terça-feira, outubro 20, 2026

O Princípio da Imaterialidade do Tempo

Este Agora na verdade não existe;
é somente no plasma das probabilidades
que o tempo persiste.

O Depois manifesta-se em abstracto;
quântico devir em excesso de velocidades
entre a razão e o acto.

O Antes faz muito que morreu;
decaiu em arrependimentos e saudades
a partícula que fui eu.

 

O Presente do Indicativo 
não se deixar agarrar;
ainda não chegou e já partiu.

O Passado não está vivo;
vai defunto a enterrar
na urna que o pariu.

O Futuro é aleatório;
um fluído contínuo a vibrar
no epílogo do crematório.

 

Hoje não é termo fiável;
tão fugaz no calendário
como um julgamento sumário.

Amanhã é uma teoria improvável;
um início depois do adeus,
possibilidade remota na estatística de deus. 

Ontem é uma equação indemonstrável;
conjectura que ruiu em escombros,
com o peso da matemática nos ombros.



E o relógio é um objecto imprestável;
incapaz de medir a distância e o desnorte
que nos separa da morte.