Por um momento, vamos supor que a tentativa de assassinato de Vladimir Putin tinha sido bem sucedida.
Muito bem. O que é que acontecia a seguir?
Subia ao poder no Kremlin a facção nacionalista radical (porque, sim, Putin é um moderado), personificada, digamos, pelo actual vice-presidente do conselho de segurança russo: Dmitry Medvedev.
(Medvedev reagiu à tentativa falhada de assassinato de Putin desta forma:
The stinking Kiev bastard is trying to derail the settlement of the conflict. He wants war. Well, now at least he’ll have to stay in hiding for the rest of his worthless life.
— Dmitry Medvedev (@MedvedevRussiaE) December 29, 2025
Imaginem como reagiria se o ataque tivesse cumprido o seu propósito).
Acto contínuo, Kiev desaparecia do mapa. O país seria bombardeado impiedosamente e integralmente ocupado, no espaço de dois ou três meses, pelas forças russas.
Entretanto, em Moscovo descobriam que o ataque tinha envolvido o apoio de inteligência e navegação, digamos, do MI6. Porque os ucranianos não têm maneira de conduzir um enxame de drones durante centenas de quilómetros na direcção de um alvo específico e classificado sem esse suporte de potências ocidentais.
Muito bem. O que é que acontecia a seguir?
Uma bela noite o nº 10 de Downing Street seria pulverizado por um míssil Oreshnik.
Muito bem. O que é que acontecia a seguir?
A III Guerra Mundial é o que acontecia a seguir.
E agora digam-me: quem pensou este ataque, não projectou este cenário?
É claro que sim. É claro que o assassinato de Vladimir Putin foi realizado com o apoio de forças ocidentais, ou pelo menos com o seu conhecimento. É claro que quem o autorizou sabia bem que a morte do presidente russo conduziria inevitavelmente à insustentabilidade das tensões entre a Rússia e o Ocidente. É claro que o objectivo desta missão foi precisamente esse: o de espoletar a guerra total.
Não há volta a dar: há nas mais altas esferas do poder político e militar no Ocidente quem esteja a fazer tudo que é possível para nos matar a todos num confronto termo-nuclear.
Só não vê quem não quer ver.
E depois disto, é difícil desejar um feliz 2026 seja a quem for.