domingo, setembro 13, 2026

Um número para a escadaria do cosmos.

O assunto dissertado pelo impecável Chris Lehto no vídeo que deixo na conclusão deste texto não é tão maluco como podemos pensar. "Como em cima, assim em baixo" é um velho axioma de sabor esotérico - e gnóstico - que na verdade todos nós já pressentimos ou registámos casualmente na observação da natureza: a escala varia mas a função e - em muitos casos - o desenho permanecem equivalentes.

Vemos universos ao microscópio e complexidades moleculares pelo telescópio. Comparamos estruturas quânticas com sistemas macro-físicos, o cérebro humano com o universo inteiro; vemos fábricas em protéinas, cidades em células, árvores em cristais, rendilhados fractais nos alvéolos pulmonares, predadores em bactérias, sinapses entre galáxias.

Um protão e uma estrela têm mais em comum do que a imaginação de Horácio pode suspeitar. 

O protão é um núcleo denso, rodeado essencialmente por um campo vazio, electromagneticamente carregado. O sol é um núcleo denso, rodeado basicamente por um campo vazio e electromagneticamente carregado. O núcleo de um átomo tem 99,9% da sua massa. O Sol tem 99,8% da massa do nosso sistema solar.

Há padrões que se repetem em cima e em baixo e por todo o lado. 


Há uma hierarquia de organismos dentro de organismos que usam mecanismos diferentes para cumprirem objectivos semelhantes: a célula tem um metabolismo, pratica a homeostase, alimenta-se e reproduz-se. O ser humano, constituído por 40 triliões de células, também.

Até porque o objectivo primeiro da vida é ser vida. Independentemente da escala, da densidade e da termodinâmica de um dado ecossistema. 

E o homem, que vive em baixo, foi criado - segundo o Genesis- à imagem de Deus, que vive em cima.

Chis Lehto propõe uma teoria que até pode estar completamente equivocada, mas que não deixará nunca de ser lindíssima. Ele divide as escalas do cosmos em duas Oitavas Cósmicas:  A primeira oitava parte do protão e termina no planeta Terra, progredindo em dimensão numa potência de mil. A segunda oitava parte do Sol e termina no Universo observável, numa escalada também multiplicável por mil.



O número mágico destas progessões em escala, segundo as contas de Lehto é 1024. Ou seja, 1 quadrilião (1.000.000.000.000.000.000.000.000). A exacta potência  que diferencia em escala o raio da C. elegans, uma espécie de nematódeo da família Rhabditidae que mede cerca de 1 milímetro de comprimento, do raio da Via Láctea. Um número redondo que é, pelo facto de ser redondo, por si só enigmático.

A diferença de escala entre o protão e o sol é de 1023.92. Similar relação de grandeza encontramos entre o ser humano e Virgo, um superaglomerado de galáxias: 1023.89.

Letho dá exemplos dentro das suas oitavas cósmicas do mesmo índice numérico, que variam apenas entre 1022.93 e 1024.67.

A grande sinfonia do cosmos progride com extrema coerência matemática:



É verdade que, como Lehto reconhece, os seres humanos têm uma tendência para identificar padrões onde eles não existem.

É verdade que algumas das unidades escolhidas como referências de escala parecem mais ou menos aleatórias.  

Mas esta parece uma correlação que vale a pena explorar, porque é intuitiva e facilmente demonstrável, porque ecoa com outros programas de entendimento da realidade como a ressonância mórfica, o fine tuning e o desenho inteligente e, mais importante, porque procura encontrar uma ordem no caos, uma resposta para o mistério, um caminho para a consolação.

É sempre por aqui que devemos seguir.