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sábado, setembro 12, 2026

Amor de Vila

Dão-me alegria as rosas que crescem aos cachos no meu jardim,
de tanto serem estimadas por mim.

(As rosas que a minha sogra plantou no paleolítico inferior
são agora flores do meu favor).

O horizonte oceânico faz milagres com o gajo das olheiras
criado em Benfica e casado em Telheiras.

Salva-me a minha cadela de cada vez que a beijo e ela me beija
com tanta ternura que aleija.

Acaricia-me o gato Álvaro com a liberdade louca que ele tem
e que não reconheço em mais ninguém.

Vivo agora na simplicidade de uma baía sem horas de ponta,
esquecido até de pagar a conta.

Não é da condição humana a felicidade, mas aprendi nesta vila 
a viver uma vida tranquila.

Já não era sem tempo, considerando
os 59 anos de espanto. 


sexta-feira, julho 17, 2026

Haikus do alto da falésia (décima temporada)

A arte do haiku: é a Parker que verseja, é o Beethoven que grita, é a baía que cria. Tudo o que o poeta tem que fazer limita-se ao jornalismo. Salvo seja.


 

sexta-feira, julho 10, 2026

Novos haikus de Fornalhas Velhas

A arte do haiku: a Ofélia encontra ovelhas para pastorear, os insectos suicidam-se na piscina, os maus versos também têm préstimo e o apagão mostra-te o rosto de Deus. 


 

quarta-feira, maio 27, 2026

Às vezes, quando vou levar o lixo.



Às vezes, quando vou levar o lixo ao seu horrífico depósito,
Deus decide mostrar-me o seu magnífico propósito.

Deixo cair os sacos na rua, enquanto a Baía se desnuda
com a delicada energia, a fina sabedoria de Buda.

Paro e esqueço a missão, enquanto a lua me namora
e o firmamento se abre no deslumbramento d'agora. 

Às vezes, quando vou levar o lixo ao seu pestilento depósito,
Deus decide mostrar-me o seu opulento compósito.

A noite aquieta-se enquanto o oceano declama o poema
que proclama a solução p'ra todo e qualquer problema.

Os astros vibram entre a escuridão, à velocidade da luz
e oiço claramente o vozeirão do senhor Cristo Jesus.

Às vezes, quando vou levar o lixo ao seu derradeiro repósito,
Deus decide mostrar-me o seu verdadeiro propósito.

Fico ali no meio da rua, encadeado p'lo feitiço da lua e feliz
De ser homem criado p'lo gesto inspirado da força motriz

Que faz girar o firmamento neste momento d'agora:
Um deslumbramento que se demora, ao deitar o lixo fora.

terça-feira, abril 14, 2026

O jardim está a compaginar completamente com a Primavera.

Uns estrados de pinho, algum cuidado e a chegada da Primavera transformaram o nosso pequeno jardim num sítio simpático, apesar de ainda se tratar de um work in progress. Para já, o Álvaro e a Ofélia parecem ter aprovado a coisa.



segunda-feira, novembro 03, 2025

Haikus da Praia de S. João

A arte do haiku: rumas em direcção à morte com expectativas de odisseia, mas a vinte minutos de Lisboa, com o Tejo pelas costas e o Atlântico pela frente, já não estás assim tão a leste do paraíso. 



De um lado para o outro.

O blog tem estado às moscas, e eu peço desculpa por isso, mas estive por estes dias a cumprir um sonho que já sonhava há uns anos largos: sair de Lisboa e vir viver para aqui:

Não é propriamente uma mudança maluca de estilo de vida, porque já aqui passava alguns meses por ano, mas agora é diferente porque a casa de Lisboa passou a servir como abrigo episódico e a casa de Sesimbra está a ser transformada em lar.

O que dá muito trabalho, quando tens 58 anos e toda a parafernália de cenas que tens que transportar de um lado para o outro. 

Mas o caos que se instala e a trabalheira que suportas compensa loucamente, porque a paz e o sossego, a vida ao ar livre, o oxigénio da Arrábida e o horizonte oceânico oferecem a qualidade de vida que estavas a perder a um ritmo assustador em Lisboa.

Além disso, aqui, posso sempre assistir ao apocalipse nuclear que aí vem, na minha amada cadeira de baloiço.

Seja como for, o blog vai continuar a sofrer um pouco nos próximos dias, porque já feita a mudança, ainda fica muito por fazer nesta casa e na outra.

Mas é uma questão de uma ou duas semanas e depois tudo voltará ao ritmo do costume. 

quinta-feira, outubro 09, 2025

Haikus do fundo da noite

A arte do haiku: a Marinha faz uma espécie de turismo, o grilo faz cócegas ao silêncio e a lua faz concorrência ao sol. Ao terceiro scotch, a baía ganha virtude.


 

quinta-feira, setembro 18, 2025

Nocturnos #01: Patrulhados pelo Inimigo.

No primeiro dos 'Nocturnos', constata-se que a NATO invadiu a baía de Sesimbra. E considerando os valores globalistas que a Aliança Atlântica hoje representa, é deveras perturbador estar cercado pelo inimigo.

quarta-feira, agosto 20, 2025

Haikus Alexandrinos

A arte do haiku: Sentado sobre a baía - como Ptolomeu em Alexandria - tenho saudades do meu cão Gandalf. E do tempo em que não era vivo. 



sábado, agosto 09, 2025

Esmirna: Mártir, Perseguida e Fiel até ao fim.

Ainda na senda do cristianismo primordial na Ásia Menor, João Nuno Pinto visita Esmirna, a joia do paganismo que se fez fiel à palavra de Cristo e, pelo martírio, projectou a ideia de um Deus que ama todos da mesma forma.


 

sexta-feira, agosto 08, 2025

Filadélfia: Uma coluna na casa de Deus.

A caminho de Esmirna, João Nuno Pinto visita Filadélfia, 'a coluna da casa de Deus', que mostra ainda hoje, de facto, enormes colunas de uma igreja do século V. Um testemunho que se mantém fiel, independentemente das eras, das circunstâncias e das dificuldades.