quinta-feira, setembro 24, 2026

Queres fazer o favor de atacar o meu país?

Não haverá por certo registo histórico de um momento, como o que vivemos agora, em que tantos dirigentes políticos se tenham mostrado tão desejosos de serem bombardeados pelo inimigo.

Os líderes ocidentais têm feito tudo o que podem e não podem para provocar Moscovo, com uma profusão maluca de falsas bandeiras, sabotagens inventadas, retórica incendiária, sanções draconianas e apoio financeiro, militar e de inteligência à Ucrânia, que tem resultado em ataques devastadores no interior do território russo. A ideia é clara: levar os poderes instituídos em Moscovo a atacar um país europeu para depois invocar o artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte, que em teoria colocaria os Estados Unidos e todos os países membros da Nato, de Portugal à Turquia, em pé de guerra com a Rússia.

Mesmo que isso implique, ou precisamente porque isso implica, necessariamente, um conflito termo-nuclear. 

Mas o Kremlin tem mostrado uma contenção quase insuportável de testemunhar. E Putin tem dito e redito que não planeia atacar a Europa. Ainda no fim de semana passado recusou a ideia, mesmo depois da capital russa ter sofrido um ataque massivo com milhares de drones e dezenas de mísseis de fabrico ocidental, conduzido por dados de inteligência e navegação ocidentais.


Confrontados com esta teimosia dos russos, que recusam o engodo, por farto e guloso que seja, os suspeitos do costume sobem a parada, anunciam que estão já em guerra, que a Rússia já atacou, que temos que estar preparados para morrer no conflito, que devemos sacrificar tudo em nome da russofobia.

Nesta entrevista trágico-cómica que concedeu à ABC, Emmanuel Macron diz que não acredita em Putin. Que Putin mente quando diz que não pretende atacar a Europa. Que Putin sonha com uma invasão do velho continente. Mas o que lemos nas entrelinhas do que ele diz, o que vemos na sua pose de Anão Napoleão é uma coisa completamente diferente: um homem que aposta tudo na guerra, que espera ansiosamente pelo ataque que não acontece. Que deve rezar todas as noites no altar satânico que montou nos Palácio do Eliseu por uma bomba russa que caia em Paris.


Para Macron, como para Merz, como para Burnham, como para von der Leyen, esta é a solução derradeira para a permanência no poder, livres que serão, na circunstância de uma guerra mundial e apocalíptica, do incómodo escrutínio das massas.

Só não vê quem não quer ver.