Quanto mais anos somo, mas aprecio o pop paleolítico do Rei da Grande Popa. O homem tinha talento e só foi pena ter nascido tão bonitinho. Em honra do meloso Elvis, cabe nesta rubrica Paul Oakenfoald e a sua eléctrica versão de Rubberneckin'. Se estão sentados numa cadeira confortável, levantem-se agora.
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sexta-feira, abril 03, 2009
quinta-feira, março 19, 2009
REMIXVILLE | Track#17
Brad Mehldau interpreta ao piano o tema Paranoid Android, dos RadioHead (outra vez estes!). Agora digam lá que o rock não tem a dignidade de um qualquer Chopin. Digam lá, vá, se são capazes.
quarta-feira, março 11, 2009
REMIXVILLE | Track#16
Entra em cena o falecido senhor Frank Albert Sinatra, muito provavelmente, o mais notável trovador da história da humanidade. A versão é a do original Moon River de Johnny Mercer e Henry Mancini, interpretado por Audrey Hepburn no filme Breakfast at Tiffany's.
Mas eu cá tenho esta opinião que a música foi escrita para que o Old Blue Eyes a cantasse um dia. Senhoras e senhores, eis a América, o Mississipi e um bocadinho de Mark Twain, numa cantiga só.
Moon River, wider than a mile,
I'm crossing you in style some day.
Oh, dream maker, you heart breaker,
wherever you're going I'm going your way.
Two drifters off to see the world.
There's such a lot of world to see.
We're after the same rainbow's end,
waiting 'round the bend,
my huckleberry friend,
Moon River and me.
Johnny Mercer - 1961
Mas eu cá tenho esta opinião que a música foi escrita para que o Old Blue Eyes a cantasse um dia. Senhoras e senhores, eis a América, o Mississipi e um bocadinho de Mark Twain, numa cantiga só.
Moon River, wider than a mile,
I'm crossing you in style some day.
Oh, dream maker, you heart breaker,
wherever you're going I'm going your way.
Two drifters off to see the world.
There's such a lot of world to see.
We're after the same rainbow's end,
waiting 'round the bend,
my huckleberry friend,
Moon River and me.
Johnny Mercer - 1961
terça-feira, março 03, 2009
REMIXVILLE | Track#15
A primeira aparição dos Nouvelle Vague nesta rubrica tem que se lhe diga. Nada mais nada menos que um cover do original dos Dead Kennedys - "Too Drunk to Fuck". A versão conta com uma interpretação verdadeiramente inspirada da Dona Camille, a vocalista, e faz boa comédia da situação prosaica de se estar excessivamente bêbado para a competência que o libido sempre exige. Uma malha, mesmo.
terça-feira, fevereiro 24, 2009
REMIXVILLE | Track#14
Marvin Gaye, um mestre. E não preciso de dizer nada mais para além do que canta Anita Lane. Quem é que nunca sentiu realmente isto?
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
REMIXVILLE | Track#13
Tom Jones, já um pouco abalado pelo passar das décadas, canta "We Got Love", num quarto de hotel. Muita lindo.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
REMIXVILLE | Track#12
Aida no santo trilho de "Les Concerts a Emporter", é a vez dos The National, numa versão naturalista de "Start a War". Para ouvir em paz e sossego.
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
REMIXVILLE | Track#11
Atenção, muita atenção: chegou a hora de Señor Coconut! O Jim Morrison que dê os pulos na campa que forem precisos, estou-me nas tintas. Esta versão de "Riders on the Storm", vinda directamente do Caribe, é uma maravilha das maravilhas. Não acham?
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
REMIXVILLE | Track#10
Na já célebre passagem de ano que me aconteceu recentemente, descobri, por generosidade de um amigo, um croony que é de talento humorístico e de espalhafatosa centelha. Dá pelo nome artístico de Richard Cheese e vai aparecer mais vezes, aqui no RemixVille. Por enquanto e para já fica esta recambolesca versão de "Creep"(mais uma. Acho que é a quarta versão desta música em dez temas e acho que estou a abusar dos Cabeça de Rádio). Divirtam-se.
segunda-feira, janeiro 26, 2009
REMIXVILLE | Track#9
Mais uma preciosidade La Blogoteque: Os Vampire Weekend, enfiados numa carrinha, interpretam uma versão apertada de Mansard Roof. Onde se demonstra que, em definitivo, a arte pop é algo de muito desconfortável.
sábado, janeiro 24, 2009
REMIXVILLE | Track#8
Para falar, pouco que seja, sobre este tema, tenho que ter muito cuidado. É que ainda não consegui perceber se o original de Gloria Gaynor é:
a) Uma malha épica,
b) Um hino gay ou
c) um pirosismo.
Apesar de saber claramente que não sou maricas, tenho dúvidas grandes sobre o bom e o mau gosto. Seja como for, não me envergonho nada de assumir uma relação passional com esta versão dos Cake. Há aqui um solo de guitarra que me diz, com voz de metralhadora: deverás sobreviver. E, até ver, tenho acreditado nisto.
a) Uma malha épica,
b) Um hino gay ou
c) um pirosismo.
Apesar de saber claramente que não sou maricas, tenho dúvidas grandes sobre o bom e o mau gosto. Seja como for, não me envergonho nada de assumir uma relação passional com esta versão dos Cake. Há aqui um solo de guitarra que me diz, com voz de metralhadora: deverás sobreviver. E, até ver, tenho acreditado nisto.
segunda-feira, janeiro 19, 2009
REMIXVILLE | Track#7
Recuo para o Verão de 1998. Estou a viver em Santos-o-Velho, nas águas furtadas de um edifício que tem seguramente uns 250 anos e uma acústica doida. A rua chama-se da Silva. Cai a noite quente sobre os telhados silenciosos quando ponho um disquinho a tocar. The K&D Sessions. A partir desse momento, oiço-o 16 horas por dia, durante semanas. Só consigo ouvir isto.
Hoje, já não lhe ligo grande coisa. Nem toda a grande música é elástica sobre o tempo. Salva-se porém uma versão intensa e dramática de "Useless", que me deixa invariavelmente enebriado. O trabalho de percussão é de espantoso e germânico rigor técnico e os Depeche Mode nunca soaram tão bem na sua vidinha de banda média. Façam boa viagem.
Hoje, já não lhe ligo grande coisa. Nem toda a grande música é elástica sobre o tempo. Salva-se porém uma versão intensa e dramática de "Useless", que me deixa invariavelmente enebriado. O trabalho de percussão é de espantoso e germânico rigor técnico e os Depeche Mode nunca soaram tão bem na sua vidinha de banda média. Façam boa viagem.
sexta-feira, janeiro 09, 2009
REMIXVILLE | Track#6
Sempre que entro no Fusco-Lusco, estou a aprender qualquer coisa de novo. E isso é, se calhar, o melhor que pode acontecer a quem visita um blog. Desta vez, o ilustre autor decidiu apresentar à plateia um sitio que tem um toque de génio e é recomendável apenas aos desgraçados que amam realmente a música. Todos os outros estarão aqui a perder tempo. É necessário estar-se verdadeiramente embriagado de paixão pela música para ir ao ponto zen de La Blogotheque. Mas compensa à brava. Na brilhante série de clips que constitui a lista Les Concerts a Emporter descobri este momento de pura transcendência que cai a matar no Remixville: Kele Okereke e Russell Lissack, dos Bloc Party, interpretam uma versão de This Modern Love estranhamente bela, à saida de um bar em Paris. É uma coisa pura como o diabo, destituída de tudo menos do que é autêntico, no poema e na melodia. É uma coisa tão natural que nos perguntamos se existe de facto. Eu recomendo, mesmo, que parem tudo durante um bocadinho, aumentem um pouco o volume, e oiçam isto:
Bloc Party, 'This Modern Love' - A Take Away Show from La Blogotheque on Vimeo.
Bloc Party, 'This Modern Love' - A Take Away Show from La Blogotheque on Vimeo.
segunda-feira, dezembro 29, 2008
REMIXVILLE | Track#5
Inventado em 1965, por Mick Jagger e Keith Richards o tema "(I Can't Get No) Satisfaction" nunca mais deixou de incendiar os apetites adolescentes das várias gerações que entretanto foram paridas.
É um super clássico do Rock'n Roll e com toda a justiça, porque tem os ingredientes todos: rebeldia sem causa, sexo, poesia e uns riffs de cair para o lado.
Uns bons 20 anos depois da sua composição, um grupelho de extravagantes robots popularmente conhecidos por D.E.V.O. ("Q: Are we not men? A: We are D.E.V.O.") decidiu revisitar o grande êxito dos Rolling Stones, eliminando quase por completo o trabalho de Richards e sobrepondo-lhe uma linha de percussão minimal e repetitiva que é de génio a valer. A coisa também se torna interessante porque o andróide vocalista parece ter sido ligado à corrente eléctrica.
É com os D.E.V.O., e com o imortal assunto da insatisfação humana, que me despeço até para o ano. Shake a leg!
É um super clássico do Rock'n Roll e com toda a justiça, porque tem os ingredientes todos: rebeldia sem causa, sexo, poesia e uns riffs de cair para o lado.
Uns bons 20 anos depois da sua composição, um grupelho de extravagantes robots popularmente conhecidos por D.E.V.O. ("Q: Are we not men? A: We are D.E.V.O.") decidiu revisitar o grande êxito dos Rolling Stones, eliminando quase por completo o trabalho de Richards e sobrepondo-lhe uma linha de percussão minimal e repetitiva que é de génio a valer. A coisa também se torna interessante porque o andróide vocalista parece ter sido ligado à corrente eléctrica.
É com os D.E.V.O., e com o imortal assunto da insatisfação humana, que me despeço até para o ano. Shake a leg!
terça-feira, dezembro 23, 2008
REMIXVILLE | Track#4
Ainda na companhia dos Radiohead, deixo-vos como presente de Natal uma versão-latina-américa de High and Dry, interpretada por uns senhores chamados El Lele De Los Van Van e retirada do muito agradável álbum "Rythms Del Mundo", projecto que apresenta surpreendentes revisões latinas de alguns dos mais brilhantes êxitos da história pop/rock recente. Uma verdadeira pérola, até na tradução para o castelhano. Feliz Navidad!
quinta-feira, dezembro 18, 2008
REMIXVILLE | Track#2/3 - Adenda
Com a contribuição do meu amigalhaço Carlos Rafael, segue a versão de Creep, segundo Brandi.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
REMIXVILLE | Track#2/3
Esta versão maravilha do célebre tema dos Radiohead, encontra-se dentro de um não menos celestial disquinho chamado "Anyone Can Play Radiohed" e mata-me deveras. Aleister Einstein impõe com brilhantismo um ambiente sofisticado a um original que sempre foi bastante cru, num trabalho interessante até sob o ponto de vista da sonoplastia. Ora oiçam:
Entretanto lembrei-me que tinha para aqui uma espécie de EP dos Radiohead ("My Iron Lung" de 1994) em que a banda decide oferecer à gentil plateia um versão acústica de Creep. Ainda mais crua e talvez com o melhor registo vocal da vida artística de Thom Yorke, o que não é dizer pouco. Senhoras e senhores, segue-se um arrepio na espinha.
Entretanto lembrei-me que tinha para aqui uma espécie de EP dos Radiohead ("My Iron Lung" de 1994) em que a banda decide oferecer à gentil plateia um versão acústica de Creep. Ainda mais crua e talvez com o melhor registo vocal da vida artística de Thom Yorke, o que não é dizer pouco. Senhoras e senhores, segue-se um arrepio na espinha.
segunda-feira, dezembro 15, 2008
REMIXVILLE | Track#1
Já aqui escrevi sobre a minha Teoria do 1. Queria demonstrar na altura - como agora - que a perfeição artística não tem plural. Em certo sentido - o estético - podemos dizer que o produto do génio humano é de natureza igualitária. E que o caminho para este específico nirvana é o da repetição. O conceito de repetição como caminho para a perfeição agrada-me. Sou por isso um maluco das versões, dos covers e dos remixes todos: na literatura, nas artes plásticas, no cinema, no teatro e, claro, na música. Nesta longa série de covers que começo hoje a postar, está implícita uma epopeia da diversidade - é certo - mas sempre sobre um mesmo tema. Está em jogo a devida reverência perante o que é absolutamente glorioso. E a tentativa de subir a fasquia.
Acho, por exemplo, muito louvável para a comunidade académica que os Sex Pistols se tenham decidido, numa noite de abuso do cavalo, a apresentar ao mundo a sua versão da versão que Frank Sinatra teve, a dado momento, da sua vida. A interpretação é satírica mas, para mim, não é a sátira que vale. É o objecto que revive nela. Ele próprio um repetidor de outros enormes génios, ele mesmo génio por si mesmo, Sinatra vai assinar a fechadura desta rúbrica, daqui a uns meses valentes (segundo espero). E se as pistolinhas do sexo valeram por alguma coisa, na sua infame existência, foi só por causa desta boa ideia que tiveram: I did it, in a punk way.
Acho, por exemplo, muito louvável para a comunidade académica que os Sex Pistols se tenham decidido, numa noite de abuso do cavalo, a apresentar ao mundo a sua versão da versão que Frank Sinatra teve, a dado momento, da sua vida. A interpretação é satírica mas, para mim, não é a sátira que vale. É o objecto que revive nela. Ele próprio um repetidor de outros enormes génios, ele mesmo génio por si mesmo, Sinatra vai assinar a fechadura desta rúbrica, daqui a uns meses valentes (segundo espero). E se as pistolinhas do sexo valeram por alguma coisa, na sua infame existência, foi só por causa desta boa ideia que tiveram: I did it, in a punk way.
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