No vídeo em baixo, os Erickson debatem-se arduamente com um problema de consciência: sendo cidadãos de uma federação que reconhecem como inimiga da paz, da decência, da civilização e do bem comum, apercebem-se que a melhor coisa que podia acontecer neste mundo, neste momento, era os Estados Unidos serem humilhados no conflito mais que provável com o Irão, que estão a provocar sem qualquer razão plausível nem justificação moral. Mas, como é óbvio, isso implicaria a morte de muitos milhares dos seus compatriotas que estão enfiados nos porta-aviões e nos contratorpedeiros do Pentágono, que na verdade são "sitting ducks" no Mediterrâneo, já que não têm qualquer defesa contra os mísseis hipersónicos que fazem parte do arsenal iraniano.
Ainda para mais, no caso específico da guerra com o Irão, os Erickson têm consciência que, se as autoridades iranianas tiverem coragem para espoletar o seu armamento hipersónico (o que não é certo, como nem é certo que as cúpulas militares obedeçam à oligarquia política/religiosa do regime), os Estados Unidos responderão como um monstro ferido, da forma mais agressiva que podemos imaginar, e que poderá implicar uma de duas circunstâncias:
- Uma invasão terrestre do país islâmico, que tem uma extensão territorial enorme, acidentada e inóspita, conduzindo a uma 'guerra eterna' que poderá provocar convulsões sociais internas, nos EUA, cuja magnitude é difícil de projectar neste momento, embora o clima de guerra civil que já se viva na federação permita especular sobre levantamentos massivos;
- Um ataque nuclear 'táctico' ou 'localizado', que nos poderá levar até um cenário de confronto atómico mais amplo.
Ou seja: ou o regime iraniano cai, também pressionado internamente e fragilizado pelos bombardeamentos das forças americanas que se prevêm copiosos, ou esta é uma guerra que não tem maneira de correr bem para ninguém.
O dilema ético dos Erickson é mesmo muito complicado, como é mesmo muito complicado viver hoje no Ocidente e não só nos EUA. Somos os maus da fita. Sabemos que somos os maus da fita. Sabemos que somos liderados por vilões da pior espécie. E não só parecemos impotentes para contrariar as forças que nos infernizam as nações e a existência, como não estamos psicologicamente preparados para pagar o preço último dessa evidente malignidade.
A História, porém, encarregar-se-á de o fazer.
