quinta-feira, janeiro 29, 2026

Os quatro cavaleiros do apocalipse.

Depois da bem sucedida experiência Covid-19, em que as elites perceberam como era fácil e relativamente simples moldar o comportamento das massas através do medo, quatro vectores de alto impacto psicossocial começaram de pronto a ser lançados sobre o mundo: a guerra, a super-recessão económica, a  terminação algorítmica e invasão alienígena.

Entre estes quatro cavaleiros do apocalipse há nuances divergentes e pontos comuns que convém analisar. Qualquer destes eventos tem um potencial devastador sobre tecido social e económico e ameaçam, com diferentes níveis de eficácia, a própria sobrevivência da espécie. Todos eles são fabricados por agenda - ou seja, criados intencionalmente para criar pânico e destruição. Mas nem todos serão capazes de atingir esses objectivos, nem todos terão a credibilidade e massa crítica necessária para criar comportamentos e dinâmicas que levem ao total colapso da civilização.

 

Marte ataca. Com bonecos nos trigais.

Vamos começar pela dita 'ameaça extra-terrestre'. Até agora, não existe qualquer prova científica de que exista vida no universo. E muito menos indícios de vida inteligente. E quanto a vestígios de vida inteligente capaz de criar civilização e tecnologia que transcenda as distâncias literalmente astronómicas que separam os astros no cosmos, bom, são menos que zero, na verdade. 

Ainda assim, somos hoje constantemente bombardeados com a hipótese de estarmos a ser visitados, manipulados, maltratados ou, paradoxalmente - salvos, por civilizações altamente complexas e tecnologicamente evoluídas. Desde que o New York Times publicou, em 2017, a célebre reportagem sobre o dinheiro que o governo federal americano perdia nos seus labirintos burocráticos barra secretos a propósito do estudo do fenómeno, este cavaleiro apocalíptico foi ganhando tracção no mainstream e é hoje um assunto quotidiano na imprensa corporativa.

Mas a diversidade de aparições e a multiplicidade de civilizações e morfologias é de tal forma profusa que é implausível. Nórdicos, reptilóides, insectóides, homenzinhos cinzentos, homenzinhos verdes, mostrengos de vária ordem, humanos vindos do futuro, humanos vindos do passado, enfim, é a loucura ocupacional desta gente toda que percorreu o universo de ponta a ponta para testar o arsenal nuclear deste berlinde azul, engravidar as suas raparigas, raptar os seus rapazes, decapitar o gado, fazer desenhos complicados nas searas e passear drones nos céus de New Jersey. 

Não me entendam mal: o fenómeno é tangível e objectivamente alguma coisa de estranho se está a passar com o tecido da realidade - isso é óbvio. Mas o spin que lhe está a ser dado é altamente discutível. A minha interpretação pessoal, que pode estar errada, claro, é que se trata de uma manifestação sobrenatural. Jacques Vallée propõe uma teoria que também me parece muito válida e que é pouco discutida, embora este homem seja unanimemente considerado como o maior perito sobre o assunto: a de que se trata de um embuste, criado com tecnologia humana, para alienar as massas. 
 

Ainda assim: 

Até dá vontade de rir, e o assunto tem vindo a ser de tal forma banalizado e fantasiado que tenho a sensação que hoje em dia, mesmo que uma espécie de alienígenas decidisse aparecer sobre o horizonte de Washington e fazer uma declaração solene de âmbito diplomático ou bélico, ninguém lhes ia ligar nenhuma, porque o Benfica estava a jogar ou porque Trump tinha escrito mais um post imbecil no Truth Social ou porque o Zelensky tinha cravado mais uns biliões aos contribuintes europeus, ou porque um desgraçado qualquer tinha dado um tiro à namorada no reality show mais popular do momento, ou porque os verificadores de factos iriam encostar o evento às capacidades de fabricação da inteligência artificial.

Ou seja: este cavaleiro do apocalipse não bomba grande coisa, na verdade. Digo eu.

 

HAL & Terminator: Muito barulho por nada?

O mesmo não se pode dizer dos restantes agentes de extinção civilizacional. Para continuarmos no registo hollywoodesco, a terminação por algoritmo, anunciada pela improvável dialéctica entre a mente genial de Stanley Kubrick, nos anos 60, e o músculo brutal de Arnold Schwarzeneger, nos anos 80, parece agora, sob a batuta do César de Queens, bem real. Silicon Valley encontrou na inteligência artificial a sua solução final para, de uma vez por todas, destituir a humanidade de função, dignidade e liberdade, sobrepondo-lhe a máquina omnisciente, omnipresente e, a curto prazo, segundo prometem, omnipotente também.

Para além do consumo de recursos energéticos que está a levar as redes eléctricas ao ponto da ruptura, as tecnologias de IA não têm feito mais, até agora, que potenciar a vigilância sobre o cidadão, o desemprego entre as massas e o ruído sobre o mundo, e nem lucro são capazes de oferecer aos seus ávidos accionistas.
 



Não é assim certo que a Inteligência Artificial Geral - a máquina consciente - seja assim tão inteligente e assim tão consciente como nos querem convencer que será. Até ver, a consciência é o dom que Deus deu ao homem. Se o homem será capaz de dar consciência à máquina, está por verificar, sendo certo que, a concretizar-se essa tragédia, o Sapiens irá desta para pior, porque uma inteligência superior terá sempre tendência para aniquilar uma inteligência inferior.

Ou seja: este cavaleiro do apocalipse é incerto. Contribui e contribuirá para o caos e a desinformação corporativa e o empobrecimento dos povos e a tirania sobre os cidadãos, mas talvez não para a extinção da espécie humana, por uma simples razão: O homem não é Deus, pelo que não pode criar como Deus.

 

A mãe de todas as recessões. Pode ser um mal que vem por bem.

Já há uns anos que os analistas da macroeconomia anunciam o cisne negro do capitalismo. Mas nas últimas semanas a coisa está de facto a aquecer, com poltergeists por todo o lado. Enquanto o dólar, que continua a ser impresso em doses industrias, como se a lei da oferta e da procura fosse um axioma metafísico, bate recordes de desvalorização e a dívida americana paga em juros o produto bruto de meio mundo, o ouro e a prata disparam para níveis inéditos de popularidade entre os investidores. 


No Ocidente, aliás, todos os estados devem mais do que podem de facto pagar, e até a Alemanha, que historicamente sempre se mostrou austera no que se refere à dívida pública, começou a gastar para lá até do que a sua própria constituição permite.

O que acontece normalmente em ciclos de volatilidade dos mercados financeiros é que os aforristas orientam as compras para títulos do tesouro, cristalizando a solidez contabilística dos estados, mas não é isso que observamos agora. A malta já não acredita em reservas federais nem em bancos centrais nem no papel timbrado. A malta sabe que o dólar não vale nada (desde Nixon que é um sistema de crença, apenas), que a economia americana e por arrasto, as economias do Ocidente, estão em desequilíbrio à beira do abismo, e procura valores intemporais, nos metais preciosos. Faz sentido. Mas vai levar ao colapso da coisa.

Quando os chineses, que estão claramente a manipular os mercados no sentido de capitalizarem a desvalorização do dólar, despejarem os títulos da dívida americana nos mercados, ao preço da chuva, quando as nações conduzirem as suas reservas em moeda americana de volta à sua origem, os EUA e depois, outra vez por arrasto, as economias ocidentais, vão sofrer um ciclo de inflação nunca visto na história universal. E há neste momento boas probabilidades de que isso aconteça mesmo. Basta até que suceda uma disrupção nos mercados financeiros, que nada tenha a ver com a realidade monetária até, como por exemplo a implosão da bolha dos investimentos cegos nas tecnologias de inteligência artificial, para que uma reacção em cadeia nos conduza ao armagedão do modelo capitalista, como ele está montado agora.


Acontece que o modelo capitalista, como ele está montado agora, é uma fraude que só beneficia as elites e tem vindo paulatinamente a empobrecer as massas, pelo que este armagedão até pode ser bem vindo (apesar dos terríveis impactos imediatos que terá certamente na vida de toda a gente), se não acontecer o mesmo que aconteceu com a crise do subprime em 2008, quero eu dizer, se forem os responsáveis pelo desastre a pagarem os custos do sinistro e se as sociedades encontrarem maneira de reformar, para não dizer revolucionar, todo o sistema económico, das política monetárias às trocas comerciais, do jugo tributário ao peso do Estado nas economias, dos abusos oligárquicos à corrupção dos mercados financeiros.

Ou seja: este cavaleiro do apocalipse vai com certeza manifestar-se, mais cedo do que tarde, mas pode muito bem transformar-se num santo redentor. E o seu potencial de extermínio é relativamente baixo, convenhamos.

 

A III Guerra Mundial como um jogo de soma zero.

O último cavaleiro do apocalipse é não só o mais efectivo, no sentido da extinção da espécie humana, como, infelizmente, a par do cavaleiro da recessão, o que tem maior probabilidade de acontecer. Sobre este assunto já escrevi e disse o bastante, pelo que vou só sublinhar, de novo, alguns traços gerais, já que é inequívoco que há forças em Washington, em Bruxelas, em Paris, em Londres e em Berlim que estão a apostar tudo numa guerra global. 

Na Europa, as elites políticas encaram a III Guerra Mundial como uma solução para contrariar as suas mais que óbvias fragilidades e cristalizarem-se no poder, cumprindo concomitantemente a sua agenda de destruição civilizacional e redução demográfica, e aproveitando a calamidade para declararem poderes de emergência que lhes permitam fascizar de tal forma as populações que a pandemia vai parecer uma brincadeira de crianças. 

 

Convencidos que vão sobreviver até a um confronto termonuclear, as elites globalistas do velho continente têm na Rússia a sua nemesis, por razões óbvias: trata-se de uma potência com valores tradicionalistas e nacionalistas, que não compaginam com a lógica liberal e transhumanista do Ocidente.  

Os líderes políticos europeus nem tentam esconder a sua fome de cinzas: proferidos por militares ou civis, não faltam os alertas para a inevitabilidade da guerra, que incluem até a abominável advertência de que os cidadãos europeus devem estar preparados para perder os seus filhos infantes num conflito com a Rússia, mesmo que os valores pelos quais esses máximos sacrifícios são exigidos sejam deveras discutíveis e apelativos para ninguém, na verdade. 

A singularidade desta circunstância é que, talvez pela primeira vez na história universal, um dos lados de uma potencial contenda a provoque mesmo sabendo perfeitamente que não tem qualquer hipótese de a vencer. Em primeiro lugar porque, no contexto de uma guerra convencional, mesmo que assimétrica, a Europa tem tantas hipóteses de derrotar a Rússia como a gazela de caçar a leoa, depois porque uma guerra nuclear, por definição, não tem vencedores. A derrota, porém, num caso como noutro, serve lindamente os objectivos dos líderes europeus, no contexto da agenda globalista que já mencionei. Seria facílimo criar uma distopia fascista numa Europa devastada pela guerra.

Na América, a perspectiva é ligeiramente diferente: o impulso do regime Trump é claramente neo-imperialista e crê que pode sair vencedor de qualquer cenário bélico, contra qualquer adversário. Escusado será dizer que que podem muito bem estar equivocados, se entretanto forçarem uma aliança militar sino-russa, para além da mais absurda estupidez que é alguém acreditar que sairá vencedor de uma guerra nuclear à escala global.



Os EUA vão atacar o Irão, é mais que certo, e será nos próximos dias ou semanas, e a forma como esse movimento beligerante vai decorrer pode acender o rastilho que acende definitivamente a III Guerra Mundial. Uma guerra que ninguém vai ganhar. E que dificilmente será evitada. 

Ou seja: este continua a ser o cavaleiro do apocalipse que devemos de facto temer, e cuja probabilidade de sucesso é bem real. Só há aqui um mas. Para fazer a guerra, precisamos de um inimigo. E russos e chineses tudo farão para não cair nessa armadilha. Porque, ao contrário dos líderes ocidentais, valorizam a a civilização que construíram, e as estruturas de poder que comandam não são frágeis como as ocidentais. Não precisam de um armagedão para permanecer no poder. Não odeiam de morte os povos que dirigem. Não vêm motivos para a aniquilação de tudo.

quarta-feira, janeiro 28, 2026

O Audi Quattro S1, do Grupo B, no troço de Fafe: até a fingir assusta.

ContraCorridas: o Grupo B constituiu o apogeu, se bem que trágico, do Mundial de Ralis. Uma revisitação dessa era, ao volante virtual do icónico Audi Quattro S1, pela serpentina de Fafe, o mais célebre troço do Rali de Portugal.


 

"There is no such thing as safety. There is only destiny."

Tucker the Wise.

Espanha: Regime Sánchez prepara-se para amnistiar e regularizar meio milhão de imigrantes ilegais.

O Governo de extrema-esquerda espanhol prepara-se para aprovar um decreto que concede amnistia a cerca de 500 mil imigrantes ilegais. A iniciativa, que nem sequer vai ser retificada no parlamento, está a criar virulentos anti-corpos no país.


Não há traição ao seu eleitorado que Trump não cumpra.

Até a Segunda Emenda, historicamente tão querida aos conservadores, está agora a ser posta em causa, depois da desastrada intervenção do ICe em Minnesota.

É assim mesmo.


Inferno do Canadá: Médicos praticaram eutanásia num jovem saudável de 26 anos porque ele sofria de depressão.

Uma médica canadiana, activista da eutanásia e do aborto que se gaba de já ter morto cerca de 400 pessoas, suicidou Kiano Vafaeian, um jovem de 26 anos que sofria de depressão. O acto é criminoso até no Canadá, um dos países no mundo que suicida mais cidadãos.


 

Haikus de Fornalhas Velhas

A arte do haiku: de repente, a estrada acaba - Fornalhas Velhas. Onde a vilania do mundo encontra um fim e quase consegues ouvir a Terra a rodar sobre o seu eixo.


 

terça-feira, janeiro 27, 2026

Como reagirá o império ao seu próprio colapso?

Neste segmento do seu excelente podcast, os Erickson polemizam a circunstância contemporânea dos Estados Unidos nas vertentes política, económica e militar, com grande lucidez.

A federação americana tem operado como um império durante décadas — mas o que é que pode acontecer quando o mundo deixar de considerar o dólar como um porto seguro?

O colapso do "soft power" americano, a crescente reacção antagónica às tarifas e à coerção do regime Trump por parte da comunidade internacional, e os sinais cada vez mais evidentes de que a confiança global na liderança financeira americana está a diminuir preocupam, como devem preocupar, pai e filho, que também exploram o significado do actual comportamento dos mercados, que é diferente da crise de 2008, já que o pânico que claramente se instalou entre os investidores está a levá-los à compra de ouro e prata e não de títulos do tesouro, sinalizando a desconfiança em relação ao dólar e ao tesouro americano.

O risco de inflação/hiperinflação é grande e, se o mundo não absorver a dívida dos EUA, os americanos vão ter que se adaptar e habituar a "viver como um país normal", o que, bem vistas as coisas, até pode ser positivo para eles, e para toda a restante população mundial.

É claro que perante a ruína anunciada, o império em declínio poderá muito bem recorrer à força militar no exterior e à repressão policial interna, e, nesse contexto, uma potencial guerra com o Irão pode acontecer mesmo que não faça qualquer sentido estratégico.

Se a era da moeda de reserva está a chegar ao fim, a verdadeira questão passa a ser: conseguirão os EUA fazer esta transição de forma racional — ou os seus líderes intensificarão as ameaças, as tarifas e a guerra para preservar a primazia?

E como seria uma América pós-hegemónica, se optar pelo realismo em vez da intensificação das hostilidades?

Muito interessante, esta conversa em família. 

Estados Unidos do Unipartido

Dúvidas e ironias em tempo de interlúdio eleitoral.

A leitura que opõe “democratas esclarecidos” a “perigosos autoritários” é uma caricatura conveniente, não um retrato da realidade. E transformar o voto num rótulo de extremismo político é um exercício de preguiça intelectual. A crónica da Francisco Henriques da Silva.


 

“Estamos de olho no Irão”: Trump avisa que “armada” dos EUA chegará em breve ao Golfo Pérsico.

O César de Queens ainda não desistiu de semear o caos e a morte no Irão, e à saída do encontro do World Economic Forum em Davos, alertou que uma “armada” norte-americana está a caminho do Golfo Pérsico.


 

O novo globalismo, sistematizado.


O que devo concluir.

Este post aqui ilustra o que sinto e desconfio. Não vamos encontrar soluções nos líderes políticos e nos influenciadores que o sistema ocidental debita para a praça pública. Acabam sempre por trair as nossas expectativas e os valores que os projectaram para a ribalta, porque o processo de ascensão ao fórum é corruptor por natureza. 

O mecanismo mediático e político está montado de tal forma que impossibilita o heroísmo, a dignidade, a consistência, a coragem, a abnegação e a lealdade à causa das massas.

A solução não é combater os protagonistas do sistema. É combater o sistema.


 

Na crista da tempestade.

Uma decisão acertada, para variar: Administração Trump retira-se oficialmente da Organização Mundial de Saúde.

Os Estados Unidos concluíram oficialmente a sua retirada da Organização Mundial de Saúde. A decisão deixa a OMS fragilizada em relação à sua influência global, mas também e sobretudo na vertente financeira, porque os EUA eram o primeiro financiador da organização.


 

Medicamentos para emagrecer vão poupar centenas de milhões de dólares às companhias aéreas.

As companhias aéreas vão beneficiar financeiramente com a massificação dos novos medicamentos para emagrecer, uma vez que os custos com combustível estão directamente ligados ao peso das aeronaves.


segunda-feira, janeiro 26, 2026


 

Campanha eleitoral não é guerra civil.

A força da democracia reside na transformação de conflitos em debates regrados e na garantia de que todas as correntes políticas possam expressar-se livremente, inclusive aquelas com que discordamos. Uma crónica de António Justo.


 

Isto aqui não é bem um meme;

é um gráfico que explica com clareza o problema dos lealistas do regime Trump, que não conseguem abrir o horizonte analítico para além daquilo que lhes satisfaz a consciência política. E aqui, representam-se apenas questões relacionadas com a política interna. Porque ainda há mais vectores assustadores e de inspiração globalista e imperialista na politica externa da Casa Branca.


 

CEO da BlackRock e co-presidente do WEF, Larry Fink, admite o óbvio: “o mundo não confia em nós.”

O WEF já não é o que era e a ratazana da BlackRock que agora dirige a organização criminosa já percebeu que herdou uma ideia meio falida. Mas para Larry Flink, o facto da distopia de Davos estar a ser ultrapassada pela distopia de Washington é igual ao litro. Ou melhor ainda.


 

Não é um meme: carta que Donald Trump endereçou ao primeiro-ministro norueguês diz tudo o que é preciso saber sobre o remetente.

Nenhum chefe de Estado com um mínimo de respeito por si próprio (e pela nação que representa) poderia escrever e enviar esta carta. Mas Donald J. Trump é capaz de qualquer acto, por mais tresloucado que seja e até depreciativo da sua própria imagem.


 

domingo, janeiro 25, 2026


Um conselho de administração para o globalismo americano.


No contexto do seu Great Reset, Donald Trump está a tentar substituir a ONU (ou mais especificamente, o Conselho de Segurança da ONU) por uma organização que lhe seja ainda mais obediente, enquanto procura concomitantemente reduzir a influência do BRICS. Para esse efeito, o presidente norte-americano decidiu criar o "Conselho da Paz", convidando um grupo alargado de líderes políticos no activo e na reforma para o integrarem, embora exigindo um bilião de dólares a cada personalidade que decida aceitar o convite.

Inicialmente focada na reconstrução e gestão da Faixa de Gaza após o cessar-fogo no conflito Israel-Hamas, a ideia transcendeu rapidamente o âmbito da Palestina e tem ambições de actuar em conflitos globais, de acordo com os interesses americanos. Ou seja: será o 'Conselho da Paz' em certos casos, será o 'Conselho da Guerra' noutros.

De forma deveras característica, Trump autodenominou-se presidente vitalício do órgão, com poder de veto único e autoridade para convidar ou remover membros, e nomeou um Conselho Executivo fundador com figuras como Marco Rubio, o genro Jared Kushner, o amigo feito diplomata Steve Witkoff e Tony Blair, entre outras figuras do estabelecimento globalista.

Na lista de convidados que terão que pagar o tal bilião de dólares para aderir ao clube, encontramos Lula da Silva, Javier Milei, Santiago Peña, Viktor Orbán, quase todos os líderes globalistas europeus, quase todos os líderes políticos do médio-oriente, vários líderes asiáticos (entre os quais Xi Jinping), o Papa Prevost, o presidente da Bielorússia, Alexander Lukashenko e... Vladimir Putin.

Putin, que, como outros convidados, não tem qualquer interesse na iniciativa, mas que também não quer ofender o ego monstruoso do actual inquilino da Casa Branca (há que dizer que o Czar tem no César de Queens o seu calcanhar de Aquiles), afirmou que aceitaria o convite desde que a quota bilionária fosse retirada dos bens russos que foram congelados pelo bloco ocidental. 

A resposta do Kremlin é, do ponto de vista diplomático, genial, já que obrigaria os EUA a desbloquearem necessariamente esses activos, abrindo precedente para o seu retorno aos cofres russos. Por outro lado, caso a proposta não seja aceite pela Casa Branca, Moscovo terá sempre uma boa justificação para não fazer parte de uma organização que não foi propriamente criada com os seus interesses em vista.

Entre os convidados há também quem esteja a recusar ou a "avaliar" a proposta, como os chineses (obviamente), o Vaticano, a Espanha, a Alemanha, a França, o Reino Unido, os países nórdicos e os países do Báltico, que já perceberam que a ideia de Trump é substituir a ordem internacional pela desordem da Sala Oval e que são alérgicos a qualquer organização que inclua Vladimir Putin.

O ContraCultura não tem qualquer simpatia pelas Nações Unidas e pelo seu Conselho de Segurança. Mas sendo até difícil inventar uma organização internacional mais nefasta que a sediada em Nova Iorque, é preciso reconhecer que um Conselho de Segurança alternativo, presidido por Donald Trump e assim completamente dominado pelos interesses luciferinos que representa (globalismo trans-humanista do eixo Wall Street-Silicon Valley, volição predadora do complexo militar e industrial americano, egotismo alucinado e pulsão imperialista do próprio presidente, etc.), seria muito provavelmente ainda mais prejudicial à saúde do mundo. 

É até bem ilustrativo dos tempos que vivemos, em que a realidade é invariavelmente virada ao contrário em função das narrativas do poder, que a esta esperteza saloia da Casa Branca tenha sido dada a nomenclatura de 'Conselho da Paz'. Porque na verdade será tudo, menos pacífico.

Os dois alexandres do The Duran conversam sobre o assunto.



Uma intratável, inexpugnável e resiliente bomba de gasolina.

sábado, janeiro 24, 2026

Whitney Webb une os pontos do novo globalismo.

No clip de 15 luminosos minutos que deixamos na conclusão deste texto e, no qual se conectam vários vectores da realidade política, social e tecnológica contemporânea, a jornalista independente Whitney Webb expõe uma continuidade sombria por trás das manchetes, ligando o escândalo Epstein, a impunidade das elites e a aceleração rumo a uma economia totalmente digitalizada e vigiada.

O que começa como uma crítica à resposta desdenhosa de Noam Chomsky relativamente aos seus encontros com Jeffrey Epstein, expande-se para uma denúncia mais ampla de como o poder realmente opera: acordos de delação justificados por "vínculos com a inteligência", omissões mediáticas que apagam contextos cruciais e uma classe dominante que se fecha em fileiras cerradas enquanto alega ignorância dos factos.

As revelações do Miami Herald, a confissão do ex-procurador e actual apparatchik do regime Trump Alex Acosta, e o extraordinário acesso de Epstein às elites políticas, académicas e militares apontam para um sistema onde a legalidade se curva aos interesses dos serviços de informação e onde a responsabilização é aplicada selectivamente.

A partir daí, a conversa alarga-se para o momento presente, onde a digitalização financeira, a erosão do dinheiro físico e o fim do anonimato online convergem com a vigilância impulsionada pela inteligência artificial. O argumento é contundente: à medida que os governos empurram os cidadãos para uma economia totalmente digital, estão simultaneamente a construir as ferramentas para monitorizar, prever e antecipar o seu comportamento. As transaçcões financeiras, os discursos online e os dados pessoais tornam-se matéria-prima para a governação algorítmica, conduzindo a sociedade para um paradigma de "pré-crime" que já não exige actos ilícitos, apenas suspeita estatística.

Num contexto de dívida crescente, insolvência sistémica e a iminência das CBDCs (Moedas Digitais de Banco Central), este novo sistema parece menos uma reforma e mais uma transição controlada, concebida para preservar o poder das elites enquanto as pessoas comuns suportam os custos materiais e espirituais deste trânsito rumo ao inferno distópico.

A discussão termina ligando estas forças estruturais à cultura e à tecnologia, particularmente o seu impacto nas crianças e nos jovens. Desde os abusos e as abominações em Hollywood até à exposição irrestrita através de smartphones, plataformas de jogos e meios algorítmicos, o resultado é uma geração moldada por forças que os seus pais mal compreendem. Em conjunto, estes elementos sugerem não escândalos isolados, mas um padrão coerente: poder concentrado, protegido do escrutínio, perversamente orientado, manipulando tanto os sistemas económicos como os ambientes culturais para manter o controlo num período de crise.

É o great reset do regime Trump, em todo o seu esplendor.

Nada mau.

334.000 visitas por ano. Nada mau, para um blog dissidente, escrito em português.


ContraCorridas: do brinquedo analógico ao faz de conta virtual.

O Contra tem dois hobys. Um e outro são relacionados com automóveis. Um é completamente analógico. O outro é quase excessivamente digital. As slots e o sim racing. Dois clips vídeo que ilustram brevemente a dupla paixão.


 

Carl Jung e o fenómeno OVNI.

"You don't shoot UFO's down. It's like shooting souls. It makes no sense."

Jeffrey Kripal 

Neste breve e interessantíssimo clip, o professor Jeffrey Kripal explica a visão de Carl Jung sobre o fenómeno OVNI e como não pode ser estudado separadamente dos planos metafísico, sobrenatural e espiritual - uma abordagem ao fenómeno que é muito próxima da que me parece mais adequada, actualmente.

Donald Trump anuncia medidas para proibir os fundos de Wall Street de comprarem residências unifamiliares nos Estados Unidos.

O presidente norte-americano teve um ataque de lucidez e anunciou na semana passada que a sua administração está a tomar medidas imediatas para impedir que os grandes investidores de Wall Street comprem casas unifamiliares.


 

Em desespero de causa: governo britânico pretende alargar a idade de mobilização dos militares na reserva para 65 anos.

Para tentar resolver a crise de recrutamento, e um exército que não era assim tão diminuto em efectivos desde o fim das guerras napoleónicas, o governo britânico decidiu alargar a mobilização de veteranos até aos 65 anos de idade.


 

sexta-feira, janeiro 23, 2026

Ao contrário de uns e outros, este senhor teima em não desiludir.


A Comissão Europeia Perdeu o Juízo.

A Comissão Europeia divulgou as suas prioridades para 2026, e a conclusão é quase inevitável: Bruxelas parece ter perdido completamente o contacto com a realidade concreta que os europeus enfrentam. Um protesto de Francisco Henriques da Silva.


 

Google ensina crianças a contornar o controlo parental.

A Google está a ser criticada após relatos de que a empresa enviou e-mails a crianças que completam 13 anos com instruções sobre como remover os controlos parentais das suas contas, permitindo-lhes contornar a supervisão dos pais sem o seu consentimento.


 

I Wear My Sunglasses at Night

O meu marido tem um temperamento difícil.

E mesmo quando tento resolver todos os problemas do mundo;
e mesmo quando as minhas mensagens privadas são feitas públicas
pelo meu amigo americano;
e mesmo quando tenho que nomear um governo por mês
para salvar a França
e a democracia;
e mesmo quando tento recrutar um exército
de 16 mercenários
para salvar a Ucrânia;
e mesmo quando estou empenhado no genocídio
de cristãos na Síria 
e de islamitas no Irão;
e mesmo quando tento por todos os meios contratar
um profissional para assassinar a Candace Owens;

o meu marido dá-me chapadas.

E mesmo quando tenho importantes discursos para proferir
em Davos e em Berlim;
e mesmo quando tenho guerras para inventar
e festas para presidir
e reuniões para organizar
e um império para levantar;

o meu marido dá-me murros.

O meu marido tem um temperamento difícil,
O médico do Eliseu disse-me que foi por causa
da transição de género
e que eu tenho que aceitar a porrada
como uma benção.

Mas é aborrecido que todos saibam
que o Presidente-Sol leva da primeira dama
e que a primeira dama é um homem
com um temperamento difícil.

Todos sabem. Eu sei que todos sabem. 
E todos sabem que eu sei que todos sabem. 

Sim, é aborrecido que o Presidente-Sol
Tenha que usar óculos escuros à noite
como naquela canção
do Corey Hart. 

Salva-se a República porque os ray-ban 
não me ficam nada mal.


Espanha: imigrantes cometem 5 vezes mais violações e 4 vezes mais assassinatos do que os nativos.

Um novo estudo destaca o papel desproporcional dos estrangeiros nos crimes graves em Espanha, que tem apresentado um crescimento preocupante de violações, homicídios e outros crimes graves nos últimos cinco a seis anos.