sábado, outubro 24, 2026

O chanceler, o desdém dos tiranos e o destino das massas.

Apesar das sondagens, das humilhantes derrotas nas últimas eleições estaduais e do estado deplorável da indústria alemã, o chanceler, alienado e autista (ou intencionalmente luciferino) insiste: a prioridade não é a economia nem são os alemães. A prioridade é a guerra à Rússia.


Qual é o "impacto" de que fala Friedrich Merz? A crise energética, criada pelas sanções europeias ao gás e ao petróleo abundantes e baratos da Rússia? As restrições ao livre discurso, impostas a propósito da imaginária ameaça proveniente de Moscovo? 

Que "impacto" sofreram os alemães quando Vladimir Putin, muito justificadamente, se decidiu em 2022 por espoletar uma operação militar na Ucrânia? Não terá esse "impacto" derivado mais da reacção histérica e niilista dos países europeus que se lhe seguiu?

É por estas e por outras que eu tenho dito e redito que é difícil explicar o comportamento das elites ocidentais com argumentos racionais e não metafísicos. Um político normal, seja de esquerda seja de direita, que opere no contexto de uma democracia minimamente saudável, mesmo que pensasse que fazer a guerra a uma potência nuclear, pela qual não foi agredido, seria mais importante do que cuidar da economia local, não o diria publicamente. 

Não me entendam mal: as elites políticas das democracias ocidentais sempre odiaram as massas, e o conceito de cidadania, e o contrato social a que são obrigadas, e o escrutínio público a que são sujeitas, mas souberam invariavelmente disfarçar esse desdém; e aqueles que não eram competentes no grande teatro eleitoral nunca tiveram grande futuro nos próprios partidos, por muito poder que neles, internamente, detivessem.

Acontece que nos desvairados tempos que vivemos, nem esses protagonistas têm o mesmo pudor, empoderados por um sistema que os torna na verdade impunes a qualquer pecado ou desvergonha pública que cometam (por mais sórdidos e criminosos que sejam esses cometimentos), como as massas, transformadas em gado pela propaganda, pela tecnologia e por algum conforto material, desistiram elas próprias de exigirem representação. E decência.

Ainda assim, o abusivo e tirânico e imoral comportamento do aparelho Epstein-WEF tem encontrado alguma resistência, em nichos de mercado primeiro, e agora em substantivas faixas do eleitorado (dos dois lados do oceano) cuja volição disruptiva tem sido contornada com geringonças e esquemas de baixa política, e Merz enche a suja boca com este género de afirmações porque tem consciência da sua impunidade, mas sobretudo de que o seu poder, de raiz totalitária, só poderá aumentar e cristalizar-se através de uma guerra termonuclear com a Rússia. Ou seja: a destruição é o objectivo.

Como aliás acontece neste momento em França. Aqueles inocentes que acham que Macron está realmente preocupado com a queda no caos tribal do país que dirige precisam urgentemente de uma terapia de choque com a realidade. O caos tribal é o objectivo. A destruição civilizacional é o objectivo. A guerra definitiva, que tudo reduza a cinzas, é o objectivo.  

Tanto o presidente francês como o chanceler alemão, ou o primeiro ministro britânico, ou o infeliz e tresloucado inquilino da Casa Branca, trabalham contra os cidadão dos seus desgraçados países, não em favor deles. E enquanto as massas não perceberem isto, os seus destinos - e os destinos dos seus filhos - estão irremediavelmente condenados.