sexta-feira, junho 08, 2012

Polska Circus MMXII


POR MIKE BRAMBLE

O senhor Manuel José, das inebriantes profundezas da Primavera árabe que já experienciou no Egipto, surgiu avantajado no alcance a desmoronar a já débil consistência da selecção nacional de futebol.
Daí derivou um enormíssimo bruá num país de ineptos, ainda por cima secundado (é o termo correcto, desculpem-me) por Carlos Queiroz e outros andarilhos do sistema nacional do futebolês. Porque teve uma reacção ‘inflamada’, tem repetido à exaustão um jornalista do serviço público pago por todos nós.
Tudo porquê? Porque o ‘seleccionador’, que nunca o foi nem o será, meteu a faca na ferida. Sentido de oportunidade não é atributo que se lhe reconheça. Mas daí a invectivarem o homem, pelo que disse de peito aberto, já me parece desajustado. Dias antes, ouvi eu um senhor de fato axadrezado-listado a elaborar libertariamente sobre este mesmo tema. Que o senhor seleccionador actual deveria tirar o Miguel Veloso e colocar em campo o senhor Custódio. Homessa! Nessa penada ninguém se importunou... Poderá servir este intróito para as mentes mais incautas...
Vejo futebol nos estádios desde a década de 80. Quando chega a este ponto terminal, de decidir o futuro do rumo da selecção entre o Miguel Veloso e o Custódio, serão, certamente, as palavras pouco necessárias. À volta será tudo cancerígeno...
Mas eu tenho a teimosia e a pretensão de insistir. Já alguém se questionou de onde veio, o que é que fez e o que é que realmente pretende cada um destes excelsos senhores que, segundo nos apregoam, comandam a selecção nacional? Por exemplo, Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, ou o ‘mister’ seleccionador Paulo Bento? Entre outras abencerragens que por ali deambulam há mais de 25 anos e que nunca são levados à responsabilidade!
Eu sei, estas são questões que nunca serão respondidas. Até Humberto Coelho, primoroso defesa central, já entrou na sua zona de conforto. E agora apregoa, disfarçando o despau-tério, que até gosta de estar “com gente rica”. Deveria mencionar os ‘sponsors’, até por uma questão simples de gratidão. Será que nestes tempos da ira encoberta já custa dizer patrocinadores?
E acrescenta Humberto Coelho que sobre a selecção mais cara do Europeu (não são os contratos, são mesmo a estadia e as alcavalas), é preciso respeito. E que nada desta alarvidade retira um cêntimo ao bolso dos portugueses. Sim senhor,  com esta defesa, vamos longe!  E se nos devolvessem, e se retribuíssem?
Os meus certíssimos críticos podem acantonar-me num beco sem saída. Que é que isto tem a ver com futebol? Precisamente nada! Ora aí está: exactamente o que a selecção tem feito. Ou seja, nada de bola. De bola, dentro da baliza, remato eu! E é aí que persiste, como diria um extraterrestre avisado, o busílis.
Temos três jogos para ganhar no circo da Polónia. Numa semana, passámos de 5º para 10º no ‘ranking’ da FIFA, seja o que isso for... Se a selecção nacional é um circo, o público que tem enchido os estádios, só pode ser um colectivo palhaçóide...
No fim, podemos sempre [figura de estilo], os 23 da selecção, mais os demais acom-
panhantes, vir de charrete e jantar na Fundação Champalimaud. É o estilo decadente, mas com grande sainete lusitano. Mas, se isto não correr bem, teremos, sempre, pena.
Repegando numa ideia agora divulgava por Carlos Queiroz, poderemos, desta feita, pedir aos ‘sponsors’ que, para a próxima, sorteiem, não só o 23º jogador, mas todos eles, juntando o selecionador e o presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Pois, que é certo: o sortilégio tem, por voltas, cobertura para proteger os incompetentes.
Voltarei aqui, porque esta gente não me dá repouso...