O professor, que por ironia até tem que suportar as acusações de trabalhar para os serviços de inteligência de Pequim, fala do país em que nasceu e onde vive actualmente com o mesmo e certeiro sentido crítico que usa para partir a loiça toda do Ocidente.
Será mais demolidor dos países deste lado do hemisfério porque, convenhamos, os Estados Unidos e as nações Europeias colocam-se muito mais a jeito da recensão crítica.
Deixem-me explicar.
A China, que vive em ditadura (facto), permite a liberdade de expressão a dissidentes, como Xueqin, sendo que é difícil ser tão dissidente como o professor-profeta: entre muitas e incisivas farpas (a acusação de que Pequim é uma máquina de lavar dinheiro para os traficantes de droga mexicanos, por exemplo, é simplesmente brutal) ele lança neste podcast a ideia de que o regime de Pequim vive de tal forma sem um conceito geo-estratégico que condena até o país à irrelevância no contexto internacional (o que será, para além de uma afirmação controversa, altamente ofensivo para a nomenclatura nativa, se pensarmos bem).
E é costume o homem afirmar, outro exemplo, que o único objectivo do secretariado geral é o de fazer dinheiro e permitir que os cidadãos da República Popular arrecadem também o seu justo quinhão, revitalizando dessa forma a auto-estima nacional.
Em contraste, a Alemanha, que vive em democracia (mito), encarcera os cidadãos que chamam idiota a um ministro nas redes sociais. E parece que a chancelaria em Berlim está sobretudo empenhada em empobrecer e humilhar os cidadãos da Federação.
Muito para além da hipocrisia, isto é espantoso.
Dir-me-ão os ocidentalistas: ah, mas na China o publisher do ContraCultura já tinha sido condicionado à narrativa regimental pelo 'sistema de crédito social' e tal e coisa. Se calhar. Mas parece-me sinceramente que esse publisher vai ter problemas do mesmíssimo género, aqui em Portugal, mais cedo do que tarde, já que o sistema de 'identidade digital' que aí vem é uma infraestrutura tecnológica que permitirá a implementação de um outrossim draconiano motor de conformismo sobre o livre arbítrio, tanto mais que está claramente pensada para esse fim.
E onde é que eu quero chegar com esta conversa? Aqui: prefiro uma ditadura tolerante, que pelo menos aparenta preocupar-se com a prosperidade das massas e o bom destino da nação, e que está mais interessada com a política interna do que com o 'grande xadrez' da política externa, do que uma 'democracia' intolerante, que detesta o conceito de nação e hostiliza declaradamente as massas, enquanto se tenta equilibrar, precariamente, em bicos de pés, para se afirmar no palco global, com narrativas de superioridade moral, ainda por cima.
Desculpem lá, mas é mesmo assim que vejo as coisas, agora: entre Jinping e von der Leyen, não quero que seja o diabo a escolher. Eu opto sem pestanejar pelo nacional-comunismo de Pequim em detrimento do insuportável liberal-leninismo de Bruxelas ou do luciferino liberal-sionismo de Washington.
Mais a mais, Xi Jinping não consta dos ficheiros Epstein, pois não?
