Às vezes, quando vou levar o lixo ao seu horrífico depósito,
Deus decide mostrar-me o seu magnífico propósito.
Deixo cair os sacos na rua, enquanto a Baía se desnuda
com a delicada energia, a fina sabedoria de Buda.
Paro e esqueço a missão, enquanto a lua me namora
e o firmamento se abre no deslumbramento d'agora.
Às vezes, quando vou levar o lixo ao seu pestilento depósito,
Deus decide mostrar-me o seu opulento compósito.
A noite aquieta-se enquanto o oceano declama o poema
que proclama a solução p'ra todo e qualquer problema.
Os astros vibram entre a escuridão, à velocidade da luz
e oiço claramente o vozeirão do senhor Cristo Jesus.
Às vezes, quando vou levar o lixo ao seu derradeiro repósito,
Deus decide mostrar-me o seu verdadeiro propósito.
Fico ali no meio da rua, encadeado p'lo feitiço da lua e feliz
De ser homem criado p'lo gesto inspirado da força motriz
Que faz girar o firmamento neste momento d'agora:
Um deslumbramento que se demora, ao deitar o lixo fora.
