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Primeiro Proudhon, depois Marx, a seguir Nietzche e mais à frente os pós-modernistas todos investiram num combate furioso ao cristianismo e aos seus dogmas, com implicações na forma como ainda hoje representamos oniricamente Jesus: um anarca gadelhudo, em saiotes coloridos, saído de Woodstock ou de uma manifestação de ocupas. Acontece que o nazareno não partilhava de todo das convicções filosóficas dos três grandes mestres e das relatividades escolásticas da Sorbonne. Os seus exigentes patamares morais, que cumpria com escrúpulo fanático e de que era intransigente campeão, desesperavam até os seus discípulos. Qualquer figurinha diletante do género John Lennon o horrorizaria por certo e sabemos bem que só conseguiu perdoar a promiscuidade sexual a uma mulher que, não por acaso, fazia disso o seu ganha pão. E quanto ao direito à propriedade, estamos conversados: não há revolução que legitime o roubo e se os homens nascem iguais perante Deus, vão chegar com certeza diferentes ao dia do Juízo. A revolução do espírito não serve para libertar escravos ou enriquecer fariseus. O seu objectivo é a salvação da tua alma, não da tua vida.
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