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Aqui há uma ou duas semanas atrás, a propósito de um artigo de opinião em que eu sugeria que o Uncle Sam, o logotipo humanizado do Governo federal americano, deveria mais adequadamente ser alcunhado de Uncle Satan, houve um idiota qualquer que, escandalizado com a sugestão, insinuou parvamente que o Contra estava a ser financiado pelos russos.
Porque, para estas cabeças destituídas, achar que os Estados Unidos dos tempos que correm são uma força maligna no contexto mundial é equivalente a ser criadito do Kremlin.
Anedota à parte - o Contra não é financiado por ninguém a não ser por mim, e aqueles que contribuem para a sua coluna de opinião nem sequer são recompensados materialmente - acontece que nesta altura do campeonato, considero de facto que os Estados Unidos, e muito principalmente, o poderoso e mafioso aparelho político, económico e militar sediado em Washington, constituem o verdadeiro eixo do mal.
Podia enumerar mil e uma variáveis que suportam esta afirmação. Poderia falar da decadência moral que vive nos radicais movimentos LGBT que infestam a sociedade americana, no niilismo destrutivo de movimentos de guerrilha urbana como a Antifa, da tirania digital imposta pela gestapo de Silicon Valley, do corrupto capitalismo corporativo de Wall Street, do perigo para a paz mundial que provém do Pentágono, da soviética máquina de propaganda que prospera nas redacções da imprensa mainstream e nas mansões de Hollywood, enfim, podia nunca mais acabar de me justificar com tudo o que é hediondo nesta desgraçada e desavinda federação.
Podia até responsabilizar o legado de Barak Obama ou o descalabro autoritário do regime Biden ou até o partido democrata em geral pela falência do império e dos seus valores fundacionais, mas isso seria espúrio, porque o regime de Washington é o do unipartido. Republicanos e Democratas contribuem alegremente para a influência nefasta dos Estados Unidos no mundo.
E por isso, este ContraConversa centra-se no Capitólio e, mais concretamente, nos últimos seis meses de actividade da câmara dos Representantes.
Depois de, em Outubro do ano passado, com a colaboração dos democratas, um punhado de populistas, liderados por Matt Gaetz, terem corrido com o seu próprio líder, Kevin McCarthy, Os republicanos, que detêm uma estreita maioria na Câmara, demoraram um mês para descobrir um novo speaker e encontraram-no em Mike Johnson, um representante do estado de Louisiana que era praticamente anónimo até à altura e que foi o resultado de um mastigado compromisso entre as duas alas da bancada republicana: a dos republicanos só em nome (ou RINO’s), que estão em maioria, que odeiam o populismo iniciado com Trump em 2016 e que defendem com unhas e dentes os poderes estabelecidos em Washington, mesmo que isso signifique aliarem-se aos democratas e ao regime Biden, e o dos republicanos de espírito populista, que não são mais de 20 ou 30, entre 213 colegiais.
Estes poucos dissidentes tinham ainda assim alguma esperança, baseada no perfil de voto do representante do Louisiana e de declarações que tinha feito no passado, que Mike Johnson tivesse um comportamento minimamente independente em relação aos interesses do pântano de Washinton.
Não podiam, claro, estar mais equivocados e devem estar por esta altura bem arrependidos de terem corrido com McCarthy.
Logo que assumiu o cargo de Speaker, Mike Johnson mostrou-se predisposto a alimentar as ambições belicosas do aparelho industrial e militar e a facilitar os apoios em armas e dólares a Israel e à Ucrânia.
E foi dando sinais de hesitação no que respeitava às causas do grupo populista da Câmara, como a segurança da fronteira com o México, o processo de destituição do Secretário de Estado da Segurança Interna, Alejandro Mayorkas, ou os inquéritos sobre a corrupção da família Biden.
Mas as coisas começaram a dar para o torto em meados de Abril, quando o Speaker promoveu um alargamento da validade do FISA, um pacote legislativo com carácter de excepção, criado após os eventos do 11 de Setembro de 2001, que permite ao FBI vigiar as comunicações de cidadãos americanos sem mandado judicial. Aquela que era uma lei pensada para combater o terrorismo islâmico em solo americano foi com o correr dos anos transformada numa ferramenta para perseguir cidadãos conservadores e ou dissidentes, de que os milhares de processos levantados a propósito dos acontecimentos de 6 de Janeiro de 2021 são exemplo paradigmático.
Ao fazer aprovar o prolongamento do FISA, Mike Johnson está na verdade a validar o FBI como polícia política que persegue activamente os próprios eleitores do partido republicano.
Nem passada estava uma semana, e Johnson conseguia a aprovação de 61 mil milhões de dólares de ajuda à Ucrânia, e mais uns biliões para Israel, invertendo a sua promessa de nunca avançar com ajuda externa sem primeiro assegurar que a hemorragia na fronteira dos EUA com o México seria estancada.
Neste caso, inclusivamente, o speaker teve que desrespeitar a regra de Hastert, segundo a qual o líder da Câmara não marcará uma votação em plenário para qualquer projecto-lei que não tenha o apoio da maioria do seu partido – mesmo que a maioria bipartidária dos membros da Câmara possa votar a favor da sua aprovação.
Johnson fez passar a lei com o apoio dos democratas e de um punhado de republicanos. E fez, também, um enorme favor a Joe Biden, que tem como prioridade eleitoral manter, pelo menos até às presidenciais de Novembro, a ilusão de que a guerra na Ucrânia pode ser ganha.
Para tornar as coisas ainda mais surrealistas, a 3 de Maio, Johnson fez aprovar uma lei uma lei de ‘discurso de ódio’ que para todos os efeitos ilegaliza certos versículos do Novo Testamento e entra em clara ruptura não só com os fundamentos cristãos da federação americana como com primeira emenda da sua Constituição, que defende claramente a liberdade de expressão.
De tal forma é penetrante a influência sionista no Capitólio, que Mike Johnson patrocinou uma lei que criminaliza, por anti-semitismo, quem atribuir a responsabilidade da crucificação de cristo aos judeus, sendo que o Novo Testamento tem várias passagens que responsabilizam precisamente o clero fariseu pelo suplício de Jesus, entre as quais destaco:
João 19: versículos 10 e 11
Disse-lhe, então, Pilatos: Não me respondes? não sabes que tenho autoridade para te soltar, e autoridade para te crucificar?
Jesus respondeu: Não terias nenhuma autoridade sobre mim se esta não te fosse dada de cima. Por isso, aquele que me entregou a ti é culpado de um pecado maior.
Mais: ao abrigo desta lei é agora passível de ser processado judicialmente nos Estados Unidos quem, como eu, achar e afirmar em fórum público que:
– É factual que a comunidade judaica americana tem uma influência desproporcional na política, na cultura e na economia dos Estados Unidos em particular e do Ocidente em geral;
– Os grupos de interesse judaicos são de facto mais leais ao estado de Israel do que aos países onde estabeleceram as suas comunidades;
– A agenda do regime Netanyhau objectiva o extermínio de faixas significativas da população palestiniana ou o seu êxodo para a Europa (circunstâncias assumidas até pelos responsáveis do governo sionista). E que nesse sentido, a analogia com outros regimes que historicamente promoveram o genocídio étnico não é disparatada.
Em resumo, no espaço de duas semanas a liderança republicana conseguiu manter uma lei que permite ao FBI perseguir os conservadores americanos, prolongar duas guerras, favorecendo as chances eleitorais do regime Biden, e instalar, contra a tradição cristã e os fundamentos constitucionais da federação, um lei restritiva do discurso público, de inspiração claramente sionista, que ilegaliza até as palavras de Jesus Cristo.
Tucker Carlson tem uma tese, altamente conspirativa, que explica a tendência histórica dos representantes republicanos em trair o seu eleitorado e privilegiar as agendas dos poderes instituídos. Segundo Tucker, os representantes são atraídos para circunstâncias comprometedoras, como lucros na bolsa a partir de informação privilegiada, orgias sexuais e outros actos ilícitos ou eticamente questionáveis, para depois serem chantageados pela CIA e pelas agências de segurança da federação, de tal forma que o seu voto e as suas iniciativas legislativas sejam firmemente controladas pelos poderes estabelecidos em Washington.
Estou convicto que essa será, de facto, uma variável a ter em consideração. Haverá outras, como a pressão que os grupos de interesse exercem sobre os representantes. Mike Johnson, por exemplo, pode muito bem preferir ter como inimigos um punhado de populistas da sua bancada, do que o ultra-poderoso lobby sionista ou o omnipotente complexo militar e industrial.
Mais a mais, e por incrível que possa parecer, até Donald Trump acha que Johnson, e passo a citar o equivocado magnata de Queens, “tem feito um excelente trabalho.”
A sério?
Trump será sempre Trump. E não aprendeu nada com os erros dos seu primeiro mandato. Não há nada a fazer.
E se tudo isto vos parece tenebroso, preparem-se. Porque se Trump até pode ser eleito em Novembro (eu duvido muito, mas essa é outra história), as eleições concomitantes para a Câmara dos Representantes e para o Senado terão muito provavelmente o resultado inverso. O eleitorado republicano está cada vez mais afastado dos seus representantes em Washington e mesmo no caso de uma vitória republicana na corrida para a Casa Branca, o presidente eleito ficará sempre com as mãos atadas se tiver pela frente uma maioria democrata nas duas câmaras do Capitólio. As sondagens são neste momento tão favoráveis a Trump, como desfavoráveis à representação republicana no Capitólio.
E assim sendo, o perfil destrutivo, corrupto, mafioso, malicioso, oligárquico, globalista e belicoso da federação pouco irá divergir do que temos agora. Poderá até, essa desgraça, ganhar intensidade.
E é por isto que não tenho nenhum problema em dizer que os Estados Unidos são o verdadeiro eixo do mal dos tempos em que vivemos. A primeira força destrutiva que grassa na civilização ocidental.