Entre estes quatro cavaleiros do apocalipse há nuances divergentes e pontos comuns que convém analisar. Qualquer destes eventos tem um potencial devastador sobre tecido social e económico e ameaçam, com diferentes níveis de eficácia, a própria sobrevivência da espécie. Todos eles são fabricados por agenda - ou seja, criados intencionalmente para criar pânico e destruição. Mas nem todos serão capazes de atingir esses objectivos, nem todos terão a credibilidade e massa crítica necessária para criar comportamentos e dinâmicas que levem ao total colapso da civilização.
Marte ataca. Com bonecos nos trigais.
Vamos começar pela dita 'ameaça extra-terrestre'. Até agora, não existe qualquer prova científica de que exista vida no universo. E muito menos indícios de vida inteligente. E quanto a vestígios de vida inteligente capaz de criar civilização e tecnologia que transcenda as distâncias literalmente astronómicas que separam os astros no cosmos, bom, são menos que zero, na verdade.
Ainda assim, somos hoje constantemente bombardeados com a hipótese de estarmos a ser visitados, manipulados, maltratados ou, paradoxalmente - salvos, por civilizações altamente complexas e tecnologicamente evoluídas. Desde que o New York Times publicou, em 2017, a célebre reportagem sobre o dinheiro que o governo federal americano perdia nos seus labirintos burocráticos barra secretos a propósito do estudo do fenómeno, este cavaleiro apocalíptico foi ganhando tracção no mainstream e é hoje um assunto quotidiano na imprensa corporativa.
Mas a diversidade de aparições e a multiplicidade de civilizações e morfologias é de tal forma profusa que é implausível. Nórdicos, reptilóides, insectóides, homenzinhos cinzentos, homenzinhos verdes, mostrengos de vária ordem, humanos vindos do futuro, humanos vindos do passado, enfim, é a loucura ocupacional desta gente toda que percorreu o universo de ponta a ponta para testar o arsenal nuclear deste berlinde azul, engravidar as suas raparigas, raptar os seus rapazes, decapitar o gado, fazer desenhos complicados nas searas e passear drones nos céus de New Jersey.
Não me entendam mal: o fenómeno é tangível e objectivamente alguma coisa de estranho se está a passar com o tecido da realidade - isso é óbvio. Mas o spin que lhe está a ser dado é altamente discutível. A minha interpretação pessoal, que pode estar errada, claro, é que se trata de uma manifestação sobrenatural. Jacques Vallée propõe uma teoria que também me parece muito válida e que é pouco discutida, embora este homem seja unanimemente considerado como o maior perito sobre o assunto: a de que se trata de um embuste, criado com tecnologia humana, para alienar as massas.
Ainda assim: Até dá vontade de rir, e o assunto tem vindo a ser de tal forma banalizado e fantasiado que tenho a sensação que hoje em dia, mesmo que uma espécie de alienígenas decidisse aparecer sobre o horizonte de Washington e fazer uma declaração solene de âmbito diplomático ou bélico, ninguém lhes ia ligar nenhuma, porque o Benfica estava a jogar ou porque Trump tinha escrito mais um post imbecil no Truth Social ou porque o Zelensky tinha cravado mais uns biliões aos contribuintes europeus, ou porque um desgraçado qualquer tinha dado um tiro à namorada no reality show mais popular do momento, ou porque os verificadores de factos iriam encostar o evento às capacidades de fabricação da inteligência artificial.Ou seja: este cavaleiro do apocalipse não bomba grande coisa, na verdade. Digo eu.
HAL & Terminator: Muito barulho por nada?
O mesmo não se pode dizer dos restantes agentes de extinção civilizacional. Para continuarmos no registo hollywoodesco, a terminação por algoritmo, anunciada pela improvável dialéctica entre a mente genial de Stanley Kubrick, nos anos 60, e o músculo brutal de Arnold Schwarzeneger, nos anos 80, parece agora, sob a batuta do César de Queens, bem real. Silicon Valley encontrou na inteligência artificial a sua solução final para, de uma vez por todas, destituir a humanidade de função, dignidade e liberdade, sobrepondo-lhe a máquina omnisciente, omnipresente e, a curto prazo, segundo prometem, omnipotente também.
Para além do consumo de recursos energéticos que está a levar as redes eléctricas ao ponto da ruptura, as tecnologias de IA não têm feito mais, até agora, que potenciar a vigilância sobre o cidadão, o desemprego entre as massas e o ruído sobre o mundo, e nem lucro são capazes de oferecer aos seus ávidos accionistas.
Não é assim certo que a Inteligência Artificial Geral - a máquina consciente - seja assim tão inteligente e assim tão consciente como nos querem convencer que será. Até ver, a consciência é o dom que Deus deu ao homen. Se o homem será capaz de dar consciência à máquina, está por verificar, sendo certo que, a concretizar-se essa tragédia, o Sapiens irá desta para pior, porque uma inteligência superior terá sempre tendência para aniquilar uma inteligência inferior.
Ou seja: este cavaleiro do apocalipse é incerto. Contribui e contribuirá para o caos e a desinformação corporativa e o empobrecimento dos povos e a tirania sobre os cidadãos, mas talvez não para a extinção da espécie humana, por uma simples razão: O homem não é Deus, pelo que não pode criar como Deus.
A mãe de todas as recessões. Pode ser um mal que vem por bem.
Já há uns anos que os analistas da macroeconomia anunciam o cisne negro do capitalismo. Mas nas últimas semanas a coisa está de facto a aquecer, com poltergeists por todo o lado. Enquanto o dólar, que continua a ser impresso em doses industrias, como se a lei da oferta e da procura fosse um axioma metafísico, bate recordes de desvalorização e a dívida americana paga em juros o produto bruto de meio mundo, o ouro e a prata disparam para níveis inéditos de popularidade entre os investidores.
BREAKING: The US Dollar tumbles to a fresh 4-year low after President Trump says the US Dollar is "doing great" and he is not concerned about its decline. pic.twitter.com/cMwBJvNTXx
— The Kobeissi Letter (@KobeissiLetter) January 27, 2026
🚨 HISTORY OF 2008 REPEATING!!
— ᴛʀᴀᴄᴇʀ (@DeFiTracer) January 26, 2026
Gold hits an ATH at $5,097.
Silver hits an ATH at $109.81.
I don't want to SCARE you, but this is not a recession anymore.
We are on the verge of a HUGE COLLAPSE of the US dollar.
If you hold any assets, you MUST read this post.
Here's what's… pic.twitter.com/l0Jd63x3OC
35% of ALL US dollars in existence were created in 10 months
— TheWealthCoach (@indexnforgetit) January 27, 2026
And you think real estate is going to crash? pic.twitter.com/FYgUQyXOXz
No Ocidente, aliás, todos os estados devem mais do que podem de facto pagar, e até a Alemanha, que historicamente sempre se mostrou austera no que se refere à dívida pública, começou a gastar para lá até do que a sua própria constituição permite.
O que acontece normalmente em ciclos de volatilidade dos mercados financeiros é que os aforristas orientam as compras para títulos do tesouro, cristalizando a solidez contabilística dos estados, mas não é isso que observamos agora. A malta já não acredita em reservas federais nem em bancos centrais nem no papel timbrado. A malta sabe que o dólar não vale nada (desde Nixon que é um sistema de crença, apenas), que a economia americana e por arrasto, as economias do Ocidente, estão em desequilíbrio à beira do abismo, e procura valores intemporais, nos metais preciosos. Faz sentido. Mas vai levar ao colapso da coisa.
Quando os chineses, que estão claramente a manipular os mercados no sentido de capitalizarem a desvalorização do dólar, despejarem os títulos da dívida americana nos mercados, ao preço da chuva, quando as nações conduzirem as suas reservas em moeda americana de volta à sua origem, os EUA e depois, outra vez por arrasto, as economias ocidentais, vão sofrer um ciclo de inflação nunca visto na história universal. E há neste momento boas probabilidades de que isso aconteça mesmo. Basta até que suceda uma disrupção nos mercados financeiros, que nada tenha a ver com a realidade monetária até, como por exemplo a implosão da bolha dos investimentos cegos nas tecnologias de inteligência artificial, para que uma reacção em cadeia nos conduza ao armagedão do modelo capitalista, como ele está montado agora.
🚨🇺🇸Peter Schiff: ‘The dollar is going to collapse, the dollar is going to be replaced by Gold.
— Going Underground (@GUnderground_TV) January 28, 2026
We are headed for an economic crisis that will make the 2008 financial crisis seem like a Sunday school picnic.’ pic.twitter.com/mFFNbiYmLQ
Acontece que o modelo capitalista, como ele está montado agora, é uma fraude que só beneficia as elites e tem vindo paulatinamente a empobrecer as massas, pelo que este armagedão até pode ser bem vindo (apesar dos terríveis impactos imediatos que terá certamente na vida de toda a gente), se não acontecer o mesmo que aconteceu com a crise do subprime em 2008, quero eu dizer, se forem os responsáveis pelo desastre a pagarem os custos do sinistro e se as sociedades encontrarem maneira de reformar, para não dizer revolucionar, todo o sistema económico, das política monetárias às trocas comerciais, do jugo tributário ao peso do Estado nas economias, dos abusos oligárquicos à corrupção dos mercados financeiros.
Ou seja: este cavaleiro do apocalipse vai com certeza manifestar-se, mais cedo do que tarde, mas pode muito bem transformar-se num santo redentor. E o seu potencial de extermínio é relativamente baixo, convenhamos.
A III Guerra Mundial como um jogo de soma zero.
O último cavaleiro do apocalipse é não só o mais efectivo, no sentido da extinção da espécie humana, como, infelizmente, a par do cavaleiro da recessão, o que tem maior probabilidade de acontecer. Sobre este assunto já escrevi e disse o bastante, pelo que vou só sublinhar, de novo, alguns traços gerais, já que é inequívoco que há forças em Washington, em Bruxelas, em Paris, em Londres e em Berlim que estão a apostar tudo numa guerra global.
Na Europa, as elites políticas encaram a III Guerra Mundial como uma solução para contrariar as suas mais que óbvias fragilidades e cristalizarem-se no poder, cumprindo concomitantemente a sua agenda de destruição civilizacional e redução demográfica, e aproveitando a calamidade para declararem poderes de emergência que lhes permitam fascizar de tal forma as populações que a pandemia vai parecer uma brincadeira de crianças.
Why Europe and NATO are pushing for war:
— Martin A. Armstrong (@ArmstrongEcon) December 16, 2025
1. The EU is bankrupt, trapped in a sovereign debt crisis.
2. A self‑inflicted migrant crisis.
3. Overregulation is choking growth and killing innovation.
War is their only way to distract the public from an imploding internal crisis. pic.twitter.com/bn9lnRMHmn
Convencidos que vão sobreviver até a um confronto termonuclear, as elites globalistas do velho continente têm na Rússia a sua nemesis, por razões óbvias: trata-se de uma potência com valores tradicionalistas e nacionalistas, que não compaginam com a lógica liberal e transhumanista do Ocidente.
Os líderes políticos europeus nem tentam esconder a sua fome de cinzas: proferidos por militares ou civis, não faltam os alertas para a inevitabilidade da guerra, que incluem até a abominável advertência de que os cidadãos europeus devem estar preparados para perder os seus filhos infantes num conflito com a Rússia, mesmo que os valores pelos quais esses máximos sacrifícios são exigidos sejam deveras discutíveis e apelativos para ninguém, na verdade.
A singularidade desta circunstância é que, talvez pela primeira vez na história universal, um dos lados de uma potencial contenda a provoque mesmo sabendo perfeitamente que não tem qualquer hipótese de a vencer. Em primeiro lugar porque, no contexto de uma guerra convencional, mesmo que assimétrica, a Europa tem tantas hipóteses de derrotar a Rússia como a gazela de caçar a leoa, depois porque uma guerra nuclear, por definição, não tem vencedores. A derrota, porém, num caso como noutro, serve lindamente os objectivos dos líderes europeus, no contexto da agenda globalista que já mencionei. Seria facílimo criar uma distopia fascista numa Europa devastada pela guerra.
Na América, a perspectiva é ligeiramente diferente: o impulso do regime Trump é claramente neo-imperialista e crê que pode sair vencedor de qualquer cenário bélico, contra qualquer adversário. Escusado será dizer que que podem muito bem estar equivocados, se entretanto forçarem uma aliança militar sino-russa, para além da mais absurda estupidez que é alguém acreditar que sairá vencedor de uma guerra nuclear à escala global.
Os EUA vão atacar o Irão, é mais que certo, e será nos próximos dias ou semanas, e a forma como esse movimento beligerante vai decorrer pode acender o rastilho que acende definitivamente a III Guerra Mundial. Uma guerra que ninguém vai ganhar. E que dificilmente será evitada.
Ou seja: este continua a ser o cavaleiro do apocalipse que devemos de facto temer, e cuja probabilidade de sucesso é bem real. Só há aqui um mas. Para fazer a guerra, precisamos de um inimigo. E russos e chineses tudo farão para não cair nessa armadilha. Porque, ao contrário dos líderes ocidentais, valorizam a a civilização que construíram, e as estruturas de poder que comandam não são frágeis como as ocidentais. Não precisam de um armagedão para permanecer no poder. Não odeiam de morte os povos que dirigem. Não vêm motivos para a aniquilação de tudo.


