quinta-feira, abril 02, 2026

Semana Santa

A Captura de Cristo . Caravaggio . 1602 . Wikipedia
A Captura de Cristo . Caravaggio . 1602 . Wikipedia
 

 

Caminhas, pela calçada do Inferno na Terra,
carregado dos meus erros 

e os de toda a gente que alguma vez viveu.

Sobes a chicote pelo caminho que te vai levar
ao pior suplício do Império Romano 

com o peso do mundo sobre os rins.

És filho de Deus e sofres como um cão
abandonado pelo diabo

e vergado e violentado, prossegues.

Se de joelhos fizesse eu todo o percurso
da vida, não seria ainda grato

p'la redenção que inventaste.

Se o teu sacrifício lindo e horrível não fosse
a minha fonte de verdade

seria apenas justo condenares-me.

Mas desconfio, Senhor, que na verdade tu
não condenas ninguém, nem quem

deita lixívia sobre o teu sangue. 

 

II

Acredito nas tuas palavras, que não na tua igreja. 
Sou herético dos teus que não de ti e

nem sei rezar, mas tu ouves-me. 

Não sei se te mereço, penso que não, mas também
não creio que te seja interessante 

o merecimento de cada um.

Se és filho de Deus, és por certo meu irmão;
se és Deus, és misericordioso pai:

não me levas a mal. 

Se tiveste mão criadora nesta imensa turba
de vis génios e virtuosos vilões;

não levas a mal a humanidade. 

 

III

Caminhas, sequioso e ensanguentado, pelo calvário
que os homens calcetaram

para salvação dos homens.

Nietzsche estava completamente equivocado, porque
se há um super-homem na história,

o super-homem és tu. 

As tuas leituras de Platão perdem-se pela Paixão acima
e a coroa de cardos aleija-te a dialéctica, mas

tu sofres com a bravura de Sócrates.

E se os de Esparta ainda tivessem ido a tempo 
de ler os evangelhos,

seria hoje outro, o helenismo.

E se os da América fossem mais do Novo Testamento
do que do Antigo, 

seria hoje outro, o Ocidente.

E se o teu aramaico fosse traduzido, directo, p'ra português,
querido e eloquente Messias,

melhor seria. 

Isto é complicado.


O Blogville somou ontem um milhão de visitas, que é um número giro para um blog escrito em português de Portugal e dissidente à brava, mas eu estou desconfiado que estão aqui a bombar uns bots malucos porque isto não é orgânico:



Reparem bem: é a madrugada de 2 de Abril e o blog já soma mais que 8.000 visitas. No mês de Março somou para cima de 60.000. Não faz sentido nenhum.

Como já muitas vezes protestei, não se percebe nunca o que é orgânico e inorgânico no contador do Blogger, mas os números dos últimos dias não têm nada a ver com visitas reais, humanas, efectivas, como é óbvio. E ainda bem.
 


Isto não quer dizer que no último ano a coisa não tenha mostrado uma frequência natural muito porreira. Eu calculo que no meio destes números a realidade seja que o blog tem neste momento uma média de cerca de 500 visitas 'interessadas', ou 'intencionais' por dia, 15.000 por mês, 180.000 por ano ou coisa assim e fico muito satisfeito com isso, para dizer a verdade.

Ou seja: preferia festejar este milhão quando acreditasse na efectividade dos números. Como gostava que o ContraCultura tivesse também estas audiências, que não tem, neste momento. Mas as coisas são como são.

Embora me dê a sensação que as visitas contadas no Contra sejam mais efectivas do que as registadas pelo Blogger, a verdade é que estamos a falar de cerca de 12.000 por mês (25.000 nos últimos 60 dias) e a média do Blogville é muito superior. 

Estava até a pensar que o Contra ia atingir o meio milhão quando o blog chegasse ao milhão, mas isso não aconteceu de todo. Foram 350.000 até aqui (estou a contar com 10.000 do buraco que é visível no gráfico, referente ao princípio deste ano em que a contagem foi à vida dela).

A curva geral nem é muito animadora, porque não mostra uma tendência de ganho desde 2024. 

Mas se pensarmos que no crossover (ContraCultura, Blogville, X, Facebook, Youtube e e-letters) o Contra deve estar seguramente a somar para cima de 50.000 contactos por mês, devo dizer com toda a sinceridade que tenho e posso: não quero mais que isto.

Por mim está bem assim. Mais do que isto torna-se excessivamente complicado e eu não quero que a minha vida se complique porque também essa está bem como está.

Seja como for: obrigado, malta.