sexta-feira, julho 10, 2026

Mark Rutte como auto-corrector.

Numa das múltiplas vezes que teve a má ideia de abrir a boca, na Cimeira da NATO que hoje se concluiu, Mark Rutte, o chefe civil da mafiosa organização, teve o desplante de dizer isto:

".... Eu acredito firmemente que no século XXI não se deve atacar outro país como os russos fizeram com a Ucrânia. É uma loucura fazer isso. É um guião do século XIX ou do século XX. Não fazemos mais isso nas democracias maduras no século XXI. Isso é um aspecto, mas também porque estão em jogo valores, a democracia. E a democracia não é só o voto livre, a democracia é também vocês, a imprensa livre. Que possam noticiar, que possam tentar descobrir o que se passa nos bastidores."

 

 

Que um líder político ocidental tenha a desvergonha de dizer uma coisa destas já nem espanta, na verdade, considerando o trabalho transformista sobre a realidade a que se dedicam as elites no século XXI. Mas Rutte, precisamente por ser um burocrata, civil e não eleito, que chefia uma organização militar, devia ter um pouco mais de tino. 

O parágrafo é excessivamente grotesco para que não enfureça qualquer pessoa que caminhe acordada na curvatura da Terra. Se Rutte acredita "firmemente que no século XXI não se deve atacar outro país", como é que consegue liderar uma aliança dependente em boa conta dos Estados Unidos da América, que em Abril deste ano, sem pelo Irão serem atacados, atacaram o Irão? Não "é uma loucura fazer isso"? Não são os Estados Unidos uma "democracia madura"?

E a Venezuela, e a Nigéria, e a Síria, e o Iraque, e a Somália, e o Iémen, que a actual administração norte-americana, em apenas um ano e meio, atacou sem ter sido atacada?

E o que têm feito nos últimos 35 anos e o que fazem agora a NATO e as super-estruturas liberais do Ocidente que não tenha sido atacar a Rússia, a sua esfera de influência, os seus interesses estratégicos, a sua cultura e identidade, a sua religião?  

Quanto aos "valores" de que fala Rutte, o espalhanço a todo o comprido da sua falaciosa retórica é assombroso. Quais são os valores do Ocidente, exactamente? Armar e financiar o Estado genocida de Israel? Lançar operações de pirataria para roubar petróleo a países não alinhados com o programa? Criar golpes de estado em todo o lado em que não existam marchas do orgulho gay e horas do conto LGBT para infantes de cinco anos de idade? Violar crianças, torturá-las e devorá-las e fazer com que os aparelhos governamentais protejam os violadores, os carrascos e os canibais? Permitir que povos com outras culturas, outras religiões, outras identidades, substituam os povos nativos, apenas para que as grandes corporações tenham mão de obra mais barata e as sociedades percam a sua coesão, de forma a serem mais facilmente controladas e manipuladas? Perseguir politicamente a dissidência interna e sistematicamente a liberdade de expressão? Enriquecer a olímpicos e obscenos patamares as elites e empobrecer por todos os meios possíveis e imagináveis as massas? Criar estruturas tecnológicas que destituam o ser humano ao ponto de colocar a própria espécie em risco? 

Quão gloriosos e universais são esses "valores", quando à frente dos olhos vesgos (ou luciferinos) do próprio Mark Rutte cai com estrondo histórico a civilização que bestas como ele tudo fizeram para destruir?

E por último, acrescentando a cereja infecta em cima do bolo putrefacto, o comissário ainda teve o indizível desplante de falar em "democracia" e, no contexto da democracia, sobre a importância da "imprensa livre". 

Que desfaçatez. Um "jornalista" que trabalhe para aquilo que ele considera a "imprensa livre" e que revele ao público o que realmente "se passa nos bastidores" será despedido 24 horas depois, se for sobrinho de alguém, porque se for órfão de tio nunca mais voltará a trabalhar na "imprensa livre" na vida dele. 

Rutte sabe perfeitamente que já ninguém vive em democracia no Ocidente. Sabe perfeitamente que aqueles que passam por jornalistas não são mais que servos pressurosos da tirania leninista-globalista de que ele é até um cão de fila. Sabe perfeitamente que vivemos num sistema unipartidário, com altos níveis de censura e repressão sobre o discurso, fraude eleitoral, conluio criminoso das elites. Sabe perfeitamente da enormidade falaciosa que segue empacotada nas suas palavras, mas di-las na mesma, impune e serenamente, como se a aldrabice mais suja fosse uma virtude da razão prática.

Em certo sentido, ajuda-nos a encontrar a verdade, porque essa será, inevitável e simetricamente, o inverso daquilo que ele diz. 

O Secretário-Geral da NATO é uma espécie de auto-corrector: desmente-se pelo simples facto de existir.