Prospera nos pastos do Ocidente esta classe de bovinos extremamente corajosa, que sofre porém de uma intrigante fobia de doenças respiratórias.
Não se assustam estes bravos ruminantes com banqueiros canibais, nem receiam que príncipes - ou paquistaneses - lhes violentem os filhos infantes.
Não temem a invasão dos seus países por gentes antípodas ou a conquista do mundo por uma raça de louva-a-deus provinda do outro lado da galáxia.
O ministério das finanças não lhes tira o sono e dormem bem com o poder sobre as suas vidas que entregam a Ursula von der Leyen.
A inteligência artificial é amiga, mesmo que lhes roube o ganha-pão; o Estado é pai, mesmo quando tirano.
A guerra no Médio Oriente é no Médio Oriente: está longe de preocupar para além do preço do gasóleo; e a guerra na Ucrânia é para lá de Istambul, eles que se entendam (a III Guerra Mundial é uma teoria da conspiração).
Não têm medo do Apocalipse de João nem que o céu lhes caia em cima da cabeça, mas se uma rapariga morre de pneumonia na estepe siberiana, borram-se todos.
Matam com a peste russa as saudades que têm da peste chinesa, e perguntam-se já se devem ou não sair à rua com a velha e boa máscara N25/FFP2. E anseiam, não tão secretamente como isso, por serem confinadas e vacinadas e subsidiadas e SALVAS pelo regime.
Porque na verdade, a fobia é um fetiche.