Independentemente de concordarmos ou não com o pensamento político de André Ventura (eu não sou eleitor do Chega e discordo em parte do que ele diz aqui), é importante sublinhar estas declarações. Para que ninguém possa dizer mais tarde que, sobre o assunto da emigração, ele traiu as expectativas dos seus eleitores. Ao contrário de Trump e até de Meloni, o líder do Chega não tem problema nenhum em manifestar que está do lado corporativo do regime.
E não é de agora. Ventura recebeu o telefonema já há anos largos.
Também é verdadeiro o comentário de Afonso Gonçalves: quem vota neste homem a pensar que deixa cair na urna uma intenção de ruptura não pode estar mais equivocado.
André Ventura, como Le Pen e como Farage, serão, em última análise e se tudo correr bem, reformadores. Estarão, até um certo ponto, predispostos a acalmar as massas com políticas anti-woke, revisões fiscais, retoques nas leis de imigração (os que Bruxelas permitir) e outras medidas paliativas e sem consequência, para eleitor ver. Que é aliás o que já está a acontecer com o actual governo PSD.
Tanto mais que estas afirmações do líder dito populista pouco diferem das que Montenegro diria sobre o mesmo assunto.
Arrisco até escrever que Ventura está a preparar um namoro com Montenegro, para uma aliança futura. Uma geringonça à direita, para impedir o PS de formar governo nas legislativas de 2029 (se o actual executivo sobreviver até lá).
Mas a política à portuguesa não é o meu forte, pelo que posso estar completamente errado, claro. Sobre este último ponto, porque sobre os anteriores, não tenho grandes dúvidas.
