segunda-feira, março 16, 2026

Sun Tzu e a falência estratégica do Regime Epstein na Guerra do Golfo.

Sun Tzu foi um general, estratega militar e filósofo chinês que viveu durante o Período das Primaveras e Outonos (aproximadamente entre 544–496 a.C., embora as datas exactas sejam debatidas e haja quem situe sua vida no Período dos Reinos Combatentes, um pouco mais tarde).

Pouco se sabe com certeza factual sobre a sua vida pessoal. Os detalhes biográficos vêm principalmente de fontes como o historiador Sima Qian (século II a.C.), que o descreve como natural do estado de Qi. Segundo a tradição, Sun Tzu serviu como general e conselheiro militar do rei Ho Lu, do estado de Wu, no sul da China. Uma famosa anedota conta que, para provar as suas capacidades ao seu rei, que sobre elas se mostrava céptico, Sun Tzu treinou as concubinas do palácio como soldados - executando duas delas quando desobedeceram às suas ordens - e depois liderou vitórias militares impressionantes contra estados rivais.

A ele é atribuída a autoria de A Arte da Guerra, um tratado militar curto mas extremamente influente, composto por 13 capítulos. Escrito por volta do século V a.C., o livro não é apenas um manual de tácticas de batalha, mas uma profunda reflexão sobre estratégia, psicologia, liderança, inteligência e filosofia.

A Arte da Guerra está para a cultura militar oriental como o tratado "Da Guerra" de Carl von Clausewitz, para a cultura militar ocidental. 

 

Ideias centrais

Sun Tzu sustenta que a arte da guerra consiste em subjugar o inimigo sem que seja sequer necessário lutar ou, pelo menos, sem desnecessário derramamento de sangue, através de diplomacia, da ilusão, da espionagem, da superioridade estratégica e do conhecimento das fragilidades e fortalezas do inimigo, tanto como das nossas. Algumas das suas máximas mais célebres reflectem essa filosofia que defendia a razão sobre a força bruta:

"Aquele que conhece o inimigo e a si mesmo lutará cem batalhas sem perigo de derrota."

"Toda guerra baseia-se no engano." 

"A excelência suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem combater."

A obra transcendeu há muito o contexto da caserna: é estudada em academias militares, mas também em cursos de economia e marketing, sendo as suas regras aplicadas por políticos, desportistas e líderes empresariais. Influenciou figuras como Mao Zedong, generais ocidentais como George S. Patton e continua a ser leitura obrigatória em muitas escolas de negócios e estratégia.

Em resumo, A Arte da Guerra não é só o mais antigo e famoso tratado militar da história, é uma obra-prima sobre como vencer em situações de conflito (seja no campo de batalha, nos negócios ou na vida), privilegiando a inteligência, a preparação e a economia de forças acima da aplicação indiscriminada da violência.

 

A Guerra no Irão como antítese dos ensinamentos de Sun Tzu.

Fundamentando a análise no gráfico em baixo, que sintetiza os princípios fundamentais da Arte da Guerra, podemos explorar teoricamente a circunstância militar da coligação Epstein no contexto da guerra do Golfo que agora decorre.


Planeamento:
se alguma coisa é óbvia nesta guerra, é que não houve um. Os Estados Unidos - e estranhamente, Israel - não estavam preparados para a resiliência do regime iraniano, não estavam preparados para o fecho do Estreito de Ormuz (consequência óbvia do seu ataque para qualquer pessoa com dois neurónios funcionais), não estavam preparados para aquilo que parece cada vez mais uma guerra de atrito (principalmente no que diz respeito à escala de munições necessárias), não estavam preparados para a capacidade retaliatória do regime islâmico, não estavam preparados para o impacto das suas acções nos mercados energéticos, não estavam preparados para defender os seus aliados do Golfo Pérsico e não estavam preparados para a reacção da comunidade internacional e da opinião pública global. E é por isso que vemos todos os dias a Casa Branca a alterar as justificações para esta guerra, tanto como os objectivos que terão presidido ao seu desencadeamento. 
Mas talvez o mais preocupante sinal da falta de planeamento desta guerra é que é agora evidente que o eixo Epstein não tem sequer um plano B, uma forma de sair airosamente do conflito, respondendo às adversidades no teatro das operações apenas com a intensificação da violência bélica, numa escalada que promoverá o cometimento de crimes de guerra, uns atrás dos outros.
Por último, estamos ainda sem saber se as autoridades da coligação agressora estão preparadas para as baixas militares (no caso dos EUA) e as baixas civis (no caso de Israel, que está ser quotidianamente bombardeado) que este conflito potencialmente traduzirá e que poderão ter impactos significativos na coesão interna e na vida política das duas nações.

Eficiência na prossecução da guerra: os Estados Unidos têm uma força militar gigantesca, mas anacrónica e ineficiente face aos desafios do confronto bélico no século XXI. O regime iraniano usa drones de 30.000 dólares a unidade que são interceptados por sistemas de defesa anti-aérea de custo unitário que ronda frequentemente os cinco a dez milhões de dólares. Os porta-aviões norte-americanos são "patos parados" no Mediterrâneo e no Mar Arábico, que podem ser afundados por mísseis hiopersónicos do arsenal iraniano ou danificados por projecteis e drones de tecnologia relativamente primária. 

Conhecimento do Terreno: O Irão é um país de grande escala territorial e demográfica, com um terreno acidentado e inóspito, salteado de grandes cidades, densamente povoadas (Teerão tem dez milhões de habitantes e uma área semelhante a Nova Iorque). Qualquer operação no interior do seu território será um pesadelo operacional e logístico. 
Por outro lado, o Estreito de Ormuz é dominado, na sua costa leste (território iraniano) por uma cordilheira de montanhas que oferece aos persas uma posição estratégica ideal e praticamente inexpugnável. A capital do País, no seu extremo norte, não permite um acesso directo ao inimigo, já que as forças do eixo Epstein não controlam o Mar Cáspio.
O Contra irá publicar amanhã um texto dedicado apenas a esta variável, pelo que não vale a pena estarmos a aprofundá-la agora. Mas será suficiente afirmar que nem americanos nem israelitas têm as condições geográficas a seu favor, enquanto o Irão luta em casa contra um inimigo que, no caso do Pentágono, combate a 10.000 quilómetros da pátria. 

Mobilização e colocação efectiva de tropas e equipamento militar: Também aqui o regime iraniano está em vantagem, precisamente porque pode tirar partido do 'factor casa',  enquanto as forças da operação Epstein Fury se diluiem entre o Mediterrâneo, o Mar Arábico, as bases militares americanas na costa ocidental do Golfo Pérsico e o território israelita. 
Os paleolíticos e monstruosos navios da marinha norte-americana, construídos para o jogo de intimidação da Guerra Fria e não para as realidades assimétricas do actual conflito, têm que se manter suficientemente afastados do território inimigo para não serem alvos fáceis e as bases militares do Pentágono na região, bem como os seus equipamentos de radar foram entretanto danificados ou completamente destruídos.
Acresce que o assassinato do líder supremo iraniano, e o massacre de mais de 150 crianças na escola feminina de Minab por bombardeamentos americanos logo no incício do conflito, radicalizaram a população iraniana, que será agora muito mais facilmente mobilizável para resistir à agressão e lutar pelo seu país.
Ao contrário, é já evidente a divisão interna sobre a justificação e a pertinência desta guerra nos Estados Unidos, mesmo no seio de uma boa parte do eleitorado que conduziu Trump a um segundo mandato presidencial. A mobilização dos americanos para o serviço militar, incluindo a hipótese de recrutamento obrigatório, será inevitavelmente problemática na América. E a resiliência da população israelita, bem como a sua predisposição psicológica para uma guerra de longa duração, está ainda por determinar.

Fortalezas e fragilidades: Como já foi afirmado, a coligação EUA/Israel subvalorizou a capacidade bélica e a resiliência do inimigo, parece ignorar as dificuldades geofísicas e demográficas do terreno e terá, aparentemente, um arsenal mais debilitado do que as forças iranianas, que há muitas décadas se preparam e armam para este conflito. Tudo o que o Irão o tem que fazer, para sair vitorioso, é sobreviver. Mas a vitória do eixo Epstein passa por uma mudança de regime em Teerão, que, neste momento parece só possível com uma invasão terrestre, possibilidade que, como já foi mencionado, implica brutais problemas de ordem operacional e logística.
Acresce que as fragilidades do bloco sionista-americano não são apenas militares (operacionais e logísticas, já referidas), mas políticas e económicas, dada a crise energética que a guerra espoletou e as divisões internas sobre a legitimidade desta agressão, principalmente nos EUA.
Na verdade, os Estados Unidos parecem caminhar para um isolamento no contexto da comunidade internacional, com os aliados europeus  e asiáticos a recusarem solicitações de ajuda por parte da administração Trump e os países do Golfo, que vivem da indústria petrolífera e turística, a serem seriamente atingidos nessas duas vertentes pela retaliação iraniana, sem que os EUA consigam proteger esses territórios aliados.

Integração e Manobrabilidade: Como já enunciamos, as forças do eixo Epstein não estão bem integradas no teatro das operações, encontrando-se dispersas na extensa área entre o Mediterrâneo e o Mar Arábico. E a sua capacidade de manobra é também limitada, pelo menos enquanto a operação não se estender para uma invasão terrestre.

Espionagem, inteligência e terrorismo: Este é um ponto que, no princípio da acção militar, parecia favorecer as forças da aliança EUA/Israel. Semanas antes da guerra ter sido espoletada, foram registados claros sinais de que a Mossad e a CIA estavam a conseguir mobilizar a dissidência interna no Irão, apesar da feroz repressão a que foi de pronto submetida pelas autoridades. Logo no início da operação, a decapitação do regime, só possível graças a precisas informações de inteligência, parecia também estar a ser bem sucedida. Mas com o passar dos dias, percebeu-se que as baixas infligidas ao inimigo não eram suficientes para a sua claudicação e que a população civil não estava a responder às expectativas de sublevação de americanos e sionistas. O Irão não é a Venezuela e os serviços secretos do regime Epstein não conseguiram subornar as elites políticas e militares persas como tinham feito no Caribe.
O Irão, no entanto, poderá ter células terroristas infiltradas no Ocidente, se bem que até agora ainda não as tenha activado.

Estratégias multifacetadas: Do lado iraniano a estratégia é dual. Por um lado, retaliar convencionalmente contra posições do inimigo, mas sem utilizar os seus recursos balísticos mais devastadores. Por outro, desenvolver eixos de guerra assimétrica, fechando o Estreito de Ormuz e bombardeando os países do Golfo que são aliados dos EUA, procurando criar pressão internacional sobre a Casa Branca.
Quanto ao eixo Epstein, a estratégia tem sido uma única: massificar bombardeamentos até que o regime inimigo se desintegre. 
Nos dois casos, as estratégias podem sofrer alterações. A aliança pode decidir-se por uma invasão terrestre, enquanto as autoridades iranianas, se levadas ao desespero de causa, poderão espoletar as suas armas de maior capacidade destruidora, tanto sobre alvos convencionais (porta-aviões, por exemplo) como sobre alvos assimétricos (infraestruturas industriais, áreas civis, hotéis nos países do Golfo).

Movimentações Eficientes: Tanto num caso como noutro, este ensinamento de Sun Tsu não tem sido seguido. Os iranianos não têm por que alterar as suas posições no teatro de operações. No caso do Pentágono, as movimentações mais significativas que tem feito são as que passam por conduzir mais tropas e equipamento para o Médio Oriente, mesmo sacrificando a sua presença no Pacífico, já que está neste momento a transportar tropas, sistemas de defesa anti-míssil e meios aéreos da Coreia do Sul e do Japão para o Golfo. A eficiência destas movimentações só poderá ser avaliada mais à frente no tempo, mas será justo presumir que os referidos aliados no Pacífico estão a encarar esse trânsito com preocupação.

Diplomacia, argúcia e pensamento estratégico: Enquanto o Irão procura reforçar as suas relações com a China e a Rússia, e parece seguir uma estratégia há muito ponderada e delineada, os Estados Unidos parecem cada vez mais isolados e a administração Trump tem demonstrado recorrentemente que usa a diplomacia não para tentar a paz, mas para criar condições favoráveis para fazer a guerra, como os sucessivos casos em que chama adversários para a mesa das negociações só para os atacar enquanto essas conversações decorrem manifestamente demonstram.
Como já foi enunciado, o regime Epstein não parece ter uma estratégia bem delineada, vivendo do improviso militar e retórico, e não mostrou até agora qualquer predisposição para a criatividade ou o pensamento disruptivo (para além do infame comportamento diplomático) na forma como tem conduzido as hostilidades. 

Disposição e variabilidade táctica: as forças do eixo EUA/Israel parecem mostrar-se mais eficazes no ataque do que na defesa das suas posições, como é evidente pelos bombardeamentos que estão a atingir Telavive e as bases militares americanas no Golfo, sem que mostrem grande versatilidade operacional, continuando a apostar tudo nas operações de bombardeamento por mísseis e aviação militar.
Ao contrário, o Irão está igualmente concentrado na defesa e no ataque, diversificando a sua acção em vectores militares, políticos e económicos.

Aproveitamento de variáveis locais: o aproveitamento de circunstâncias climáticas, elementos naturais e especificidades regionais não tem sido até agora claramente observado na acção do Regime Epstein, talvez excluindo o bombardeamento da ilha de Khark, onde os iranianos têm uma importante infraestrutura de distribuição petrolífera, que é difícil de proteger.
O regime persa parece estar a tirar partido das condições do terreno e de complexos subterrâneos para manter as suas forças e recursos a salvo dos bombardeamentos inimigos, embora seja difícil factualizar o sucesso destas medidas.  

 

Resumindo e concluindo.

Parece evidente que os ensinamentos de Sun Tzu compaginam mais com o comportamento do regime iraniano do que com as acções do eixo Epstein. Em primeiro lugar porque esta guerra é desnecessária, não foi provocada e prejudica muito mais que beneficia todos os envolvidos, sendo certo que se trata de um conflito de impacto global, mesmo que neste momento seja travado apenas por três países.

Assim sendo, de acordo com a análise agora desenvolvida e a creditarmos a assertividade da filosofia do autor clássico chinês, a teocracia persa é capaz de ter boas hipóteses de sobreviver a este conflito, confirmando as previsões de um outro ilustre e também chinês mestre de estratégia, o contemporâneo professor Jiang Xueqin, que prevê que os Estados Unidos vão sair vencidos desta guerra que em má hora inventaram.

Tarde piaste: Von der Leyen, que votou a favor da eliminação da energia nuclear na Alemanha, diz agora que foi um “erro estratégico”.

A presidente da Comissão Europeia classificou o retrocesso da energia nuclear na Europa como um "erro estratégico", apesar de ter votado a favor da sua eliminação gradual na Alemanha, quando era deputada.


 

Regime Epstein envia milhares de fuzileiros, vários navios de guerra e uma esquadrilha de F-35 para o Médio Oriente.

O Pentágono está a mobilizar unidades de marines, navios, esquadrilhas de caças e outro equipamento bélico para o Golfo Pérsico, antecipando uma previsível operação militar terrestre no Irão.


Há eleitorado para um partido anti-sistema nos EUA.

Humilhados & impotentes.


domingo, março 15, 2026

Nano-História das Revoluções – Primeira Parte

Um muito sucinto ensaio em duas partes sobre as rupturas axiomáticas da civilização ocidental. Os primeiros cinco capítulos abrangem outros tantos séculos: da Revolução Comercial da Idade Média à independência americana.


 

Nasceram um para o outro.


Faz todo o sentido.

De acordo com o Regime Epstein, a guerra precisa de ser feita, mas não precisa de ser ganha.

O objectivo desta guerra não é libertar, civilizar, dominar ou pacificar o Médio Oriente. O objectivo é instalar o caos na região e, se tudo correr "bem", espoletar a III Guerra Mundial e um conflito termo-nuclear que, por definição, não tem vencedores.


 

A sátira e a tragédia.

Tim Dillon faz neste segmento do seu podcast um corrosivo exercício satírico sobre a aparente predisposição do regime Epstein para desencadear a III guerra mundial, explorando com espírito aquela que é talvez a mais preocupante de todas as teorias da conspiração: o objectivo último das elites ocidentais é o da redução drástica e substancial da população mundial.

Tem piada. Até ao ponto em que percebermos que a teoria da conspiração pode, como tantas outras, estar entrincheirada na realidade dos factos.

Pentágono confirma 140 baixas militares norte-americanas na guerra contra o Irão.

Até terça-feira passada, a versão oficial do Pentágono era a de que tinham morrido na guerra contra o Irão 7 soldados norte-americanos e 8 tinham ficado feridos. Mas ontem o Pentágono assumiu que cerca de 140 soldados foram feridos desde 28 de Fevereiro.


 

Um meme de geração espontânea.

 O meme:


A realidade:

E o spin da CNN:

O fim de uma tradição milenar: Governo britânico avança com plano para eliminar a maioria dos julgamentos com júri.

O governo britânico fez aprovar no parlamento o seu plano para limitar drasticamente o milenar direito a um julgamento por júri. A desgraçada iniciativa visa um reforço do poder despótico das elites sobre as massas mais que um aumento da eficiência do sistema judicial.


Granda bronca: A CIA está a tentar meter o Tucker Carlson no xilindró.

Bom Deus, esta é demais: a CIA está a ler mensagens privadas do Tucker e a utilizar essa descarada invasão da sua privacidade para o incriminar como "agente de um poder estrangeiro" por contactos que, como jornalista, teve com líderes iranianos antes sequer da guerra ter começado.

Poça, isto é sério... O homem diz que não está preocupado, mas por acaso, até pelo tom geral deste breve monólogo, parece-me sinceramente que está deveras aflito.

E tem razão para isso. 

Espectacular democracia. Espectacular Estado de direito. Espectacular, tanto como distópica, federação americana. 


A Lei da Convergência Escatológica, explicada às massas pelo professor-profeta.

A lição de Jiang Xueqin que deixo no fim deste texto é uma coisa do outro mundo. Nada mais nada menos que uma teoria de convergência entre todas as profecias escatológicas do Ocidente, a saber: a zoroastriana, a judaica, a protestante (do cristianismo sionista, no poder actualmente em Washington), a maçónica, a católica e a ortodoxa.

A tese do professor-profeta é a de que todas estas escatologias convergem numa plataforma de poder global, que irá conduzir à edificação do Terceiro Templo de Jerusalém e à deflagração da enigmática e indecifrável guerra de Gog e Magog, a última guerra antes do utópico império de Deus, ou segunda vinda de Cristo, ou ainda, se quiserem, o fim da História.

Não sei se me faço explicar (ele fá-lo melhor, claro), mas o que é aterrador, quando seguimos o raciocínio de Xuequin, é que todas as versões escatológicas aqui enunciadas trabalham efectivamente para o mesmo fim do mundo, independentemente da diversidade das suas profecias e interpretações das respectivas escrituras sagradas ou visões apocalípticas.

O professor está convicto que a actual guerra com o Irão vai resultar na posterior guerra de Gog e Magog e assim sucessivamente até ao Armagedão. Podemos concordar ou não com ele, mas convém recordar que este homem tem estado certo desde que iniciou o seu percurso como mestre em história preditiva e que adivinhou, por exemplo, que Trump faria a guerra com a república dos aiatolás mesmo antes do magnata de Queens ter sido eleito.

Um detalhe deveras interessante: à luz da interpretação das várias escatologias analisadas neste sistema teórico, a China e os Estados Unidos não serão relevantes nos últimos estágios da convergência escatológica, ou seja: quando se der a derradeira porrada de Gog e Magog, estas nações já nem sequer farão parte do mapa geopolítico, ou pelo menos não terão nele um papel decisivo. 

No caso norte-americano a previsão de Xuequin é prosaica: a guerra civil. Mas talvez porque não se queira meter em sarilhos com o regime que vigora no seu país de origem e onde neste momento exerce o seu magistério, o professor não alvitra razões para a queda específica do 'Império do Meio'.

Alvitro eu: serão económicas e não políticas. 

Como resultado de tudo isto, o professor-profeta prediz, relativamente à guerra agora espoletada contra o Irão, que os Estados Unidos vão colocar 'botas no terreno', o que por sua vez implica um recrutamento militar obrigatório que vai conduzir necessariamente à guerra civil, porque a faixa etária recrutável não está disponível para o sacrifício em nome de valores morais nenhuns (eu diria que mesmo que valores alguns existissem, não estaria disponível na mesma).

Depois, Xuequin prevê que a invasão terrestre do Irão será mal sucedida (neste específico ponto, não é preciso ser um adivinho dotado para antever a catástrofe), que os Estados Unidos perdem a guerra e as unidades militares do CENTCOM (comando das forças norte-americanas no Médio Oriente) retiram para Israel (porque não têm nesta altura uma nação para onde voltar). 

Acresce que os países do Golfo vão no processo entrar em colapso económico, o que serve perfeitamente os interesses sionistas, no sentido de terem condições para estabelecer finalmente a profecia bíblica do 'Grande Israel', que se estende por todo o Médio Oriente, entre o Egipto e o sudeste da Turquia.

O professor antecipa também e necessariamente a entrada na presente guerra da Turquia e da Arábia Saudita, porque na sua opinião o conflito está a ser manipulado de forma a enfraquecer as nações que não compaginam com a convergência escatológica enunciada anteriormente.

E enquanto a Mesquita de Al-Aqsa (que foi erigida no local onde o Terceiro Templo deve ser levantado) será destruída, o Irão, vitorioso desta guerra, regressará ao estatuto de grande potência persa, o que também serve a escatologia sionista, porque a guerra de Gog e Magog será, afinal, uma guerra contra a Pérsia e contra a Rússia.

Mais: na medida em que os Estados Unidos mergulhem numa guerra civil que os condene à selvajaria tribal e à irrelevância geopolítica, a tecnocracia americana imigrará para Israel onde promoverá enfim a tão almejada distopia digital (ou pax judaica).

No entretanto, Moscovo ganha a guerra com a Ucrânia e cumpre a sua profecia ortodoxa de constituir a 'Terceira Roma' (ou a segunda Constantinopla) e agregar nesse movimento todo o mundo ortodoxo (que está dividido entre gregos, bálticos, ucranianos e russos). Esta projecção implica que gregos e turcos entrem em conflito, o que pode parecer estranho aos olhos de qualquer pessoa que viva no século XXI e não tenha lido dois ou três livros de história, mas que é sempre uma possibilidade real, num contexto de caos global. É claro que no processo dessa guerra a NATO acabará por ser extinta (a Turquia e a Grécia são estados membros), tanto como o conceito de um Europa politicamente coesa.

Neste sentido, a guerra na Ucrânia, segundo o professor Jiang, tem menos a ver com a protecção de esferas de influência do que com a unificação da ortodoxia por Moscovo e a destruição da Europa liberal, de forma a que a Rússia cumpra o seu destino de 'Terceira Roma'.

Ou seja: tudo de facto converge neste momento para um cenário apocalíptico, seja qual for a escatologia em causa.

E isto que temos aqui, que nem sequer é monetizado pelo autor, não é uma lição. É um sacana de doutoramento. Numa hora apenas.

Bestial.

sábado, março 14, 2026

O Contra "virou à esquerda"?

Porque tem criticado severamente o regime Epstein, de que Donald Trump é o primeiro testa de ferro, o ContraCultura tem sido acusado de ter "virado à esquerda". É a acusação legítima? E ser "de direita" ou "de esquerda" será sequer uma questão pertinente, no mundo em que vivemos actualmente?

Os Lusíadas e o Espelho Partido do Mundo.

A 12 de março, sopraram quatrocentos e cinquenta velas sobre a primeira edição de Os Lusíadas. Mas que mundo é este que agora habita o mesmo poema? O que vemos é uma guerra do Diabo contra o Diabo. A crónica de António Justo.


 


Americanos já estão a pagar caro a guerra contra o Irão: Preços da gasolina atingem o nível mais elevado dos dois mandatos de Trump.

Os preços da gasolina na América subiram para uma média de 3,32 dólares por galão, o nível mais elevado desde Setembro de 2024. Ironicamente, o preço do galão é agora superior em 21 cêntimos àquele que vigorava quando Joe Biden deixou a Casa Branca.


 

Todos os dias um delírio diferente.

Será que ainda há alguém no mundo, com um neurónio funcional, que leve este palhaço a sério?

Lindo. Absolutamente lindo.

Vamos fazer melhor as contas, ok?

A agenda das reparações tem estado a ganhar tracção nas Nações Unidas e os contribuintes portugueses correm o risco de serem roubados a propósito da "justiça reparatória" que é, segundo a organização, a "chave para desmontar o racismo sistémico."

Para além do discurso ofensivo que acusa meio mundo de racismo; para além de se estar a julgar a escravatura com critérios actuais e a condenar uma geração de pessoas que não cometeram qualquer crime (compensando uma geração de pessoas que não são vítimas de coisa nenhuma); para além da exclusiva atribuição do legado do esclavagismo ao homem branco ocidental, olvidando que inúmeros povos e civilizações da história universal e da geografia global praticaram a exploração do homem pelo homem, e nalguns casos, como no Indico Muçulmano dos séculos X a XVIII, com muito maior intensidade económica e demográfica; para além da absurda noção de justiça das Nações Unidas; as contas, para serem realmente justas, terão que ser feitas assim: os descendentes dos europeus e dos americanos pagam pelo esclavagismo dos seus trisavós se os descendentes dos africanos que capturavam e vendiam aos brancos esses escravos também contribuírem pela sua parte da responsabilidade. E depois, os africanos actuais vão ter que indemnizar os brancos europeus contemporâneos pelas escolas, universidades, hospitais, estradas, caminhos de ferro, pontes, barragens, portos, minas, indústrias e infraestruturas que os seus trisavós deixaram nas ex-colónias e que, em muitos casos, ainda hoje servem os países colonizados.

Contas feitas, talvez o terceiro mundo fique ainda a dever uns trocos ao primeiro. Caso contrário, 10% dos salários dos burocratas da ONU, durante 10 anos talvez fosse suficiente para compensar as "vítimas".

O cúmulo das flores de estufa: jovens da Geração Z estão a levar consigo os pais a entrevistas de emprego.

Um novo estudo, com uma amostra de 1.000 trabalhadores da Geração Z, descobriu que uns impressionantes 44% destes jovens contaram com a ajuda dos pais para escrever ou editar os seus currículos, enquanto 20% admitiram que um dos pais os acompanhou à entrevista de emprego.


Reina o caos e a destruição no Estreito que Donald Trump afirma “seguro”.

Apesar das garantias e da fanfarronice de Donald Trump, o Estreito de Ormuz está mergulhado no caos e 14 embarcações já foram atingidas por fogo iraniano desde o início das hostilidades no Golfo.


 

sexta-feira, março 13, 2026

Virar a distração do avesso. Voltar a usar.

A falsa bandeira que pode rebentar a qualquer momento.

Guerra no Médio Oriente: Análise de um Conflito em Transformação. Parte 2

Segunda parte da análise de Francisco Henriques da Silva sobre a complexa e volátil situação geopolítica no Oriente Médio, integrando a guerra de narrativas, as implicações estratégicas e os impactos económicos e geopolíticos. 



E quem é que pode afirmar que a mensagem é despropositada?





Uma guerra que pode acabar com o império.

Na conversa entre Tucker Carlson e Saagar Enjeti percebe-se claramente o desespero de causa dos dois jornalistas conservadores americanos: há nesta guerra com o Irão tantos efeitos colaterais quanto indícios da queda do Império. 



Completamente de acordo com esta senhora, também.

Completamente de acordo com esta senhora.

E o que ela diz em relação aos EUA, digo eu em relação a todo o Ocidente. As coisas só vão mudar se o sistema for extinto e no lugar dele for colocado um outro. Isto não tem nada a ver com tirar um partido ou outro do poder, não tem nada a ver com ideologias, porque o regime Epstein tem apenas uma ideologia, que é demoníaca. E o resto é conversa.


 

Espanha: Imigrante senegalês que violou menina de 14 anos evita prisão e é castigado… Com uma multa.

 

O sistema judicial espanhol gerou indignação depois de um imigrante senegalês de 26 anos, que admitiu ter violado uma rapariga de 14 anos que aliciou no Instagram, ter evitado a prisão através de um acordo judicial.


 

Investigação norte-americana aponta para provável responsabilidade do Pentágono no ataque à escola iraniana de Minab.

Investigadores militares norte-americanos acreditam que é provável que as forças do Pentágono sejam responsáveis ​​pelo ataque a uma escola feminina iraniana que matou cerca de 160 crianças a 28 de Fevereiro, um dos mais graves crimes de guerra alguma vez cometidos pelos EUA.


 

quarta-feira, março 11, 2026

Confundir, mentir, destruir: A guerra esquizofrénica de Donald J. Trump

O registo da administração Trump sobre a Guerra no Irão tem sido, nos últimos dias, de natureza esquizofrénica. Mas esta é afinal a lógica do Regime Epstein: confundir, iludir, distrair. E no entretanto, destruir.


 

A guerra não precisa de ser ganha, precisa de ser feita #02

O nível de incompetência descrito neste post não é plausível. A guerra, segundo o Regime Epstein, não é feita para ser ganha. É feita para ser destruidora. Apocalíptica, se possível. O objectivo não é libertar, civilizar, dominar ou pacificar o Médio Oriente. O objectivo é instalar o caos na região, no mínimo e, se tudo correr "bem", espoletar a III Guerra Mundial e, enfim, um conflito termo-nuclear, que, por definição, não tem vencedores.


Alemanha: 15,5 milhões de pessoas, quase um quinto da população total do país, não falam alemão em casa.

A Alemanha tem 83,5 milhões de habitantes. Dos 21,4 milhões definidos como imigrantes de primeira ou segunda geração, apenas 22% falavam exclusivamente alemão em casa. A integração é um mito.


 

Ficção versus realidade.

Guerra no Médio Oriente: Análise de um Conflito em Transformação. Parte I

Francisco Henriques da Silva analisa, num ensaio de dois capítulos, a complexa e volátil situação geopolítica no Médio Oriente, integrando a guerra de narrativas, as implicações estratégicas e os impactos económicos e geopolíticos.