terça-feira, julho 07, 2015

Dei Verbum

Procuro nas palavras o poema que nunca li nem vou escrever; o poema que resolve a história e o cosmos; o poema que está por trás de deus, que é antes das coisas; o poema cosmogonia, protogonos da literatura, pai e mãe do espaço-tempo; o poema que dá sentido à vida e que transcende a morte. Procuro nas palavras a lírica e a matemática da teoria de tudo; o verso em que a física dos astros faz as pazes com a física das partículas; a rima que reduz o círculo colidor do CERN à anacronia. Procuro no ruído das palavras uma solução silenciosa e eloquente, a resposta última para a primeira pergunta, a virtude do universo na síntese de uma estrofe, o pecado original num canto irrepetível.