
Chegámos mesmo a este ponto esquizofrénico da coisa em que o director da supra-mafiosa Agência Central de Inteligência norte-americana diz preto no branco que está em guerra com a segunda potência nuclear no mundo, e a matar muitos dos seus soldados, sem a legitimação de todo o sistema constitucional da federação?
Se este é o novo normal, imaginem o que vai acontecer quando Ratcliffe se decidir a fazer algo de extraordinário.sexta-feira, julho 17, 2026
Sobre o ‘Chat Control 2.0.’

O 'Chat Control' da UE refere-se a 2 processos legislativos: um já aprovado, temporário, que não inclui comunicações protegidas por encriptação de ponta a ponta, e outro, em preparação e com regime permanente, que abrange todas as plataformas digitais. A crónica de António Justo.
Freaking hell... 😬
Nazi propaganda (1936) vs. French national football team (2026) pic.twitter.com/6rPd2lz7Pc
— ₿en Wehrman (@benwehrman) July 14, 2026
Quem é que interfere nas eleições americanas?
Em 2016 foram os russos, segundo os democratas. Em 2020 foram os chineses, segundo os republicanos. Mas o país que realmente interfere nas eleições americanas e tudo à volta não é a Rússia nem a China. E não é de agora. É desde o pós-guerra.
Man I really hate how much China is influencing our elections… pic.twitter.com/krmUMu6rJe
— Adam Analysis (@adamemedia1) July 17, 2026
A Censura à Vida: Quando Defender o Inocente se Torna Crime
Não, não é comédia.
É humilhação.
"The face that launched 1,000 ships"
— End Wokeness (@EndWokeness) July 16, 2026
"The greatest soldier ever known"
Nolan is trolling us, right?!?! pic.twitter.com/dOSb8Vlxvu
Enquanto americanos enfrentam a inflação, o desemprego e o decréscimo no poder de compra, o sector bancário dos EUA regista lucros recorde.
Bruxelas empenhada em reduzir a cultura europeia a instrumento de guerra.
A humilhação é um dos objectivos.
The Odyssey begins by showing an African rapper with rasta in the role of a Greek poet. We Greeks are forced to watch our Greek history and culture being disgraced and mocked across the entire world. What is Nolan's real role in doing something like this instead of casting a… pic.twitter.com/07EIJdrGam
— Homer Pavlos (@HomerPavlos) July 16, 2026
Menina escocesa conhecida como a “Rapariga do Machado” é ilibada após imigrante ser condenado por agressão.
Haikus do alto da falésia (décima temporada)
A audiência verdadeiramente global de Candace Owens:
🙌🙌 🇵🇹 https://t.co/bbsNiye3KF
— Candace Owens (@RealCandaceO) July 16, 2026
quinta-feira, julho 16, 2026
A inversão moral da epopeia homérica ou toda a verdade sobre a psyop de Christopher Nolan.
Para além da iniquidade do casting e das aberrantes incorrecções históricas que implodem na cenografia (o guarda roupa é pobre ou implausível e um dos barcos usados no filme é uma reconstituição de um Drakkar, usado pelos vikings dois mil anos depois da era em que se desenvolve a acção da Odisseia); para além da cinematografia desleixada e do processo de banalização e desvalorização da linguagem (aparentemente, as "audiências modernas" são excessivamente estúpidas para suportarem uma tradução séria do grego homérico); para além de ser mais que evidente que existe no projecto de Nolan a clara intenção de destituir a obra dos seus mais elevados valores (e por acréscimo ou consequência, destituir a civilização ocidental das suas mais gloriosas referências); para além da eloquência de Disparu, que vale a pena apreciar (não é fácil fazer o que ele faz, assim espontaneamente, em vídeo), há que enfatizar o que o youtuber afirma no fim da sua assertiva dissertação, porque é mesmo necessário que toda a gente tenha consciência do que está aqui em causa.
Um dos eixos fundamentais na narrativa da Odisseia assenta na circunstância de que um grupo de aristocratas de Ítaca e de outras ilhas vizinhas ocupa literalmente a casa real de Ulisses, usando e abusando da mesa e da adega e dos criados, durante a sua prolongada ausência (20 anos - 10 de guerra, 10 de regresso), na expectativa de que um deles seja escolhido para usurpar o seu trono e desposar a sua mulher, Penélope, que tenta por todos os meios recusar avanços e protelar a decisão de declarar rei morto, rei posto. A pressão e a humilhação a que a rainha é submetida é imensa e insustentável, mas ela persiste na sua fidelidade ao marido, acreditando que ele está vivo e regressará a casa.
Quando enfim Ulisses regressa, apercebe-se da intrusão, do abuso, da arrogância e da deslealdade dos seus súbditos mais proeminentes e mata-os a todos.
Moral da história: sê fiel ao teu marido. Sê fiel ao teu legado. Sê fiel ao teu Rei. Modera a tua ambição. Modera a tua arrogância. Modera a tentação de desafiar os deuses e o destino e a ordem natural das coisas. Caso contrário, pagarás essa ousadia com a vida.
Ora, há aqui um paralelo arrepiante com o episódio Nolan.
Como um intruso, o cineasta, que também é um aristocrata (da oligarquia liberal), apodera-se indevidamente da obra de Homero (que vive ainda na cultura ocidental) para abusar dela, para se aproveitar dela, para distorcer e vilipendiar o seu legado, para fazer da epopeia o que bem entende na falsa consideração de que o texto original é letra morta, manifestando no processo toda a hubris de Hollywwod, e total deslealdade para com o imortal poeta. A traidora expectativa do súbdito é, também neste caso, substituir o amo, ao colocar-se como um revisor oficial da história, interpretando-a e recontando-a de tal forma que a faz irreconhecível, tomando assim os louros da autoria e massificando esse cunho corruptor.
É deprimente, mas nos tempos que correm, haverá mais gente no mundo que conhece a obra de Christopher Nolan do que a obra de Homero. Pior ainda: As massas contemporâneas vão conhecer a literatura do bardo eterno pela versão infame e conspurcada de um realizador que se consagrou ao filmar uma trilogia do Batman.
Mas neste caso, a moral da história é simetricamente inversa e muito pouco, ou nada, edificante: O traidor, o vilão, aquele que não modera a sua ambição nem a sua arrogância, aquele que é infiel à História, à Cultura, ao legado clássico da Civilização Helénica, é recompensado com fama e fortuna, glorificado pelas máquinas de propaganda, elevado ao patamar homérico, que usurpou.
Um claro e infernal sinal dos tempos.
Remigração: compreender o conceito que está a polarizar o debate europeu.
O debate sobre a remigração obriga as sociedades europeias a confrontarem uma questão decisiva: como conciliar controlo migratório, coesão social, Estado de direito e respeito pela dignidade humana? A análise de Francisco Henriques da Silva.
Steve Baker, o 6 de Janeiro e o modus operandi do Estado profundo.
Este aqui está claramente a tentar sobreviver ao desastre.
Duvido que consiga chegar vivo (no sentido eleitoral do termo) a 2028 , mas que sei eu?
💥EPSTEIN COVER-UP BOMBSHELL: Vice President JD Vance Has Publicly Contradicted Trump & Stated On The Record That Jeffrey Epstein Worked For US & Israeli Intelligence!
— Alex Jones (@RealAlexJones) July 15, 2026
Then— Vance Dropped Another Epstein Bombshell, Stating That The Admin "Absolutely Screwed Up The Comms On The… pic.twitter.com/0romVUv2X7
Projecto-lei do governo britânico ameaça com prisão pais e médicos que resistam a tratamentos de transição de género para crianças.
Intensificando a tendência para a radicalização da ideologia de género, o governo britânico está a ameaçar pais, professores e médicos com pena de prisão caso tentem dissuadir as crianças de se submeterem a tratamentos irreversíveis de transição de género.
Não por acaso: Cidade governada pelo próximo primeiro-ministro britânico regista a maior queda do nível de vida em Inglaterra.
quarta-feira, julho 15, 2026
Porque é que as multidões têm "paixão" por isto?
Estou a ver, pela primeira vez neste Mundial, um jogo do princípio e em directo. Meia-final Argentina-Inglaterra. Acabou agora a primeira parte. Devo ter visto para aí uns cinco minutos de jogo jogado. E porrada que ferve. E mais nada.
terça-feira, julho 14, 2026
O ‘Chat Control’ chegou (mesmo) para ficar? O que a votação de Estrasburgo muda na sua vida.
E a China. A China também.
Russia and Iran is the only thing standing between us and a world dominated by pedophiles.
— Ethan Levins 🇺🇸 (@EthanLevins2) July 14, 2026
Let that sink in...
Números de uma falência anunciada.
2026 Fiscal Year to Date:
— Charlie Bilello (@charliebilello) July 13, 2026
The Federal Government has taken in $4.15 trillion and spent $5.52 trillion.
Don't try this at home. pic.twitter.com/qz6pvBvuad
🇺🇸 Married + home by 30 years old:
— Wall Street Mav (@WallStreetMav) July 14, 2026
1950: 50%
1960: 52%
1970: 48%
1980: 45%
1990: 43%
2000: 35%
2010: 25%
2025: 12%
The US govt debt fueled spending and Fed monetary policies are destroying the ability of American families to achieve their dreams.
The Affordability Crisis in a nut shell.
— Kyle Becker (@kylenabecker) July 14, 2026
If you want to know why things are so expensive, you can blame three things.
• The Fed's monetary policy
• Debt spending
• Mass immigration
Solve these three problems and you end the affordability crisis. https://t.co/DZWdafTPz0
EUA: Esperança média de vida decresce para quem nasceu depois dos anos 50.
Passou-se de vez: Trump quer agora cobrar taxas aos navios que passem pelo estreito de Ormuz.
Se o homem morreu de causas naturais,
de acordo com a narrativa oficial, expliquem-me isto, por gentileza:
FBI Secures Lindsey Graham's Home Amid Viral Reports About Ukraine Trip https://t.co/XuvVexHBIj
— Kyle Becker (@kylenabecker) July 14, 2026
A Netflixação da Fórmula 1.
O primeiro facto que tem causado alguma perturbação nos fãs é que os carros mal precisam de ser conduzidos e ultrapassam-se loucamente em função do carregamento das baterias, mais do que como resultado de qualquer outra variável.
Para se ter uma ideia de como os pilotos são desvalorizados na F1 actual, este gráfico é precioso: Lewis Hamilton não trava uma vez durante todo o segmento mais rápido de Silverstone, que ainda assim tem 9 curvas e constitui 55% da extensão do circuito: são 3,2 quilómetros sem tocar no travão, num circuito com 5,9 quilómetros.
Actualmente, de cada vez que um F1 ultrapassa outro F1, várias coisas disparatadas podem acontecer. O ultrapassado volta a ultrapassar quem o ultrapassou, imediatamente, como se nada fosse; ou fica dramaticamente para trás como um carro de outra classe, numa corrida de resistência. O ultrapassante que agora vai rápido, será lento depois, quando a carga eléctrica acusar a ousadia do piloto, isto se entretanto a sua própria box não lhe destruir a corrida com uma decisão de categoria subsapiens (a Ferrari tem um manual sobre essa arte).
No meio desta conspiração de estúpidos, o espectador fica sempre sem saber se Leclerc ultrapassou Russel porque o piloto 'tem mais braço' (ou mais coração), porque tinha melhores pneus, um motor superior, melhor aerodinâmica, mais eficientes travões ou muito simplesmente porque o francês conduzia uma bateria feliz. Que daqui a nada será triste, quando o britânico que andou a poupar energia tiver electricidade para gastar à farta.
Como resultado, os carros são bem mais lentos, a orquestra sinfónica que traziam nos cilindros passou a quarteto de cordas e as corridas, um estranho caos de histerismo constante e aborrecimento terminal com 5 ultrapassagens por minuto, que são tudo menos orgânicas, num teatralizado jogo de faz de conta. Dá a sensação que até mesmo os pilotos que estão a ganhar grandes prémios convivem mal com o facto de saberem que é a gestão do artefacto híbrido, mais do que qualquer outra variável, que lhes garante os triunfos.
A diferença contemporânea entre a Fórmula 1 e a Fórmula E é que a fórmula 100% eléctrica sempre faz algum sentido.
Aquela que devia ser a modalidade mais emocionante e competitiva e espectacular da FIA transformou-se num exercício de poupança de energia, como um jogo didático para crianças, produto típico da propaganda regimental.
E sem necessidade nenhuma, porque as tecnologias de motorização híbrida funcionam lindamente e há muito tempo no WEC (mundial de resistência), por exemplo, e nem são novas na F1. O problema, claro, está nos regulamentos.
Mas para além das normas e da forma como condicionam a tecnologia e manipulam parvamente o espectáculo automobilístico, há algo insidioso e talvez até mais perturbador que está a acontecer com a modalidade, como muito bem nota o simracer e também piloto profissional Jimmy Broadbent, no sensato e pertinente clip que deixo em baixo: Com a entrada da Netflix e a concomitante intrusão da cultura das celebridades no circo da F1, de que deriva também a obsessão pela criação de conteúdos, mediaticamente plastificados ao gosto de Hollywood e Silicon Valley, perdemos muito mais do que ganhamos.
Porque se é verdade, indiscutível, que a F1 ganhou audiências nos últimos dez anos, a qualidade do espectáculo desportivo tem regredido no quadrado desse expoente. E o ganho de audiências não significa necessariamente um ganho de fãs.
Como hoje acontece com o Futebol, boa parte do público que agora adere à F1 nem tem grande conhecimento do legado histórico e técnico da modalidade, ou paixão pelo automobilismo. Os media disseram-lhes para consumir o produto e as massas consomem-no, porque sim, porque é o que fazem para entreter o vazio de significado. E por causa do Brad Pitt.
Se acrescentarmos ao quadro as máscaras e os protocolos Covid e os joelhos no chão e o triunfo woke de 2020/2021, a crescente obsessão com a segurança (ignorando que a redução do risco implica simetricamente um deficit na recompensa) e a total ausência de carisma dos pilotos (com excepções, ainda que raras, como Fernando Alonso, Kimi Räikkönen ou Max Verstappen), percebemos que algo está putrefacto no reino da Liberty Media, a empresa norte-americana que para todos os efeitos é dona da F1 desde 2017, ou seja, precisamente a época de declínio de que estamos a falar.
À gauche : James Hunt, pilote de Formule 1 en 1976.
— Le Contemplateur (@LeContempIateur) June 8, 2026
À droite : Lewis Hamilton, pilote de Formule 1 en 2026.
Qu’est-ce qui s’est passé ? pic.twitter.com/p8BHIjIw3J
Na verdade, e concluindo, aconteceu e está a acontecer com a F1 o que na verdade aconteceu e está a acontecer com tudo aquilo que já foi glorioso no Ocidente, no largo espectro que vai de Homero a Enzo Ferrari: as elites da classe Davos e as elites da classe Epstein tomaram conta e estragaram tudo.








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