Mostrar mensagens com a etiqueta Mike Bramble. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mike Bramble. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, fevereiro 21, 2017

Iogurte grego, muito azedo!

Sobre a reportagem do CM que postei anteriormente, e sobre a inqualificável presença do inqualificável Pedro Marques Lopes no Trio de Ataque de ontem, escreve Mike Bramble:

É inacreditável, inenarrável, como é que um dirigente de um clube de futebol, ao fim de quatro décadas, permanece impune neste País e continua a passear-se com a bandeira da corrupção e da vilania mais abjeta e a zombar dos comuns dos mortais que não fazem parte da sua seita!

Ontem fui, mais uma vez, surpreendido, da pior maneira, porque vi e ouvi (e repeti) o Pedro Marques Lopes na RTP a dizer que o CM era “um lixo, uma espécie de jornal”.

E depois atacou o João Gobern e o meu, o nosso clube, o Sport Lisboa e Benfica, ao falar da história de um alegado dirigente do Benfica que poderia estar a traficar cocaína.

Qual foi a ‘espécie de jornal’, o ‘lixo’ que revelou essa história?

E irrita-me sobremaneira que um alegado moderador do debate, suposto jornalista, certamente pago só por nós, contribuintes parolos, permita que assim se ataquem os fundamentos do sistema democrático, da pluralidade de opiniões, do direito ao contraditório (já nem falo do ataque sistemático aos seus colegas de profissão).

E que deixa correr e ocorrer isto de uma forma pachorrenta e invertebrada, sem mexer uma palhinha naquela postura de sonsinho.

Infelizmente, mais um ‘plácido domingo’ na TV pública portuguesa.

Sem direito a lirismos canoros…

Mas também se percebe: a partir de uma certa hora de ontem, gerou-se muita azia, talvez tipo iogurte azedo, grego, servido geladinho…

 

segunda-feira, outubro 13, 2014

À frente no tempo.




































O meu querido amigo Mike Brumble, ilustre e assimétrico colaborador do Blogville, é uma espécie de profeta da literatura. Por isso, não é de espantar que anuncie prémios Nobel com décadas de antecedência. No dia 16 de Novembro de 1998, por exemplo, publicava uma pequena recensão no Diário Económico dedicada a um romance do agora grande e subitamente glorificado Patrick Modiano, que rezava assim:

"Esqueci-me do seu rosto. A única coisa de que me lembro é do seu nome. Podia muito bem ter conhecido Dora Bruder, já que vivera nas imediações da Porta de Clignancourt e da Planície: residia no mesmo bairro e era da mesma idade. Talvez soubesse bastante sobre as fugas de Dora... Há acasos assim, encontros, coincidências que ignoraremos para sempre..."
Este é o retrato de uma busca incessante, obsessiva, dirão alguns espíritos menos contemporizadores. Dora Bruder é a principal personagem e - já agora - o título do último livro do escritor francês Patrick Modiano, recentemente vertido para português pelas Edições ASA, com tradução de G. Cascais Franco, na interessante coleção "Pequenos Prazeres". Dora Bruder é uma personagem com rosto, mas sem voz. Modiano parte de um anúncio publicado no jornal "Paris-Soir" no dia 31 de Dezembro de 1941, em que se procurava Dora Bruder, uma rapariga judia de 15 anos. E segue no seu trilho, com cruzamentos autobiográficos, e não só, de uma Paris ocupada, manchada pelo regime nazi e com Auschwitz em pano de fundo. A cidade-luz também teve o seu período de sombras e de trevas. 
A palavra a Patrick Modiano: "Desde então, a Paris onde procurei reencontrar o seu rastro permaneceu tão deserta e silenciosa como nesse dia. Caminho através das ruas vazias. Para mim elas continuam assim, mesmo ao entardecer, à hora dos engarrafamentos, quando as pessoas estugam o passo em direcção às entradas do metropolitano. Não consigo deixar de pensar nela e de sentir a sua presença em certos bairros. Uma noite destas foi perto da Gare do Norte."

terça-feira, julho 31, 2012

O gengibre agridoce plantado na esquina do tempo


POR MIKE BRAMBLE 


A capa, de uma beleza nostálgica e de uma oriental serenidade, não deixa de nos fazer soar uns alarmes pelos dizeres inscritos. “Um milhão de exemplares vendidos”, apregoam. O excerto da recensão apenso também não nos tranquiliza: “Um livro de que todos falarão e seguramente o melhor livro que lerá este ano”. Para mais, quando percebemos que foi lavrado no USA Today, não propriamente um dos templos da crítica literária.
Seguimos, porque se não se compram e leêm livros pelas capas, por maioria, também não se os deve abandonar por estas infelicidades. Debruçamo-nos sobre o título e o enigma visual do frontiscípio começa a cativar mais. “O Gosto Proibido do Gengibre”, autor Jamie Ford, bisneto de um imigrante de origem chinesa. Na versão brasileira, com a mesma capa, circula como “Um Hotel na Esquina do Tempo. Na versão original, de 2000, esta obra intitulou-se “Hotel on the Corner of Bitter and Sweet”.
É um exemplo raramente feliz de adaptação, para melhor, de um título para português. E as mais de 300 páginas que a edição da Porto Editora colocou em circulação desde Fevereiro deste ano não desmerecem o tempo que investimos na sua leitura, antes pelo contrário. Tradução atenta de Vasco Gato, acompanhada por uma revisão cuidada.
A história tem tanto de simples, como de sublime. Poesia em prosa. Tensão intimista. Retorno a um passado pouco conhecido, pouco ‘mediático’ da história dos Estados Unidos. Um fresco corajoso, sem pretensões panfletárias, das contradições recalcadas e xenofobias latentes de uma sociedade americana em plena II Guerra Mundial.
Na costa Leste, na Seattle do início dos anos 40 do século XX, cruzam-se nesta obra norte-americanos, brancos e negros. E os ‘amarelos’: os chineses, aliados; e os japoneses, ‘inimigos’. Não há guerra, mas há comportamento marcial em cada esquina, em cada bairro, em cada casa. E descriminação por cor, por língua e por raça. Choque de culturas e de civilizações. E a ironia de hoje, sete décadas decorridas, estar tudo virado do avesso, outra vez. O brinde suplementar que a paralaxe do tempo sempre devolve a quem está atento e tem memória.
E Jamie Ford tem isso tudo. E cria personagens de fibra, algumas delas com existência histórica, como uma das maiores glórias dos primórdios do ‘jazz’ da costa Leste dos Estados Unidos, Oscar Holden. E recria locais de encanto, que ainda hoje é possível visitar, como o Hotel Panama ou a Bud’s Jazz Records.
Numa cidade cercada pelo nevoeiro, pela humidade, pelas sirenes nas iminências dos ataques nipónicos. Uma Seattle que vai submergindo com a migração forçada de milhares de japoneses, aliás, americanos de segunda e terceira gerações, forçados a deslocar-se em massa das suas casas para construir os seus próprios campos de concentração no interior dos Estados Unidos, do Idaho ao Texas. Neste ambiente depressivo e repressivo, Jamie Ford engendra uma fortíssima história de amor e amizade, que termina em Nova Iorque, em 1986.
A voz ao autor: “esforcei-me ao máximo por recriar esta paisagem histórica, sem julgar as boas ou más intenções daqueles que na altura se viram envolvidos”. “A minha intenção não era criar uma peça de moralismo, onde a minha voz fosse a mais audível em palco, antes remeter para o sentido de justiça do leitor, acerca do bem e do mal, deixando que os factos falassem por si”, sublinha Jamie Ford.
Como leitor, agradeço. E palpita-me que devemos ter grande escritor para os próximos anos. A má consciência não tem deixado os americanos debater o papel do Estado e dos cidadãos ‘brancos’ em relação aos seus conterrâneos nipónicos durante os anos quentes da II Grande Guerra. Que não foi só no Pacífico ou na Europa…
Tal como em Portugal ainda estamos a gatinhar na reflexão que deve ser feita na literatura (e nas outras artes) sobre o que sucedeu na Guerra Colonial, na descolonização e no regresso dos ‘retornados’ à metrópole. E nos efeitos que essas ocorrências tiveram em nós como Nação.
Tanto para um caso, como para outro, permito-me deixar aqui duas sugestões de leitura. No primeiro, o notável “A neve caindo sobre os cedros”, de David Guterson, edição da Relógio d’Água. No segundo, o mais recente “O Retorno”, de Dulce Maria Cardoso, edição da Tinta da China.

sexta-feira, julho 20, 2012

Ao Miguel B.

POR MIKE BRAMBLE

Passou um ano e parece que foi ontem, depois de perderes o conhecimento num dia aziago. Estás sempre por perto; e é reconfortante. Passou um ano e parece que foi há séculos, antes de te conhecer num dia benfazejo. Onde andas, que estiolo com a ausência?
Um outro Miguel, o Esteves Cardoso, ditou:
“O tempo não passa pela amizade. Mas a amizade passa pelo tempo. É preciso segurá-la enquanto ela há. Somos amigos para sempre mas entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos vai uma distância tão grande como a vida”. 
É certo que o tempo não passou pela nossa amizade e a nossa amizade foi e vai passando pelo tempo. Quiçá, noutras dimensões para ti já corriqueiras e que eu ainda não percepciono na totalidade. Lá chegarei…
Somos amigos para sempre e para sempre nada extinguirá essa nossa corrente inquebrável. Por isso, no nosso caso de amizade maiúscula, não foi preciso segurá-la, porque cresceu assente em caboucos perenes e fraterno desfrute.
Por isso também, entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos tanto pode ir uma distância tão grande como a vida como uma vida tão grande como a distância.
Pode depender das nossas vidas, das nossas distâncias e das nossas perspectivas sobre cada um desses factores. Mas seguro que não vai depender da nossa amizade, porque essa permanecerá incólume, escorreita e leal.
Como sempre, Miguel!
Um Grande Abraço!  

segunda-feira, julho 09, 2012

Uma sonata para HGWXX/7


POR MIKE BRAMBLE 

Florian Henckel von Donnersmarck. Por acaso puro, vi – e deleitei-me a ver – na passada quarta-feira um filme de um alemão. Pensado em alemão. Escrito em alemão. Falado em alemão. Com actores alemães. Não tinha essa necessidade, mas é também uma resposta a uma provocação do meu querido amigo Paulo Paixão, que sabe tão quanto eu o que gosto de alguns prodígios que a cultura produzida há vários séculos no actual território que se designa por Alemanha tem dado à degustação do Homo Sapiens.
Florian Henckel von Donnersmarck, portanto. Dirigiu e escreveu o guião, translúcido argumento de ‘Das Leben der Anderen’, traduzido para português em versão dual na tituleira: ‘A(s) vida(s) dos outros’. Saiu para as salas e anfiteatros em 2006, ano em que conseguiu ganhar em Hollywood o Óscar de melhor fime estrangeiro.
Não vou contar a história do filme. É tecnicamente impossível e seria um desperdício criminoso para os que tiverem a condescendência de me lerem.
Mas peço desculpa por tomar a ousadia de realçar alguns detalhes. Película em fotografia zincada a cinzento. Estamos em 1984, cinco anos antes da queda do muro de Berlim. O personagem principal Georg Dreyman (Sebastian Koch), dramaturgo, tem um amor intenso por uma actriz das luzes e da ribalta, Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck). Na RDA de Honnecker, são perigosos desviantes. Logo, a Stasi, excelsa organização propedêutica da moral e dos bons costumes, decide intervir e capitalizar nos pecadilhos de cada um (tipo NKVD, Securitate, CIA, FBI ou PIDE, vá lá). Coloca-os sob vigilância severa.
Entra em cena Hauptmann (capitão) Gerd Wiesler (Ulrich Muhe). E o seu superior Oberstleutenant (tenente) Anton Grubitz (Ulrich Tukur). A história é fascinante, não só porque está bem construída, bem filmada e superiormente interpretada, mas porque, percebe-se, acima de tudo, que emanou de milhares, dezenas de milhar de casos similares, humanos, pungentes, todavia já votados ao esquecimento da História.
‘Das Leben der Anderen’ é um libelo contra o oblívio e a obliteração. No irrepreensível ‘Diário Volúvel’ (Assírio & Alvim), um dos craques actuais da literatura não encastrável e não castrada, Enrique Vila-Matas, dedica-lhe uma merecida nota.
Num país de 17 milhões de habitantes, dizia-se que a percentagem de ‘informadores’, ou espiões, ou escutas, ou bufos, terá oscilado entre 200 mil entes até um terço do universo demográfico daquela ficção dos Sovietes.
Florian Henckel von Donnersmarck coloca livros de Brecht nas mãos de um dos esbirros, por vontade própria do mesmo, funcionário da soviética RDA. Suprema ironia. E a mudança acelera. A personagem principal acaba por escrever um livro em homenagem do seu perseguidor. Uma “Sonata para um Homem Bom”. Há quem diga tratar-se de um dos livros, que apesar de nunca ter sido escrito, é dos mais desejados dos leitores…Pois, pudera! Arriscaria também, eu incluso, que há muitos invejosos que gostariam de ter escrito tal enredo oculto.
HGWXX/7 ficou gravado a fogo na minha memória! Muitos anos depois de me perder com Kafka e Orwell, fiquei ainda a perceber, quão relevante poderá ser uma nave de traço industrial munida de equipamentos e funcionários-autómatos para descolar, em série, a vapor, cartas interceptadas antes de chegar ao destino. Sem laivos de ficção, com personagens tão reais como a própria vida, ou até mais.
Jacques Bonnet, no incisivo e delicioso ‘Bibliotecas Cheias de Fantasmas’ (Quetzal), assume, convicto: “A personagem não envelheceu desde que o seu criador lhe deu vida, ficou sempre igual para a eternidade”. Sublinha, para não termos a veleidade de equívocos ou subterfúgios: “E ao pegar no (ou nos) texto(s) em que ela aparece ficamos na posse de tudo o que o seu autor quis que soubéssemos dos seus actos, das suas palavras e, por vezes, dos seus pensamentos”.
‘Danke’, Florian e Ulrich Muhe, entre os demais contribuintes desta obra primorosa. Além de serem o epítome desta máxima, também na designada vida real. Depois do filme entrar em exibição, foram processados - judicialmente, diga-se - pela ex-mulher do segundo. Segundo consta, essa honorável senhora entregou à ditosa Stassi um ‘dossier’ de centenas de páginas a incriminar o actor, amigo do realizador, mas não queria publicidade gratuita… Mais um acto repugnável que originou uma obra de arte louvável!
Termino com uma citação de Proust, no incomensurável “Em Busca do Tempo Perdido”, escrito um pouco antes (!) do filme em apreço: “o elemento desconhecido nas vidas dos outros é como o da natureza, que cada nova descoberta científica meramente reduz, sem o eliminar”.

‘Momento num café’, de Manuel Bandeira.


POR MIKE BRAMBLE

Foi, é um dos maiores escritores, prosadores e poetas, de língua portuguesa. Brasileiro. Manuel Bandeira, assinava. Gostava aqui de recordar “Um momento num café”. Só isto, sem necessidade de acordos ortográficos e de ressalvas daí derivadas.

“Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.

Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta”.

In “Manuel Bandeira, Poesia Completa e Prosa”, volume único, Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1990 

quarta-feira, junho 27, 2012

Sociologia de algibeira

POR MIKE BRUMBLE

“A vitória de Portugal”, é assim que este arauto deliberou escrevinhar sobre a selecção portuguesa de futebol. Sobre o Euro em curso e, supostamente, sobre o fenómeno popular e mediático que tudo isto arrasta. Assina Alberto Gonçalves e diz-se sociólogo. Acompanha-se, semana a semana, com uma foto ao estilo marialva, de mãos nos bolsos.
Conhecia mangas de alpaca, filosofia de alcova, chistes de pacotilha. Mas agora há um novo género a bombar: a sociologia de algibeira.
O sociólogo em causa tem notórios problemas de contas. E, o que não é menos, de letras. O texto foi publicado a 21 de Junho, numa revista que dá pelo nome de ‘Sábado’, mas vai para as bancas à quinta. Modernices…
Diz o senhor que consultou os dados das audiências televisivas e que no desafio entre Portugal e a Holanda verificou que três milhões e seiscentos mil viram o jogo. Conclusão do douto: “seis milhões e tal de portugueses estão comigo”.
E estar com o senhor Alberto Gonçalves a como soa? “Contra Portugal, “Portugal” perdeu de goleada. Vamos celebrar?”.
Bom, não passa de uma opinião. Se bem que, com isto preferir “destacar os quase dois terços de cidadãos” que teriam manifestado o seu “desprezo pelo patriotismo em chuteiras”, algo que o incha de orgulho, parece-me deslocado.
As consultas de audiências televisivas em Portugal andam pela ruas da amargura. O senhor sociólogo deveria sabê-lo. Ou é mal intencionado.
E depois, senhor, não se escreve desta forma carroceira: “Ainda assim, no dia seguinte consultei os números das audiências: 3 milhões e 600 mil viram a partida, valores capazes de elevar a partida [outra vez?] a programa mais visto do ano e de deprimir o cidadão menos contaminado pela histeria colectiva”.
E logo a seguir: “Desde logo, porque a histeria colectiva [mais uma dobradinha?] é largamente imaginária”.
Presunção minha – não seria melhor que o senhor Alberto Gonçalves, sociólogo de cadastro, mantivesse as mãos nos bolsos quando escreve sobre uma profissão em que os pés – e a cabeça - dão melhor resultado?
Um último pedido ao director da Sábado, Miguel Pinheiro. Nesta revista paga por mim a três euros por semana, quando é que me reembolsam destas parvoadas?

terça-feira, junho 26, 2012

Ronaldo Cyborg


POR MIKE BRAMBLE


“A política é a arte do previsível. Do imprevisível deveria encarregar-se a natureza e Cristiano Ronaldo”. Ou assim: “Portugal desperdiçou meia hora antes de estabelecer a sua esmagadora autoridade, personificada em Cristiano Ronaldo, que ofereceu o melhor do seu repertório”, a propósito do jogo ganho pelos lusos contra os checos.
Quem escreveu isto, é espanhol. Muito recomendável. Santiago Segurola, de seu nome, adjunto do director do jornal castelhano ‘Marca’. Publicado no Diário de Notícias.
“Cristiano Ronaldo é no futebol o que LeBron James representa no basquetebol ou Usain Bolt no atletismo. Estão à frente no seu tempo, cyborgs que combinam destreza, velocidade e potência em doses desconhecidas até agora”, acrescenta Santiago Segurola.
Dá gozo ler textos de quem percebe da poda. Mais uns trechos: “imaginemos que o futebol estará cheio de Ronaldos em 2050, mas actualmente é uma raridade maravilhosa que surpreende porque não existe comparação”.
“Quando Cristiano Ronaldo entrou em combustão, a República Checa desapareceu do mapa”. Por mim reproduziria aqui o texto integral de Segurola, a lembrar o brilhantismo de Jorge Valdano com a pena.
Para remate certeiro, deixo isto: “pouco a pouco, Cristiano Ronaldo começa a exercer no Europeu o domínio que mostrou Maradona no Mundial ’86. Entrou em estado de graça. Só falta que a equipa o ajude nesta aventura”.
Nem mais, nem menos. LeBron ganhou um título da NBA poucas horas depois de este ter texto ter vindo à luz do dia. O jamaicano ainda tem umas semanas para preparar a aceleração sideral que o caracteriza no hectómetro. Para Cristiano, o tempo é mais curto. Vamos a ver…   

sábado, junho 23, 2012

Platini, o candongueiro da UEFA


POR MIKE BRAMBLE


Platini, o Mafioso encartado. Já como futebolista só ficou acima da média, mas nada de excepcional. Do delírio dos Deuses, permanecerão Di Stefano, Puskas, Maradona, Pélé, Eusébio, Beckenbauer, Cruiff e uns tantos outros. Esses estão na galeria de honra do futebol. Este senhor, que agora é o dono da UEFA na secretaria manhosa, terá um lugar num balcão, afastado do palco.
Mas, já se sabe como são os franceses. Com o rei na barriga e a rainha no cadafalso. Veio Platini dizer que apostava numa final entre a Alemanha e a Espanha. E que a Espanha jogava o melhor futebol deste Euro. Opinião é livre. Só a dá quem a tem e só a ouve ou lê quem quer. Mas, e a responsabilidade dos cargos? A ‘boutade’ do (p)residente da UEFA pode explicar-se por vários motivos. Sem conseguir lutar contra as apostas clandestinas que grassam no futebol europeu, decidiu fazer-se à vida e lançou a sua própria baiúca de jogo oficial. Não morre de amores pelo seleccionador francês e pela equipa do seu país e vingou-se. Tem uma aversão congénita a portugueses, ingleses, italianos e a outras nacionalidades que já não estão na prova. Ou é mais esperto que inteligente, para disfarçar a parvoíce pegada. Se calhar é um ‘pot pourri’ de tudo isto, com muita corrupção à mistura.
Houvesse honra e dignidade e todas as outras equipas se teriam retirado da contenda. Mas, não, que nestes tempos há outros valores (faciais, de moeda), mais altos, que se levantam. Hélas!
Este cão grande ladra e a pequena e submissa caravana vai passando. Perseverando em campo, na quinta-feira, Cristiano & os amigos deram-nos uma grande alegria, mas também uma envenenada prenda de aniversário a ‘monsieur’ Platini.
Para líder máximo da ‘religião’ da UEFA, estas declarações não são uma mera aposta, são uma apostasia. Aposto: é azia!

Espanholitos borraditos

POR MIKE BRAMBLE

Estou há uma semana no Algarve, a escassos quilómetros da fronteira com Espanha. O belo Guadiana à vista. O Sol é imperador, mas têm vindo maus ventos de Espanha. Até no centro da Europa, no último jogo com a Croácia, a ‘roja’ balbuciou e esteve em palpos de aranha para não perder.
Começaram os pupilos de Del Bosque com aquele soporífero esquema de passe interminável – ‘tiki-taka’, que bosta de apodo. E de jogo sem prazer. Tudo entre cinco e dez metros. No rectângulo televisivo desaparecem do campo as linhas da grande área. Outra versão do futebol sem balizas.
Enfim, a Croácia lá foi mostrando que tinha mais poder letal, mas há dias assim. E há árbitros muito convenientes para certas manigâncias. ‘Nuestros hermanos’ borraram-se todos, mas continuam ufanos e soberbos. De que ‘no hay dos sin tres’.
Pois, pois… Bilic esteve quase a dar-lhes o chá que merecem. Os poucos milhares de espanhóis que por aqui ainda sirigaitam exsudavam: medo, apenas. Depois de um penalty não assinalado, de uma expulsão não assumida e de um dos golos mais polémicos do Euro, tudo bate com uma arbitragem miserável de um alemão. Estes germânicos estão cada vez piores a liderar qualquer coisa sem o poder militar do seu lado- Com estes ‘regalos’, os espanholitos ‘borraditos’ já estão a discutir qual é que é a melhor equipa para defrontarem nos quartos-de-final. E nas meias-finais. E na final. Enfim, a má vizinhança e os maus ventos são uma sina que nos cerca há quase um milénio.
Ao invés, por cá vai-se discutindo quem dos jogadores não canta o hino nacional. Um debate impossível aqui ao lado. Têm um hino sem letra. Porquê? Para não ferir as susceptibilidades autonómicas. Em África, chama-se a isto etnias. O politicamente correcto já tem vasta experiência curricular em certos lados da Península Ibérica.
Estamos a horas do embate de Espanha com a França. E já sabemos de bandeja: vermelho contra azul, dá Portugal a querer e ter de ajustar contas na próxima quarta-feira!

Monty Python falharam Gdansk



POR MIKE BRAMBLE


Os Monty Python não foram hoje a Gdansk. Mas há mais de 20 anos, produziram uma peça de humor inolvidável, glosando uma partida virtual, mas titânica entre os grandes filósofos das selecções alemã e grega. Confúcio apitava, com uma ampulheta, coadjuvado por Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. O jogo era no Estádio Olímpico de Munique e a Alemanha perdeu em casa, porque a um minuto do fim Arquimedes teve uma ideia – Eureka! – e decidiu pegar na bola em direcção à baliza.
Diversão pura, com muita inteligência impregnada. Também nisto, os saudosos Monty foram visionários. O jogo de hoje foi muito menos divertido. A Alemanha, ganhou 4-2 à Grécia, liderada pelo português Fernando Santos. Teve menos ideias em discussão. Mais golos, é certo.
A inominável Merkel esteve na bancada a esbracejar catatonicamente, vestida que nem um horror. Despida, será certamente pior, como em tempos alvitrou Berlusconi. A Angela – chamar-lhe-ia ogre, se não tivesse um grande carinho pelo Shrek – foi muito apaparicada pelo presidente da UEFA.
O mafioso Platini já apostou que a Alemanha vai à final com a Espanha, conjunto este que teria o melhor futebol do Euro. Nojo, puro nojo, dedico a estes dirigentes europeus, políticos, futebolísticos, empresariais… A diferença é sempre tentar perceber quem pior e mais rápido faz que o outro!
No desafio conceptualizado pela equipa de John Cleese e parceiros, a Alemanha tinha chegado à final depois de eliminar a Inglaterra de Locke, Russell e Hobbes. Talvez agora, nas meias-finais, o resultado dê alguma justiça aos britânicos Monty Python.

segunda-feira, junho 18, 2012

Um Grande Bem-Hajam!!!

POR MIKE BRAMBLE


Um Grande Bem-Hajam ou, simplesmente, Parabéns! Dedicados às quinas que há umas horas não quinaram. E que remeteram dinamarqueses e holandeses à burocrática tarefa de fazer as malitas. Sobre o que escrevi aqui há uns dias, tenho a notar que Paulo Bento já ficou com historial nestas fases finais de Europeus ou Mundiais de Futebol.
Mas só a partir de hoje! Conseguiu o feito de sermos os únicos que quando chegaram a fases decisivas dos troféus maiores do futebolês da Velha Europa seguiram sempre em frente, para a fase dos jogos a eliminar. Para mais, vencendo e ajudando a eliminar um vice-campeão mundial em título. Para ele só conta esta edição, mas não desmereceu. Começa a ser currículo…
A selecção lusa perdeu com a Alemanha sem chama, ganhou à até aí surpreendente Dinamarca com denodo e alguma sorte, e certificou o carimbo com galhardia, ânimo e inteligência defronte dos holandeses. A selecção laranja, com arrancos atemorizantes, mas sem carburar na mecânica que já a tornou célebre, engasgou perante Cristiano Ronaldo.
Nesta altura de garbo lusitano, homenageio também um dos maiores da língua Pátria. Gil Vicente, para mais com um apelido apropriado à ocasião. Os holandeses não o devem conhecer. Disse o mestre do teatro português que “mais quero um asno que me carregue que um cavalo que me derrube”, na “Farsa de Inês Pereira”. Mais de cinco séculos passados, o cavalo, sem ofensas, é CR7; a derrubada é a Holanda. O asno que me carregue é uma pluraridade que me exige outro apontamento.
Meio País já assassinou Cristiano Ronaldo em tascas, cafés, ‘snacks’, cafetarias, escritórios, paragens de autocarro ou metropolitano quando não estão em greve, repartições públicas em reajustamento, praias inundadas de desempregados e festivais musicais repletos de filhos de beneficários do rendimento social de inserção. Até nos Passos Perdidos ou nos jardins de São Bento ou de Belém já se terá ventilado este assunto da máxima segurança nacional...
É normal; é o País que temos! Voltemos à bola, para aquilatar os tontos justificativos: que o CR 7 tem um ego do tamanho do Universo. Porque ganha rios de ouro e que tem namoradas bonitas em barda. E só joga à fartazana nos clubes; na selecção é para esquecer!
Ah!, infecta inveja deste rectângulo! Amanhã vão apregoar que sempre sabiam que ele nos iria salvar. Mas o pior não é aquela conversa balofa à esquina, com uma ‘mine’ na mão, uma patanisca na outra e um fumante mal amarfanhado pela bigodaça.
O pior, à séria, reside nesta cáfila de comentadores encartados, gravata encastrada no bócio, a enxamear os nossos écrãs televisivos e a afiar a faca. Agora, devem estar a reorientar o discurso, como está em voga fazer a ‘narrativa’ (!?), em jeito de mau pagador e incompetente profissional.
Pela minha parte, fui esperando que o Cristiano Ronaldo ‘explodisse’ em campo. E nunca vi um jogo dele que desmerecesse desde que se iniciou este Euro. Contra a Alemanha, tirando o Pepe e, talvez, o Nani, poucos da selecção nacional saíram da mediania como ele. Contra a Dinamarca, para mim, já foi um dos melhores. Falhou dois golos, mas deu muito a entreter aos colegas e a sofrer aos adversários, mesmo falhando dois golos de baliza praticamente escancarada. Penso que Nani vai à frente nesta despropositada contabilidade, mas nem por isso, mais uma vez no meu singelo entender, deixa o craque do Manchester United de ser um dos melhores da selecção portuguesa.
Ontem, a exibição de Cristiano Ronaldo pouca margem deu à crítica. Dois golos, dois ferros, duas ou três grandes defesas tiradas a Sketellenburg. O pânico em Krakiv. Ainda bem! Ele tem emprego bem pago pelo que faz como quase ninguém!
Há outros, a tal cáfila a que me referi e que deveria ser referenciada, nome a nome, que nunca mais se emenda. Ou lhes acertam o passo ou a choldra vai prosseguir…
Já agora, gostava eu de saber, se o editorial e um artigo/reportagem/gabinete de curiosidades, publicados na passada quinta-feira por uma revista dita no segmento das ‘news magazines’ nacionais, têm alguma ponta de verdade sobre o que diz passar-se e ter-se passado recentemente na selecção nacional de futebol? Se sim, é um escândalo! Se não, parece-me que há um outro tipo de responsabilidades a apurar junto dessa publicação. Que eu paguei, como alguns milhares de portugueses.

sábado, junho 16, 2012

Irish blend

Photobucket  
POR MIKE BRAMBLE

A Irlanda é uma realidade louvável. Como Cultura, como Nação. Há menos tempo, como Pátria.
Lawrence Sterne, George Bernard Shaw (antes de ensandecer), James Joyce, Oscar Wilde, Jonathan Swift, Samuel Beckett, Seamus Heaney. São excelentes ‘territórios’ a visitar. Ou a revisitar. Deixei para o fim, cônscio de ter falhado algures enormes proeminências do Eire, o inominável W. B. Yeats. Enorme entre estes grandes!
Posso estar errado, mas terei para aqui debitado qualquer coisa como quatro prémios Nobel da Literatura. Fascinante… O prólogo serve para tal. Ontem, estava a selecção de futebol irlandesa a levar quatro bolas secas da Espanha e os irlandeses entoavam cânticos belíssimos. E não se calaram… A tal ponto que o homem do jogo, “El Niño”, apregoam as fãs e os tontos jornalistas que encarreiram nestas tristes cenas, não conseguia ouvir as questões da ‘reportage’.
Os homens da lira compõem uma claque nos louros dos pergaminhos. Lembro-me de um belíssimo jogo em que Portugal recebeu no já demolido Estádio da Luz a República da Irlanda, na fase de apuramento para o Euro de 1996.
Os dois conjuntos estavam obrigados a ganhar, se quisessem ser apurados. Chovia, chovia… A Irlanda esteve em campo e Portugal foi marcando. Resultado: a Irlanda, levou com três bolázias, desta feita, bem molhadas e repompudas. Antes que o Alzheimer se apodere de mim, retive na memória o portento do Rui Costa, de fora da área.
O ânimo dos cânticos dos celtas foi sempre o mesmo. Como ontem. Na bela ressaca dessa partida também recordo com gratidão este episódio. Passadas uma horas, ainda São Pedro mandava das suas, um grupo de irlandeses entabulou conversa comigo. Mensagem a reter: “Nice game, mate. See you in Wembley, on the final”. O Euro foi em Inglaterra (nota-se sempre um certo azedume), mas eles tinham um obstáculo maior para lá chegar.
Portugal apurou-se directamente. Depois, Poborsky e Baía enterraram-nos, para não falar de A. Oliveira e seu irmão ‘muchacho’, J. Oliveira. A Irlanda não chegou lá, foi eliminada no ‘play off’ com a Holanda.
Na última tentativa para alcançar os palcos maiores dos Mundiais e dos Europeus da bola a onze, a Irlanda do digníssimo Trapatone foi impedida por um árbitro, contra a França, na fase de apuramento para o Mundial de 2010.
Ontem, a Irlanda saiu pela baixa em campo. Mas em grande alta nas bancadas. ‘Malt & Blend’! O futebol vale a pena assim, sem tácticas, com estratégia de pulso forte, animosa corda vocal e resiliente diafragma.
Vale um ‘whiskey’? Jameson, Bushmills, ‘you name it, mate’…

Agora, uma nota para dois lançamentos laterais. Dois grandes jogadores a resplandecer, que eu quero nomear aqui. Chevchenko. Fabulosos 35. Não é guarda-redes, continua a aterrorizá-los. Com golpes fatais.
E Andrea Pirlo. Também já tendo dobrado bem os trinta. Visão, precisão, desmarque, contenção. É a isto que os delirantes comentadores e opinadores desta faixa atlântica apelidam de ‘catenaccio”? Vá bene!

quinta-feira, junho 14, 2012

Rentes à Holanda


POR MIKE BRAMBLE


Depois de extintas as duas primeiras voltas dos dois grupos que entraram à frente nos campos da Polónia e da Ucrânia, há uma verdade insofismável neste Euro Futebol: há oito equipas que ainda podem seguir em frente. Para nós, que perdemos sem alma, nem técnica, também com aziaga sorte, no primeiro com a Alemanha; e que ganhámos com muito coração e empenho, ajudados pelos deuses, neste segundo com a Dinamarca; precisamos de algo mais para a terceira ronda, com a Holanda.
Socorro-me aqui de um escritor português ainda desmerecido... J. Rentes de Carvalho. Diz ele: “Há na língua holandesa uma expressão que constantemente se ouve: ‘de zakelijke aanpak’, a qual tem o significado literal de ‘à maneira do comércio’. Além de ser corrente e aceitável nas relações entre as pessoas, a frase justifica também que se tire o máximo proveito de tudo e todos, mesmo, e sobretudo, de quem não tem força ou ocasião para se defender” (“Com os Holandeses”, Quetzal).
Não foi escrito por encomenda para o jogo com os ‘laranjas’, que me parecem menos mecanizados que noutras épocas. Afigura-se-me um conselho relevante. J. Rentes de Carvalho, rijo transmontano, viveu nos Países Baixos a partir de 1956. É dessas primeiras décadas da segunda metade do vigésimo século D. C. que data esta assertividade. Será tolo desperdiçá-las?
Quiçá, arte e engenho nos levem lá...

domingo, junho 10, 2012

Camões à vela


POR MIKE BRAMBLE


Hoje é dia de Portugal. Do meu País. E que melhor do que levar os nossos sonhos para alto mar? Foi sempre o que gostámos de fazer. Com mestria e galhardice. Em Lisboa, acabou hoje a Volvo Ocean Race, antes conhecida como “Whitbread Round the World Race”.
É mais um caso tipificado da decadência nacional. Já não temos marinheiros? Conny van Rietschoten, ilustre ‘skipper’ holandês, já ganhou três vezes esta maravilhosa competição, duas vezes de enfiada. Isto lembra-me algo lá para o século XVI, noutras alterosas ondas…
Para quem não conhece, a regata parte habitualmente da Europa em Outubro, tem nove ou dez etapas, cruza o Globo. Percorre, em média, 72 mil quilómetros, prolongando-se por nove meses. Tal como um novo ser humano…
Para quem gosta de estatísticas e é dependente das audiências, acrescento que esta bela refrega em altos mares é seguida ao écrã por mais de dois mil milhões de seres humanos.
Tal como no futebol, cada um destes ‘botes’ tecnológicos, tem uma equipagem de 11 profissionais. Ganham bem, mas metem menos água que outras alegadas vedetas sobre a relva.
Rasgam o Cabo Horn (ou ‘Hornos’), o Pacífico, o Atlântico. Aguentam temperaturas dos 5º negativos aos 40º positivos (Celsius). Etapas há que demoram mais de 20 dias. E cada um deles só tem direito a uma muda de roupa por etapa. Não há comida fresca a bordo.
Tudo decidido ao pormenor. Por cada equipagem, há um construtor de velas com a agulha à espreita, dois marinheiros salitrados e avalizados por médicos, um engenheiro físico e, espantemo-nos, um responsável pela comunicação.
Luiz Vaz de Camões não teve direito a estas benesses. Mas tinha a Dinamene e uma bóia de salvação, em dez cantos. Continua a singrar nas ondas deste Mundo!

Viagens na minha terra




POR MIKE BRAMBLE

Como eu previa, a selecção nacional de futebol demonstrou do que não é capaz. Apanhou uma Alemanha tibia e dali não conseguiu sair. Dia 12, a Dinamarca, a equipa mais forte deste grupo, no meu parco entender, irá explicar-nos muito bem o que é futebol com balizas. Ou jogamos a um nível estratosférico ou começamos a fazer as malas. A selecção de Fernando Gomes e de Paulo Bento tem vários equívocos em campo. Fora dele, não me avantajo a elaborar. Mas questiono! O que é que adianta ou atrasa Miguel Veloso, só para início de conversa?
Mas hoje não venho aqui para isto, até porque não me apetece ser rifado em profeta da desgraça. O que é que me interessa? Tive dois fins-de-semana maravilhosos. Seguidos, ainda por cima. E devo-os a muita gente. Começando pelo Paulo Hasse Paixão e pela sua parceira de vida. E com um carinho especial para a minha cara-metade, mais gira que eu, claro, a enorme Maria João.
Este sábado, a convite de vários amigos, de que haverei de falar noutra ocasião, habitei a “minha terra” lusitana. Com o Garrett, Almeida, sempre na feliz lembrança.
Há uma semana deliciei-me em Freamunde, Guimarães e Amarante. Delineámos um roteiro notável. De amizade, civilização e outros sinónimos, como boa comida e boa bebida. Este sábado voltei ao Vale de Santarém, terra magnífica, onde ainda se trabalha a sério. Nasci em Moçambique, onde não mais voltei desde 1973, mas o meu território de preferência é certamente o Ribatejo. E fico contente por que continue a ser frequentado por gente boa, que me atura, que me entende, que me acolchoa. Com boas migas, de broa e grelos, com bom azeite, digníssimo pão e valentes vinhos.
Gente que trabalha na terra e disso faz vida honesta. Pelo pujante Ribatejo sempre pugnarei! Homens e mulheres para quem a propriedade terratenente não é um roubo. E que, nas casas mais recomendáveis, mantém negócio florescente desde o último quartel do século XIX. Sem pedir subsídios ao Terreiro do Paço. Ou a Bruxelas…
Este é um exemplo de um País que resulta (obrigado, Paixão!) e que não está à procura de desculpas tontas.
Perante esta oportuna realidade, a selecção nacional de futebol deveria confessar-se às moscas…   

sábado, junho 09, 2012

Russendisko


POR MIKE BRAMBLE


Vladimir Kaminer estará certamente feliz. Eu idem. Vi um jogo de futebol supimpa. A Rússia já merece os meus encómios. Velocidade, técnica, fantasia, sentido de baliza. Uma grande orquestra a debitar, alto e bom som. Arshavin até esteve discreto.
Já anda muita gente a decorar os nomes que campeiam naquela equipa.
Isto servirá também para percebermos uma outra realidade, não despicienda. Tal como os checos não são salvos pelo excelente guarda-redes, Petr Cech, que hoje encaixou quatro molotvs, também as nossas quinas não poderão dormir à sombra da bananeira, tecendo preces para que Cristiano Ronaldo decida tudo.
Retornemos a Vladimir: escreveu vários livros fantásticos, já traduzidos para português. Na Cavalo de Ferro e na Tinta da China, duas casas editoriais de que nos devemos orgulhar.
A música, a literatura, arte na relva. Um bom início de Europeu. Amanhã voltarei.

sexta-feira, junho 08, 2012

Polska Circus MMXII


POR MIKE BRAMBLE

O senhor Manuel José, das inebriantes profundezas da Primavera árabe que já experienciou no Egipto, surgiu avantajado no alcance a desmoronar a já débil consistência da selecção nacional de futebol.
Daí derivou um enormíssimo bruá num país de ineptos, ainda por cima secundado (é o termo correcto, desculpem-me) por Carlos Queiroz e outros andarilhos do sistema nacional do futebolês. Porque teve uma reacção ‘inflamada’, tem repetido à exaustão um jornalista do serviço público pago por todos nós.
Tudo porquê? Porque o ‘seleccionador’, que nunca o foi nem o será, meteu a faca na ferida. Sentido de oportunidade não é atributo que se lhe reconheça. Mas daí a invectivarem o homem, pelo que disse de peito aberto, já me parece desajustado. Dias antes, ouvi eu um senhor de fato axadrezado-listado a elaborar libertariamente sobre este mesmo tema. Que o senhor seleccionador actual deveria tirar o Miguel Veloso e colocar em campo o senhor Custódio. Homessa! Nessa penada ninguém se importunou... Poderá servir este intróito para as mentes mais incautas...
Vejo futebol nos estádios desde a década de 80. Quando chega a este ponto terminal, de decidir o futuro do rumo da selecção entre o Miguel Veloso e o Custódio, serão, certamente, as palavras pouco necessárias. À volta será tudo cancerígeno...
Mas eu tenho a teimosia e a pretensão de insistir. Já alguém se questionou de onde veio, o que é que fez e o que é que realmente pretende cada um destes excelsos senhores que, segundo nos apregoam, comandam a selecção nacional? Por exemplo, Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, ou o ‘mister’ seleccionador Paulo Bento? Entre outras abencerragens que por ali deambulam há mais de 25 anos e que nunca são levados à responsabilidade!
Eu sei, estas são questões que nunca serão respondidas. Até Humberto Coelho, primoroso defesa central, já entrou na sua zona de conforto. E agora apregoa, disfarçando o despau-tério, que até gosta de estar “com gente rica”. Deveria mencionar os ‘sponsors’, até por uma questão simples de gratidão. Será que nestes tempos da ira encoberta já custa dizer patrocinadores?
E acrescenta Humberto Coelho que sobre a selecção mais cara do Europeu (não são os contratos, são mesmo a estadia e as alcavalas), é preciso respeito. E que nada desta alarvidade retira um cêntimo ao bolso dos portugueses. Sim senhor,  com esta defesa, vamos longe!  E se nos devolvessem, e se retribuíssem?
Os meus certíssimos críticos podem acantonar-me num beco sem saída. Que é que isto tem a ver com futebol? Precisamente nada! Ora aí está: exactamente o que a selecção tem feito. Ou seja, nada de bola. De bola, dentro da baliza, remato eu! E é aí que persiste, como diria um extraterrestre avisado, o busílis.
Temos três jogos para ganhar no circo da Polónia. Numa semana, passámos de 5º para 10º no ‘ranking’ da FIFA, seja o que isso for... Se a selecção nacional é um circo, o público que tem enchido os estádios, só pode ser um colectivo palhaçóide...
No fim, podemos sempre [figura de estilo], os 23 da selecção, mais os demais acom-
panhantes, vir de charrete e jantar na Fundação Champalimaud. É o estilo decadente, mas com grande sainete lusitano. Mas, se isto não correr bem, teremos, sempre, pena.
Repegando numa ideia agora divulgava por Carlos Queiroz, poderemos, desta feita, pedir aos ‘sponsors’ que, para a próxima, sorteiem, não só o 23º jogador, mas todos eles, juntando o selecionador e o presidente da Federação Portuguesa de Futebol. Pois, que é certo: o sortilégio tem, por voltas, cobertura para proteger os incompetentes.
Voltarei aqui, porque esta gente não me dá repouso...