sábado, maio 09, 2026

Cavalgaduras.

No paleolítico inferior da coisa, quando andava na instrucção primária, os professores chamavam "cavalgaduras" aos miúdos que mostravam dificuldades de aprendizagem.

Hoje em dia, detecto cavalgaduras por todo o lado. Gente e mais gente que não aprendeu nada, apesar das toneladas de factos didácticos que rebentaram por todo o lado, desde 2020.

Estes infelizes ainda 'seguem a ciência', ainda se sentam à frente da televisão para consumirem o telejornal como se o telejornal fosse uma espécie de evangelho da modernidade, ainda concedem autoridade às autoridades, ainda acreditam, como os clientes das putas que acham que as putas estão apaixonadas por eles, no que lhes dizem políticos e ministros e secretários de estado e médicos e 'peritos', palhaços ricos e pobres do decadente e desertificado circo da imprensa corporativa. 

As cavalgaduras chegam até ao anacrónico cúmulo autista de acharem que chamar teórico da conspiração a alguém é ofensivo. Eu agradeço essas 'ofensas', que recebo como um elogio tremendo (fico corado e tudo). 

No outro dia publiquei no X um post sobre os chemtrails que observo aqui em Sesimbra que, considerando a forma escrupolosamente avarenta como o algoritmo desta rede social trata a conta do ContraCultura, teve um alcance enorme, e um ratio (gostos vs comentários) que também me parece favorável. Mas os comentários, regra geral, iam neste sentido:
 


 
Ora, qualquer pessoa que costume frequentar o Blogville sabe que eu tenho a firme convicção que a teoria da conspiração é o método científico do século XXI e esta gente, o que está a fazer, se bem que inadvertidamente, é a celebrar a minha capacidade de antecipar factos, de prever tendências, de adivinhar conluios e de saber discernir a verdade de entre o ruído da propaganda.

Não sei se mereço este tipo de comenda, na verdade, porque nem sempre consigo ser um teórico da conspiração tão competente como seria desejável, mas a todas estas gentis, se bem que equivocadas alminhas, que integram a grande manada de gado sonâmbulo dos nossos tempos, aqui deixo os meus mais sentidos e sinceros agradecimentos.