terça-feira, junho 30, 2026

Rapaziada, consumam avidamente este clip.

Neste curto documento vídeo, o Professor Jiang Xueqin diz tantas verdades ao mesmo tempo, principalmente sobre a China (o que foi e o que é) que até custa a assimilar as verdades tantas que ele diz. Xueqin tem esta vantagem enorme, para além daquelas com que foi agraciado geneticamente, que é a do seu percurso: um sino-canadiano formado na Ivy Leage; ou seja, um astronauta de vários mundos, filósofo híbrido de culturas e ensinamentos, que lhe permite ver tudo de um ponto de vista quase extra-terrestre. 

Uma boa parte do clip tem até a ver com assuntos históricos e culturais sobre os quais o Contra já deixou nota concordante com aquilo que é dito por Xueqin, que tem substancialmente a ver com os chineses serem bem mais materialistas e imediatistas do que parecem, menos estrategas do que os consideramos e continuarem comportar-se dentro do modelo cultural confuciano: uma nação que se considera, legitimamente, o centro do mundo (o 'Império do Meio'), e que nesse sentido não tem nada a aprender com os outros e tudo a ganhar com a rigidez hierárquica, o respeito pelo legado histórico e a teimosia de convicções profundamente nacionalistas. 

No sécul XIX, a China foi humilhada por, sendo tecnologicamente inferior, teimar no seu estático tradicionalismo, recusando valorizar a inovação científica e tecnológica. No século XXI, apresenta-se orgulhosamente como o motor mundial da inovação, e por isso continua a não ter nada que aprender com os outros, ou até que se preocupar com eles.

É a história de duas arrogâncias, na verdade. Se bem que, num caso como noutro, garantiu e garante supremacias que são difíceis de restringir ao âmbito regional. A China, para todos os efeitos, será agora a primeira potência global. Como se considerava aliás, antes dos ingleses concluírem as Guerras do Ópio ao subirem, impunemente, com a sua frota devastadora de canhões, o Rio Bai até Beijing.

Neste caso paradigmático e paradoxal, a tecnologia serve a queda e o apogeu, pelo que não pode ser factor nem de uma coisa nem de outra. 

E sem perceber estes conceitos, não se percebe nada da cosmovisão chinesa e da realidade desta imensa e fascinante nação. 

É por isso que convém ouvir o que diz o professor-profeta.