sábado, setembro 12, 2026

Amor de Vila

Dão-me alegria as rosas que crescem aos cachos no meu jardim,
de tanto serem estimadas por mim.

(As rosas que a minha sogra plantou no paleolítico inferior
são agora flores do meu favor).

O horizonte oceânico faz milagres com o gajo das olheiras
criado em Benfica e casado em Telheiras.

Salva-me a minha cadela de cada vez que a beijo e ela me beija
com tanta ternura que aleija.

Acaricia-me o gato Álvaro com a liberdade louca que ele tem
e que não reconheço em mais ninguém.

Vivo agora na simplicidade de uma baía sem horas de ponta,
esquecido até de pagar a conta.

Não é da condição humana a felicidade, mas aprendi nesta vila 
a viver uma vida tranquila.

Já não era sem tempo, considerando
os 59 anos de espanto.