O ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao Irão já está a transformar o Médio Oriente numa orgia de destruição e morte por todo o lado. Os iranianos responderam às hostilidades iniciadas por Washington e Telavive com bombardeamentos que atingiram, para além de território israelita, seis outros países da região: Bahrain, Qatar, Emiratos Árabes Unidos, Kuwait, Jordânia e Arábia Saudita.
Não é neste momento possível tirar grandes conclusões do que está a acontecer, pelo que estas linhas poderão até mostrar-se equivocas já a seguir, mas apesar dos bombardeamentos iranianos terem como alvo, na sua maior parte, bases e infra-estruturas militares americanas nestes países, a estratégia de Teerão parece ser a de alastrar o conflito para além do âmbito trilateral, de forma a que, especulo eu, os americanos comecem a sentir a pressão dos seus aliados árabes, no sentido de desenvolverem uma ofensiva breve, que permita ao regime iraniano sobreviver mais ou menos incólume, como aconteceu no ano passado.
Por outro lado, parece também confirmar-se a ideia de que o Irão não está inclinado, pelo menos para já, a usar os seus misseis hipersónicos contra a frota americana, iniciativa que poderia levar o conflito para um patamar máximo de intensidade. Como já escrevi a este propósito, a questão não é se Teerão tem capacidade balística para inflingir baixas descomunais no inimigo. A questão é se a isso está disposto, considerando as consequências previsíveis dessa decisão.
Tudo dependerá também da estratégia americana. Se este segundo capítulo das hostilidades contra o país dos aiatolás for parecido com o primeiro, os iranianos vão por certo conter-se na sua resposta. Mas se o Pentágono persistir numa guerra de mudança de regime, com bombardeamentos que se prolonguem no tempo, Teerão, encurralado e sem nada a perder, poderá muito bem reagir em desespero de causa. E mesmo que um só missil hipersónico atinja um porta-aviões ou um contratorpedeiro americano, o facto será já devastador para os Estados Unidos, tanto internamente (há sondagens que mostram que a opinião pública americana não apoia esta guerra, em números esmagadores) como para a imagem que mostra ao mundo. Até porque as baixas serão, neste caso, sempre significativas.
Teerão tem, além dos argumentos balísticos, armas outras: pode fechar o Estreito de Ormuz, por exemplo, empurrando toda a Ásia para o conflito, já que as rotas de abastecimento petrolífero da Índia e da China e do Japão dependem em grande medida da navegabilidade do Golfo Pérsico.
O Irão pode, além disso, criar disrupções nos países vizinhos e na Europa, com perturbações fronteiriças e de rotas comerciais terrestres, ou ataques terroristas.
As próximas 24 a 48 horas serão decisivas para percebermos melhor que rumo vai tomar a guerra, sendo certo que se trata de um conflito desnecessário, sem qualquer justificação para ser desencadeado, para além da cega ambição sionista e da ganância imperialista, mas decadente, do complexo militar e industrial americano.






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