quarta-feira, março 31, 2021

F1 em modo arcada.

Depois de partir das boxes por causa de uma paragem cerebral que o seu Red Bull teve na volta de aquecimento, Sergio Perez - à semelhança do que já tinha feito na corrida de Sakhir do ano passado, que ganhou depois de largar em último - baixou a cabeça, libertou o pé direito e ultrapassou 19 pilotos durante a corrida inaugural desta temporada de F1, para acabar em quinto lugar. A síntese da sua prova parece que foi tirada de um jogo de arcada:

Perez tem muita raça e a Red Bull fez bem em substitui-lo pelo discreto Alexander Albon. Sendo certo que é deveras difícil ter um extraterrestre como Verstappen por companheiro de equipa, vamos ver como se comporta o mexicano durante o resto da época. Mas que promete, promete.

As Obras Completas de William Shakespeare na sua redução original #01

"As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos", a produção da UAU que é posta intermitentemente em cena já para aí há uns 20 anos ou mais e que a maior parte dos portugueses já viu ou reviu e que é hilariante como o raio, não é uma obra original. A obra original, "The Complete Works of Shakespeare (Abridged)", escrita e interpretada por Adam Long, Daniel Singer e Jess Winfield, é esta que vou deixar aqui, em quatro fabulásticos, estapafúrdios, gargalhantes e sobretudo sincréticos, sintéticos e assimétricos fascículos.
Sete vezes ressoa o bastão de Molière e sobe portanto o pano para o primeiro acto, onde aprendemos que Shakespeare invadiu a Polónia, que Andronicus tem um programa de culinária, que Otelo inventou o Rap e que Julieta acaba por se suicidar com um canivete reticente. Apertem os cintos de segurança, desliguem os telemóveis e acendam um cigarrinho. Não precisa de ser um cigarrinho para rir, porque é de riso que vão ser servidos.

Máximo racismo.

Em Oakland, California, a autarquia está a distribuir benefícios financeiros com este espectacular critério cromático: se és negro, recebes; se és amarelo, recebes; se és castanho, recebes; se és vermelho, recebes; se és branco, não recebes. Inacreditável? Sim. Factual? Outrossim. É a vida.

A discoteca da minha vida #88: "Inside In Inside Out", The Kooks

Estes rapazes de Brighton, que na altura da edição deste disco nem barba tinham, sabem de música. E carregam um indie rock sensual e despretensioso, que às vezes é quase punk, que outras vezes é trovadoresco e outras é puro pop sem manias e que vai acima e abaixo do espectro sonoro com uma descontração que é deveras oxigenante.
Adoro este disco, que inclui para aí umas sete ou oito malhas valentes, daquelas que roubam o cinzento do dia e fazem da passagem das horas um percurso um bocadinho mais suportável. The Kooks. Quando a boa onda vem de sete em sete acordes.



segunda-feira, março 29, 2021

A Lei da Queda.

Lugar comum: quem não aprende com a História está destinado a repeti-la. E a ascensão, apogeu e declínio dos impérios é um processo sujeito a regras universais. Desconhecê-las ou ignorá-las tem um preço fatal.
Depois de ler o clássico "The Fate Of Empires And Search For Survival", de Sir John Bagot Glubb, Felix Rex disserta sobre a queda da civilização ocidental e como essa queda é fundamentalmente similar a todas as outras, num clip que espoleta um doloroso arrepio na espinha da consciência.
Surpreendentemente, Felix ainda tem alguma esperança de salvação. Eu não tenho nenhuma. Absolutamente nenhuma.

domingo, março 28, 2021

Gosto disto.


David Guetta ft Kid Cudi
. Memories

Jornal de Letras - 2019/2020 - #02

O Universo num Átomo . Dalai Lama . Quidnovi
Dalai Lama disserta sobre a convergência entre a física quântica e a espiritualidade budista. Isto tem alguma hipótese de correr bem? Mais ou menos. Mas a leitura é entretida e vale sempre a pena entrar dentro da cabeça de Sua Santidade, que é uma pessoa mesmo muito especial e mesmo muito inteligente.

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Os Animais . Kobayashi Issa . Assírio & Alvim
Um dos meus poetas de culto, e o grande e fundamental escriba de haikus da história da literatura, Kobayashi é sempre um bálsamo e um motor de inspiração. Apesar dos problemas de tradução da poesia oriental de que já falei no post anterior deste Jornal de Letras, a colectânea de poemas dedicados ao reino animal, reunida e traduzida por Joaquim M. Palma, é um triunfo editorial que recomendo vivamente a quem tenha interesse ou curiosidade pela breve, sintética e requintada arte do Haiku e pela poesia clássica japonesa. Deixo aqui alguns poemas, para que quem não conhece este autor magistral, não morra ignorante:

és caracol
mas um dia
serás Buda!

corvos patetas
no meio da neblina
discutindo desde a manhã

um cuco interrompeu-me
agora que era
a minha vez de falar

apontando
para o escaravelho que se peida
Buda ri

depois do grande bando
dos gansos a caminho do norte
silêncio

atenção grilo!
muita atenção!
momento de urinar

sabe sempre qual é a cama
que lhe pertence
o gato louco

pardais pais
pardais bebés
uma montanha feliz

dentro da minha cabana
em viagem de negócios
uma rã

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O Tempo, Esse Grande Escultor . Marguerite Yourcenar . Difel
Já fui um adorador desta senhora, no paleolítico inferior da minha juventude. Hoje em dia não tenho paciência para esta geração de intelectuais franceses, primeiros responsáveis pelo declínio da civilização ocidental que testemunhamos hoje, e lê-los é um exercício fantasmático, como se fosses transportado para um mundo perdido, sem qualquer relação coma realidade. Não envelheceram nada bem, estes ensaios.

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Oskar Kokoschka’s Alma Doll as Venus, made by Hermine Moos, 1919.

A Boneca de Kokoschka . Afonso Cruz . Quetzal

Mais um Romance do homem dos sete ofícios da Figueira da Foz, este aqui uma obra a sério, inspirada na esquizofrénica e obsessiva paixão do pintor Oskar Kokoschka e uma das mulheres mais influentes do Século XX, Alma Mahler. O pintor, que manda fazer uma boneca em tamanho real feita à imagem e semelhança da sua amada quando a relação termina, não imagina que consequências vai ter a sua criação nas pessoas que sobreviveram ao bombardeamento de Dresden, no fim da Segunda Grande Guerra. Afonso Cruz no seu melhor: baralhando a realidade com a ficção.

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As Rotas da Seda . Peter Frankopan . Itaca
Magnífico fresco sobre a Eurásia e sólido compêndio de História, este livro sofre no entanto de um problema, que é sinal dos tempos: de tanto desejar centrar o mundo fora da esfera ocidental, Frankopan acaba por borrar a pintura com preconceitos algo idiotas, que vivem apenas na sua imaginação e contra todas as evidências, característicos do ambiente académico que se vive hoje no universo anglo-saxónico. Ainda assim, trata-se de uma obra ambiciosa, de leitura muito agradável, onde encontramos de facto informação histórica útil para o bom entendimento do percurso civilizacional do Sapiens.

O Meu Pé Pesado #05: patinagem artística na Nova Zelândia.

Considerando a gravilha solta e o traçado sinuoso, com ganchos infinitos, deste troço de doze quilómetros, posso-vos garantir que o travão de mão é, neste caso, o primeiro e mais precioso instrumento de boa condução do destino que a Fanatec pode oferecer. Porque se é verdade que enquanto andas de lado não estás a andar para à frente, às vezes a única hipótese de progredires na direcção do futuro é patinares um bocadinho no presente. Senão vejamos:

A message from Joe Die Soon.

"I´m Joe Die Soon. I'm the recently erected lesbian of the Blythed States of Hysteria."

Penso que é apenas a terceira vez que coloco aqui no blog um clip de Andrew Lawrence, mas ele merece mais. O comediante britânico trabalha que se desunha e todos os dias - sem excepção - oferece à audiência um manifesto de liberdade e criatividade em forma de comédia. Este é mais um. E brilhante, como sempre.

A discoteca da minha vida #87: "The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known", Jay-Jay Johansson

Jäje Johanson, Jay-Jay para os amigos, é o meu sueco preferido, depois de Bjorn Borg. Compositor e intérprete prolixo, com 13 discos editados (o último deles, saiu este mês), capaz dos mais brutais ataques de mau feitio melódico logo seguidos por tranquilas, jazísticas e encantadoras serenatas que vêm nitidamente do frio que faz lá para os lados de Västra Götaland, este senhor impressiona. E se escolho "The Long Term Physical Effects Are Not Yet Known", de 2006, é porque esta discoteca tem regras e tenho que seleccionar apenas uma pérola entre as múltiplas que Jay-Jay gentilmente disponibilizou e disponibiliza. Mas em vez de estar para aqui a palrar elogios, se calhar o melhor é dar exemplo do que acabo de escrever, com dois temas deste disco que contrastam loucamente entre a intensidade e a melancolia, polos opostos que se encontram no talento e na sensibilidade deste músico fascinante.



Lockdown Rally - Short Timelapse.

sábado, março 27, 2021

Aposto que nunca tinhas pensado nisto.

Se calhar esta ideia nunca te passou pela cabeça, gentil leitor, mas o céu nocturno não devia ser escuro. Dados os biliões de galáxias cada uma com biliões de estrelas lá dentro, devia ser tão claro como o diurno, na verdade, como muito bem explica, com simples recurso a uma cebola, a nossa amiga Jade. O Paradoxo de Olbers, ou Paradoxo do Céu Escuro é uma rábula mesmo gira que inclui dores de cabeça sofridas por personagens célebres como Kepler, Hubble e Doppler, para além do sr. Olbers, que deu o nome ao problema. A resposta certa tem a ver com as limitações da sensibilidade humana e com as distâncias siderais que a luz tem que atravessar para chegar aqui ao nosso berlinde azul. Mas Jade explica melhor:

Jornal de Letras - 2019/2020 - #01

Obras Completas . Jorge Luís Borges . Vol. IV . Editorial Teorema
Terminei finalmente a leitura daquele que é um dos meus autores favoritos de todos os tempos, um clássico entre clássicos, monstruoso vulto de erudição e sensibilidade, mestre cego no labirinto da história universal. Os quatro volumes desta edição da Teorema ofereceram-me textos que não conhecia, claro, principalmente poemas e ensaios, mas antes de pegar neles já tinha lido muita coisa do Borges, pelo que esta leitura foi mais uma revisitação que uma descoberta.
Já aqui escrevi sobre o bibliotecário de Buenos Aires tantas vezes e tanto, que não vale a pena a repetição. Deixo só os primeiros cinco versos de "Insónia", para abrir o apetite de alguém que aqui venha parar e que esteja a pensar em ler ou reler o mago argentino:

De ferro,
de encurvadas vigas de enorme ferro tem de ser a noite,
para que não a rebentem e a desentranhem
as muitas coisas que os meus olhos repletos já viram,
as duras coisas que insuportavelmente a povoam.

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O Livro Aberto: Leituras da Bíblia . Frederico Lourenço . Cotovia

Muito devo a Frederico Lourenço: trouxe-me a voz de Homero. Trouxe-me a voz de Cristo. Como tradutor e ensaísta, é uma figura de proa da cultura portuguesa e nestas "Leituras" percebemos porquê. As questões que este breve conjunto ensaístico traz a lume, ardem intensamente. Por exemplo: Os evangelhos foram escritos numa língua - o Grego - que, muito provavelmente, Cristo não dominava. É necessária pois a devida cautela na análise do texto original, e tentar paralelos entre o grego e o aramaico, à procura de soluções de compromisso, que façam melhor luz sobre as mais enigmáticas palavras do nazareno.
Outro exemplo: A Bíblia, nos dois testamentos, reconhece que os homens não são iguais entre si, mas apenas perante Deus. E nem sequer considera a escravatura ou a servidão males em si mesmos, porque a equalização final só ocorre depois da vida e em função de um julgamento final. Porque um escravo pode ser um filho da crápula da pior espécie, que acaba eternamente no inferno e um esclavagista pode ser um santo com lugar vitalício no paraíso, apesar das probabilidades da lógica evangélica apontarem para um resultado inverso. O que importa é percebermos que os contextos históricos dominam os preceitos morais, e assim são mais importantes do que as modas do bem pensar académico para a exegese lúcida e honesta.
E ainda outro exemplo, dos muitos e interessantíssimos assuntos que este fascinante ensaio coloca em debate: de uma maneira geral, as igrejas cristãs fizeram da família a pedra de toque da sua teologia e, em muitos casos, de Maria uma figura central do seu palco sagrado. Jesus, porém e nos quatro evangelhos, parece extremamente desinteressado e distante do seu núcleo familiar, desvalorizando o papel da sua mãe, evitando os irmãos e chegando até ao ponto de recusar seguidores e discípulos que não odeiem os seus familiares directos. Esta última questão tem muito que se lhe diga e nos próximos tempos vou desenvolvê-la aqui no blog com mais profundidade.
Há no entanto que ler Frederico Lourenço com uma salvaguarda: trata-se substancialmente de um autor laico. Ainda por cima, e por razões de ordem pessoal (a homossexualidade que não se cansa de revelar), um laico que considera a Igreja Católica como uma espécie de inimigo existencial. Aqui e ali, este detalhe é de manifesta pertinência e apesar de todo o genial e volumoso trabalho que tem feito até aqui, não podemos simplesmente recusar a dúvida e o justo inquérito sobre tudo o que Frederico Lourenço crie ou traduza em relação com os texto bíblicos.

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Princípio de Karenina . Afonso Cruz . Companhia das Letras
"Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, cada família infeliz é infeliz à sua maneira." É assim que começa o célebre Anna Karenina, de Tolstoi. Afonso Cruz pega neste discutível axioma para mais um romance que não o envergonha, mas que também não me parece constituir a sua obra de referência. É claro que o talento criativo deste senhor, tanto como a sua tendência borgiana para a literatura entretecida em vários layers de complexidade psicológica e cenográfica, estão mais que presentes, neste romance. Mas, aqui e ali, aborreci-me. E não foi o imaginário exótico da Indochina que me despertou do aborrecimento, pelo contrário.
Uma nota para as ilustrações fotográficas da capa e dos separadores, que são da autoria do escritor (que também sabe muito de artes gráficas): cinco estrelas.

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Poemas de Li Bai . Tradução de António Graça de Abreu . Instituto Cultural de Macau
Ler poesia chinesa não é ler apenas o que escreveu o autor dos poemas. É também ler o que o tradutor ocidental interpreta, como expliquei aqui no blog já há uns anos atrás:
Ninguém que não domina a língua dos mandarins pode realmente compreender a sua literatura. Qualquer tradução para português será sempre uma versão e não uma tradução, porque os chineses não têm alfabeto, mas sim uma escrita fundada em ícones (lologramas) que podem encerrar vários vocábulos e vários significados. Além disso, um poeta do período clássico chinês teria também que ser um mestre das artes gráficas, sendo que a componente visual dos poemas chineses, que também cumpre uma espécie de métrica, não tem expressão possível nos idiomas ocidentais.
Posto isto, e para além do que também já escrevi sobre este magnífico poeta, devo dizer que gosto cada vez mais de poesia oriental e admiro cada vez mais a cultura clássica chinesa (não confundir com a sua cultura contemporânea, que é multidimensionalmente espúria e retém do património clássico apenas aquilo que interessa ao comité central).
Li Bai (701-762 DC), o aventureiro romântico, o intrépido bebedor, o rebelde temperamental, mestre de todos os sarilhos, o poeta aclamado e maldito que rebola pela colina da vida abaixo, entre triunfos e perseguições, mostra-se, na tradução de Graça de Abreu, ainda assim, surpreendentemente equilibrado e sóbrio e contemplativo. Poeta do que é belo porque é através daquilo que é belo que capturamos ao mundo alguma consolação filosófica, Li Bai caminha no sentido da imortalidade com graça e espírito e veia prolixa.
Este livro, que conta umas boas e largas centenas de poemas, é uma verdadeira delícia.

Um jarro de vinho entre as flores,
bebo sozinho, sem amigos.
Levanto o copo e convido o luar,
com a minha sombra somos três.

Lawrence Fox reclama a liberdade.

Lawrence Fox, o actor inglês que foi cancelado pelos media e pela turba do twitter porque teve a ousadia de contrariar, em directo na BBC, a religião woke dominante no mundo anglo-saxónico em particular e no Ocidente em geral, decidiu candidatar-se a Mayor de Londres. Duvido muito que tenha sucesso eleitoral e que retire o insuportável Sadiq Khan da sua poderosa e asquerosa cadeira, mas ouvir o programa político deste homem, que é acima de tudo um elogio da liberdade, já é uma benção.

Estou a vê-lo neste impecável vídeo, onde se demonstra que é possível fazer política com valores morais e comunicá-los com inteligência e elegância retórica, e estou a pensar no medíocre Medina. E estou a pensar que se tivéssemos um Lawrence Fox lisboeta (hipótese delirante, claro), o medíocre Medina ganhava na mesma. Confortavelmente. Como vai acontecer com o Khan.

Nos tempos que correm, a mediocridade ganha sempre. O mal ganha sempre.

sexta-feira, março 26, 2021

Clown World #02

Um outro super-herói de estimação deste blog é Paul Joseph Watson. Não há um vídeo deste senhor que não seja absolutamente brilhante. E este aqui, é quase literatura.

São muito raros, mas ainda há

 jornais com jornalistas lá dentro.

Einstein on The Beach ou

música para fazer contas de cabeça.



Philip Glass
Ensemble . Knee Play 1 - Einstein On The Beach . Live at The Green Space NYC . 2012

 Com um abraço para o meu amigo.

Estado da Arte Moderna em Sim Racing.

Quem procura a imersão total na simulação de corridas tem duas hipóteses: 

a) A realidade virtual (é o meu caso), mais barata porque implica apenas a consola ou o PC, um monitor de televisão, um capacete VR, uma plataforma com banco de preço acessível e os periféricos de condução (volante e pedais, travão de mão, manete de mudanças). 

b) A realidade misturada, mais cara porque implica, para além dos equipamentos da alínea a (com excepção do capacete VR) a instalação de um cockpit real com fusão de três monitores, vários instrumentos de navegação e compatibilidade, gaiola em alumínio, rig virtual que simula as dinâmicas da física em jogo, cintos de segurança de fecho central, backett de competição, etc.

Mas o resultado final desta segunda opção, como podemos apreciar neste clip do australiano Will Boost, é absolutamente incrível.

Lockdown Rally - Track Maximum








quinta-feira, março 25, 2021

Dá pena.

Political Cartoons by Tom Stiglich

Ao fim de 100 dias como presidente destes lamentáveis Estados Unidos da América, Joe Biden lá teve que dar a sua primeira conferência de imprensa, para aflição maluca de quem toma conta dele, porque o senhor só dá é pena. Reparem bem nestes momentos de pura decadência:

O estado demente do líder da nação mais poderosa do mundo é claríssimo, mas os media continuam a assobiar para o lado, como se o residente da Casa Branca tivesse quarenta anos e estivesse no apogeu das suas capacidades físicas e intelectuais. 

Joe Biden respondeu a 10 perguntas apenas, muito provavelmente combinadas com antecedência e, em alguns casos, com recurso a cábulas. Nos restantes casos titubeou deveras, pareceu confuso e, perdido no seu labirinto, fez abundante recurso a frases feitas. Sempre que procurou o improviso, perdeu-se na linha de pensamento. Sempre que tentou um tom mais firme e autoritário, pareceu apenas sinistro. 

Confesso que nos últimos anos tenho sentido alguma dificuldade em lidar com a realidade. Mas a realidade também não ajuda nada, porque Joe Biden só pode ocupar o cargo que ocupa numa dimensão fantasista do cosmos. Num qualquer pesadelo de Alice. Num momento crepuscular da literatura de Tolkien. Num verso delirante de Shakespeare. Ou num monólogo de Tucker Carlson, gravado para um filme apocalíptico de Hollywood.

Boris, o Déspota.

Depois de ter suprimido o direito à liberdade de movimentos, o direito à actividade económica, o direito à liberdade de associação, o direito à liberdade de expressão e o direito à contestação pública, entre muitos outros direitos e muitas outras liberdades, o governo inglês decidiu que as pessoas que não são casadas (leia-se, que não vivem na mesma casa) não podem ter relações sexuais. Sim. Boris Johnson chegou ao ponto calamitoso de achar que tem poder, legitimidade e elevação moral para regulamentar a prática sexual dos ingleses.

Se alguém aí desse lado se lembrar de um ditador, na história da humanidade, que tenha proibido, ao mesmo tempo, tantas coisas essenciais à vida humana como o inacreditável primeiro ministro britânico tem feito neste último ano, agradeço que partilhe esse facto comigo, por gentileza, através do email que preside à coluna da direita. Obrigado.

Lei e ordem de pernas para o ar.

Um dos principais problemas da federação norte-americana centra-se hoje na execução judicial. Procuradores profundamente corruptos, orientados apenas pela ideologia radical e apoiados pelo financiamento de magnatas com agendas de razão fascista que objectivam o domínio da sociedade e dos seus polos de poder, dão consistentemente prioridade a crimes de opinião ou desobediência civil, enquanto ignoram os alarmantes índices de criminalidade que infectam os grandes centros urbanos. Assassinatos, gerrilhas entre gangs, assaltos à mão armada e destruição de propriedade são hoje crimes menores, em cidades extremamente violentas e perigosas, como Chicago, Detroit, Nova Iorque e Portland. Por contraste, cidadãos que se mostram rebeldes relativamente aos lockdowns, que lhes retiram a possibilidade de manter os seus negócios, são perseguidos, arguidos e presos, como se de terríveis marginais se tratassem. Tucker Carlson, como é costume, põe o dedo na ferida, que sangra generosamente.

Dar aos fariseus o tratamento que eles merecem.

Andrew Torba, o CEO da Gab que é, actualmente, um dos meus super-heróis favoritos, sabe que tratamento dar aos fariseus do século XXI, também conhecidos por "jornalistas". Se toda a gente decente fizesse o mesmo, a imprensa ficaria reduzida à sua indecente insignificância. 

Bravo, Andrew, bravo.


Piloto de F1 vs. Piloto de trazer por casa.

Como já aqui escrevi por várias vezes, a fronteira entre as corridas reais e as corridas virtuais é cada vez menos definida. Até porque há gente do universo real que aparece nas corridas virtuais e há gente do universo virtual que aparece nas corridas reais e, num caso como noutro, com relativo sucesso. 

Um bom exemplo dessa transfusão é Steve Alvarez Brown, mais conhecido no Youtube por Super GT. Provando a sua habilidade no GT Sport e nos campeonatos ingleses amadores de Go Kart, Steve tem tido uma muito bem sucedida carreira como youtuber e piloto virtual. De tal forma que Lando Norris, o jovem ás da equipa F1 da Mclaren, decidiu contratá-lo para a sua Quadrant, a marca que anuncia um projecto ambicioso e multimediático, que abrange corridas virtuais e corridas reais. 

Neste contexto, o vídeo em baixo é absolutamente uma pedra preciosa. Lando e Steve degladiam-se num kartódromo, durante cinco voltas super renhidas. Entre o profissional de Fórmula 1 e o profissional de Gran Turismo Sport, adivinha lá, gentil espectador, quem triunfa sobre a linha de chegada.



É verdade que Lando Norris não defende os ataques de Steve Brown, enquanto, principalmente na última volta, o youtuber fecha completamente a trajectória ao seu patrão. É verdade que, neste momento das suas vidas, o piloto amador está mais confortável num Go Kart do que o piloto profissional. Seja como for, é espantoso que Steve consiga levar a melhor.

quarta-feira, março 24, 2021

O Meu Pé Pesado #04: Bathurst ao cair do dia.

O mais lendário circuito da Austrália, e uma das mais desafiantes serpentinas de asfalto no mundo, Bathurst foi desenhado para que, mais tarde ou mais cedo, te espetes contra um muro. Subindo e descendo a infernal colina de Mount Panorama, temos a sensação que a estrada é uma armadilha incontornável, mais fatal quanto maior o número de voltas e o cansaço acumulado, porque este autódromo não é daqueles que quanto mais se conhece, menor é o risco. Não. Quanto mais corres aqui, maior é a probabilidade da desgraça.

Apesar do perímetro tortuoso, adoro este circuito e aproveitei um contra-relógio online do Gran Turismo Sport para gravar o vídeo (só a melhor volta, feita em 2'04''001), até porque faço um tempo entre os 800 primeiros mundiais, o que para um cota de 53 anos e dada a competitividade insana das sessões online deste jogo, não está nada mal. Mais a mais, apanhei a prova no seu fim (o desafio termina hoje de madrugada), pelo que já não vou sair dos mil primeiros de certeza. Só foi pena ter encostado muito ligeiramente a lateral direita do Porsche AMG GT3 ao muro, na entrada da recta descendente, caso contrário talvez fizesse uma marca dentro dos primeiros 500. Mas não há voltas perfeitas, em Bathurst. Só há voltas possíveis.

Boa viagem.


Clown world.

 

sábado, março 20, 2021

Mais um que está inspirado.

Hoje é o sábado da boa oratória, de certeza, porque logo a seguir à genial dissertação da rapariga do post anterior, encontro no tubo um escocês, Leo Kearse, que manda uma ventania discursiva dos caraças, em cinco minutos de pura sátira apontada à recente entrada em vigor nas terras altas da "hate crime bill", cujos contornos fascistas aqui reportei há uns dias atrás. Isto hoje está cinco estrelas.

O discurso dos discursos.

Não consegui perceber como é que se chama esta rapariga, mas espero que daqui a uns anos se candidate a um cargo público, porque num breve minuto consegue dizer tudo o que é preciso dizer, com esplêndida articulação e poderosa veia, nesta opressora altura do campeonato. Absolutamente brilhante.


O Meu Pé Pesado #03: a voar na Finlândia.

Walter Rohl, a lenda do Gupo B e um dos melhores pilotos de ralis de todos os tempos, perdeu certa vez um título mundial por se recusar a conduzir os 600 cavalos do Audi A Quattro pelas florestais dos Mil Lagos, justificando-se com o contrato que tinha assinado com a marca alemã, que não previa a pilotagem aeronáutica. É que o sacana deste rali é feito, em parte substancial, no ar. Os troços são extremamente rápidos, mas também radicalmente acidentados, convidando os pilotos a saltos de cinquenta, sessenta e setenta metros, negociados a velocidades alucinantes. 

Neste primeiro vídeo, dá para perceber bem o que é o Mil Lagos. Enquanto o meu co-piloto está constantemente a aconselhar o "flat out", eu corto-me várias vezes, de forma a conseguir manter o carro mais ou menos equilibrado e dentro da estrada. Talvez por isso, não faço melhor que o tempo 873 mundial.




No segundo vídeo, e apesar da chuva, da lama e do crepúsculo complicarem ainda mais a condução, tenho uma atitude diferente. Cometo erros, enfio-me nas valetas, estou quase a espetar-me terminalmente por várias vezes, mas vou prego a fundo e seja o que deus quiser e, talvez por isso, faço um tempo dentro dos 100 primeiros. Para não esconder nada desta tentativa altamente errática mas surpreendentemente rápida, decidi neste caso recorrer às câmaras exteriores.




É difícil como o raio, o rali finlandês. E é preciso ter um bocadinho de sorte, também, para chegar inteiro, ou quase inteiro, ao fim de cada troço. Boa viagem.

Como humilhar a América num instantinho.

Na cimeira diplomática do Alasca entre os EUA e a China, os chineses não se preocuparam em ser diplomáticos e entraram em força. Mostrando que acreditam tanto na validade das eleições de Novembro como metade da população americana, usando o movimento Black Lives Matter contra a administração Biden, num exercício de ironia digno de um mestrado na Academia de Atenas, usando a fome de guerra dos falcões do Pentágono como arma de arremesso, afirmando sem qualquer pudor que os Estados Unidos já não são o império líder que foram um dia e que devem portar-se - e curvar-se - em conformidade, os chineses humilharam a delegação americana como eu não me lembro de alguma vez uma delegação diplomática ser humilhada. E a reacção dos palermas enviados por Biden não podia ter sido outra: prostraram-se rendidos perante a firmeza do adversário, aceitando pacificamente que são uma nação fraca, racista e belicosa, onde já nem as instituições da democracia funcionam convenientemente.

É claro que, misturadas no granito do projéctil que a catapulta comunista lançou, há verdades e mentiras: a América está muito fragilizada de facto e segue neste momento um trajecto suicidário, que anula a grande velocidade todos os valores que a elevaram a líder mundial; a actual administração é  disfuncional e incapaz (como a situação na fronteira do México demonstra inequivocamente) e protagonizada por um tipo que sofre de demência senil e que ainda ontem caiu três vezes ao subir um só lance de escadas; as eleições presidenciais foram completamente falsificadas (antes, durante e depois) e a decisão de retomar os bombardeamentos na Síria é completamente obscena e destituída de sentido; mas a pátria do Tio Sam continua a ser a primeira potência económica e militar a nível global, não é uma nação racista - é o contrário disso - e os senhores do comité central do partido comunista chinês, que governam um dos regimes mais letais e menos respeitadores do diretos humanos da história universal da infâmia, deviam ter vergonha.

Porém, a patética reacção americana, que na verdade concorda com as afirmações da delegação chinesa e que parece de facto preparada para entregar de bom grado a liderança mundial ao império do meio, é deveras esclarecedora sobre o que o futuro nos guarda, no que diz respeito ao contexto geo-estratégico mundial.

Tucker Carlson disserta a este propósito, no breve monólogo de ontem.

quinta-feira, março 18, 2021

A discoteca da minha vida #86: "The Understanding", Röyksopp

De regresso ao século XXI, e inadvertidamente de volta ao imaginário Daft Punk, com dois cogumelos noruegueses: Svein Berge and Torbjørn Brundtland, mais conhecidos por Röyksopp.
O segundo disco destes meninos, "The Understanding", é uma viagem psicadélica e sensual pelo cosmos do disco rígido. Sintetizando um inimputável fôlego criativo em loops muito bem cadenciados, pensados para a pista de dança, sim, mas para transcenderem esse perímetro desenfreado, também, este disquinho de 2005 marcou uma era. E libertou os Röyksopp da maldição do seu primeiro heat "Poor Leno", de 2001, demonstrando à audiência global que os dois nórdicos estavam aqui para mais que um êxito efémero. E tanto assim é, que estou a escrever sobre esta obra dezasseis anos depois dela ter sido publicada. Oiço-os agora e continuam tão contemporâneos como eram na altura: na crista de uma onda perpétua.

quarta-feira, março 17, 2021

St. Patricks wisdom.

 

Toonville: all about Gates.

Lockdown Rally - Layouts

Janeiro 2021

Fevereiro 2021


Março 2021

O meu pé pesado #02: sprint na Alemanha.

Este é um troço curto, que dura três minutos e tal, pelo que tem que ser feito sempre a fundo, apesar da chuva e da visibilidade reduzida, caso contrário a concorrência humana ou algorítmica do Dirt 2.0 não dá hipóteses, principalmente, no segundo caso, se estiveres a jogar em modo "very hard". O último minuto do trajecto, a descer e cheio de ganchos, é um bocadinho infernal.
Permaneço ao volante do icónico Mitsubishi Lancer Evo VI, com o qual estou a fazer este campeonato, pelo que vai continuar a ser a estrela dos próximos vídeos.  

Faço a marca 250 mundial na classe Grupo A (o tempo não aparece na foto da tabela, porque nem reparei nisso quando a tirei, mas deve rondar os 3'28'' ou coisa que o valha, confiando no timeline do Youtube), o que não sendo nada do outro mundo, é uma referência de competitividade, embora na verdade a maior parte dos meus tempos se enquadre entre o primeiro milhar e não entre as três primeiras centenas. Só que às vezes, aqui e ali, quando estou mais concentrado, consigo ser mais rápido. Foi o caso.
Boa viagem.


União das nações sem vergonha.

 

terça-feira, março 16, 2021

A direita não percebe a revolução e é por isso que está a perder a guerra.



"You don't get it Carl. They don't care about ratings as they don't care about votes. It's a bolshevik revolution. You don't need western elements of validation for it to succeed."
Comentário meu ao clip dos Lotus Eaters

Um dos problemas das esquerdas moderadas e das direitas, moderadas ou não, da actualidade é o de pensarem que a extrema esquerda respeita os valores e as regras da civilização ocidental. Desgraçadamente, não é esse o caso. Cabeças falantes como Carl Benjamin não conseguem perceber que, para os bolcheviques que organizam os Grammys, a questão das audiências é completamente irrelevante. Como para os aparatchiks da campanha de Joe Biden não interessava realmente a vontade popular, porque, como qualquer manual de normas estalinista ensina, as eleições não são ganhas por quem vota mas por quem conta os votos.

O slogan "get woke, go broke" é, neste contexto, bastante espúrio, já que o capitalismo de base neo-marxista não tem qualquer problema em sacrificar a rentabilidade em nome da ideologia. A falência é um mal menor porque, como já aconteceu por várias vezes nos últimos 15 a 20 anos, os estados têm sucessivamente impedido que as grandes corporações paguem pelos seus erros de mercado, desde que estas permaneçam fieis ao programa socialista e politicamente correcto, de vocação totalitária, que é a norma contemporânea.

A expressão "Too big to fail" é disso exemplo evidente. Em vez de deixarem cair as mega corporações que, por disfunção de gigantismo, corrupção intestina e má filosofia de gestão, criam triliões de prejuízo, os governos encarregam-se de salvar estas instituições, à custa dos contribuintes ou à custa do valor da moeda que imprimem desenfreadamente. O capitalismo são, que rejeita o monopólio e o gigantismo pelo gigantismo, aconselharia a contrariar e aniquilar empresas que são demasiado grandes. Mas o capitalismo neo-marxista promove precisamente essas empresas, que pela sua dimensão se tornam constantemente disfuncionais e que pela sua corrupção se mostram cronicamente vulneráveis e dependentes de apoios públicos, pelo que são mais fáceis de controlar, de forma a permanecerem em perpétuo conluio com os interesses operacionais e propagandísticos do estado.

Enquanto aqueles que defendem os valores da civilização ocidental não perceberem isto, vão permanecer num equívoco que anuncia a derrocada total. Por muito que Carl Benjamin, na verdade um bom rapaz que não tem o que é preciso para ser uma ameaça séria à revolução, se entreter a denunciar a esquizofrenia e a vulgaridade dos Grammys e a gozar com a respectiva queda das audiências televisivas, aqueles que edificam esse sistema vulgar e esquizofrénico nada têm que recear, porque o rapaz está a apontar as suas débeis baterias para as consequências da revolução, e não para o seu motor fundamental.

O drama de Carl é pensar que ainda vive num mundo que foi extinto já há décadas. E mesmo que tivesse poder para combater essa extinção (que não tem), o combate seria, fatalmente, tardio.

Lockdown Rally, mas como deve ser.

Vacina-te. Por tua conta e risco.


Há muito que dizer sobre as vacinas criadas para imunizar a população mundial contra o Covid-19. Inventadas em tempo recorde e sob critérios laboratoriais que na verdade ninguém conhece profundamente, impingidas sem contraditório pelos estados e vendidas como banha da cobra pela imprensa e em conluio com a máquina propagandista das big tech, estas obras de má engenharia genética têm tudo para que desconfiemos delas. E se há uma ou duas semanas este parágrafo cairia logo na categoria de teoria da conspiração e do negacionismo abjecto das incomensuráveis virtudes da ciência, hoje, terça-feira, 16 de Março, já não é bem assim, porque há evidentes indícios, assumidos pelo mainstream e pelas "autoridades" de vários países na Europa (Holanda, Alemanha, Itália e etc.), que pelo menos uma das vacinas - a Astra - tem efeitos secundários que já causaram a morte e graves problemas de saúde a milhares de inoculados. Estas duas notícias aqui, publicadas pelo Bloomberg, que é completamente um megafone do sistema, não deixam dúvidas e a aplicação da Astra foi suspensa nos últimos dias em várias e extensas regiões do velho continente, atrasando ainda mais o já de si caótico e lento programa de vacinação da infeliz e disfuncional União Europeia.

Ainda por cima, têm surgido cada vez mais dúvidas sobre a eficácia destes produtos, agravada pelo escasso conhecimento que temos do vírus, bem como pela sua volátil tendência para a mutação.

O que é incompreensível, para não dizer tenebroso, é que isto acontece enquanto os governos, um pouco por todo o lado, pressionam loucamente, ou quase obrigam, as pessoas a serem inoculadas, enquanto vão avisando que sem a vacina os cidadãos não vão, muito provavelmente, poder viajar ou assistir a espectáculos artísticos e desportivos, ou participar em eventos ou exercer certos direitos e liberdades que deviam ser invioláveis por defeito: ou corres o risco de uma embolia pulmonar ou és fascizado.

É claro que há uma outra solução: rejeitar a vacina e rejeitar o fascismo. Mas para isso é preciso ter tomates. E pelo que se constata, esse fruto é cada vez mais raro, no deficitário pomar das sociedades contemporâneas.


domingo, março 14, 2021

A discoteca da minha vida #85: "As it Happens", Dr. Feelgood

As It Happens

De repente lembrei-me de que me tinha esquecido. Tinha-me esquecido dos Dr. Feelgood e do segundo Long Play da minha vida, "As It Happens" e assim sendo temos que ligar a máquina do tempo para regressar a 1979.
Muito pouca gente sabe do que estou a falar quando falo desta banda de Convey Island, que praticava um tipo apuncalhado de rythm'n blues ferroviário a que na altura chamavam "pub rock". É uma pena porque os Dr. Feelgood são o mais genuíno, cru, nu, puro, curto e grosso agrupamento de malucos que o mundo já viu. Que o universo já ouviu. Que o cosmos alguma vez pariu. Bebiam leite com álcool e rejeitavam a medicina. Usavam botas de tacão e óculos degradé. Patilhas felpudas e penteados fora de moda. Cuspiam no palco e peidavam-se em público. O mau gosto e o mau aspecto eram um espectáculo dentro do próprio espectáculo.



Lee Brilleaux, o vocalista intrépido e fantasma de tasca que também soprava uma gaita como se fosse uma corneta do fim dos tempos, era uma espécie de anti-John Lennon. Wilco Johnson tirava acordes da guitarra como quem monta estruturas de arame farpado e a banda toda e por inteiro não podia ser mais bruta, mais vulgar, mais suburbana e mais difícil de mastigar.
Adoro os Dr. Feelgood. Adoro-os. E, para sublinhar a minha paixão, deixo dois clips, em vez de um só, porque eles merecem mais atenção. Merecem mais espaço. Merecem mais posteridade. Oh yeah.

Finalmente: um vídeo do meu pé pesado.

Ando há anos para partilhar aqui no blog algumas corridas que faço na PlayStation, mas como sou um boomer desajeitado com estas tecnologias, só agora consegui exportar vídeo para o Youtube. O clip está a 720pp, não sei bem porquê, na medida em que tenho as saídas formatadas para 1080 na PS4 (talvez porque a minha subscrição do serviço Youtube não é paga?). Ainda assim, já dá para curtir. O simulador é o Dirt Rally 2.0 e eu estou ao volante de um Mitsubishi Lancer EVO VI, dos anos 90, num troço nocturno das florestais de New England. Cometo um erro parvo ao minuto 1'57", que me custa uns bons dois segundos, mas de resto a coisa sai mais ou menos limpinha.
Boa viagem.

Taxa de sobrevivência Covid-19

Perante este números, faz-me comichão que as autoridades portuguesas continuem a assumir uma taxa de sobrevivência de 99%, escandalosamente menor do que a maior parte dos países civilizados. Das duas uma: ou estão a fazer mal as contas (e desde o princípio da pandemia que estão a fazer mal as contas, como aqui já expliquei), ou são uns incompetentes barra assassinos da pior espécie e do Costa à ministra da Saúde tem toda a gente que ser julgada por crimes contra a humanidade. Neste contexto, se calhar é melhor assumirem que são maus a matemática. Ou que mentem propositadamente. Mas mentem porquê?

sábado, março 13, 2021

O triunfo do Nacional-Socialismo, na Escócia.


Humza Yousaf, o infame nazi que o SPN (Scottish National Party, actualmente no poder) colocou à frente da secretaria da justiça escocesa e já tristemente célebre por achar inaceitável que os cargos públicos na Escócia sejam ocupados por escoceses, num país em que cerca de 96% da população é nativa, conseguiu fazer passar no parlamento uma incrível "Hate Crime Bill" que criminaliza  a liberdade de expressão até ao ponto em que os escoceses têm que ter cuidado com o que dizem dentro das suas próprias casas. Se não acreditas nisto, gentil visitante, comprova por ti mesmo, aqui.

A lei de Yousaf cria o delito de “incitar o ódio” com base na religião, orientação sexual, idade, deficiência, raça e identidade trans-género.
E aplica-a não só ao discurso público mas à esfera privada. Por exemplo, se convidares alguém para jantar e lhe disseres, entre duas garfadas, que estás convicto de que só existem dois sexos, o masculino e o feminino, o teu convidado, à luz da lei e porque acha que o teu comentário é ofensivo para a comunidade transexual escocesa, pode chamar a polícia e a polícia, baseada apenas na denúncia do teu convidado, pode entrar em tua casa e levar-te preso.

Agora digam-me: esta é ou não é uma lei nazi?  E assim sendo, é ou não é verdade que os valores de liberdade de expressão e diversidade ideológica que constituíram e fortaleceram as democracias ocidentais desde o século XVIII, estão neste momento, mais que ameaçados, em vias de extinção?

A lei de
Yousaf, um perigoso imbecil e insidioso extremista que só podia ser produto da cultura muçulmana-neo-marxista-woke que está completamente a ganhar a guerra cultural nas ilhas britânicas, para não dizer em todo o mundo ocidental, é completamente arrepiante e eu, confesso, tenho medo dela. E tenho mede dele, o legislador. E tenho medo dos escoceses todos, os que votaram no SPN e os que não votaram, mas permitem e aceitam plataformas legislativas de base totalitária como esta.

A cada dia que passa, fica mais apertada a mordaça.

Michael Malice anuncia

o futuro da humanidade, numa breve palestra sobre os últimos 70 anos na Coreia do Norte:

sexta-feira, março 12, 2021

A física como molho de bróculos.

"Physicists think that the foundations of physics are not pretty enough.
They invent prettier theories and are then surprised if no evidence is found to support them.
They are largely unaware that they are doing this because requirements of 'beauty' have become mathematical standards."
Sabine Hossenfelder

A deveras honesta professora Hossenfelder disserta sobre os problemas, graves, que residem e teimosamente persistem há já mais de um século, nos fundamentos da Física. E que fazem desta disciplina um molho de bróculos sem solução à vista. Nem matemática nem filosófica. Um banho de humildade para quem acha que a ciência contemporânea detém uma espécie de reinado absoluto sobre a realidade. Não detém.

Sobre a ineficiência dos confinamentos.

O Fraser Institute, recorrendo apenas a números oficiais, publicou muito recentemente um estudo sobre liberdade económica na América do Norte que demonstra, entre outras verdade inconvenientes, que os lockdowns não resultam minimamente como medida de combate à transmissão do vírus chinês e à correspondente diminuição dos óbitos que dessa gripe resultam. Ora vejamos.




Neste gráfico temos o número de mortos Covid do lado direito, e a perda de empregos no sector público e privado na linha inferior. Os pontos azuis simbolizam os estados da federação americana. Partindo do princípio, que é válido e lógico, de que o desemprego é maior nos estados com níveis de confinamento mais draconianos, constatamos que não existe qualquer correlação significativa (0,0049) entre a mortandade e as medidas de supressão da actividade económica tomadas para a combater. O estado de Nova Iorque, um dos que adoptou medidas mais restritivas, apresenta números arrepiantes. O Estado de Idaho, que nunca chegou a fechar, tem números muito menos assustadores (as diferenças de volume demográfico não são representativas, já que os óbitos são calculados por cada 100.000 habitantes). 


Este gráfico é ainda mais eloquente. Comparando a mortandade (coluna da esquerda), com o index da liberdade económica (eixo inferior) e partindo do princípio, que é sólido e inequívoco, que os estados com mais liberdade económica tiveram níveis de confinamento inferiores, percebemos que não há qualquer relação significativa (0,0037) entre o confinamento e o número de óbitos resultantes da gripe chinesa.
New Hampshire é, no estudo do Fraser Institute, um dos 3 estados com maior liberdade, ainda assim, apresenta números de mortandade muito inferiores à média.

Para que se tenha uma ideia geográfica dos índices de liberdade económica nos EUA, deixo também aqui o mapa correspondente, que serve bem como referência comparativa para o mapa em baixo, do CDC (autoridade médica americana para o controlo e prevenção de doenças e epidemias), que mostra os índices de transmissibilidade do vírus no território da federação.






A análise comparativa destes mapas e do gráfico em baixo da Statista (para melhor leitura/resolução, ver o quadro aqui) não deixa grandes dúvidas. Estados como a Flórida e o Texas, que implementaram medidas de combate à pandemia muito suaves ou quase inexistentes, apresentam mortandades que se enquadram completamente dentro da média do país. No estado do Texas, são 158 óbitos por 100.000 pessoas. E na Florida, 149 por cada 100.000. Há, por outro lado, estados que adoptaram políticas de confinamento extremamente restritivas e com resultados desastrosos, como New Jersey (260 óbitos por 100.000 habitantes) ou Massachussets (240 óbitos por 100.000 habitantes), já para não voltar a referir o infeliz caso do infeliz estado de Nova Iorque.


Assim sendo, e utilizando apenas números oficiais, publicados por organismos que defendem a implementação dos lockdowns, portanto insuspeitos, percebemos que a implementação das draconianas medidas de confinamento, que têm consequências devastadoras no tecido social, psico-social e económico, não mostram objectivamente ser de significativa eficácia no controlo da pandemia.

É claro que estes dados se referem apenas à realidade norte-americana, mas sendo esta nação extremamente diversa no que diz respeito à sua geografia física e humana, penso que não é disparate nenhum considerar que se trata de uma amostra válida sobre a realidade global.

E como não quero manifestar opinião num post apenas constituído por factos estatísticos, o melhor é ficarmos por aqui. Quem tem olhos para ver, que veja.

Un Fucking Believable

Acreditem ou não (nos tempos que correm, já nada faz prova de nada) uma constituinte da House of Lords, segunda câmara do parlamento inglês, acha que, a propósito de alguém ter assassinado uma rapariga polícia, todos os homens devem ficar em confinamento depois das oito da noite... para sempre.



Isto só faz rir, claro. Até porque olhando para esta senhora se percebe que a retirada dos homens da vida nocturna não a afectará em nada (como a presença deles também não, aliás). Mas é verdade ainda assim que já correu neste blog de 17 anos de idade muita coisa que fazia rir na altura e que agora já não tem piada nenhuma.

É que os autoritarismos gerados por causa constipação chinesa promovem naturalmente, com rapidez nefasta e legitimidade institucional, este tipo de merdas horríveis, até um ponto em que passamos num piscar de olhos do ridículo para a realidade.

Seja como for, nunca digam que este blog vosso criado não avisou. Porque avisou e tem avisado e não se cansa de avisar e mais avisará.

Retrato de um herói.

Andrew Torba.
Desconfio que ninguém, das escassas e pacientes pessoas amigas ou das poucas e insistentes pessoas familiares que ainda frequentam este infrequentável blog, sabe quem é este tipo. Devo informar essa escassa audiência que este tipo é um dos derradeiros heróis da civilização ocidental. Feliz proprietário da única rede social completamente livre, a GAB, sítio onde podes expressar a tua opinião sabendo que a tua opinião só encontra limites na lei do país onde tu vives, o rapaz existe numa espécie de Olimpo para quem acha que a liberdade de expressão é um principal fundamento da civilização. E se pensas que a liberdade de expressão não está neste momento da história seriamente limitada, desculpa gentil e talvez desencontrado leitor, perdão caríssima e algo equivocada visitante, mas é porque vives em Marte e ainda não te apercebeste do que está a acontecer todos os dias aqui, no planeta Terra.

Mais. Andrew Torba está a criar um movimento que, na minha opinião, o vai imortalizar e que consiste no seguinte: se não concordas com a tendência marxista e politicamente carregada dos grandes conglomerados económicos que dominam o ecossistema global, cria o teu próprio ecossistema. Por exemplo: os bancos não querem trabalhar com o GAB, de repente e por razões políticas. Tudo bem. Cria o teu próprio banco de repente. Por exemplo: a PayPal não quer trabalhar com o GAB de repente e por razões políticas. Tudo bem. Cria de repente o teu próprio serviço online de transações financeiras. Por exemplo: a empresa que te aluga os servidores para alojares o GAB recusa alojar o GAB, de repente e por razões políticas. Tudo bem. Compras de repente os servidores que vão alojar o teu serviço de rede social. Se não estás de acordo com o sistema e se o sistema pretende aniquilar qualquer voz discordante, cria a estrutura que possibilite e amplifique a discórdia. Mas cria-a em tempo real. Sem reuniões com grupos de interesse e tempo e dinheiro perdidos em think thanks e choraminguices intermináveis e insuportáveis na imprensa (isso é o que faz a esquerda). Usa o dinheiro que ganhas para fazer mais dinheiro, o que é bom, e ainda por cima com os ventos da razão moral e da oportunidade de mercado a soprarem a teu favor, o que ainda é melhor.

Sendo certo que o monopólio da opinião é obsceno e ilegítimo, sempre pensei que os donos da Google, os donos da Apple, os donos da Nike, os donos da Coca-cola, os donos da Gillette, os donos da Disney, os donos de Hollywood, os donos do New York Times ou os donos da CNN podem fazer o que lhes apetecer com as suas marcas, porque respeito a propriedade privada acima de tudo, mesmo quando a vontade sobre as marcas é suicidária. E, no caso das redes sociais, desde que paguem impostos como editores e não como plataformas de discurso público. Não digo o mesmo sobre a BBC ou a RTP, por exemplo, porque se trata de marcas públicas e as marcas públicas deviam ter o pudor de permanecerem para-ideológicas porque são subsidiadas por toda a gente, e muita dessa gente repudia de todo a doutrina subjacente às emissões destas miseráveis estações de propaganda.

Mas seja como for, a única resposta que  honestos e convictos libertários podem ter em relação ao fascismo ideológico das instituições privadas é a resposta de Andrew Torba: rejeitar e combater o uníssono totalitarismo com recurso à criação de estruturas inovadoras e eficientes, que cumpram os valores morais de liberdade, responsabilidade e dignidade que nos foram legados pela tradição cristã e ocidental. 

Ainda por cima, Andrew Torba, e como ilustra o post dele que antecede este texto, mantém uma relação com a rede social de que é proprietário e com os respectivos subscritores que não pode ser mais sã e corajosa e humilde e sincera. Fala com eles. Posta como eles. Gosta dos posts plebeus e segue os subscritores plebeus (como eu), é polémico e desbocado como os subscritores plebeus, desanca nos poderes instituídos como se fosse um plebeu que não tem nada a perder, de tal forma que parece de todo desinteressado e convicto dos seus princípios fundamentais que na verdade indexam aos princípios fundamentais da nação de que é cidadão natural.

Andrew Torba é um exemplo de ser humano e, neste contexto, uma espécie de Elon Musk cristão. Ou, se quiserem, uma espécie de Zuckerberg ao contrário. Uma figura essencial para o bom exercício da revolução populista que, mais tarde ou mais cedo, acabará por triunfar sobre os grandes males do mundo.

E mais não digo. Por agora.

quinta-feira, março 11, 2021

A discoteca da minha vida #84: "LCD Soundsystem", LCD Soundsystem


O primeiro disco do nova iorquino James Murphy não podia vir mais a propósito: "Daft Punk is Playing at My House", talvez o mais icónico tema deste seminal trabalho de 2005, rende homenagem à recentemente extinta e para sempre gloriosa dupla francesa enquanto ilustra esplendidamente o tom eletrónico, computorizado, pensado para triunfar no apogeu das raves clandestinas que eram a moda da altura. Mas todo o disco é um prodígio minimal e assumidamente repetitivo, uma coisa neo-punk-para-pista-de-dança, objecto dadaista que soava e cheirava a algo de inédito, festival de loops simétricos e refrões perpendiculares que passaram rapidamente a viver no Eliseu dos dj's de todo o mundo.
Os LCD Soundsystem são um fenómeno de culto, claro. Mas há qualquer coisa de universal aqui. Qualquer coisa que transcende a lógica de um momento, a conveniência de uma moda, a resignação a um trend. E essa qualquer coisa entra nos ouvidos como um grito experimental, uma voz rebelde, um acorde descontínuo.

Manual de normas.