O tweet em baixo diz assim:
Em consequência das condições "infernais" a bordo do USS Abraham Lincoln, os EUA estão a enviar o porta-aviões USS George Washington para o Médio Oriente para substituir o USS Abraham Lincoln, que já está em missão há mais de 250 dias, estabelecendo um recorde de dias consecutivos no mar, segundo o WSJ.
As condições catastróficas incluem escassez de mantimentos básicos, marinheiros a ficarem sem pasta de dentes e sabão, contaminação da água, problemas de canalização, deterioração da saúde mental, preocupações com a segurança no convés, falta de alimentos e interrupções no sistema postal, com encomendas perdidas durante meses. Vários marinheiros tentaram saltar para o mar e suicidaram-se.
O USS George Washington está a ser escoltado pelo USS Robert Smalls e pelo USS Shoup, navegando juntos para oeste em direcção ao Estreito de Malaca, com chegada prevista ao Médio Oriente em aproximadamente 8 dias.
BREAKING: Following "hellish" conditions aboard the USS Abraham Lincoln, the US is sending the aircraft carrier USS George Washington to the Middle East to replace the USS Abraham Lincoln, which has now been deployed for more than 250 days, setting a record for consecutive days… pic.twitter.com/n0oaap7vSm
— The Hormuz Letter (@HormuzLetter) August 13, 2026
Portanto, 250 dias sem voltar a casa. Muito bem. Não resisto à tentação de um quadro comparatico e, acto contínuo, faço esta pergunta ao Grok:
Quanto tempo sem voltar aos EUA ficaram os porta-aviões americanos envolvidos no palco do Pacífico durante a II Guerra Mundial?
Responde o Grok:
Cerca de 18–20 meses (em torno de 570–580 dias) no caso mais famoso, o do USS Enterprise, sem voltar ao continente americano (Costa Oeste).
Digo eu, por cima:
O risco de vida, a intensidade do combate e o stress diário no teatro das operações do Pacífico em 1944-45 seriam infinitamente maiores. As condições de higiene e salubridade dramaticamente piores. A alimentação mais escassa ainda e limitada por certo a rações de combate, durante meses (já para não falar da fiabilidade postal e dos "problemas de canalização"). Ainda assim, o Enterprise permaneceu mais do dobro dos dias operacional (e de que maneira).
É claro: deve ter havido entre os marinheiros percentagens significativas de suicídios. Mas também é líquido que o número de baixas terá sido incomensuravelmente maior (pelo que sei, ninguém morreu vítima de fogo inimigo no Abraham Lincoln e o Grok fala-me de 130 mortos nos 550 dias em que o Enterprise não foi a casa - 374 em toda a guerra).
É claro que, por muitas vezes, em muitos navios, as tripulações estiveram à beira do motim. Faz parte. Mas nem sequer podemos comparar as condições em que estes viviam e combatiam com o que se passa hoje no Golfo. Basta pensarmos que a marinha norte-americana era frequentemente atingida por kamikazes que tripulavam aviões carregados de bombas e combustível, e mesmo 'aviões-torpedo' (Nakajima B6N Tenzan), 'aviões-míssil' (Yokosuka MXY-7 Ohka) e 'torpedos submergíveis', tripulados, como o Kaiten.
Mais a mais, o Enterprise cumpriu a maior parte da sua missão depois de estar directamente envolvido numa das maiores batalhas navais da História - Midway.
Estou portanto e nitidamente a comparar alhos com bogalhos, ou algas com robalos, para manter a analogia no devido contexto.
O Regime Epstein está a descobrir, para seu enorme espanto, que a marinha norte-americana é um tubarão de papel. Tripulações desmoralizadas, sem resiliência nem entendimento das razões morais e estratégicas da sua missão, navios sem munições nem mantimentos, gestão caótica da logística, espalhafato tecnológico, altamente oneroso, que não serve com eficiência ou adequação a realidade bélica do século XXI, assincronia entre a propaganda regimental e a realidade operacional.
Um trágico, sem bem que circense, naufrágio do império americano.