sábado, janeiro 03, 2026

Forças militares norte-americanas atacam a Venezuela, intensificando mais um conflito ilegal e injustificável.

O ‘Presidente da Paz’ decidiu bombardear (e invadir?) Caracas, esta madrugada, no que parece o início de uma operação militar que, para ser legal (no contexto da constituição americana), tinha que ter a aprovação do Congresso. Que não teve. E para parecer legítima, tinha que ter uma razão moral. Que não tem.

Na verdade, o a razão não interessa, porque primeiro era o tráfico de drogas, depois era o petróleo, agora é a "segurança nacional", a seguir vai ser a “democracia” e assim sucessivamente até encherem o cérebro das pessoas com falsos pretextos. Porque não há pretexto. Porque não é preciso um outro motivo para além do disseminar o caos e a morte, para além da necessidade de alimentar a máquina de guerra imperial.

Mesmo que o império seja agora apenas constituído pela e fundamentado na violência e completamente destituído de valores morais, visão política ou legitimidade estratégica. Agora vão matar venezuelanos porque sim, amanhã matam iranianos, e porque não?

Os EUA são, neste século, o primeiro inimigo de qualquer ideia de civilização.


Na altura que estas linhas são escritas não se percebe se se trata de uma invasão ou de uma operação militar de curta duração, com objectivos restritos e específicos.

Caso se confirme a intenção de uma invasão do território, pode até acontecer que os americanos encontrem maneira de meter os pés pelas mãos e acabarem por sair da Venezuela com o rabo entre as pernas, mais uma vez humilhados, mais uma vez demonstrando ao mundo que são péssimos soldados, ao contrário do que nos tentaram convencer através da propaganda hollywoodesca e como se comprovou historicamente na Coreia, no Vietname, na Somália, na Líbia, no Afeganistão e no Iraque.

Trump pode porém contar com as fragilidades do inimigo – um regime ditatorial que maltratou e empobreceu a população, mergulhado na corrupção e com questionáveis competências militares. Mas ainda assim, se os bombardeamentos começarem a matar civis a torto e a direito, a Venezuela pode transformar-se num rapidamente num pesadelo, até pelas suas características geográficas, que dificultam uma invasão convencional.

A ver vamos.

 
Seja como for, Donald Trump parece disposto a bater o recorde do belicismo norte-americano, o que, convenhamos, não é tarefa fácil. Desde que tomou posse e em menos de um ano, já bombardeou sete países, a saber: o Iémen, o Irão, o Iraque, a Somália, a Síria, a Nigéria e agora, a Venezuela. 

 Considerando que foi eleito para acabar com as “guerras eternas” e focar-se nos problemas políticos, económicos e sociais do seu país, o actual inquilino da Casa Branca está em clara rota de colisão com o seu eleitorado, num dos casos de traição ao mandato eleitoral mais flagrantes de toda a história das democracias ocidentais.