quarta-feira, agosto 19, 2026

Pagas o preço, camarada.

Para quem não sabe: o Afonso Gonçalves é um jovem que tem a missão de denunciar as políticas de migração malucas a que somos submetidos em Portugal, através de vídeos que capta nos bairros urbanos mais preenchidos por imigrantes, muitas vezes correndo o risco de ser linchado. Faz isto por convicção, não duvido; é um rapaz corajoso à brava, sem dúvida, e o trabalho que produz é louvável. Mas esta mensagem aqui é um bocado parva:

Deixem-me explicar: o Afonso publica no X vídeos virais (para a escala portuguesa). Parte do que faz tem como objectivo isso mesmo, obviamente - ser conhecido, propagar a sua mensagem, alimentar o debate online. Ainda por cima o tema que escolheu é controverso, como todos sabemos.

Quero dizer, não devia ser controverso, todo e qualquer país que se preze deve proteger as suas fronteiras, a sua cultura, a sua identidade, a sua língua, a sua religião e o seu mercado de trabalho da invasão de literais hordas de imigrantes que não têm nada a ver com essa cultura, essa identidade, essa religião, que não sabem falar a língua e que vão inevitavelmente baixar os salários às classes mais baixas da sociedade.

Mas as coisas são como são e o tema é controverso, ponto. E o Afonso é uma figura central desse debate online no nosso país, de acordo com o trabalho que faz e aqueles que são os seus objectivos, e assim sendo não tem muito que se queixar por não poder fazer uma vida "normal". Ele procurou a fama e a fama tem um preço muito alto. Até porque neste caso, será famoso para uns e infame para outros (estes últimos, geralmente retardados, para complicar ainda mais a circunstância).

Acresce que me assusta a expressão "muitos adoram-me" muito mais do que me assusta a expressão "muitos odeiam-me e querem ver-me morto".

O Afonso devia já saber, apesar da sua juventude, que nenhum estranho o "adora". E que se ele um dia for morto à pancada no Martim Moniz esta gente toda que o "adora" vai dormir nessa noite tão bem ou tão mal como sempre dorme. Esta ideia que o jovem pundit alimenta de que é "adorado" pelo seu público é mais perigosa para ele, para o seu equilíbrio emocional e para a ideia que faz dele próprio, que outra coisa qualquer, mesmo considerando os perigos físicos - bem reais e que não quero desvalorizar - da sua actividade dissidente.

E seja como for, se assim tanto o incomoda a vida de figura pública, e em vez de fazer esta figura de choramingas sobre uma situação que criou de livre vontade, o Afonso tem bom remédio: que faça outra coisa qualquer na vida, de âmbito privado. Daqui a seis meses já ninguém se vai lembrar dele e vai poder apanhar uberes e "dar uma volta a pé" sem problema nenhum ou necessidade de disfarces.  

E será "adorado" como um ser humano deve ser: pela sua mulher, pela sua família e pelos seus mais próximos amigos. Se tiver sorte e souber portar-se bem com eles.