Quem acredita que uma invasão terrestre do Irão pelos EUA é qualquer coisa parecido com uma boa ideia deve ouvir o que diz, nesta conversa com Mario Nawfal, o ex-SEAL da Marinha e veterano de operações especiais Matt Bracken, que faz duas muito pertinentes analogias.
A ilha de Kharg, no nordeste do Golfo Pérsico, tem o tamanho de Iwo Jima. Na II Guerra Mundial, os EUA bombardearam a ilha com navios de guerra durante semanas antes de desembarcar 70.000 fuzileiros. Ainda mesmo assim perderam 7.000 vidas e tiveram 19.000 feridos em apenas um mês (quase 50% de baixas).
A ilha de Qeshm, ponto crucial em pleno Estreito de Ormuz, é maior que Okinawa, cuja invasão demorou 3 meses e fez 12.000 mortos entre os soldados americanos. Os iranianos chamam à ilha "Cidade dos Mísseis", de tal forma consiste numa fortaleza subterrânea inexpugável, de solo granítico e imensa capacidade balística.
O Irão teve décadas para construir túneis nestas ilhas, estudar as tácticas americanas e preparar-se precisamente para este cenário. E, ao contrário do Japão na Segunda Guerra Mundial, possui mísseis de precisão capazes de atingir cada centímetro do Golfo Pérsico.
Matt Bracken não tem dúvidas:
"Se entrarmos no Irão, penso que perderemos todos os que enviarmos; quanto mais enviarmos, mais perderemos, e os iranianos têm sido muito claros quando dizem: 'Venham, venham, sejam bem-vindos'."
Matt concluiu dizendo que anão há vestígios de racionalidade na Casa Branca e no Pentágono e que tudo começou com um ataque surpresa a 28 de Fevereiro, pelo que nenhuma possibilidade deve ser descartada. Donald Trump será capaz de qualquer desastre e será capaz até de qualificar o pior dos desastres como uma vitória, independentemente dos americanos que morrerem no Golfo.
Anyone who thinks a ground invasion of Iran is a serious possibility needs to watch this...
Matt Bracken is a former Navy SEAL and spec ops veteran, and he just delivered one of the most sobering comparisons I've heard yet:
Poetas Clandestinos da Literatura Portuguesa: “Três Oito e Setenta e
Cinco” é um polaroide sensacionista, porque José Ricardo Nunes é um
verdadeiro perito do instante. Mas a sua poesia, volátil como um livro
de bolso, é um bom tratamento para as dores da comédia humana.
A Apple interpôs uma acção judicial federal acusando a OpenAI de
apropriação indevida de informações confidenciais para impulsionar os
seus esforços em hardware. A acção pode afectar os planos de captação de
capital anónimo da empresa mãe do ChatGPT.
Um novo relatório revela uma fraude generalizada na identificação etária
entre os imigrantes que se declaram como menores à entrada em Espanha,
com implicações significativas para os sistemas de asilo no país vizinho
e por toda a Europa.
Apesar de não ter sido eleito por ninguém, Andy Burnham estará a planear
aumentos significativos de impostos sobre os contribuintes britânicos,
que já enfrentam uma carga fiscal esmagadora e que vivem num país em
sérias dificuldades económicas.
Outra vez o Disparu. Porque este rapaz impressiona. A forma como desmonta neste clip a obra ao negro de Christopher Nolan é absolutamente i-m-p-e-c-á-v-e-l.
Descartando o facto de ser um excelente crítico de cinema, Disparu é uma espécie de bardo, incómodo e certeiro, que escarafuncha profundamente nas feridas culturais do Ocidente. E nada como a subversiva e falsificada ópera de Nolan para meter o dedo, meio genial, na chaga, completamente putrefacta.
Sonhávamos que a tirania viria com botas e bandeiras, precedida por
tambores, para que pudéssemos pelo menos reconhecê-la e resistir. Ela
chega, pelo contrário, sem rosto e sem som, pedindo apenas que aceitemos
os termos de uso. A crónica de Marcos Paulo Candeloro.
Sempre que aqui no blog ou ali no ContraCultura vem a propósito o que dizem os dois alexandres do "The Duran", que são uma referência editorial importante para este vosso escriba, fico com esta sensação que não estou a ser justo com o cipriota Alex Christoforou, porque, no canal em que conversa com o greco-britânico Alexandre Mercouris, opta por lhe dar estatuto de mestre e mostra apenas uma parte (quando se enerva com a paciência que Mercouris) do seu excelente temperamento e instinto.
Christoforou tem um canal próprio, muito popular entre a dissidência ocidental (que na verdade até inspirou o meu muitíssimo mal comparado "Nocturnos"), em que caminha pelo Chipre e pelo mundo enquanto submete as elites ocidentais ao devido ridículo. E tem um talento espectacular para fazer isto, porque é um cristão ortodoxo com muita pinta, porque é bem disposto sem deixar nunca de ser corrosivo p'ra caraças, porque está sempre (ou quase sempre, como vou explicar a seguir) do lado certo, se não da História (até porque o "lado certo da história" também soma horrores excessivamente), seguramente do lado certo da Razão e da Moral.
Alex Christoforou é uma espécie de amplificador daquilo a que os seus ancestrais chamavam logos. A Razão e a capacidade de a articular através da palavra. E faz isto para as massas, muito bem feito.
Neste episódio, que é em tudo exemplo gráfico e semântico das suas virtudes como homem e como comunicador, Christoforou comete ainda assim um erro, ao desacreditar qualquer hipótese de que Donald Trump retifique a Graham Bill, o niilista pacote de sanções contra a Rússia baseado numa iniciativa legislativa que o defunto Lindsey Graham foi anunciar à Ucrânia imediatamente antes de morrer.
É verdade que a proposta é niilista e altamente provocadora (até Vladimir Putin é sancionado e a economia e a indústria americanas vão sofrer efeitos secundários significativos). Mas a probabilidade de que Trump retifique o diploma do Congresso, por muito ensandecido que seja o documento, é bem alta, analisando a conjuntura. E é até um bocadinho estranho que o lúcido cipriota não perceba isso.
Salvo esse erro de cálculo, deixo-vos com este impecável exercício editorial, e com mil desculpas ao Alex, que já mais que merecia o tributo, por modesto que seja.
"Neste momento, a Rússia ocupa 20% da Ucrânia. Quando assumi a direcção da CIA, há 18 meses, a Rússia ocupava 19% da Ucrânia. O ritmo do seu avanço abrandou porque o domínio da Ucrânia na guerra com drones e na guerra assimétrica representa um grande factor de equilíbrio."
CIA Director John Ratcliffe:
Right now, Russia occupies 20% of Ukraine. When I came in as CIA Director 18 months ago, Russia occupied 19% of Ukraine.
The pace of their advance has stopped because Ukraine's mastery of drone warfare and asymmetric warfare is such a great… pic.twitter.com/RuIHQSm39j
"Os soldados russos sobrevivem em média apenas 20 a 30 minutos no campo de batalha por causa dos drones com inteligência artificial da Ucrânia. A nossa inteligência está de acordo com alguns relatórios de fontes abertas que poderão ter visto: a esperança média de vida de um recruta russo, ao chegar ao campo de batalha na Ucrânia, está estimada entre 20 e 30 minutos. Isto porque os drones com inteligência artificial se tornaram máquinas de matar especializadas e de baixo custo.
É por isso que uma força inferior, quatro anos e meio depois, conseguiu conter a força superior da Rússia contra a Ucrânia. O ritmo do avanço ucraniano abrandou, uma vez que o domínio das tecnologias emergentes por parte da Ucrânia, e neste caso, a guerra com drones, a guerra assimétrica, representa um grande factor de equilíbrio."
"Russian soldiers only live an average of 20 to 30 minutes on the battlefield because of Ukraine’s AI drones." - CIA Director John Ratcliffe
"Our intelligence is consistent with some of the open-source reporting you may have seen in Ukraine: the average life expectancy of a… pic.twitter.com/jkMSprl1Hi
— Anton Gerashchenko (@Gerashchenko_en) July 17, 2026
Não é subreptício: John Ratcliffe associa abertamente um alegado sucesso da guerra assimétrica ucraniana ao seu mandato como director da CIA. E gaba-se de tantos russos que está a matar, e de como morrem rapidamente no teatro das operações, graças à tecnologia americana. Porque toda a gente sabe que os "drones com inteligência artificial "e "o domínio das tecnologias emergentes" não seriam acessíveis às luminárias de Kiev sem as palantires de Silicon Valley.
Sou só eu que acho isto espantoso?
Partindo do princípio que concordam comigo e que Ratcliffe declarou, oficiosamente, guerra à Rússia, na minha talvez maluca ideia aquele que primeiro o devia fazer, oficialmente, seria o Presidente dos Estados Unidos da América, depois de devidamente autorizado pelo Congresso.
Não é?
Chegámos mesmo a este ponto esquizofrénico da coisa em que o director da supra-mafiosa Agência Central de Inteligência norte-americana diz preto no branco que está em guerra com a segunda potência nuclear no mundo, e a matar muitos dos seus soldados, sem a legitimação de todo o sistema constitucional da federação?
Se este é o novo normal, imaginem o que vai acontecer quando Ratcliffe se decidir a fazer algo de extraordinário.
O 'Chat Control' da UE refere-se a 2 processos legislativos: um já
aprovado, temporário, que não inclui comunicações protegidas por
encriptação de ponta a ponta, e outro, em preparação e com regime
permanente, que abrange todas as plataformas digitais. A crónica de
António Justo.
Em 2016 foram os russos, segundo os democratas. Em 2020 foram os chineses, segundo os republicanos. Mas o país que realmente interfere nas eleições americanas e tudo à volta não é a Rússia nem a China. E não é de agora. É desde o pós-guerra.
A decisão da ERC de multar os canais de televisão que passaram o filme
pró-vida de Miguel Milhão é totalitária. É o Estado a decidir, segundo
um ideário político, que ideias podem e não podem ser expressas em praça
pública. O protesto de Maria Helena Costa.
Os principais bancos norte-americanos registaram lucros recorde, apesar
da inflação persistente, das pressões económicas ligadas à guerra com o
Irão e do declínio do poder de compra das classes médias nos EUA.
A Europa, velha de séculos mas surpreendentemente imatura na sua
gerontocracia, julga rejuvenescer apostando apenas nas suas qualidades
guerreiras. É um equívoco trágico e profundamente irónico. A crónica de
António Justo.
The Odyssey begins by showing an African rapper with rasta in the role of a Greek poet. We Greeks are forced to watch our Greek history and culture being disgraced and mocked across the entire world. What is Nolan's real role in doing something like this instead of casting a… pic.twitter.com/07EIJdrGam
Um imigrante búlgaro foi condenado por agredir uma rapariga escocesa que
se tornou viral no ano passado, depois de ter sido filmada a brandir
uma faca e um machado para se defender. O vídeo resultou na sua
difamação por parte da imprensa corporativa e de políticos globalistas.
A arte do haiku: é a Parker que verseja, é o Beethoven que grita, é a
baía que cria. Tudo o que o poeta tem que fazer limita-se ao jornalismo.
Salvo seja.
No épico ensaio vídeo que deixo em baixo, Disparu diz tudo, mas mesmo tudo o que é preciso saber sobre a infame manobra a que Christopher Nolan sujeitou a obra de Homero.
Para além da iniquidade do casting e das aberrantes incorrecções históricas que implodem na cenografia (o guarda roupa é pobre ou implausível e um dos barcos usados no filme é uma reconstituição de um Drakkar, usado pelos vikings dois mil anos depois da era em que se desenvolve a acção da Odisseia); para além da cinematografia desleixada e do processo de banalização e desvalorização da linguagem (aparentemente, as "audiências modernas" são excessivamente estúpidas para suportarem uma tradução séria do grego homérico); para além de ser mais que evidente que existe no projecto de Nolan a clara intenção de destituir a obra dos seus mais elevados valores (e por acréscimo ou consequência, destituir a civilização ocidental das suas mais gloriosas referências); para além da eloquência de Disparu, que vale a pena apreciar (não é fácil fazer o que ele faz, assim espontaneamente, em vídeo), há que enfatizar o que o youtuber afirma no fim da sua assertiva dissertação, porque é mesmo necessário que toda a gente tenha consciência do que está aqui em causa.
Um dos eixos fundamentais na narrativa da Odisseia assenta na circunstância de que um grupo de aristocratas de Ítaca e de outras ilhas vizinhas ocupa literalmente a casa real de Ulisses, usando e abusando da mesa e da adega e dos criados, durante a sua prolongada ausência (20 anos - 10 de guerra, 10 de regresso), na expectativa de que um deles seja escolhido para usurpar o seu trono e desposar a sua mulher, Penélope, que tenta por todos os meios recusar avanços e protelar a decisão de declarar rei morto, rei posto. A pressão e a humilhação a que a rainha é submetida é imensa e insustentável, mas ela persiste na sua fidelidade ao marido, acreditando que ele está vivo e regressará a casa.
Quando enfim Ulisses regressa, apercebe-se da intrusão, do abuso, da arrogância e da deslealdade dos seus súbditos mais proeminentes e mata-os a todos.
Moral da história: sê fiel ao teu marido. Sê fiel ao teu legado. Sê fiel ao teu Rei. Modera a tua ambição. Modera a tua arrogância. Modera a tentação de desafiar os deuses e o destino e a ordem natural das coisas. Caso contrário, pagarás essa ousadia com a vida.
Ora, há aqui um paralelo arrepiante com o episódio Nolan.
Como um intruso, o cineasta, que também é um aristocrata (da oligarquia liberal), apodera-se indevidamente da obra de Homero (que vive ainda na cultura ocidental) para abusar dela, para se aproveitar dela, para distorcer e vilipendiar o seu legado, para fazer da epopeia o que bem entende na falsa consideração de que o texto original é letra morta, manifestando no processo toda a hubris de Hollywwod, e total deslealdade para com o imortal poeta. A traidora expectativa do súbdito é, também neste caso, substituir o amo, ao colocar-se como um revisor oficial da história, interpretando-a e recontando-a de tal forma que a faz irreconhecível, tomando assim os louros da autoria e massificando esse cunho corruptor.
É deprimente, mas nos tempos que correm, haverá mais gente no mundo que conhece a obra de Christopher Nolan do que a obra de Homero. Pior ainda: As massas contemporâneas vão conhecer a literatura do bardo eterno pela versão infame e conspurcada de um realizador que se consagrou ao filmar uma trilogia do Batman.
Mas neste caso, a moral da história é simetricamente inversa e muito pouco, ou nada, edificante: O traidor, o vilão, aquele que não modera a sua ambição nem a sua arrogância, aquele que é infiel à História, à Cultura, ao legado clássico da Civilização Helénica, é recompensado com fama e fortuna, glorificado pelas máquinas de propaganda, elevado ao patamar homérico, que usurpou.
O debate sobre a remigração obriga as sociedades europeias a
confrontarem uma questão decisiva: como conciliar controlo migratório,
coesão social, Estado de direito e respeito pela dignidade humana? A
análise de Francisco Henriques da Silva.
Tucker Carlson conversa com o jornalista independente Steve Baker, que
tentou escarafunchar na narrativa do 6 de Janeiro de 2021, tendo sido
por essa ousadia preso pelo FBI do regime Biden e perseguido activamente
pelo FBI do regime Trump.
Duvido que consiga chegar vivo (no sentido eleitoral do termo) a 2028 , mas que sei eu?
💥EPSTEIN COVER-UP BOMBSHELL: Vice President JD Vance Has Publicly Contradicted Trump & Stated On The Record That Jeffrey Epstein Worked For US & Israeli Intelligence!
Then— Vance Dropped Another Epstein Bombshell, Stating That The Admin "Absolutely Screwed Up The Comms On The… pic.twitter.com/0romVUv2X7
Intensificando a tendência para a radicalização da ideologia de género, o
governo britânico está a ameaçar pais, professores e médicos com pena
de prisão caso tentem dissuadir as crianças de se submeterem a
tratamentos irreversíveis de transição de género.
O rendimento dos residentes de Manchester caiu drasticamente enquanto
Andy Burnham, o próximo primeiro-ministro britânico, liderou o
município, facto que levanta preocupações sobre a sua capacidade para
resgatar a Grã-Bretanha da péssima situação económica em que se
encontra.
Estou a ver, pela primeira vez neste Mundial, um jogo do princípio e em directo. Meia-final Argentina-Inglaterra. Acabou agora a primeira parte. Devo ter visto para aí uns cinco minutos de jogo jogado. E porrada que ferve. E mais nada.
Enquanto grande parte dos portugueses se preparava para as férias, no
Parlamento Europeu aprovava-se, a coberto de uma manobra de bastidores, a
maior ameaça à privacidade digital dos últimos anos. A crónica de
António Justo.
Um novo estudo revelou que os americanos nascidos após a década de 50, e
principalmente depois de 1970, estão a apresentar taxas de mortalidade
mais elevadas devido a doenças cardíacas, cancro e overdoses,
sinalizando uma tendência preocupante na esperança média de vida.
O presidente norte-americano sugeriu, de forma estapafúrdia, que os EUA
começassem a cobrar uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pela
navegação mercantil no Estreito de Ormuz. Ou seja: depois de o ter
fechado, Trump quer que lhe paguem para o abrir.
Quem segue, mesmo que distraída e casualmente, a primeira competição automóvel da FIA já percebeu a controvérsia, mais que justificada, sobre as regras, a tecnologia e a lógica de corrida da época de 2026.
O primeiro facto que tem causado alguma perturbação nos fãs é que os carros mal precisam de ser conduzidos e ultrapassam-se loucamente em função do carregamento das baterias, mais do que como resultado de qualquer outra variável.
Para se ter uma ideia de como os pilotos são desvalorizados na F1 actual, este gráfico é precioso: Lewis Hamilton não trava uma vez durante todo o segmento mais rápido de Silverstone, que ainda assim tem 9 curvas e constitui 55% da extensão do circuito: são 3,2 quilómetros sem tocar no travão, num circuito com 5,9 quilómetros.
Actualmente, de cada vez que um F1 ultrapassa outro F1, várias coisas disparatadas podem acontecer. O ultrapassado volta a ultrapassar quem o ultrapassou, imediatamente, como se nada fosse; ou fica dramaticamente para trás como um carro de outra classe, numa corrida de resistência. O ultrapassante que agora vai rápido, será lento depois, quando a carga eléctrica acusar a ousadia do piloto, isto se entretanto a sua própria box não lhe destruir a corrida com uma decisão de categoria subsapiens (a Ferrari tem um manual sobre essa arte).
No meio desta conspiração de estúpidos, o espectador fica sempre sem saber se Leclerc ultrapassou Russel porque o piloto 'tem mais braço' (ou mais coração), porque tinha melhores pneus, um motor superior, melhor aerodinâmica, mais eficientes travões ou muito simplesmente porque o francês conduzia uma bateria feliz. Que daqui a nada será triste, quando o britânico que andou a poupar energia tiver electricidade para gastar à farta.
Como resultado, os carros são bem mais lentos, a orquestra sinfónica que traziam nos cilindros passou a quarteto de cordas e as corridas, um estranho caos de histerismo constante e aborrecimento terminal com 5 ultrapassagens por minuto, que são tudo menos orgânicas, num teatralizado jogo de faz de conta. Dá a sensação que até mesmo os pilotos que estão a ganhar grandes prémios convivem mal com o facto de saberem que é a gestão do artefacto híbrido, mais do que qualquer outra variável, que lhes garante os triunfos.
A diferença contemporânea entre a Fórmula 1 e a Fórmula E é que a fórmula 100% eléctrica sempre faz algum sentido.
Aquela que devia ser a modalidade mais emocionante e competitiva e espectacular da FIA transformou-se num exercício de poupança de energia, como um jogo didático para crianças, produto típico da propaganda regimental.
E sem necessidade nenhuma, porque as tecnologias de motorização híbrida funcionam lindamente e há muito tempo no WEC (mundial de resistência), por exemplo, e nem são novas na F1. O problema, claro, está nos regulamentos.
Mas para além das normas e da forma como condicionam a tecnologia e manipulam parvamente o espectáculo automobilístico, há algo insidioso e talvez até mais perturbador que está a acontecer com a modalidade, como muito bem nota o simracere também piloto profissional Jimmy Broadbent, no sensato e pertinente clip que deixo em baixo: Com a entrada da Netflix e a concomitante intrusão da cultura das celebridades no circo da F1, de que deriva também a obsessão pela criação de conteúdos, mediaticamente plastificados ao gosto de Hollywood e Silicon Valley, perdemos muito mais do que ganhamos.
Porque se é verdade, indiscutível, que a F1 ganhou audiências nos últimos dez anos, a qualidade do espectáculo desportivo tem regredido no quadrado desse expoente. E o ganho de audiências não significa necessariamente um ganho de fãs.
Como hoje acontece com o Futebol, boa parte do público que agora adere à F1 nem tem grande conhecimento do legado histórico e técnico da modalidade, ou paixão pelo automobilismo. Os media disseram-lhes para consumir o produto e as massas consomem-no, porque sim, porque é o que fazem para entreter o vazio de significado. E por causa do Brad Pitt.
Se acrescentarmos ao quadro as máscaras e os protocolos Covid e os joelhos no chão e o triunfo woke de 2020/2021, a crescente obsessão com a segurança (ignorando que a redução do risco implica simetricamente um deficit na recompensa) e a total ausência de carisma dos pilotos (com excepções, ainda que raras, como Fernando Alonso, Kimi Räikkönen ou Max Verstappen), percebemos que algo está putrefacto no reino da Liberty Media, a empresa norte-americana que para todos os efeitos é dona da F1 desde 2017, ou seja, precisamente a época de declínio de que estamos a falar.
À gauche : James Hunt, pilote de Formule 1 en 1976.
À droite : Lewis Hamilton, pilote de Formule 1 en 2026.
— Le Contemplateur (@LeContempIateur) June 8, 2026
Na verdade, e concluindo, aconteceu e está a acontecer com a F1 o que na verdade aconteceu e está a acontecer com tudo aquilo que já foi glorioso no Ocidente, no largo espectro que vai de Homero a Enzo Ferrari: as elites da classe Davos e as elites da classe Epstein tomaram conta e estragaram tudo.