Os cinco mais importantes pensadores da História Universal, que sem risco de errar redondamente serão Zaratustra, Buda, Confúcio, Sócrates e Jesus Cristo, não deixaram para a posteridade qualquer testemunho escrito.
Os ensinamentos de Zaratustra circularam oralmente durante mais de um milénio até que foram cristalizados no Avesta, que data já de uma era posterior ao nascimento de Cristo (Século III ou IV d.C.). Fontes antigas afirmam explicitamente que Zaratustra “não escreveu nenhum livro”, e que foram os seus discípulos que, após a sua morte, memorizaram e registaram as suas palavras. Com o legado de Buda acontece mais ou menos a mesma coisa: Ele viveu aproximadamente entre os séculos V e IV a.C. na Índia, e os seus ensinamentos foram transmitidos oralmente por monges durante séculos, por meio de memorização e recitação colectiva. Os textos mais antigos do budismo, como o Cânone Páli, só começaram a ser escritos por volta do século I a.C. no Sri Lanka (durante o Quarto Concílio Budista), mais de 300 ou 400 anos após a morte do Buda. A filosofia de Confúcio chegou-nos principalmente pelos relatos dos seus discípulos, de que os Analectos serão o documento mais relevante, e compilações alheias dos seus comentários a obras mais antigas. A inquirição de Sócrates chegou-nos pela obra de Platão, fundamentalmente, e através de alguns comentários de Aristóteles e comédias de Aristófanes. O Ministério de Cristo foi-nos legado pelos evangelistas, de entre os quais três eram apóstolos (João, Mateus e Paulo).
A coincidência não é plausível. Por alguma razão estes cinco monstros do génio humano recusaram a escrita e preferiram a oralidade, a dialéctica do discurso público, interactivo e dinâmico, inquiridor e incisivo e concreto, mas estranha e paradoxalmente efémero, confiando em apóstolos, discípulos e monges a sobrevivência da sua mensagem à erosão das eras.
