quarta-feira, abril 08, 2026

Sem salvação possível.

Daqui a uma hora ou duas vamos saber se Donald J. Trump vai cumprir ou não a sua manifesta intenção de reduzir o Irão a cinzas, ou, nas suas próprias palavras, "extinguir toda uma civilização".

Mas aconteça o que acontecer, não nos livramos do inferno.

Não nos livramos do inferno de ter estes líderes políticos - verdadeiros demónios à solta, apologistas sinceros e devotos do extermínio, do genocídio, da destruição pela destruição.

 Não nos livramos do inferno que é a América. Do inferno que é A União Europeia. Do inferno que é o Reino Unido. Não nos livramos do inferno que é o Ocidente.

E quando digo inferno, não me refiro à literária cenografia de Dante. Nem sequer à alta probabilidade do castigo eterno. Este inferno de que falo, é o d'aqui e é o d'agora.

Este concreto, palpável, material, fedorento inferno da máxima corrupção das elites e da vil obediência das massas. Este inferno infecto e decadente das sociedades europeias. Este inferno abissal, historicamente recordista, dos corredores do poder em Washington.

Sim, quando digo inferno refiro-me ao pecado, à desonra, à iniquidade em que vivemos, todos, mergulhados, sem sombra de revolta, nem possibilidade de redenção.

Refiro-me ao silêncio crepuscular das multidões, que sabem que são conduzidas por pedófilos e canibais e homicidas e carrascos da pior espécie, e deixam-se ainda assim conduzir!

Refiro-me ao sujo ofício de intermediários e de agentes e de publicitários e de secretários e de adjuvantes destes pedófilos, destes canibais, destes homicidas e destes carrascos, cúmplices na banalização do mal!

Refiro-me aos banqueiros como aos bancários, aos ministros como aos funcionários, aos senhores como aos escravos, todos ele êmbolos sincronizados da mesma locomotiva de Satanás! 

Refiro-me à complacência dos cegos do cérebro, à tirania dos indiferentes, à ambição dos imbecis, à imposição democrática dos normalóides!

Refiro-me à cobardia dos militares, à estupidez dos sábios, à ignorância dos académicos, à dependência dos libertários!

O inferno somos nós e o inferno são eles - os que toleramos para além do que é admissível, os que legitimamos para além do que é legítimo, os que defendemos para além do que é defensável, os que colocamos no poder, mesmo quando somos conscientes de que vão utilizar esse poder contra nós!

A besta da Casa Branca fará aquilo que lhe for mandado fazer, mas deste inferno na Terra, senhores, não há maneira de escaparmos. 

É tarde demais para chegar cedo.