domingo, abril 12, 2026

Provavelmente, o texto mais estúpido alguma vez publicado nas redes sociais.

A 9 de Abril, caiu na rede social Truth Social o post mais parvalhão, pesporrente, ignóbil, retardado, mentiroso, espúrio e, sobretudo, ingrato alguma vez publicado por um ser humano na Internet.

Foi redigido por Donald J. Trump, actual presidente dos Estados Unidos da América, e reza assim (parágrafos e numeração criados pelo redactor deste texto): 

(1) Sei porque é que o Tucker Carlson, a Megyn Kelly, a Candace Owens e o Alex Jones andam a combater-me há anos, especialmente pelo facto de acharem que é maravilhoso o Irão, o Principal Estado Patrocinador do Terror, ter uma Arma Nuclear — Porque têm uma coisa em comum: Quocientes de Inteligência baixos. São pessoas estúpidas, eles sabem-no, as famílias deles sabem-no e toda a gente também sabe! 

(2) Olhem para o passado deles, olhem para o registo deles. Não têm o que é preciso e nunca tiveram! Todos foram expulsos da televisão, perderam os seus programas e nem sequer são convidados para a TV porque ninguém se importa com eles, são uns DOIDOS, CRIADORES DE PROBLEMAS, e dizem qualquer coisa só para terem alguma publicidade “grátis” e barata. Agora acham que conseguem alguns “cliques” porque têm Podcasts de Terceira Categoria, mas ninguém fala deles, e as opiniões deles são o oposto do MAGA — Caso contrário, eu não teria ganho as Eleições Presidenciais por uma ENORME VITÓRIA. O MAGA concorda comigo e acaba de dar à CNN uma Avaliação de Aprovação de 100% de “TRUMP”, e não a Idiotas a Agitar as Mãos como o Tucker Carlson, que nem sequer conseguiu acabar a faculdade, era um homem destruído quando foi despedido da Fox e nunca mais foi o mesmo — Talvez devesse consultar um bom psiquiatra! 

(3) Ou a Megyn Kelly, que me fez de forma maldosa a agora famosa pergunta “Só a Rosie O’Donnell”, ou a “Maluca” da Candace Owens, que acusa a Muito Respeitada Primeira-Dama de França de ser um homem, quando não é, e que espero que ganhe muito dinheiro no processo em curso. Na verdade, para mim, a Primeira-Dama de França é uma mulher muito mais bonita do que a Candace, aliás, nem se compara! 

(4) Ou o Alex Jones falido, que diz algumas das coisas mais estúpidas, e perdeu toda a sua fortuna, como devia ter acontecido, pelo seu ataque horrível às famílias das vítimas do tiroteio de Sandy Hook, alegando ridiculamente que foi uma farsa. Estes supostos “comentadores” são PERDEDORES e sempre o serão!

(5) Agora a CNN das notícias falsas, o falhado New York Times e todas as outras Organizações de “Notícias” da Esquerda Radical estão a “elogiá-los” e a dar-lhes “imprensa positiva” pela primeira vez nas suas vidas. Eles não são “MAGA”, são perdedores que só estão a tentar agarrar-se ao MAGA. Como Presidente, podia tê-los do meu lado sempre que quisesse, mas quando eles ligam, não retorno as chamadas porque estou demasiado ocupado com os Assuntos Mundiais e do País e, após algumas vezes, ficam “maldosos”, tal como a Marjorie “Traidora” Brown, mas já não me importo com essas coisas, só me importo em fazer o que é certo pelo nosso País. 

(6) O MAGA é sobre GANHAR e FORÇA ao não permitir que o Irão tenha Armas Nucleares. O MAGA é sobre TORNAR A AMÉRICA GRANDE NOVAMENTE, e estas pessoas não fazem ideia de como o fazer, MAS EU FAÇO, porque OS ESTADOS UNIDOS SÃO AGORA O PAÍS MAIS “QUENTE” EM QUALQUER PARTE DO MUNDO! Presidente DONALD J. TRUMP


 

Bom, talvez valha a pena dissecar esta abominação, nem que seja para fazer justiça às pessoas que aqui foram barbaramente atacadas e a quem Donald Trump deve, em parte significativa, a sua reeleição em 2024. 

(1) A primeira frase deste texto é completa e escandalosamente falsa.  Ao contrário do que afirma o magnata de Queens, Tucker Carlson, Megyn Kelly, Candace Owens e Alex Jones lutaram em nome de Donald Trump durante anos. Muitos anos. Tucker e Jones combateram pela causa MAGA antes de se chamar MAGA, desde 2015. Owens apoiou Donald Trump desde 2018, tendo empenhadamente subscrito as sua candidaturas presidenciais de 2020 e 2024. Megyn Kelly Apoiou em privado o actual presidente norte-americano desde 2020 e publicamente desde 2023.

Nenhum dos visados acha "especialmente maravilhoso" que o Irão tenha armas nucleares, como é óbvio e especialmente porque o Irão não tem armas nucleares (se tivesse, ninguém atacaria o Irão). Sendo certo que Teerão apoia organizações que podemos considerar terroristas, como o Hamas e o Hezbollah e os houthis do Iémen, Washington também o faz, em larga escala, financiando a mais mortífera, cruel e draconiana organização terrorista do mundo: o Estado sionista de Israel. Podemos e devemos até considerar como terroristas certos actos cometidos recentemente pelo Pentágono em território iraniano, como por exemplo o rebentamento de uma escola de raparigas em Minab, que matou 170 adolescentes. Ou seja, ninguém em Washington, e muito menos Donald Trump, tem legitimidade moral para acusar qualquer país de patrocinar o terror.

Acresce que Donald J. Trump, que nunca foi e nunca será reconhecido pelo seu intelecto (é um homem sobretudo motorizado pelos seus instintos e emoções), não devia, por pudor e decência, recorrer à sua desqualificada prosa para acusar estes quatro protagonistas geracionais da vida política e mediática americana de um baixo nível de inteligência. É apenas ridículo e claramente contraproducente.

(2) Como já referi, o passado e o registo de Carlson, Jones, Owens e Kelly confundem-se ou convergem com o movimento populista norte-americano que Donald Trump liderou e jurou representar. Todos eles são figuras mediáticas de primeira grandeza, com podcasts e companhias de comunicação social independentes extremamente bem sucedidas e, o que é mais, audiências muito superiores àquelas que hoje somam os canais de televisão de que Trump fala. Em 2025, Candace Owens tinha o podcast mais visto no mundo, com uma média de 3,5 milhões de visualizações por episódio (!). Tucker Carlson terá, no crossover da sua actividade, para cima de 15 milhões de seguidores (!). Só no seu canal do Youtube, Megyn Kelly tem 4,2 milhões de subscritores e muitos dos seus vídeos atingem meio milhão de visualizações (tanto Kelly como Carlson têm hoje audiências muito superiores às que tinham quando preenchiam as slots de primetime na Fox News). A popularidade histórica e consistentemente transversal sobre gerações de Alex Jones não precisa sequer de ser aqui demonstrada. 

Talvez ressalvando este último, que, dolorosa ironia, se arruinou precisamente por ser um feroz apoiante de Donald Trump (já lá vamos), as figuras mediáticas de alto perfil e grande protagonismo no discurso político americano e global que Trump destrata são mais que milionárias (Tucker já nasceu rico) e ninguém aqui precisa de dizer "qualquer coisa" para ter "alguma publicidade 'grátis' e barata". E de tal forma não são irrelevantes, contrariamente ao que proclama o infeliz demente, que foram até determinantes para os resultados das eleições presidenciais de 2024, como toda a gente sabe ou devia saber.

Só mesmo um homem que vive completamente alienado da realidade poderia pensar que a imprensa independente, que estas quatro personalidades representam com raro rigor, é de "terceira categoria" ou mediaticamente irrelevante, em comparação com a imprensa corporativa. É precisamente o oposto que se passa hoje e não só nos Estados Unidos. 

Outra prova gritante que o inquilino da Casa Branca já não vive consciente da realidade dos factos é a afirmação de que 100% dos seus eleitores ainda o apoiam, depois de toda a merda, de toda a traição, de toda a corrupção, de todo o descalabro luciferino de um ano e três meses de mandato. Ao contrário, as sondagens mostram que está a bater recordes históricos de desagrado junto dos eleitores americanos.


(3)
Neste parágrafo entramos no campo da (má) comédia, porque ou Donald Trump é cego de olhos e cérebro, ou está apenas a tentar - e a falhar - o humor. A apresentação física de Candace Owens e de Brigitte Macron é de facto incomparável, porque não devemos estabelecer paralelos de beleza entre homens e mulheres. E a insistirmos parvamente em fazê-lo, a conclusão óbvia para toda a gente neste mundo, com excepção de Emmanuel Macron e de membros do Ku Klux Klan, é que Candace é uma rapariga bastante atraente e que Brigitte tem o sex appeal de um gafanhoto em decomposição post mortem.

(4) Este será o mais infame dos segmentos deste infame texto. É verdade que Alex Jones, na sua longa e atribulada e intensa carreira, cometeu um erro grosseiro que o levou a tribunal por acusações graves de difamação. Mas a pesadíssima pena a que foi sujeito (basicamente, foi condenado à total destituição financeira e até a empresa perdeu) deveu-se a questões políticas mais que processuais. Nesse julgamento, Jones foi réu por um erro de análise que cometeu mas, principalmente, foi réu por ter sido um fervoroso apoiante de Donald Trump. E o facto do presidente norte-americano ter o desplante, a desvergonha, a desfaçatez de trazer este assunto à conversa, e de se congratular pelo vil desfecho desse julgamento, é doloroso até para mim, que não tenho nada a ver com nada, quanto mais será para Alex Jones. Se alguém alguma vez mostrou toda a vilania do seu carácter em quatro linhas de prosa, essas quatro linhas de prosa são estas.

(5) Inadvertidamente, Donald Trump contradiz-se aqui, porque na verdade quem está a ter neste momento o apoio da imprensa corporativa é o próprio presidente norte-americano. Trump cita a CNN como fonte credível quando fala da sondagem ridícula que lhe dá 100% de aprovação do movimento MAGA, mas a estação de Atlanta passa a fonte desacreditada quando o presidente afirma, falsamente, que é favorável às pessoas que são alvo da sua triste cantiga de mal dizer. Acresce que neste preciso momento, um aliado sionista de Donald Trump, David Ellison, está, através da sua corporação Paramount Skydance, envolvido no processo de aquisição da CNN. Seria assim suicidário que qualquer cabecinha falante da estação dissesse alguma coisa de positivo sobre Tucker Carlson, Alex Jones, Candace Owens ou Megyn Kelly, que se manifestam actualmente como ferozes adversários de Telavive.

Por outro lado, o New York Times, onde a verdade vai para morrer em nome da escatologia sionista, não podia estar mais contente com a política externa da Casa Branca, tanto como com o encobrimento das actividades da classe Epstein que esta adminsitração tem desenvolvido com escrupuloso afinco. Conforme figura em anexo:


Quanto aos telefonemas que Trump não atende, que se saiba, serão alguns que Tucker Carlson admitiu ter feito, em desespero de causa, com o objectivo de tentar influenciar o presidente americano a não se enfiar no pesadelo que tem sido a guerra do Golfo. Como agora todos sabemos, Tucker tinha boas razões para fazer as chamadas que Trump recusou. E se não as tivesse recusado; e se tivesse ouvido o que Tucker tinha para dizer; e se tivesse tido juízo depois de ouvir o que Tucker tinha para dizer, não estava agora a braços com o maior desastre militar da história do Pentágono.

(6) Este capitular e (in)conclusivo parágrafo de fecho é estrondoso pela hubris e pela aldrabice, que só sublinham o actual estado emocional do homem que comanda os destinos da primeira potência mundial (alegadamente), desvendando a putrefacção do seu orgulho ferido. Ao invés do que afirma, o que Donald Trump tem feito desde que regressou à Casa Branca é perder e mostrar fraqueza. Perdeu a energia positiva da sua campanha e o movimento até de raíz cultural da onda populista que se formou em seu favor; perdeu eleitorado, ao trair consistentemente o seu mandato; perdeu a oportunidade histórica de salvar a América; perdeu a guerra contra o Irão; perdeu a possibilidade de uma renascença económica e social dos Estados Unidos, perdeu a vergonha, a integridade, a razão e a lucidez. Mostrou-se refém do Estado profundo e dos interesses sionistas. Mostrou-se desorientado e fragilizado e corrupto e luciferino até à ponta dos cabelos, a propósito do escândalo Epstein. Mostrou-se patético e fraco perante o desastre do Golfo, ao ponto de pedir ajuda militar aos europeus (e até à China) para resolver o problema do Estreito de Ormuz, que ele próprio criou. O infeliz inquilino da Casa Branca falhou em tudo, errou completamente, desceu ao inferno, desde Janeiro de 2025. E está agora isolado, no seu trono de Rei Lear.


Ou pior ainda, muitíssimo mal acompanhado:


E os Estados Unidos não são agora o país "mais quente" do mundo. São, a par de Israel, o país mais odiado no mundo. E com boas razões.

Este post de Donald Trump ficará para sempre gravado na História Universal da Infâmia, e a web está a rebentar de repulsa, a propósito das iníquas palavras do presidente norte-americano. Mas a reacção talvez mais eloquente de todas foi a que Tucker Carlson proferiu ontem, em declarações à Newsmax:

"Sempre gostei de Trump e ainda tenho pena dele, como tenho pena de todos os escravos."