Sobre a certeza religiosa de que não há no planeta um lugar mais
romanesco que Guerreiros do Rio. A aldeia propriamente dita tanto como
os arredores ribeirinhos rebentam de parágrafos imortais.
segunda-feira, fevereiro 06, 2023
Guerreiros do Rio, onde a geografia passa a literatura.
sábado, fevereiro 05, 2022
Entre o risco e o deslumbramento, uma filmografia.
Safa Brian. O ciclista / cineasta mais dotado do Youtube arruma no seu canal centenas de filmes visualmente exuberantes, feitos para deliciar os adeptos de ciclismo de turismo ou de competição e não só.
Descidas a velocidades estonteantes, enquadradas por paisagens monumentais; aventuras radicais, rasgadinhas e arriscadas, em exigentes percursos de todo o terreno; safaris urbanos, provas amadoras e profissionais, enfim, este canal é um roteiro alucinante pelas estradas da Califórnia. Tudo muito bem filmado. Tudo muito bem pedalado.
Um canal veloz para apreciar devagar.
segunda-feira, agosto 30, 2021
Pela Estrada Fora #26
Estás fartinho desta vida enclausurada. Sufocas. Pegas no telefone, improvisas um difícil enquadramento hoteleiro e enquanto o diabo esfrega a remela, estás na Zambujeira, na companhia de velhos e bons amigos e a fazeres novos a uma velocidade que supunhas impossível.
O segredo, se calhar, esteve na viagem. Porque vais nas calmas, sozinho e sem
calendário, interrompes a condução repetidas vezes, sobretudo quando chegas à orla
marítima. Em Sines, decides contribuir para o bem estar visual do blog e
bum.

Ias com a ideia de fazer um bocadinho de praia em S. Torpes, mas quando passas pela bela baía Vasco da Gama, no centro da cidade, paras outra vez, porque há montes de lugares disponíveis, considerando o mês de Agosto, e porque nunca visitaste aquela praia, na verdade. 
Caminhas não mais que 40 metros e instalas-te à beira-mar. Muita areia, pouca gente. Nenhum vento. A água, temperada. Tens rede wi-fi gratuita, por gentileza do município. Estás nitidamente na praia mais civilizada da Costa Vicentina. Bum.

Passado hora e meia de um momento de praia absolutamente delicioso, bebes café no bar da marginal e arrancas. Chegas à Zambujeira, enfias as cenas no quarto e sais para o dia lindo que faz. Passeias um bocadinho para o lado mais sossegado da vila e bum.
A partir daqui, as coisas só podiam correr bem, não é?
sábado, agosto 28, 2021
quarta-feira, maio 19, 2021
domingo, novembro 29, 2020
Pela Estrada Fora #23
Entre Sintra e a Ericeira, surfando o asfalto, descobri a praia de S. Julião, que é uma coisa mesmo bonita à brava. E depois, andei perdido no nevoeiro.
quinta-feira, julho 25, 2019
Pela Estrada Fora #22
quinta-feira, junho 20, 2019
Pela Estrada Fora #21
Não sou propriamente um tipo viajado, pelo contrário, mas tenho a certeza religiosa que não há no planeta um lugar mais poético que Guerreiros do Rio. A aldeia propriamente dita tanto como os arredores ribeirinhos rebentam de versos imortais. Nem consigo explicar o que acontece comigo quando chego a este sítio. O Guadiana entra-me na corrente sanguínea como um opiáceo e fico completamente drogado, a olhar para a majestade lírica daquilo. Felicidade é parar cinco minutos neste apoteótico miradouro e ficar simplesmente a olhar para a majestade lírica daquilo.
E é pela EM 507, que liga a Foz de Odeleite a Alcoutim, que lá se chega. Uma estrada sinuosa e tecnicamente exigente, que se esforça sem total sucesso por perseguir o fluído curso navegável do Guadiana. Acelero um bocadinho, claro, mas aqui e ali há um ou outro buraco partidor de jantes e estou demasiado extasiado para me concentrar completamente na condução.
Não se houve mais que a carícia da água nos canaviais e o GTI a rosnar. Ninguém habita este bocadinho de paraíso. Não há turistas e os escassos nativos não se aborrecem pelas curvas que conhecem de cor. Estou sozinho no sonho, sozinho no mundo. No lugar mais poético da galáxia.
Portugal ainda tem muita estrada sem semáforos. Muitos quilómetros sem trânsito. Muito espaço para estacionar. Muitos caminhos para testar o modo Sport. Muito silêncio para rasgar com o barulho da combustão interna. Muita liberdade para tirar prazer da condução, da paisagem, da vida.
segunda-feira, abril 22, 2019
Pela Estrada Fora #20
O céu esconde-se entre o emaranhado véu da mata e nem parece que estou a 30 kms de Lisboa, porque acelero a sós por estas estradas sinuosas, românticas, divididas entre a luz solar e o fresco recortado das sombras. Vroom. Vroom.
A mais genial invenção da História Universal foi o automóvel de motor de combustão interna.
domingo, março 10, 2019
Pela Estrada Fora #19

terça-feira, fevereiro 26, 2019
Pela Estrada Fora #18
quinta-feira, fevereiro 07, 2019
Pela Estrada Fora #17
Com um disco de embraiagem novinho em folha, sou o único a fazer ruído na Arrábida, num grandioso alvorecer de Fevereiro. Resultado: preciso de pastilhas de travões.
quarta-feira, janeiro 23, 2019
Pela Estrada Fora #16
sábado, janeiro 05, 2019
Pela Estrada Fora #15
Uma breve apologia da combustão interna. E dos Concertos de Brandenburgo.

Tudo o que queria fazer, no caminho de regresso do Canhão da Nazaré, era tirar um excelente boneco do meu carrinho lindo com o Mosteiro da Batalha no fundo. A inocência, caída subitamente no poço da realidade, tem cruéis resultados no ânimo da alma e a simples intenção de estacionar o automóvel nas imediações do Mosteiro é um projecto destinado à falência onírica: a vila de Batalha tem, neste contexto, os mesmos problemas da cidade de Nova Iorque, sendo certo que se compreendem melhor as dificuldades de parquear na península de Manhattan do que no coração do Oeste Português.
Odiar os automóveis de combustão interna, restringindo seu trânsito, taxando de forma obscena a sua função, aniquilando ou tentando aniquilar o prazer da condução enquanto se rouba boa parte ao comércio dos combustíveis, é a nova norma. A minha Batalha é que a nova norma não passe a normal.
O automóvel de combustão interna é uma das grandes glórias tecnológicas da história da humanidade. Está para a indústria como os Concertos de Brandenburgo estão para a música. As duas obras servem esplendidamente para nos transportar do ponto A ao ponto B. Num caso os pontos são geográficos, noutro são estéticos, mas o assunto é o mesmo: liberdade. Não deixo de ficar impressionado com a paisagem arqueológica. E nunca, por nunca, cesso o espanto de ser nacional de um país que se consolidou através desta gloriosa Batalha, travada com valentia e argúcia estratégica no remoto ano de 1385. E nunca, por nunca, cesso de venerar esse D. Nuno imortal. Mas quando finalmente encontrei um lugar para estacionar, tudo o que consegui foi isto:
É claro que fiquei a quilómetros do que sonhava (o mosteiro está lá ao fundo, do lado esquerdo). Mas um gajo que gosta de automóveis está condenado às milhas. Se calhar é justo. Se calhar não. Não sei se já pensaste nisto, gentil leitor, cordial leitora, mas quando os motores de combustão interna forem levados à extinção industrial, o que é que fica para taxar? O que é que fica para odiar?
É que agora estão só a lixar a minha mania. A ganhar a minha Batalha. A vencer sobre a minha fantasia. Mas com o mesmo intento fascista, cuidarão de destruir a tua, já de seguida.

































