O ‘Presidente da Paz’ decidiu bombardear (e invadir?) Caracas, esta madrugada, no que parece o início de uma operação militar que, para ser legal (no contexto da constituição americana), tinha que ter a aprovação do Congresso. Que não teve. E para parecer legítima, tinha que ter uma razão moral. Que não tem.
Na verdade, o a razão não interessa, porque primeiro era o tráfico de drogas, depois era o petróleo, agora é a "segurança nacional", a seguir vai ser a “democracia” e assim sucessivamente até encherem o cérebro das pessoas com falsos pretextos. Porque não há pretexto. Porque não é preciso um outro motivo para além do disseminar o caos e a morte, para além da necessidade de alimentar a máquina de guerra imperial.
Mesmo que o império seja agora apenas constituído pela e fundamentado na violência e completamente destituído de valores morais, visão política ou legitimidade estratégica. Agora vão matar venezuelanos porque sim, amanhã matam iranianos, e porque não?
Os EUA são, neste século, o primeiro inimigo de qualquer ideia de civilização.
BREAKING: Explosions are rocking Caracas, Venezuela while their citizens are sleeping, as it appears the so-called "Peace President" trump is starting a war without Congress' approval.
— BrooklynDad_Defiant!☮️ (@mmpadellan) January 3, 2026
Those Epstein files must be really, really bad.pic.twitter.com/B3qohuQx4Z
The United States is bombing Venezuela while the people are asleep!
— Mohamad Safa (@mhdksafa) January 3, 2026
Venezuela produces less than 1% of the world’s illegal drugs. But they do have the world’s largest proven oil reserve.
Still think this is really about stopping the cartels? pic.twitter.com/N1iJHzbZfz
This is what Caracas looks like right now... another country under attack by U.S. imperialism, without a single prior provocation. Venezuela has never killed a single American citizen.
— Marwa Osman || مروة عثمان (@Marwa__Osman) January 3, 2026
The world's real terrorists are the imperialists, not those who resist them.#StopUSTerrorism pic.twitter.com/OuEUPSPqjv
Na altura que estas linhas são escritas não se percebe se se trata de uma invasão ou de uma operação militar de curta duração, com objectivos restritos e específicos.
Caso se confirme a intenção de uma invasão do território, pode até acontecer que os americanos encontrem maneira de meter os pés pelas mãos e acabarem por sair da Venezuela com o rabo entre as pernas, mais uma vez humilhados, mais uma vez demonstrando ao mundo que são péssimos soldados, ao contrário do que nos tentaram convencer através da propaganda hollywoodesca e como se comprovou historicamente na Coreia, no Vietname, na Somália, na Líbia, no Afeganistão e no Iraque.
Trump pode porém contar com as fragilidades do inimigo – um regime ditatorial que maltratou e empobreceu a população, mergulhado na corrupção e com questionáveis competências militares. Mas ainda assim, se os bombardeamentos começarem a matar civis a torto e a direito, a Venezuela pode transformar-se num rapidamente num pesadelo, até pelas suas características geográficas, que dificultam uma invasão convencional.
A ver vamos.
🚨 BREAKING: Reuters reports U.S. ground forces and Air Force assets are now active in and around Caracas, Venezuela, with multiple explosions reported across the capital as operations continue.
— Brian Allen (@allenanalysis) January 3, 2026
“No new wars,” they said — three days into the year and we’re already lighting the… pic.twitter.com/GdzsmdsGUS
Seja como for, Donald Trump parece disposto a bater o recorde do belicismo norte-americano, o que, convenhamos, não é tarefa fácil. Desde que tomou posse e em menos de um ano, já bombardeou sete países, a saber: o Iémen, o Irão, o Iraque, a Somália, a Síria, a Nigéria e agora, a Venezuela.
Considerando que foi eleito para acabar com as “guerras eternas” e focar-se nos problemas políticos, económicos e sociais do seu país, o actual inquilino da Casa Branca está em clara rota de colisão com o seu eleitorado, num dos casos de traição ao mandato eleitoral mais flagrantes de toda a história das democracias ocidentais.