quarta-feira, outubro 14, 2026

Os houthis como representação gráfica do declínio do Ocidente.

Os houthis são uma tribo guerreira xiita que habita as montanhas ocidentais do Iémen. Têm uma força de 350.000 milicianos que luta contra uma coligação imensa, constituída por sauditas, iemenitas, emiradenses, israelitas, americanos e ingleses, com equipamento militar do século XX, salvo um ou outro sistema balístico mais ou menos sofisticado que lhes foi fornecido pelo Irão e uma quantidade grande de drones de custo módico, que adquiriram, supostamente, à China.

Estão neste momento no epicentro da guerra que eles próprios deslocaram do Golfo Pérsico par o Mar Vermelho e ameaçam seriamente a existência não só do Estado iemenita mas até da Arábia Saudita.

Nos últimos meses conquistaram território (principalmente junto à costa do Mar vermelho, que é estratégica para o comércio global), e assumiram-se como o principal aliado do Irão, não sendo certo porém o poder efectivo que Teerão detém sobre estas gentes. 

O Ocidente parece completamente impotente perante esta força paramilitar anacrónica e, comparativamente em relação ao inimigo, diminuta em efectivos, recursos e equipamento. Trump tem medo de se meter com eles, dados os problemas que na região já tem para resolver e depois de em 2025 ter desperdiçado um bilião de dólares numa campanha de bombardeamentos completamente inútil, que nem sequer conseguiu estabelecer superioridade aérea sobre o território dominado pela tribo xiiita. Já antes, o regime Biden tinha tentado incomodar os rebeldes com sucessivas ofensivas balísticas que deram em nada.

Em 2024, o Reino Unido também decidiu intervir militarmente contra os Houthis (como Londres criou o reino saudita nos anos 30 do século XX, ainda acha que tem a responsabilidade de o apoiar), fazendo chegar ao Golfo de Aden dois navios de guerra (outros destacados pela marinha britânica para essa missão nem sequer partiram de Inglaterra por motivos técnicos ou incapacidade de constituir tripulações adequadas em número e qualificações), que fizeram diferença absolutamente nenhuma no teatro das operações.
 





 
Neste momento, os houthis estão de tal forma na mó de cima que ameaçam Washington com "rápida e dolorosa" resposta, caso o Pentágono decida voltar a atacá-los, enquanto bombardeiam Riade como se não houvesse amanhã e atacam até, aparentemente, a esquadra americana estacionada no Mar Vermelho.


O que salta à vista nesta história é a incapacidade militar do Ocidente e dos seus aliados, incluindo Israel, para levar de vencida uma tribo renegada, miliciana, tecnologicamente primitiva, que opera num dos mais estratégicos enclaves do planeta com uma eficácia tremenda.

Querem estes palhacinhos todos travar uma guerra - e vencê-la - com o Irão. Com a Rússia. Com a China.

Por amor de Deus.