terça-feira, novembro 03, 2026

Trump vai usar armas nucleares no Irão?
O alerta de Tucker Carlson.

Como o ContraCultura tem documentado recorrentemente, o Regime Epstein tem equacionado o uso de armas nucleares tácticas para desbloquear a situação impossível que criou no Golfo Pérsico. O Presidente norte-americano formulou até a inconcebível ameaça de utilizar engenhos nucleares convencionais, em Setembro, quando num discurso proferido na Assembleia Geral das Nações Unidas disse que estava a considerar “aniquilar” o Irão.

A ser tomada, as consequências desta luciferina e insana decisão serão incalculáveis, tanto no que diz respeito aos danos causados pelo ataque atómico como pelo apocalíptico precedente que a partir desse momento se abriria.

A este propósito, Tucker Carlson, que tem boas fontes em Washington, deixou na segunda-feira uma extensa mensagem no X que importa sublinhar e traduzir para português, dada a sua pertinência, lucidez e assertividade.

 

 

"Sob pressão do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a administração Trump pode estar a poucos dias de lançar um ataque nuclear contra o Irão. O alvo seria a Montanha Pickax, no centro do Irão, onde os serviços de informação israelitas afirmam que o governo iraniano reiniciou o seu programa de enriquecimento de urânio. Nenhuma arma convencional do arsenal americano consegue penetrar 90 metros de granito sólido para destruir os túneis onde supostamente ocorre o enriquecimento. A única opção militar é um ataque nuclear. Netanyahu tem pressionado fortemente por isso. 'Bibi liga a Trump todos os dias sobre o assunto', disse um observador bem informado.

Netanyahu está encurralado e desesperado. Após os resultados das eleições da semana passada, não consegue formar governo a não ser que Trump intervenha directamente na política israelita e negoceie um acordo com outros partidos que garanta a Netanyahu 61 lugares no Knesset. Caso contrário, perderá o cargo de primeiro-ministro e estará a caminho da ignomínia, de investigações e possivelmente da prisão. Netanyahu precisa de se manter próximo de Trump. Ele precisa desta guerra.

Para atingir este objectivo, tem exercido a máxima pressão sobre os seus aliados mais próximos no governo, incluindo o Secretário da Defesa, Pete Hegseth, e o Comandante do CENTCOM, Brad Cooper. Ambos se opõem a um acordo negociado para a guerra que geriram de forma tão desastrosa; ambos pressionam para o retomar de grandes operações de combate. O Secretário de Estado Marco Rubio e o diretor da CIA, John Ratcliffe, também seguem a liderança de Netanyahu, assim como os líderes do Partido Democrata. Numa reunião recente sobre o assunto, o ex-Presidente Barack Obama disse que se opõe ao actual acordo de paz com o Irão que está a ser preparado em Doha.

O resto dos aliados de longa data dos Estados Unidos no Médio Oriente está aterrorizado com a perspectiva de mais guerra. A 27 de Setembro, Netanyahu voou secretamente para Abu Dhabi para tentar convencer os Emirados Árabes Unidos a juntarem-se à sua campanha por um ataque final ao Irão. Os Emirados recusaram. Após oito meses de conflito, as economias do Golfo estão a cambalear. O mesmo acontece com os mercados globais de energia e de fertilizantes. Não se recuperarão tão cedo. Globalmente, existem cerca de 850 superpetroleiros utilizados para transportar petróleo dos produtores para o resto do mundo. Só em Outubro, 11 deles foram gravemente danificados em Ormuz. A este ritmo, uma depressão global está iminente. Um ataque nuclear aceleraria radicalmente a destruição. A precipitação radioactiva de uma explosão em solo no Monte Pickax contaminaria o Golfo Pérsico, envenenando o abastecimento de água de 100 milhões de pessoas.

E estas são apenas algumas das consequências imediatas para a região. O resto do mundo está igualmente exposto. Nenhum país, para além dos Estados Unidos, utilizou alguma vez uma arma nuclear em guerra. Alguns gostariam de usar. Um ataque nuclear americano ao Irão criaria um novo precedente. Os russos já disseram a pelo menos dois outros governos que um ataque nuclear norte-americano ao Irão os libertaria para usar armas nucleares contra a Ucrânia. O Paquistão e a Índia seriam tentados a fazer o mesmo um contra o outro, tal como a Coreia do Norte contra Seul. Após o primeiro ataque nuclear, a Terceira Guerra Mundial é inevitável. Esta guerra seria curta e definitiva.

Há meses que caminhamos sonâmbulos para este momento. Desde Fevereiro que o governo tem vindo a reescrever discretamente a doutrina nuclear americana para facilitar e, portanto, tornar mais provável a primeira utilização das chamadas 'armas nucleares de campo de batalha' Ninguém em Washington, de nenhum dos partidos, parece incomodado com isso. Agora, estamos à beira do precipício.

Observadores atentos dizem que Trump provavelmente decidirá até ao próximo fim de semana se usa ou não armas nucleares. Isso seria a 7 de Novembro, daqui a seis dias. Para seu crédito, ele está a hesitar. Neste momento, Trump está a ouvir o seu vice-presidente, JD Vance, e o seu enviado e amigo Steve Witkoff, ambos a defender que um acordo com o Irão pode ser feito.

Têm razão, embora não seja simples. Os iranianos são notoriamente difíceis de negociar em qualquer circunstância, e elementos do seu governo radicalizaram-se desde o assassinato do ayatollah Ali Khamenei e da sua família, em Fevereiro. Após décadas de isolamento, até os líderes iranianos relativamente moderados parecem confusos com a forma como as decisões são tomadas no Ocidente. (Há uma crença generalizada em Teerão, por exemplo, de que o governo dos Estados Unidos controla Israel.) Mas, no geral, as pessoas que falaram com as autoridades iranianas afirmam que existe um consenso de que mais guerras são más para todos e que um acordo vale a pena.

Um grupo que ainda não foi consultado é a população mundial — as centenas de milhões de pessoas que serão mortas, juntamente com os seus filhos, se Trump for pressionado por Netanyahu para lançar um ataque nuclear na próxima semana. Agora seria o momento de se manifestarem."

 

Sendo certo que ninguém se vai manifestar (as forças que financiam e motorizam os protestos de rua no Ocidente estão do lado da destruição civilizacional, e não da paz e da prosperidade), há neste texto de Carlson muito para dissecar. O simples facto de os EUA estarem à beira de utilizar armas nucleares para defender os interesses e as ambições de um político de um país estrangeiro é por si só bizarro, tanto como o recurso a esta solução extrema não estar sequer relacionada com qualquer ameaça à segurança dos próprios Estados Unidos.

E o comentador norte-americano está carregado de razão quando diz que a volição niilista em Washington é bipartidária. A Casa Branca é tão refém de Telavive como o Capitólio e nem as eleições intercalares vão mudar seja o que for: o Regime Epstein não se deixa dividir entre republicanos e democratas, neoconservadores e neoliberais. Trata-se de um aparelho totalitário de natureza escatológica e não ideológica.

Ninguém também percebe bem a posição dos reinos do Golfo, neste momento. Se o Pentágono deixar cair sobre o Irão um engenho nuclear, é mais que certo que estes países serão seriamente afectados não só pela radiação libertada, mas também pela retaliação de Teerão, que será sem qualquer dúvida terrível. As infraestruras energéticas e de tratamento da água potável de toda a península arábica serão certamente atingidas, deixando as populações locais, que vivem literalmente num deserto, numa situação desesperada e a economia global na direcção, que na verdade já parece inevitável, do colapso sistémico.

Acresce que essa retaliação iraniana, que atingirá também Israel, servirá ao regime sionista, aberto o precedente, como justificação para a utilização das suas próprias armas nucleares. E depois disso acontecer, tudo o que nos resta é rezar para que a humanidade sobreviva ao mais dantesco dos cenários.

O casal Morris, do Redacted, comenta também, com visível preocupação, o texto de Tucker Carlson e a eventualidade da Casa Branca tomar a pior das decisões, desde que Truman autorizou a missão do Enola Gay, a 6 de Agosto de 1945.