quarta-feira, maio 13, 2026

A inteligência artificial como máquina de alucinação e motor apocalíptico.


 

"O ChatGPT não tenta ensinar-te, nem tenta dizer-te a verdade. Tenta enganar-te de forma a que acredites nele. A isto chamamos alucinação." 
Jiang Xueqin 

Esta lição do Professor Jiang Xueqin é absolutamente incrível e este homem sobe na minha consideração todos os dias, com uma intensidade maluca. Já nem tenho escala para o validar.

 
Logo no princípio da dissertação, Xuequin, fiel a um princípio de honestidade absolutamente admirável, coloca no ecrã um recado que recebeu de um antigo professor, que à primeira vista é uma crítica disfarçada de elogio, mas que na realidade é um sério aviso: tem muito cuidado com o que dizes sobre Israel, a Mossad e os sionistas. 

Não me parece que o professor-profeta siga o conselho. Ou tema a advertência. Mas como quem não quer a coisa, tonou a ameaça pública. 

Depois, Xuequin explica muito bem explicadinho como é que funcionam os algortimos de IA e porque é que na verdade a indústria é profundamente fraudulenta, procurando iludir as pessoas de que os seus agentes são detentores de identidade e de verdade, quando não detêm nem uma coisa nem outra, quando são apenas uma derivação tecnicamente sofisticada de um motor de busca, com os mesmos problemas de enviesamento e preconceito ideológico e adesão às narrativas mainstream e aos mandatos das elites tecnocráticas de que essas "velhas" tecnologias de Silicon Valley sempre padeceram.

E mesmo características performativas do género distópico como o reconhecimento facial derivam apenas da capacidade de processamento das centrais de dados, mais do que de tecnologias inovadoras, embora a indústria recorra a um truque tão antigo como a sabedoria de Confúcio, atribuindo a essa capacidade meramente aritmética nomenclaturas elaboradas ("redes neuronais", por exemplo).

E é por estas e por outras que a inteligência artificial é fundamentalmente uma práctica de ocultismo, que compagina com o derradeiro sonho dos engenheiros de Silicon Valley: criar Deus, ser DEVS.

Mas o sistema tem fragilidades. Não consegue, por exemplo, lidar com os chamados "casos extremos" ou variáveis excessivamente erráticas para serem sistematizadas. Portanto, para que este falso deus funcione perfeitamente, o seu cosmos tem que ser despojado de erros e idiossincrasias que são próprios da... 

Condição humana.

Xueqin dá o exemplo da condução autónoma por AI. A tecnologia só será possível em larga escala e em níveis absolutos de segurança quando a condução de veículos automóveis for interdita aos humanos, porque os sistemas computacionais não conseguem antecipar o comportamento das pessoas ao volante.

Ou seja: a inteligência artificial, para funcionar no seu pleno, é necessariamente distópica. Retira necessariamente direitos e liberdades às massas.

Daqui partimos rapidamente para a conclusão de que o Deus da Singularidade - ou um sistema de Inteligência Artificial Geral -  procurará estabelecer um mundo perfeito (porque não consegue ser deus de outra forma). E sendo certo que um mundo perfeito não é acessível à condição humana, qual será a solução de DEVS?

Matar toda a gente. 

Até porque depois de toda a gente ser morta não há ninguém que possa acusar o sistema de ter morto toda a gente.

Apesar do crime ser teoricamente perfeito, Xueqin diz que esta é a razão pela qual "os computadores são estúpidos".  Mas, aqui entre nós, essa "estupidez" não deixa de ser deveras ameaçadora.

E enquanto ChatGPT está a encorajar os utilizadores a suicidarem-se, a OpenAI se prepara para criar conteúdos eróticos e abre portais para "convocar alienígenas" ou demónios, e a Palantir toma conta do Pentágono, celebrando o potencial de morte que pode trazer à indústria militar norte-americana, personagens sinistros como Alex Karp justificam a progressão destas tecnologias assustando as massas no Ocidente com fabricações sobre o potencial bélico da inteligência artificial chinesa, numa lógica, que já documentei no Contra, de que os bons têm que fazer maldades como os maus para se defenderem deles.

Silicon Valley, ao criar o Deus da alucinação, que continua a aprisionar as massas na Caverna de Platão, retira ao ser humano aquela que é, segundo o professor Jiang Xueqin, a sua primeira riqueza: a capacidade de ser consciente da realidade.  

Aqui chegados, a questão é a de saber se o projecto escatológico resulta. Xueqin, que apesar de tudo é um optimista por natureza, acredita que não. Porque a indústria é financeiramente insustentável, porque é ineficiente e porque é frágil, já que, afinal, depende das pessoas, que estão a jusante (elites, tecnocratas, programadores, investidores, políticos, etc.) e a montante da sua actividade (as massas), e da predisposição dos humanos para se tornarem escravos da máquina, apesar da máquina não ter grandes defesas contra uma eventual revolta dos escravos.

Não é aliás por acaso que o luciferino CEO da BlackRock, Larry Fink, acaba de declarar guerra preventiva aos cidadãos norte-americanos que se oponham aos seus valiosos e, em muitos sentidos enigmáticos, centros de dados de IA, alertando que podem ser utilizados drones baratos para destruir essas onerosas infraestruturas.

Fink admitiu que a BlackRock controlará quase todos os centros de dados de IA em construção nos Estados Unidos (facto assustador por si só), uma vez que o governo não tem recursos para os financiar sozinho, e porque na verdade não são rentáveis, apesar de necessários ao seu projecto globalista-transhumanista de domínio planetário.

Na intervenção aqui documentada, Fink afirma, sem receios de parecer aquilo que é:

"Precisamos de repensar todas as formas de segurança [dos centros de dados]. Será que um drone de 3.000 dólares pode ser usado para terrorismo doméstico? Muitas coisas terão de ser feitas no subsolo". 


As fragilidades de que fala Xuequin são assim factuais e reconhecidas pelos próprios senhores do universo que desenvolvem e financiam a indústria da inteligência artificial.

Seria bom que, por uma vez, as massas ganhassem consciência do poder que têm sobre as elites e as suas máquinas apocalípticas.