domingo, março 01, 2026

Devo estar a fazer qualquer coisa bem feita, aqui.

Não preciso de recuar muito tempo - corria Abril de 2024 - quando gravei um episódio do ContraConversa em que recomendava a saída, urgente e a toda a gente, das grandes cidades.

Nessa altura, eu próprio vivia ainda dividido entre Sesimbra  e Lisboa.

No mesmo vídeo, aconselhava também a criação de pequenas comunidades, baseadas em valores fundamentais partilhados (não entendidos como valores políticos ou ideológicos, porque estou e estava nessa altura a falar de valores éticos e morais).



Vivo agora completamente em Sesimbra, já não em tempo dividido com Lisboa, num ecossistema humano que não podia ser mais diverso, mas que é ética e moralmente convergente: somos 9 vizinhos que se estimam, que se entreajudam, que se divertem, que prestam uns aos outros confortável companhia, se não aprazível vizinhança.

Vivo agora em Sesimbra, feliz da vida, numa casa que adoro, mas que qualquer pessoa de classe média-baixa que resida em Lisboa, vendendo a sua casa, pode comprar e ficar ainda com dinheiro de sobra. Mesmo quando a tua sala tem uma parede que foi substituída pelo Oceano Atlântico e o parque natural da Arrábida faz paredes meias com o escritório.


  
Serve toda esta conversa mais ou menos materialista para dizer que ninguém precisa de muito dinheiro para viver um sonho. 

Mas toda a gente precisa de o projectar  primeiro, e depois, tentar cumprir o projecto. 

Sonhar só,  tentar apenas.

Se sonharmos e tentarmos e formos persistentes e coerentes no sonho e no projecto, a coisa acaba por acontecer, na verdade, desde que isso não represente prejuízo para ninguém. 

Sinceramente: nunca pensei que a minha vida chegasse a este ponto de realização comigo próprio. E de harmonia com o mundo. E de paz com Deus.

E não foi preciso mais que sonhar e tentar (e casar duas vezes com a mesma mulher) para fazer este sólido e resiliente parentesis sobre a merda do mundo.