Neste segmento do seu excelente podcast, os Erickson polemizam a circunstância contemporânea dos Estados Unidos nas vertentes política, económica e militar, com grande lucidez.
A federação americana tem operado como um império durante décadas — mas o que é que pode acontecer quando o mundo deixar de considerar o dólar como um porto seguro?
O colapso do "soft power" americano, a crescente reacção antagónica às tarifas e à coerção do regime Trump por parte da comunidade internacional, e os sinais cada vez mais evidentes de que a confiança global na liderança financeira americana está a diminuir preocupam, como devem preocupar, pai e filho, que também exploram o significado do actual comportamento dos mercados, que é diferente da crise de 2008, já que o pânico que claramente se instalou entre os investidores está a levá-los à compra de ouro e prata e não de títulos do tesouro, sinalizando a desconfiança em relação ao dólar e ao tesouro americano.
O risco de inflação/hiperinflação é grande e, se o mundo não absorver a dívida dos EUA, os americanos vão ter que se adaptar e habituar a "viver como um país normal", o que, bem vistas as coisas, até pode ser positivo para eles, e para toda a restante população mundial.
É claro que perante a ruína anunciada, o império em declínio poderá muito bem recorrer à força militar no exterior e à repressão policial interna, e, nesse contexto, uma potencial guerra com o Irão pode acontecer mesmo que não faça qualquer sentido estratégico.
Se a era da moeda de reserva está a chegar ao fim, a verdadeira questão passa a ser: conseguirão os EUA fazer esta transição de forma racional — ou os seus líderes intensificarão as ameaças, as tarifas e a guerra para preservar a primazia?
E como seria uma América pós-hegemónica, se optar pelo realismo em vez da intensificação das hostilidades?
Muito interessante, esta conversa em família.